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A DIFERENÇA ENTRE BENÇÃO E ALIANÇA

Certo dia, O Eterno se dirigiu a Abraão e entre outras coisas importantíssimas, com desdobramentos para além dos dias atuais, disse-lhe isso:

GENESIS 17:
20 - Quanto a Ismael, eu te ouvi: abençoá-lo-ei, fá-lo-ei fecundo e o multiplicarei extraordinariamente; gerará doze príncipes, e dele farei uma grande nação.

21 - A minha aliança, porém, estabelecê-la-ei com Isaque, o qual Sara te dará à luz, neste mesmo tempo, daqui a um ano.

Corrijam-me se minto ou me engano, mas me parece que O SENHOR está fazendo uma clara distinção entre duas coisas que hoje em dia parecem ser sinônimos no inconsciente coletivo de muito "cristão". Creio que é chover no molhado dizer que a idéia de aliança envolve um compromisso de natureza profunda, como na intimidade conjugal, uma das únicas imagens que temos atualmente do que é uma aliança solene selada com um juramento e com um símbolo concreto (o anel) de que as duas partes tem um contrato entre si. O estado em que esta instituição primordial da sociedade se encontra entre nós é uma amostra clara de que não levamos realmente a sério, se é que as pessoas desejam ao menos saber, o que seja uma aliança. Nas sociedades orientais ainda se dá muito valor a uma aliança, ainda que feita verbalmente, e quebrar seus termos pode ter consequências desagradáveis.

O Eterno se mostrou em todas as épocas em que se manifestou como um ser que deseja alcançar esse tipo de sociedade com o homem. É justo dizer que basicamente todas as religiões e deuses se manifestaram sob essa idéia. Num apanhado geral das religiões antigas, podemos notar que as relações dos seres humanos com seus deuses era sem dúvida alguma utilitarista, ou seja, um determinado deus era o "patrono" de tal povo e a ele eram creditados certos atributos como responsabilidade sobre as chuvas, colheitas, guerra, amor, etc. A utilidade de um deus estava ligada às necessidades pessoais imediatas do povo, nada mais era exigido do que uma devoção cega, sem grandes questionamentos morais sobre certo ou errado ou sobre o "caráter" da "divindade". Com efeito, as guerras que eram travadas entre os povos eram guerras entre os deuses desses povos. A vitória de um povo era a vitória de seu deus sobre o deus alheio e sua derrota, a derrocada do seu panteão e, não raro, a supressão da devoção a uma divindade por sua fraqueza em livrar seu povo do adversário. A expansão militar e territorial de um povo sempre esteve relacionada com a imposição de sua cultura e tradição religiosa.

Dos deuses não se esperava muito mais do que esse tipo de relação guerreira e imediatista. Não se esperava misericórdia ou compaixão, nem mesmo no além vida, pois a concepção geral do mundo dos mortos, o Hades ou Tártaro, era sombria e desesperadora assim como a vida se mostra a um materialista ateu. Em geral, os deuses eram imaginados como frios e distantes em relação aos humanos, quando não encolerizados e cruéis com eles. Muito mais que absurda foi a idéia introduzida depois pelo cristianismo de que um Deus pudesse amar o ser humano. Amar o homem? Por que e em troca de quê? O que um homem pode dar a um Deus que ele queira? Apesar de atribuir sua criação a tais divindades, a relação entre criatura e criador(es) nunca passou além da relação senhor-escravo como atestam os mitos da criação babilônicos. Querem chuvas e colheitas? Sacrifiquem a Moloch ou Baal; Querem fertilidade? prostituam-se perante Astarte; Querem dominar e conquistar os povos vizinhos? Invoquem Ares ou outro deus da guerra qualquer.

Esse utilitarismo espiritual, essa busca pelo favor dos deuses, ou demônios, está na raiz da idolatria verdadeira que se encontra no centro do altar do coração humano. Buscando tais relações o ser humano nunca visou outra coisa senão satisfazer-se a si mesmo. Seus deuses não passam de reflexos projetados do seu ego ansiando sobretudo o controle, o domínio dos povos e das nações e, claro, de suas próprias vidas. São deuses vãos que buscam a vanglória e a vaidade do poder secular de forma despótica e absolutista. Os que buscam tais deuses não procuram senão um modo para continuar no controle, com a sensação de que detém a direção, procuram as suas "Bençãos" sem nenhuma responsabilidade moral maior contanto que o ""eu" sempre esteja a encontrar aquilo que lhe apraz e o deixa satisfeito.

