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O perigoso campo das idéias


A DITADURA DOS PRESSUPOSTOS





O ser humano foi agraciado com o dom de se expressar através da fala, com o poder de articular seus pensamentos em formas verbais e, assim, transmitir aquilo que sente e discerne sobre todas as coisas. Usando esse dom, o homem elevou-se da mera animalidade para tocar a atmosfera do espírito através das artes, como a música, a poesia, o teatro. É sabido que nenhuma dessas expressões da volição humana causaram efeitos negativos na história humana e nunca foram a causa das guerras e injustiças que permeiam nossa história. Não foi à toa que toda essa esfera foi jurisdição do sagrado na Antiguidade e toda alma que se dedicava a elas era tida como sacerdote e interlocutor dos poderes que poderiam inspirar espiritualmente o homem.



Porém, saindo desse campo, vemos que aquilo que é a uma das maiores dádivas dadas ao ser humano, torna-se uma das maiores causas para dissenções e confrontos desnecessários quando chegamos ao campo das opiniões e idéias. Dois seres humanos podem concordar cincunstacialmente sobre alguma coisa e discordar de modo final sobre um único ponto. Podemos concordar sobre os objetivos e discordar sobre os meios para obte-lo. Essa tem sido a tônica da humanidade em todas as áreas, até as mais básicas. Através de uma boa argumentação uma pessoa até pode convencer outra sobre algum ponto e ganha-la para seu lado, mas, na maioria das vezes, o que surge são polaridades e partidarismos. A partir dessas bifurcações, todo sistema filosófico e religioso proposto estilhaçou-se em milhares de fragmentos moldados à imagem e semelhança de seus proponentes.  Vivemos ainda debaixo da maldição de Babel sem nunca podermos nos aproximar de uma síntese que nos leve de volta ao essencial. O espírito humano decaído tornou o campo da mente, do raciocínio um labirinto sem saída. Assim, geralmente, aquilo que inicialmente era uma busca em comum, torna-se novamente divergência de opinião, num eterno retorno ao sentido do mito da caverna de Platão. Quem poderia então fazer-se inteligível?



Platão divergiu de Sócrates e fundou sua Academia, Aristóteles divergiu de Platão e fundou o Liceu, do cinismo surge o estoicismo, Krishnamurti separou-se de Besant e Leadbeater, seus mestres da Sociedade Teosófica, o budismo de de Sidharta se divide nas escolas Mahayana e Hinayana, Jung diverge de Freud e Nietzche diverge de todos. Até Paulo e Barnabé divergiram fortemente sobre uma simples questão e, a partir de então, andaram separados um do outro (Atos 15.38). Ainda hoje, é mais difícil que dois filósofos concordem entre si sobre aquilo que é essencial do que concordarem mutuamente que a Pepsi é melhor do que Coca-Cola.        



Entre os religiosos, a situação não é melhor. O ramo reformado do cristianismo, do qual procede toda profusão de subdivisões e vertentes do cristianismo atual exibe o fruto do pensamento humano em toda sua exuberância, sem mencionarmos todas as outras interpretações oriundas da mesma fonte, os Evangelhos. A situação do ser humano, cativo de suas opiniões, parece irremediável nesse quesito.



A ferramenta do raciocínio é útil e desejável para exprimir idéias através de palavras, mas o falar é um instrumento limitado demais e nosso entendimento e vontade são voláteis como palha seca, estamos prontos  a nos determos nas vírgulas e fazermos de um ponto algo ao qual nos apegamos tenazmente.



Até mesmo Aquele que dividiu a História por seus atos e palavras, não ficou imune à ditadura dos pressupostos e submeteu-se ao escrutínio de homens que provaram de sua Palavra, a qual ainda é louvada pelos mais diversos segmentos da humanidade, de filósofos agnósticos a religiosos fundamentalistas. Ele tocou os extremos. Ninguém de que se tem notícia, pôde contradize-lo quanto à sua lógica e maneira de ver e viver a vida, algo esperado de alguém considerado o maior dos mestres humanos por muitos e um enviado dos céus por outros. Contudo, mesmo Ele sentiu na pele as contradições dos homens, muitos dos quais, arraigados em suas opiniões pessoais, mesmo em face da Verdade, não a conheceram, como Pilatos. Isso equivale a dizer que JESUS escolheu fazer uso da mesma ferramenta limitada a qual estamos acostumados e que muitos, ao ouvi-lo, poderiam julga-lo de acordo com suas próprias idéias, ou seja, julga-lo mal e interpetra-lo de acordo com seus pressupostos.



Isso ocorre ainda hoje quando vemos que muitos, como já falamos, de ateus a xiitas, sentem que sua doutrina moral, religiosa ou ética é perfeitamente aceitável, mas, como sabemos, escolhem dentro daquilo que está escrito aquilo que suas razões lhes diz como aceitável dentro de certos parâmetros. Por exemplo, um muçulmano pode honrar as palavras de JESUS até certo ponto, para logo em seguida, descarta-lo como legítimo Filho de Deus, porque para ele Deus não pode gerar filhos e nem morrer como homem. Para um filósofo, a doutrina moral e ética de JESUS mostrada no Sermão do Monte, pode ser suficiente e mostar tudo que é essencial para a vida, todo o resto, todos os milagres e atos de poder, inclusive a ressurreição, podem ser descartados como pensamento mágico e crendice supersticiosa. Para um esotérico ou budista, a Verdade que JESUS pregou está no autoconhecimento e em descobrir que Deus já está dentro de cada um e tudo o mais ali é simbólico. Podemos jogar fora os conceitos judaicos, a cultura da qual JESUS fez parte, usados ali como morte sacificial para expiação e perdão de pecados.



Em comum, todos esses sistemas dizem a mesma coisa. Você consegue enxergar o que é? Primeiro, que a cosmovisão das pessoas são as lentes através das quais elas leem os Evangelhos. Segundo, que, geralmente, essas lentes as fazem entender que aqueles que escreveram aquelas linhas não entenderam exatamente aquilo que Cristo disse e registraram sua mensagem de acordo com suas próprias opiniões, como é de praxe no ser humano, as quais poderiam estar erradas, ou pior, dolosamente engendradas para enganar e falsear a mensagem.



