22 agosto 2012

Eu,um desviado parte 2


Reli por esses dias o post entitulado "Eu, um Desviado". Foi como olhar para uma foto antiga, nas quais geralmente não gostamos do que vemos: "Humm...olha esse penteado", ou "Meu Deus, que roupa é essa que eu estava usando". Com certeza, eu sabia e sei hoje que meu estado de espírito então não era dos melhores e escrevi o artigo como um desabafo, o que geralmente faz com que falemos coisas duras e ásperas, embora temperadas com realidade e verdade. Como disse antes, não vou aqui deletar o que escrevi, nem editar para dourar a pílula. Me propus a descrever aqui minha caminhada espiritual, como o diario de um soldado num front distante, e na época, o soldado estava ferido... quase que mortalmente. Mas não é essa a realidade da batalha? Não é disso que nos fala tantos salmos e passagens proféticas onde vemos o vaso de Deus só derramar indignação e angústia provenientes de um coração ferido e uma alma aturdida com tanta desolação ao redor, mas, principalmente, dentro de si? Que Bíblia estamos lendo afinal?

Nós, seres humanos, somos ótimos para avaliar o momento pelo qual um indivíduo está passando e avaliar o tal pela situação em que se encontra, como se ele fosse final, sem volta. A Graça que desejamos para nós não é a que usamos para medir o próximo. Nós mesmos somos os primeiros a avaliar mal nosso momento, seja ele bom ou mau. Sempre somos levados a pensar que, ou só teremos flores pelo caminho, que tudo vai dar certo sempre, ou, quando caímos de joelhos, que nossa prostração significa que Deus esconderá seu rosto permanentemente, que fomos rejeitados, reprovados, chamados, sim , mas dispensados antes do fim. Aplicamos a nós mesmos a DESgraça do mundo caído e nos privamos da Graça que tempera e nos faz aceitáveis a Deus e a nós mesmos, pois todos sabemos o quanto somos insuportáveis, instáveis e detestáveis em nosso íntimo. Quem consegue ver algo diferente dentro de si, mesmo depois de ter um vislumbre da Graça, vá em frente, quero conhece-lo.

Meu "momento", me dizia então: "Não suporto minha própria hipocrisia, quanto mais a dos outros", atestando com isso que, por estar ferido, eu precisava de cura, de ser tratado no íntimo, de que eu não estava pronto do modo como pensava, porque o Amor tudo suporta, tudo sofre. Meu "momento" me dizia: "Alguns animais nascem para andar em bandos..outros para serem solitários", atestando outro fator comum numa pessoa que está passando pelo Vale de Baca, o Vale das Lágrimas que leva a Sião, ou, se preferir, pelo vau do Jaboque, o Peniel de Jacó: o sentimento de solidão, de abandono, a angústia de ter que lutar com o desconhecido pensando que ele quer tirar sua vida, sem saber que Ele quer te abençoar. Quando ficamos muito cáusticos, é hora de ser tratado sozinho, é a hora que Deus ter um particular com você, como teve com Elias quando este esteve na caverna fugindo do dever ou com Jonas no ventre da baleia: "Filho, como é que vai ser? Do meu jeito ou do seu?"

Isolar-se é o último recurso da alma que teme a Graça transformadora diante do último movimento de DEUS no tabuleiro que antecede o xeque-mate.
Eu sou realmente a centesima ovelha e pode até ser verdade que tenha muitas ovelhas preferem se isolar das outras por alguma frieza e beligerancia que receberam no aprisco no qual estavam alojadas, mas o Pastor, ao saber disso, trata suas feridas onde ela se encontra, seja num vale deserto, seja num despenhadeiro, depois a coloca nos ombros e a carrega de  volta. A ovelhinha protesta: "Espera aí, meu Bom Pastor, o senhor está me levando de volta para aquele lugar?" O Bom Pastor responde: "Estou te levando de volta para o único lugar que você pertence" e  a coloca de volta no aprisco, mas não no mesmo,  mas num aprisco destinado a ovelhas que como ela mesma se feriram, ficaram confusas e se isolaram. Ali, elas recebem consolação mútua, pois foram feitas para estarem juntas e nunca julgar as que chegarem pelo trato dos pelos, pelas machucaduras na pele, pelos traumas impostos. Se você, como eu um dia, está achando que acabou e vai passar o resto de seus dias vagueando sem rumo, está enganado. Seu Bom Pastor vai providenciar para você um aprisco, mesmo que seja um lugar mal visto e mal falado, como a caverna de Adulão, onde só vinham os renegados, os de má fama, os reputados como párias. Pode demorar, até mesmo o tempo de uma peregrinação no deserto, mas vai chegar, pois nosso Abba deseja que venhamos a discernir completamente o Corpo de Cristo.