Eu sei disso, porque eu mesmo já fiz isso. Leio os Evangelhos desde menino, como parte da educação que recebi, como muitos outros, mas só fui me dar conta de que o lia com minhas próprias lentes até por volta dos 27 anos de idade. Lia muito até então sobre muitas coisas espiritualistas, desde gnose até ocultismo, passando por toda aquela coisa sobre alienígenas, pirâmides, etc. Um dos livros que mais me marcaram em toda vida e despertou meu interesse nessa época foi "O Despertar dos Mágicos", escrito sob o ponto de vista de que a História que nos foi mostrada é uma conspiração que esconde uma realidade espiritual. Isso veio de encontro àquilo que estava dentro da minha alma e influenciou bastante minha visão de mundo. Sempre pressenti algo além das cores da realidade.



Mas cansei de correr atrás de mim mesmo, nas trevas do autoconhecimento, pois nunca consegui sequer um lampejo de luz nessa senda. O Jesus que lia nos Evangelhos através de minhas lentes não conseguia fazer nada por mim. Até que um dia, de modo impressionante, senti que, ao ler um livro ocultista sobre o mundo dos feiticeiros (do autor Carlos Castaneda e sua impressionante descrição do mundo dos feiticeiros indígenas do Novo México), algo que me dizia internamente de modo claro, embora não ouvisse uma voz audível: "Você  acredita que essa descrição de mundo é real mas não consegue acreditar em tudo que deixei escrito sobre mim. Por que?"



A partir dali, vi que minhas lentes embaçavam boa parte do que estava escrito sobre JESUS e me propus a ler o Evangelho decidido a examina-lo como ele é, deixando a interpetação que ali foi dada de JESUS e seus feitos falassem por si. O que descobri mudou minha forma de ver e me relacionar com aquele JESUS tão meu conhecido e ao mesmo tempo tão distante. Descobri que Ele queria que eu me relacionasse com Ele de forma mais pessoal, o sentia perto, muito perto, como uma pessoa real ao meu lado.



Obviamente, como as palavras são ferramentas limitadas, tal experiência e o sentimento que ela traz não podem ser transmitidas fidedignamente. Só posso dizer que há um sentimento indescritível de paz, perdão e aceitação, e de que todas as coisas podem se fazer novas em sua vida através daquela paz indizível. O passo seguinte te leva a querer se aproximar ainda mais e conformar sua vida àquilo que sentiu.



E reconhecer que suas lentes estavam erradas traz humildade suficiente para que você também reconheça que Deus pode estar nos lugares em que você nunca o procuraria antes. Eu tinha aversão a crentes. De certa forma, entendo hoje porque a maioria das pessoas também não gosta. A maioria deles ainda é superficial e pouco espiritual e muito apegados ao exterior e ritualismos e afeitos a julgamentos de valor sobre as pessoas.



A ditadura dos pressupostos diz que por falarem do Perfeito, suas ações deveriam ser perfeitas, mas anos e anos de cativeiro no Egito cobram seu preço. JESUS não veio para os perfeitos, os que se julgam sãos, os moralmente sadios. Sou fraco e imperfeito, de modo que me coloco entre meus semelhantes para ver se aprendo com Aquela Voz que nunca ouvi entre os sábios desse mundo.



Como Chesterton disse, me tornei como ele, alguém que "ousadamente descobriu o que já havia sido descoberto antes" e que "ao dar os últimos retoques na minha heresia, descobri que era ortodoxia". O campo das idéias nada mais é que a ditadura dos pressupostos, onde a vontade do ego te leva às respostas que você espera por sua própria dedução. É a zona de conforto do eu, diferente da revelação que te leva a um lugar que você pensava não existir e ao qual, na maioria das vezes, você não gostaria de ir por si mesmo.



Mentes gregas procuram a sabedoria do mundo, o mundo das idéias, da retórica, da argumentação sem fim, dos silogismos e circunlóquios que induz o ser a procurar sempre uma nova argumentação, ad infinitum, a serpente do autoconhecimeno mordendo o próprio rabo. Já provei desse fruto e digo que não o quero nem o desejo mais.



A Revelação produz quietude, muito prezada em todas as religiões, mas a argumentação lógica (ou ilógica em alguns casos, mas com cara de sabedoria) a filosofia, produz inquietude e ansiedade. E, não raro, frustração por não poder fazer-ser entender e prevalecer um ponto de vista. Explicar a Revelação é incorrer em argumentação e fazer aquilo que é fruto do Espírito cair para o campo infértil das idéias, onde será julgada pelos pressupostos de outrem. Essa, como o ser humano já deveria saber, é a parte inútil do dom das palavras, como prova tudo aquilo que nos separa hoje. Por isso, as palavras, a pregação em si, a retórica, em toda Tradição cristã não é nada sem a ação do Espírito Santo agindo para derrubar os pressupostos.



Não posso, se quero ser justo, emitir juízo de valor sobre quem quer que seja que diga ter tido algum tipo de revelação ou iluminação que o levou a essa ou aquela prática. Tenho que ter a certeza interna e a paz que advém do fato que a Revelação que recebi não é falsa, mas verdadeira e que os frutos em minha vida falarão por si.



Tudo isso me levou a ponderar sobre, se pudéssemos estar presentes numa das pregações de JESUS, aceitaríamos a totalidade da sua pregação? Veríamos a Verdade nele? Mas qual Verdade? A minha ou a Dele? A minha verdade se conformaria a Dele? Ou deixaríamos nossos pressupostos falarem mais alto? Que atitude teríamos diante Dele? O julgaríamos um louco perigoso? Um bom mestre da Lei? Teríamos por Ele o temor de um profeta? Um filósofo? Um demônio (note que essa foi a opção de muitos judeus em face de seus atos)? Ou nos jogaríamos aos seus pés como se Ele fosse Deus, querendo ser perdoados, implorando para segui-lo? Fico pensando nas reações das pessoas e acho que muitas ficavam só olhando com olhar de matuto e pensando: "Sei não...Esse cara tá se achando muito", ou "Vou esperar pra ver o que acontece...Esses que o seguem são todos loucos", talvez dissessem "Ele curou mesmo aquelas pessoas, mas acreditar no que Ele disse que pode perdoar pecados...Isso é blasfemia"; ou então, quando revirou as mesas dos cambistas no Templo você ouviria que "Ele é desequilibrado, violento, pecou fazendo aquilo...Ele é muito nervoso para ser  um homem de Deus". Será que veríamos sua Luz a partir do nosso próprio prisma, como aquele jovem rico de boa qualidade moral, mas incapaz de deixar seus pressupostos? A Luz de JESUS para ele
se esmaeceu repentinamente quando o Mestre o confrontou e, a partir dali, JESUS já não era para ele grande coisa a ser considerada. Quantos de nós vamos preferir nos apegar àquilo que para nós tem muito valor, como se fosse um tesouro, deixando a maior riqueza escapar subitamente?
E se você estivesse convencido de que Ele era realmente quem disse que era e que veio para cumprir as Escrituras, que deveria ser morto e ressuscitar, em suma, que era o Messias, o Filho de Deus tão esperado, MAS... não aceitasse o tipo de Deus que Ele revelou que era? Como assim? Ora, partindo do pressuposto que sendo O Filho de Deus (note bem, não um filho, mas O Filho) e o Messias prometido, muita gente esperava um outro tipo de Messias, não um que prometia uma cruz para cada um carregar e que depois dele viriam falsos cristos e que o Templo e a nação judaica seriam destruídos, etc. Este não é o modelo mais popular de Messias naqueles dias. Será que é o modelo de Messias que as pessoas procuram hoje? E se você estiver optando pela sua própria versão da verdade e não a Verdade Dele? Você pode optar, é claro, pela parte do Evangelho que quiser acreditar mas não pode reclamar se esse JESUS não fizer diferença alguma em sua vida, por que a parte que funciona das Escrituras é aquela que você acredita. Se acreditar em toda ela, terá o JESUS descrito ali, não uma versão reduzida e condensada por suas conveniências.



Conheço a história de uma pessoa que pintava um quadro de JESUS, mas quando se deparou com uma situação de dor e sofrimento na vida de alguém próximo, borrou aquela imagem e não voltou mais a pintar aquele  quadro, deixando-o incompleto em sua vida.



Esse meu amigo deseja muito encontrar algo espiritualmente válido, e eu encontro em suas dúvidas mais sinceridade do que muitos que dizem ter uma fé viva, mas também deseja que a realidade espiritual se conforme àquilo que ele pensa ser válido ou não, e, por isso, tem muitos conflitos internos que fazem sua fé oscilar entre a dúvida sincera e o pessimismo agnóstico e o levam a preferir uma versão incerta, mutilada, inacabada e borrada de JESUS, porque teme, creio eu, descobrir que seus pressupostos não cabem na figura real. Paulo disse que não foram muitos os sábios segundo o mundo que foram chamados, e isto porque é muito mais difícil para pessoas com uma boa cultura e uma boa formação moral deixar de lado seus pressupostos, visto que a Fé que revela o Cristo evangélico faz desmoronar um mosaico montado sobre camadas e mais camadas de racionalismo lógico e sofismas sobre o significado do mundo e da vida.

A LUZ QUE DESEJO EM MINHA VIDA SERÁ DO TAMANHO DA LUZ QUE VEJO NELE. À PROPÓSITO, REALMENTE É GRANDE A LUZ QUE RECEBI EM MINHA VIDA.



Os intelectuais tem questionado através dos séculos a existência de Deus e, se Ele existe, por quê escolheria um veículo imperfeito como a palavra escrita para espalhar a sua mensagem? Logicamente, esse é um pressuposto que parte do princípio de que sabemos como DEUS deveria agir e o que deveria fazer em cada caso. Não é verdade que a maioria de nós optaria por alguma mágica que mostrasse exatamente o que deveríamos fazer em cada passo, eliminando erros e evitando dúvidas? Não é verdade também que isso não evitaria que muitos questionassem a validade de um processo totamente guiado e a autoridade por trás dele? Alguém poderia argumentar a certa altura: "Como posso eu ter certeza de que o que me ensina é a verdade se guia cada passo e decisão que eu tomo? Onde está minha liberdade de escolha, afinal?"



Eu creio que a questão real não reside no poder para fazer as coisas acontecerem dessa ou daquela maneira, mas no princípio da autoridade. O poder não pode se questionado, mas a autoridade sim. A autoridade precisa ser reconhecida. DEUS sempre agiu no intuito de fazer com que sua autoridade fosse reconhecida e somente em segundo plano ressaltou seu poder. Isso está implícito no ensinamento sobre a Queda, na Lei Moral que espelha o Decálogo dentro de nós, no fato de reconhecermos a autoridade das Escrituras como inspiradas por DEUS e na certeza de que JESUS é quem disse que era. Essas são todas alegações  que precisam ser reconhecidas, ou seja, é preciso que se dê crédito a elas e reconhecer a Verdade e a Autoridade que elas detém. É notório que JESUS não utilizou de força em sua pregação para que cressem nele, mas suas falas estão carregadas de uma AUTORIDADE (que os próprios fariseus reconheceram )  que precisa ser reconhecida se quisermos dar-lhe o devido crédito.




O fruto da árvore do conhecimento do Bem e do Mal, caminho tão bem conhecido pela Humanidade, é o caminho do acúmulo de poder, da aquisição de informação e de riquezas (reconhecimento, fama, realizações) como vias de crescimento mental e espiritual. Naquele momento, em Adão, como Humanidade, rejeitamos a Autoridade de DEUS para gerir nossas necessidades e, por isso, temos sempre de voltar ao mesmo ponto onde caímos uma vez, para reconhecer qual princípio norteia nossas vidas: O Jardim da Queda, que fechou o Caminho para a verdadeira felicidade, ou o Jardim Getsemani, onde um homem, nascido de mulher, mas de origem celestial, aceitou com muitas dores carregar o peso de reabrir o Caminho fechado e resgatar da morte e de uma vida sem sentido aqueles que reconhecem sua Autoridade para tal. O reconhecimento dessa autoridade espiritual sobre nossas vidas tem o peso de uma Revelação divina e reabre para nós o Caminho para a Árvore da Vida, para desfrutar de Deus e sua companhia, onde os julgamentos de valor da razão humana decaída perdem a importância.



Partindo dos princípios aqui expostos, eu produzi um documento intitulado "O Diálogo" onde imaginei como teria sido uma conversa entre Judas Iscariotes e JESUS momentos antes da Última Ceia. Judas, o traidor do movimento de JESUS, como todo vilão, é um personagem muito intenso e complexo. Não podemos diminuir sua complexidade reduzindo-o a um simples ladrão da bolsa e endemoniado. Não podemos esquecer que foi escolhido, talvez pelos próprios condiscipulos, como tesoureiro do grupo, uma posição de confiança, mesmo contando entre eles com um contador profissional como Mateus Levi. Isso denota um grau de confiabilidade e respeito muito grande para aquele tempo.