I Cor. 11.28-30 é muito usado nos cultos de Ceia, mas a verdade exposta ali é muito mais profunda e ainda não foi alcançada por muitos por causa da mentalidade ritualística reinante. Muitos entre nós estão fracos, doentes e em vias de morrer espiritualmente por não discernir completamente o organismo para o qual foram gerados. Uma célula só pode alcançar o objetivo para o qual existe dentro do contexto do organismo para o  qual foi projetada para atuar. Fora dali, ela não serve para nada, espiritualmente falando. Paulo dizia que o modo como os coríntios se apresentavam para a Ceia era indigno, pois nem mesmo respeitavam-se uns aos outros, atropelando-se à mesa. Em I Cor. 3, Paulo fala que havia entre eles havia inveja, divisão, contendas porque eram carnais e mundanos, ou seja, não é o  efeito antes da causa e a causa era que sua atitude em relação ao Corpo era nociva e em franca rebelião ao trabalhar do Espírito Santo.

Ora, essa atitude não denota simplesmente que deixaram de cumprir um ato de contrição formal bem ao gosto da superficial religiosidade atual, mas que  menosprezavam-se uns aos outros, querendo a melhor parte do bolo. Logicamente, isso atrai o juízo de Deus: I Cor.11.32.NVI-"Quando, porém, somos julgados pelo Senhor, estamos sendo disciplinados para que não sejamos condenados com o mundo". Como diz o pastor Marcos de Souza Borges "todo juízo de Deus que experimentamos é um atestado do investimento divino".

Ligada ao Corpo e a sua Cabeça ela pode e deve gerar vida segundo sua espécie, como uma semente que tem a vida em si mesma, a qual não pode fugir à sua natureza. Não adianta nada ficar se autoexaminando a fim de se fazer apto para participar de um rito e continuar desprezando o fato de que eu e você fomos chamados e escolhidos para atuar como extensão do ministério iniciado na Galiléia com os talmidin de Jesus. Quem não discerne isso ainda, deve ser disciplinado pelo Senhor até estar apto a enxergar que estava fraco e doente por desprezar Seu Corpo, o único lugar no qual recebe Poder para crescer em estatura e varonilidade.

Quando vivemos na Lei, basta que tenhamos um lugar como o Templo em Jerusalém, um lugar onde afluiam as pessoas com grande alarde para adentrar em suas magníficas dependencias e ali participar dos serviços que os sacerdotes ministravam, adoração, sacrifícios, quem sabe até uma palavra inspirada do sumo-sacerdote, e incentivando a dar fruto e prosperar em sua vida cotidiana, afinal, você é filho de Deus, etc. Quando a Graça nos atinge, ter um Templo aonde se possa adorar e levar seus sacrifícios é apenas um detalhe.

Você sabe que precisa de um lugar para ser autêntico, sincero sobre seus medos e fraquezas, um lugar onde veja que não é o único a ter dúvidas sobre seu chamado e  aquilo que DEUS está falando em seu coração, um lugar onde não vão lhe dar respostas prontas tiradas de um esboço de sermão, mas respostas alcançadas por quem cavou poços no deserto em tempos de crise e que não vive como um super-herói da fé, mas como alguém, que, como você, tem alcançado Misericórdia e que é mais um peregrino do coração, como está dito no Salmo 84,5.               

Contudo, continuo desviado da religião que se diz cristã, desse monte de doutrinas, regimentos, costumes, tradições, meninices, heresias, absurdos, eventos,mandos e desmandos de homens que barateiam seu chamado, trocando a Graça por algo bem menor. Quero o caminho dos peregrinos do coração, o Caminho que leva ao Monte Sião, aquele que teve os montes aplanados e os vales exaltados pela Voz Daquele que clama no deserto da minh`alma. Por fim, vejo claramente que o objetivo do Caminho é fazer com que a Palavra escrita nas páginas do Livro Sagrado se cumpram profeticamente em nossas vidas, se tornando um conhecimento adquirido, purificado pelo fogo, do qual sairá metal precioso (pois o bronze é um símbolo de prova, tribulação, a prata fala da justiça de Deus que brota da purificação e o ouro é a Glória de Deus que reveste a vida daquele que é aprovado).

Não julguem o ferido, aquele que está se escondendo de Deus em cavernas ou no ventre de baleias, ele é um escolhido sendo purificado pelo sofrimento. Se você apontar o dedo hoje para ele, será envergonhado no dia em que o vir restaurado como um príncipe e sendo usado como instrumento de justiça. Esse é o penoso trabalho das mãos de Deus, nos tonar vasos para Sua honra, o qual Ele mesmo suportou pois, como está dito em Isaías 53, quando era ferido por nossas transgressões, o reputamos como um ser oprimido pelos próprios pecados e ferido por Deus por seus próprios defeitos.    

Com efeito "todas as coisas cooperam para o Bem daqueles que amam a Deus, os que foram chamados segundo o Seu proprósito" - Romanos 8.28                                                

2 comentários:

Anônimo disse...

Já saímos do mar de agustias, mas ainda não encontramos a caverna.

ALDO VIEIRA disse...

Broder, tenho encontrado em minha cidade um lugar onde as pessoas aprenderam a andar em fraqueza para fortalecer uma as outras . Mas o principal é deixar DEUS te matar antes, para que nada humano possa te ferir mais uma vez no processo. Um abraço.

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