Algumas questões emergem do fato deste discípulo ter preferido um nome de vergonha para todo sempre mesmo tendo andado durante três anos ao lado de JESUS, ter visto seus atos de poder e participado do círculo mais íntimo de seguidores que, supostamente, possuíam um laço mais profundo de amizade e companheirismo com Ele. E se Judas optou livremente por isso? E se ele rejeitou deliberadamente a Verdade revelada por JESUS? Não sou inclinado a crer na predestinação, pois envolve o fato de atribuir a DEUS, que é AMOR, o papel frio e calculista da mente de certos psicopatas. Veremos ali que os argumentos de uma pessoa podem ser perfeitamente razoáveis e baseados em raciocínio lógico mesmo para rejeitar aquilo que sabe ser a Verdade sobre si mesmo, a vida e o mundo. De fato, essa tem sido a prerrogativa de muitos, fazer de seus pressupostos mais fortes do que qualquer coisa, resistindo até mesmo Àquele que quer o nosso bem maior.



Decidi colocar "O Diálogo" está hospedado no 4Shared podendo ser baixado sem custo algum no seguinte link:






Espero que possam ler e comentar sobre o que acharam desse primeiro trabalho publicado em forma de texto, o qual espero, seja seguido de muitos outros. Meu desejo é somente compartilhar aquilo que tenho discernido sobre O Caminho. Obrigado.

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Eu,um desviado parte 2


Reli por esses dias o post entitulado "Eu, um Desviado". Foi como olhar para uma foto antiga, nas quais geralmente não gostamos do que vemos: "Humm...olha esse penteado", ou "Meu Deus, que roupa é essa que eu estava usando". Com certeza, eu sabia e sei hoje que meu estado de espírito então não era dos melhores e escrevi o artigo como um desabafo, o que geralmente faz com que falemos coisas duras e ásperas, embora temperadas com realidade e verdade. Como disse antes, não vou aqui deletar o que escrevi, nem editar para dourar a pílula. Me propus a descrever aqui minha caminhada espiritual, como o diario de um soldado num front distante, e na época, o soldado estava ferido... quase que mortalmente. Mas não é essa a realidade da batalha? Não é disso que nos fala tantos salmos e passagens proféticas onde vemos o vaso de Deus só derramar indignação e angústia provenientes de um coração ferido e uma alma aturdida com tanta desolação ao redor, mas, principalmente, dentro de si? Que Bíblia estamos lendo afinal?

Nós, seres humanos, somos ótimos para avaliar o momento pelo qual um indivíduo está passando e avaliar o tal pela situação em que se encontra, como se ele fosse final, sem volta. A Graça que desejamos para nós não é a que usamos para medir o próximo. Nós mesmos somos os primeiros a avaliar mal nosso momento, seja ele bom ou mau. Sempre somos levados a pensar que, ou só teremos flores pelo caminho, que tudo vai dar certo sempre, ou, quando caímos de joelhos, que nossa prostração significa que Deus esconderá seu rosto permanentemente, que fomos rejeitados, reprovados, chamados, sim , mas dispensados antes do fim. Aplicamos a nós mesmos a DESgraça do mundo caído e nos privamos da Graça que tempera e nos faz aceitáveis a Deus e a nós mesmos, pois todos sabemos o quanto somos insuportáveis, instáveis e detestáveis em nosso íntimo. Quem consegue ver algo diferente dentro de si, mesmo depois de ter um vislumbre da Graça, vá em frente, quero conhece-lo.

Meu "momento", me dizia então: "Não suporto minha própria hipocrisia, quanto mais a dos outros", atestando com isso que, por estar ferido, eu precisava de cura, de ser tratado no íntimo, de que eu não estava pronto do modo como pensava, porque o Amor tudo suporta, tudo sofre. Meu "momento" me dizia: "Alguns animais nascem para andar em bandos..outros para serem solitários", atestando outro fator comum numa pessoa que está passando pelo Vale de Baca, o Vale das Lágrimas que leva a Sião, ou, se preferir, pelo vau do Jaboque, o Peniel de Jacó: o sentimento de solidão, de abandono, a angústia de ter que lutar com o desconhecido pensando que ele quer tirar sua vida, sem saber que Ele quer te abençoar. Quando ficamos muito cáusticos, é hora de ser tratado sozinho, é a hora que Deus ter um particular com você, como teve com Elias quando este esteve na caverna fugindo do dever ou com Jonas no ventre da baleia: "Filho, como é que vai ser? Do meu jeito ou do seu?"

Isolar-se é o último recurso da alma que teme a Graça transformadora diante do último movimento de DEUS no tabuleiro que antecede o xeque-mate.
Eu sou realmente a centesima ovelha e pode até ser verdade que tenha muitas ovelhas preferem se isolar das outras por alguma frieza e beligerancia que receberam no aprisco no qual estavam alojadas, mas o Pastor, ao saber disso, trata suas feridas onde ela se encontra, seja num vale deserto, seja num despenhadeiro, depois a coloca nos ombros e a carrega de  volta. A ovelhinha protesta: "Espera aí, meu Bom Pastor, o senhor está me levando de volta para aquele lugar?" O Bom Pastor responde: "Estou te levando de volta para o único lugar que você pertence" e  a coloca de volta no aprisco, mas não no mesmo,  mas num aprisco destinado a ovelhas que como ela mesma se feriram, ficaram confusas e se isolaram. Ali, elas recebem consolação mútua, pois foram feitas para estarem juntas e nunca julgar as que chegarem pelo trato dos pelos, pelas machucaduras na pele, pelos traumas impostos. Se você, como eu um dia, está achando que acabou e vai passar o resto de seus dias vagueando sem rumo, está enganado. Seu Bom Pastor vai providenciar para você um aprisco, mesmo que seja um lugar mal visto e mal falado, como a caverna de Adulão, onde só vinham os renegados, os de má fama, os reputados como párias. Pode demorar, até mesmo o tempo de uma peregrinação no deserto, mas vai chegar, pois nosso Abba deseja que venhamos a discernir completamente o Corpo de Cristo.

I Cor. 11.28-30 é muito usado nos cultos de Ceia, mas a verdade exposta ali é muito mais profunda e ainda não foi alcançada por muitos por causa da mentalidade ritualística reinante. Muitos entre nós estão fracos, doentes e em vias de morrer espiritualmente por não discernir completamente o organismo para o qual foram gerados. Uma célula só pode alcançar o objetivo para o qual existe dentro do contexto do organismo para o  qual foi projetada para atuar. Fora dali, ela não serve para nada, espiritualmente falando. Paulo dizia que o modo como os coríntios se apresentavam para a Ceia era indigno, pois nem mesmo respeitavam-se uns aos outros, atropelando-se à mesa. Em I Cor. 3, Paulo fala que havia entre eles havia inveja, divisão, contendas porque eram carnais e mundanos, ou seja, não é o  efeito antes da causa e a causa era que sua atitude em relação ao Corpo era nociva e em franca rebelião ao trabalhar do Espírito Santo.

Ora, essa atitude não denota simplesmente que deixaram de cumprir um ato de contrição formal bem ao gosto da superficial religiosidade atual, mas que  menosprezavam-se uns aos outros, querendo a melhor parte do bolo. Logicamente, isso atrai o juízo de Deus: I Cor.11.32.NVI-"Quando, porém, somos julgados pelo Senhor, estamos sendo disciplinados para que não sejamos condenados com o mundo". Como diz o pastor Marcos de Souza Borges "todo juízo de Deus que experimentamos é um atestado do investimento divino".

Ligada ao Corpo e a sua Cabeça ela pode e deve gerar vida segundo sua espécie, como uma semente que tem a vida em si mesma, a qual não pode fugir à sua natureza. Não adianta nada ficar se autoexaminando a fim de se fazer apto para participar de um rito e continuar desprezando o fato de que eu e você fomos chamados e escolhidos para atuar como extensão do ministério iniciado na Galiléia com os talmidin de Jesus. Quem não discerne isso ainda, deve ser disciplinado pelo Senhor até estar apto a enxergar que estava fraco e doente por desprezar Seu Corpo, o único lugar no qual recebe Poder para crescer em estatura e varonilidade.

Quando vivemos na Lei, basta que tenhamos um lugar como o Templo em Jerusalém, um lugar onde afluiam as pessoas com grande alarde para adentrar em suas magníficas dependencias e ali participar dos serviços que os sacerdotes ministravam, adoração, sacrifícios, quem sabe até uma palavra inspirada do sumo-sacerdote, e incentivando a dar fruto e prosperar em sua vida cotidiana, afinal, você é filho de Deus, etc. Quando a Graça nos atinge, ter um Templo aonde se possa adorar e levar seus sacrifícios é apenas um detalhe.

Você sabe que precisa de um lugar para ser autêntico, sincero sobre seus medos e fraquezas, um lugar onde veja que não é o único a ter dúvidas sobre seu chamado e  aquilo que DEUS está falando em seu coração, um lugar onde não vão lhe dar respostas prontas tiradas de um esboço de sermão, mas respostas alcançadas por quem cavou poços no deserto em tempos de crise e que não vive como um super-herói da fé, mas como alguém, que, como você, tem alcançado Misericórdia e que é mais um peregrino do coração, como está dito no Salmo 84,5.               

Contudo, continuo desviado da religião que se diz cristã, desse monte de doutrinas, regimentos, costumes, tradições, meninices, heresias, absurdos, eventos,mandos e desmandos de homens que barateiam seu chamado, trocando a Graça por algo bem menor. Quero o caminho dos peregrinos do coração, o Caminho que leva ao Monte Sião, aquele que teve os montes aplanados e os vales exaltados pela Voz Daquele que clama no deserto da minh`alma. Por fim, vejo claramente que o objetivo do Caminho é fazer com que a Palavra escrita nas páginas do Livro Sagrado se cumpram profeticamente em nossas vidas, se tornando um conhecimento adquirido, purificado pelo fogo, do qual sairá metal precioso (pois o bronze é um símbolo de prova, tribulação, a prata fala da justiça de Deus que brota da purificação e o ouro é a Glória de Deus que reveste a vida daquele que é aprovado).

Não julguem o ferido, aquele que está se escondendo de Deus em cavernas ou no ventre de baleias, ele é um escolhido sendo purificado pelo sofrimento. Se você apontar o dedo hoje para ele, será envergonhado no dia em que o vir restaurado como um príncipe e sendo usado como instrumento de justiça. Esse é o penoso trabalho das mãos de Deus, nos tonar vasos para Sua honra, o qual Ele mesmo suportou pois, como está dito em Isaías 53, quando era ferido por nossas transgressões, o reputamos como um ser oprimido pelos próprios pecados e ferido por Deus por seus próprios defeitos.    

Com efeito "todas as coisas cooperam para o Bem daqueles que amam a Deus, os que foram chamados segundo o Seu proprósito" - Romanos 8.28                                                

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Aahh, se Nietzsche visse isso!!!!

"Os fracos e os malogrados devem perecer: primeiro princípio de nossa caridade. E realmente
deve−se ajudá−los nisso.
O que é mais nocivo que qualquer vício? – A compaixão posta em prática em nome dos
malogrados e dos fracos – o cristianismo..." - Nietzche  em "O Anticristo"

Tido até hoje como um dos mais instigantes e audaciosos filósofos de todos os tempos, Nietzche disse ainda em sua apologia anticristianismo que  tudo que é bom para o homem deve aumentar nele a sensação de poder, sua vontade, sua ambição, e o mau, tudo que se origina da fraqueza, compaixão, altruísmo e humildade, por exemplo. O objetivo maior de Nietzche seria a destruição de todo pensamento assentado sobre bases morais, como certo e errado, para que surgisse um "novo homem", o homem superior, ou super-homem, liberto das "amarras" morais, acima do bem e do mal.

Pobre Nietzsche!!Morreu sem entender que Jesus foi mais forte e poderoso, em palavras e atos, do que todos aqueles que o alemão idolatrava como símbolos do super-homem, pois não é mais forte aquele que usa as armas a que todos nós, humanos, estamos acostumados, por que assim foram feitas todas as revoluções e guerras nas quais se empenha a humanidade desde o início, mas deve ser reputado como muito mais poderoso e digno de ser chamado um super-homem, aquele que, mesmo podendo usar de poder e força para esmagar seus inimigos e toda força contrária, opta por combater pela adesão, subvertendo a lógica humana e despertando corações prontos para ouvir uma "boa nova" verdadeira em si mesma. 

As "fraquezas" de Jesus, que são as virtudes e o verdadeiro poder do cristianismo, são infinitamente mais fortes do que todo poder que homens como Nietzsche poderiam conjurar através dos séculos, com seu panteão de homens cheios de vontade e ambição por mais poder (penso que, na verdade, a História está mais cheia desses "super-homens" do que pensava o alemão, pois não foram eles que a escreveram?)

Aquilo que pode ser considerado "fraqueza" em Deus (mais especificamente no Verbo Criador, Jesus) e sua aparente condescendência com tudo aquilo que parece mal no mundo e fonte do sofrimento humano, é justamente o pilar onde se assenta um fator que todos presamos muito: nossa liberdade de escolha. Na verdade, Nietzsche, sem o saber, não deseja mais liberdade para fazer o que quer, ele já a tinha. Ele desejava, na realidade, menos liberdade para todos os demais que não pensam com ele, como em geral acontece. Ao contrário dele, DEUS nos garantiu que todos tivessem liberdade para pensar e agir de acordo com sua própria liberdade de escolha, baseada na sua consciência moral. Se os resultados não são bons como se mostram hoje, isso não quer dizer que a outra via seria melhor, pois claramente implica numa perversidade, ou seja, suprimir a vontade alheia. Por outro lado, isso demonstra exatamente que, como C.S. Lewis disse, "somos rebeldes que necessitam depor as armas".

Por isso, GLÓRIA AO DEUS QUE ASSUMIU QUE VENCER PELA "FRAQUEZA" É A MAIOR DEMOSTRAÇÃO DE PODER QUE ELE PODERIA DAR AOS SEUS INIMIGOS!!!




Este video faz parte do DVD "Um Sentimento Novo" do cantor Lázaro e conta com a participaçao de um garoto especial ( muito especial mesmo!!!) chamado Jonatas. Segundo a "lógica" desse senhor, seres como ele deveriam ser privados da vida para que a raça humana atinja um grau de "superioridade", para que não sejamos fracos, mas "fortes". Quanta falácia, meu DEUS!!
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Retomando - O mistério da Piedade

OLá!!!Bom estar de volta aqui!!!Já faz mais de anos desde o último post e sinceramente, pensei que nunca mais retomaria o blog. Tanta coisa se passou nesse tempo...mas ao dar uma espiada para conferir algumas coisas antigas que escrevi, notei que o blog continuava  a ser visitado e lido. No painel de estatísticas do Google consta 452 visualizações de página mês passado, sendo 29 oriundas dos Estados Unidos (!!!!) e o número dos que declaram "seguir" de alguma forma este blog subiu para mais de 30 pessoas. Já vi até mesmo reproduzirem matérias exclusivas que postei aqui em outros sites, sem nem mesmo citarem a fonte original (que feio,hein!!). Mas tudo bem.

Para mim, isto é algo admirável dado à virulidade dos artigos apresentados, um tanto quanto "fora de mão" do eixo evangélico tradicional, eu diria, e tambem fico feliz porque essas pessoas de alguma forma encontraram uma conexão com meu pensamento. Aquilo que  escrevi, escrevi. Não vou retificar nada. São fruto do meu estado e  da condição de aprendiz do Caminho e não de algum grau de perfeição que tenha chegado. Se passei a sensação de que estava  frustrado e angustiado e até afastado de DEUS, é porque realmente me encontrava neste estado de espírito. A intenção era ser sincero até os ossos e não mascarar sentimentos como é uso corrente entre hipócritas. Era mostrar que a vida espiritual não é um mar de certezas como muitos querem nos fazer enxergar, a despeito de tudo que vai em nosso interior. Vida espiritual é batalha, é vida de trincheira. Estive sozinho na minha por muito tempo, disparando a esmo, talvez até atingindo amigos, porque no meio do combate é difícil saber quem é quem. Mas em meio a tudo isso, eu estava sendo tratado e descobrindo muito mais acerca de mim mesmo e daquilo que se espera de mim. Tive que me perder totalmente, para ser achado novamente pelo AMOR MAIOR. Afinal, não se trata disso, ser achado?

Eu odeio profundamente as certezas religiosas que dizem que tudo depende das coisas certinhas que você tem que fazer para ser uma boa ovelha de fim de semana. Como disse C.S. Lewis sobre Aslam, o leão de Narnia, tipo de Cristo, "...Ele é selvagem, não pode ser domesticado...", DEUS é selvagem. sua Graça indomável e se você  quiser aprender algo de proveitoso e vívido sobre ele para aplicar em sua vida você terá que aprende-lo por si próprio, aventurando-se nas florestas do Jordão, arriscando-se a encontra-lo em lugares inesperados, não aquele naco de verdadezinha mastigada e semidigerida que se come ouvindo dos outros. 



Eu me me afastei voluntariamente do SENHOR. Pra dizer a verdade, eu me rebelei. Para ser bem sincero, eu me prostitui e prostitui a minha fé. Curvei-me  aos baalins e adorei outros deuses, voltei ao próprio vômito, preferi o banquete de Belsazar à mesa do Senhor. Em todo tempo, porém, o Espírito alertava para "permaneça na liberdade com que Cristo vos libertou e não entreis novamente debaixo do jugo de servidão".Como criança que faz pirraça com os pais por não fazer suas vontades na hora em que deseja, eu vendi a piedade, herança do SENHOR, meu direito como filho, por um guisado sujo e mundano. Por quê? Porque o orgulho é o pior dos fermentos. Ele se insinua e se instala insidiosamente e não o percebemos e quando isso acontece, ficamos bons demais, espertos demais, capazes demais e independentes demais. Ficamos tão poderosos que sabemos exatamente onde podemos corrigir onde Deus falha em agir, segundo nossa visão endeusada. Começamos a cobrar o agir de Deus nessa e naquela área e achar que talvez Ele seja um relapso ou um fraco ou, um estágio posterior de alienação, que talvez o problema todo seja que Ele não ama você em específico, que talvez você tenha sido chamado, mas não escolhido.


Quando nos encontramos nesse estado, A Palavra nos diz que ficamos "inchados" , um estado comum a toda massa cheia de fermento. Nesse estado, nada pode te libertar, nenhuma canção, nenhuma pregação, nem leitura da Palavra, nem oração, porque você perdeu algo, ou antes, o fermento em você não te deixa enxergar e te cega para o mistério da piedade que um dia se revelou em sua vida: 


"Não há dúvida de que é grande o mistério da piedade:Deus foi manifestado em carne, justificado no Espírito,visto pelos anjos,pregado entre as nações,crido no mundo,recebido na glória"- 1 Timóteo 3:16 


Esta é a substancia da revelação dada por Deus em nossas vidas, o misterio da piedade do Deus que se revela a nós deve estar presente em nosso coração e mentes a todo instante, e isso é dom do Deus da Graça. É isso que faz com que uma reunião em que se canta algumas músicas de louvor e gratidão e se proferem algumas palavras extraídas de um livro antigo não seja algo vazio ou simplesmente um apelo moral à sua consciência, é isso que faz com que vocé se sinta bem-vindo toda vez que ora a um ser invisível, o que deveria fazer de você, segundo o senso comum, um perfeito idiota.


A piedade revelada de Deus é pura loucura em ação em nossas vidas e é ela que põe em ação o conhecimento da Graça, de que somos perdoados e aceitos como filhos. Isso é realmente um mistério inescrutável. Quando esse senso de mistério se desvanece, é como se um encanto tivesse se quebrado, os cânticos se tornam inócuos, porque não encontram ressonância em nada em nosso interior, orar, então, se torna algo ridídulo porque se torna como falar com a parede, permanecer dentro de uma igreja para ouvir uma pregação é uma tortura sem igual, porque  o mistério se perdeu, já não está presente em você. O sentimento é parecido com o luto pela morte de alguém.        


Quando isso acontece, o amoroso Pai só pode fazer uma coisa com você: deixa-lo andar pelo caminho do seu tolo e teimoso coração para que você tome um amargo remédio chamado ARREPENDIMENTO! 


É difícil para nós quantificar os poderes envolvidos em nossa vida, capazes de nos influenciar para esse ou aquele lado, mas alguns deles são bem descritos na Palavra. O mundo, como descrito em João 16.11 e  I Jo 3.13,  é um deles. O mundo é um sistema alheio à vontade de Deus, onde impera o desejo irrefreado da carne em satisfazer-se como seu próprio deus. Outro poder, que encontra ressonância com o mundo, porque é moldado a partir dele, é nossa própria carne, aliada de satanás desde a Queda, e a meia-idade do ser humano, tempo da vida que vai dos 30 aos 45 anos aproximadamente, é uma época propícia para crises de identidade e mudanças bruscas de direção. Não por acaso, é a época da vida em que os psicólogos mais verificam divóricios em casamentos antes tido como estáveis, pois o nível de insatisfação pessoal aumenta muito. Geralmente, é onde a pessoa sente que deve retomar as rédeas de sua vida e não deixar que ninguém diga mais o que ela deve fazer. Isso é especialmente verdade no mundo secular de hoje onde impera a autosatisfação. Parece lugar comum, mas as pressões internas por mudança atinge-nos como um furacão. Embora não declaradamente, a maioria das pessoas em sua vida natural, procuram suprir esse anseio por se sentirem vivos procurando novos amores, levando uma vida promíscua e rompendo antigos laços ou, quando falta força para isso, vivem vidas hipócritas e duplas, mantendo aparências. 

Quantos homens e mulheres de Deus estão passando por isso em suas vidas antes produtivas para o Reino, por não entenderem que perderam o mistério da piedade em suas vidas? O perderam e as pressões da posição que ocupam e a vergonha perante outras pessoas não os deixa abandonarem  o serviço fazendo-os levar uma vida dupla? Perante muitos em publico se apresentam como sacerdotes do Altíssimo, mas no interior das recamaras do seu templo, escondem idolos horríveis e praticam prostituições vergonhosas, porque quando perdemos o misterio da piedade, queiramos ou não, adoramos outros deuses e nossa vontade é um desses deuses e o mundo construído através dela, da vontade corrompida do homem, é o altar no qual Baal recebe devoção e adoração através do pecado. Não se engane, baal recebe sua adoração toda vez que acessa um site pornô ou quando prioriza sua vida particular, sua vida emocional ou profissional, em detrimento da familia. Não há com negar, tudo foi orquestrado como uma rede da qual o ser humano não pode escapar.



Muitos entre nós estão passando por isso simplesmente por causa do fermento do orgulho e sua teimosia os conduz a um estado onde suas ações são como as de um automato, sem coração ou alma. No meu aniversário de 4 décadas de vida, eu fui para um lugar onde pudesse estar sozinho e meditar naquilo em que eu estava me tornando e, ao olhar para trás, pela primeira vez em meses, senti que estava morto por dentro, havia matado aquele em que devia me tornar, havia matado eu mesmo. Ao olhar para trás, não consegui entender como tinha percorrido todo aquele caminho para longe daquilo que me foi tão caro durante tanto tempo, a melhor parte da minha vida. Me senti, sozinho, meio morto, infeliz e, o mais importante, que aquele não era o projeto para mim e para aqueles que estavam comigo. Desejei voltar. Depois, de tanto tempo, voltei a sentir que Deus me atraía, o poder do fermento escoara de mim, estava nu e envergonhado, o ponto exato onde Deus entra em nossa vida, pois o Reino pertence aos fracos, falidos e pobres de espírito. 


Isso me leva a pensar em Davi e em como ele obteve tantas grandes vitórias no inicio de seu ministério, vitórias publicas muito grandes e que o fizeram famoso. Davi, autor dos salmos mais profundos da Biblia, matador destemido de gigantes, rei e profeta em Israel, porem, a certa altura da vida sucumbiu e falhou miseravelmente reduzindo a pó o mistério da Piedade manisfestada em sua vida porque não vigiou e andava ocioso pra lá e pra cá enquanto uma guerra estava em andamento contra seu país (isso não é uma grande verdade espiritual para nós?). Porventura, não havia se esquecido ele do homem humilde que fora se ufanando com orgulho de algo que não era seu por direito, mas unicamente por graça? Vitorioso publicamente, mas um fracasso nas guerras internas, no maior campo de batalhas, onde se trava as piores batalhas, no centro da alma humana. Quando pensava ter vencido tudo, eis que surge seu pior inimigo, ele mesmo. Vencido, falido e envergonhado, Davi olhou para trás e viu que nunca tinha atingido a plenitude dos primeiros dias em que era simplesmente um pastor cujo unico companheiro era o Seu Pastor e seu Unico Amigo Verdadeiro. 


Sabe duma coisa: aprendi algo tremendo sobre a Aliança espiritual que fiz um dia com Deus: ela não pode ser anulada, porque simplesmente Ele não desiste de mim nem de você!!  Sabe, eu não posso escapar dele, nem que eu queira. Começo a entender, de repente, porque Paulo fala que se considerava "prisioneiro de JESUS". Não era uma imagem figurada. Sua Graça liberta-nos, mas nos acorrenta a Ele de modo peremptório e inesperado. Seu Amor como descrito em Cantares é mais forte que a morte e seu ciúme mais duro que a sepultura!!!!Uau!!! Que Amor é esse? Certamente, não é como o amor humano!!



2 Timóteo 2:13 NVI



"Se somos infiéis,

Ele permanece fiel,
pois não pode negar-se
a si mesmo"

Tudo se passa como aquela bela canção do Coldplay, "Fix You":



Consertar Você

Quando você tenta o seu melhor , mas não tem sucesso .

Quando você consegue o que quer , mas não o que precisa.
Quando você se sente cansado , mas não consegue dormir .
Preso em marcha ré .

Quando as lágrimas começam a rolar pelo seu rosto.

Quando você perde algo que não pode substituir .
Quando você ama alguém , mas põe tudo a perder
Pode ser pior ?

Luzes te guiarão até em casa

E aquecerão teus ossos
E eu tentarei , consertar você

Lágrimas rolam no seu rosto

Quando você perde algo que não pode substituir
Lágrimas rolam pelo seu rosto
E eu . . .

"Eu te prometo que vou aprender com meus erros"

Lágrimas rolam pelo seu rosto
E eu . . .
E eu tentarei , consertar você


Ele não desiste de tentar te consertar e te ensinar o que você precisa aprender. Para aprender só não devemos achar que já sabemos todas as lições (talvez você saiba, mas só na teoria, não no nível experiencial). Eu era orgulhoso da minha espiritualidade, achava que nunca iria me desviar do Caminho. Meu erro foi tolo pois o mistério da piedade é um dom inefável do dono da Graça. Devemos recebe-lo com toda reverencia, temor e gratidão (na verdade, a palavra grega eusebeia, guarda mesmo esse mesmo significado, uma adoração cuidadosa e reverente). Quando achamos que sabemos tudo, eis que ficamos com nada. O Caminho não é uma filosofia ou um conjunto de doutrinas, ele tem que ser recebido como é, um mistério de DEUS em nossas vidas. Algo frágil que pode ser perdido, um encantamento que pode ser quebrado pelas regras do mundo dos contos de fada como "Não espirre...nunca" ou "Nunca fale a palavra tal", e, ao mesmo tempo, algo tão poderoso e selvagem que se afasta impetuosamente quando queremos lhe por rédeas. 


Deve haver uma quantidade de desconforto ímplicita no projeto de Deus em nossas vidas, pois seu objetivo explícito é matar nossa vontade, não exatamente nosso eu. 

Deuteronômio 8:2 NVI- “Lembrem-se de como o  Senhor seu Deus, os conduziu por todo o caminho no deserto, durante estes quarenta anos, para humilhá-los e pô-los à prova, a fim de conhecer suas intenções, se iriam obedecer aos seus mandamentos ou não"


Ser guiado por um deserto para ser humilhado e seu coração provado? Somente o Deus dos cristãos mesmo. Na verdade, Ele deseja nos tornar mais nós mesmos do que nunca podereríamos ser por nossa própria conta. Ele não descansará até que venhamos a escolher deliberadamente o seu plano para nós como oúnico possível para nos tornar algo realmente que preste.


Sabe de outra coisa que percebi, é  que o mistério da piedade não pode ser mantido enquanto mantemos uma visão de Deus unicamente como o Deus soberano assentado sobre um Trono de Glória, porque quando assim o fazemos, ficamos sempre esperando que Ele faça algum sinal para nós crermos mais do que no ultimo instante. Ao invés disso, Ele deseja que foquemos a singeleza do fato Dele ter se diminuido tanto a ponto de buscar amigos entre meros seres humanos falidos e no fato de prometer morar nesses mesmos seres humanos até hoje, buscando a mesma coisa, amizade sincera, que nada suspeita nem cobra. 


Deus quer crescer em mim e em você. Desse modo podemos ajudar outros a encontrar esse mistério sem nunca presumir que podemos reproduzi-lo por meio de técnicas persuasivas. Hoje creio que posso ajudar as pessoas mais que antes. Já estive na pele de alguém que perdeu o sentido e o propósito. Posso dizer "Eu entendo pois já passei por isso" sem julgar nem condenar.  Deus está agindo do modo dele em todos, memso naqueles que pensamos não ter esperança alguma.Posso dizer que vou prosseguir procurando manter meu  coração aberto para que esse assombro, essa fascinação que sinto da Sua Presença não me deixe jamais. É tudo que posso prometer a mim mesmo, pois como pecador em recuperação não posso nunca presumir que estou salvo, mas que o processo de salvação está em franco andamento na minha vida. 


Espero que esse artigo possa ajudar alguém a livrar-se de todo fermento que não deixa você vislumbrar mais o grande mistério que é crer nesse Deus que te sonda e te procura. Que você posso recebe-lo como uma chuva em sua vida, uma chuva que te limpa de tudo que você pensa ser justificável, por esse ou aquele motivo, mas que são apenas desculpas e mais desculpas, toneladas delas. Dispa-se diante Dele e não seja teimoso porque Ele nunca despreza um coração quebrantado e contrito. Se você hoje perdeu o senso da presença do mistério da Piedade em sua vida, como Davi, é porque algo entrou na linha entre você e Deus. Se Ele é quem é e você sabe bem quem você é, qual a chance dele estar errado e você certo? Não espere ser totalmente quebrado, mas faça agora mesmo um inventário completo de si mesmo, não deixe nada passar e poderá ver onde Ele está te esperando. Rapidamente verá ser restabelecido em sua vida o assombro da Presença e o fascínio da jornada junto Dele. 

Os cavalos estão correndo mas eu voltei ao páreo!!!!!!



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