Essa idéia nefasta que diz que os benefícios obtidos neste mundo estão em relação direta com algum tipo de contrato que se possa adquirir com DEUS não faz parte da idéia de aliança com o Eterno que vemos na Bíblia. O livro reconhecido como o escrito mais antigo da Biblia é o de e ali vemos um homem que sabia que havia feito um tipo de aliança com um DEUS que queria mais do que abençoa-lo com bens em troca de algum favor seu. Esse DEUS, o sabia Jó, era justo e benevolente com todas as suas criaturas e exigia em contrapartida comportamento e atitudes dignos de quem o seguisse. Um DEUS de Paz e Justiça e que odiava e punia o mal. Enquanto Jó era visivelmente protegido, todos ao seu redor testificavam a seu favor de que seu DEUS era com ele. Ao ser provado em sua fidelidade, seus amigos imediatamente  deduziram que ele havia caído em desgraça perante o Eterno. O clamor de Jó era justamente no sentido de faze-los saber que ele mesmo nada havia praticado nada de mal para quebrar sua aliança com DEUS. Em seu íntimo, ele intuia que não estava sendo cobrado por um pecado qualquer, e que sua aliança ainda estava de pé (De outro modo como gritaria "Eu se que meu Redentor vive...e ainda em minha carne verei a DEUS") mas algo mais estava acontecendo além de sua capacidade de discernir e, então, clamava sua inocência. As queixas amargas de Jó em sua aflição são as queixas de um homem livre e adulto que deseja acima de tudo entender sua situação. Aos seus amigos que desejavam que ele confessasse algo que não fez ele apenas respondia: "Se pequei, que mal te fiz a ti, ó Espreitador dos homens? Por que fizeste de mim um alvo para ti, para que a mim mesmo me seja pesado? Por que não perdoas a minha transgressão e não tiras a minha iniqüidade?" 

O dilema apresentado na história de Jó não tem como ênfase o sofrimento que DEUS pode causar de modo arbitrário na vida de alguém (pois muitos vem a pensar assim:"Se ele fez isso com Jó, o que não fará com um pecador?") mas no fato de Jó saber em seu interior, apesar de seus questionamentos duríssimos, que o DEUS que ele conhecia não era injusto e que aquela situação pela qual passava servia a um propósito obscuro para ele no momento e que sua condição, não necessariamente era um indicativo de que ele não tinha mais parte com esse DEUS. Pelo contrário, no devido momento, DEUS mostraria sua fidelidade, cumprindo a Sua parte no compromisso, porque essa é a sua natureza ("Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo"- II timóteo 2,13). A revelação e a lição dada em Jó é a de que não devemos confiar em nossos julgamentos baseados naquilo que vemos para saber se uma pessoa tem realmente parte com DEUS ou não.


Outrossim, as maiores provações e angústias estão reservadas para aqueles que tem uma aliança mais firme com DEUS e isso sim é uma doutrina realmente bíblica. Jó só passou por aquilo que passou por amar realmente seu DEUS de modo que pôde suportar até mesmo o escárnio de sua esposa. Abraão foi exposto a uma das provas mais difíceis de toda Escritura, a qual pode vencer por conhecer o caráter do seu DEUS, o qual era tanto DEUS dos vivos e dos mortos, logo, a vida de seu filho estava em boas mãos. Jeremias, só para citar um dos profetas, suportou vinte e três anos de infâmias e injúrias, cárceres e privações por amor a DEUS e à mensagem que lhe mandara entregar. Hebreus 11 expõe a nós a "nuvem de testemunhas" dos mártires de todos os tempos que testificaram em suas vidas possuir uma aliança com DEUS tal que o mundo teve que condena-los à morte, pelo perigo de subverter totalmente a ordem do sistema no qual o mundo se baseia para existir. Não se vê ali nenhum traço de "benção" ou vanglória. Antes, os tais foram expostos ao mundo como espetáculo como se DEUS convidasse a todos para olha-los e se assombrar de que tal confiança em uma aliança com alguém que não se vê pudesse encorajar tal fidelidade (I Coríntios 4:9 - Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens; Hebreus 10:33 - ora expostos como em espetáculo, tanto de opróbrio quanto de tribulações, ora tornando-vos co-participantes com aqueles que desse modo foram tratados.).

Logo, devo concluir, que as bençãos de DEUS são desejáveis mas, se quero realmente ter parte com DEUS e conhece-lo  a fundo e ser uma das suas vozes que clamam no deserto do mundo, terei, sem dúvida alguma, mais intimidade e familiaridade com o sofrimento, a dor e a angústia. Essa deve ser a porção daqueles que realmente amam a DEUS sobre todas as coisas, mesmo sobre si mesmos. Esta é a porção da bendita semente profetizada a Abraão sobre a Terra. É esta a geração peregrina que não quer esse mundo como herança, nem conquista-lo ou governa-lo, fincando nele as suas bandeiras, como o faziam os politeístas com seus deuses utilitários, mas esses esperam novos céus e nova terra onde habita a justiça. Enquanto peregrinam sofrem perseguições e tribulações, pois proclamam  a morte do mundo com seus deuses, como o sexo e o dinheiro, e espalham os valores do mundo vindouro: o compatilhar, o dividir, o cuidar, o curar e o amar sem interesse. Estes são os filhos do Reino e como seu Messias, não devem procurar reinar nesse mundo nem ter nele suas coisas preciosas. A terra lhes será dada para cuidar como jardim futuramente, não é preciso trabalhar por isso, é a parte da Aliança que cabe a Ele. O que passa disso é babilonismo e expõe a arquitetura da sinagoga de satanás na terra.

Os ismaelitas foram abençoados com prosperidade tanto quanto os judeus (as nações árabes estão assentadas sobre as maiores reservas de petróleo do mundo), mas isso não lhes deu paz nem o conhecimento do caráter do DEUS Eterno. Longe de terem recebido um presente de grego que os predestinou a ruína, isso nos leva à condição básica para contrair uma verdadeira aliança que dure eternamente e essa condição nos leva para além da nossa civilização como a conhecemos, ao reconhecermos que nem tudo aquilo que produzimos como "avanço" e foi recebido como "benção" pela sociedade por melhorar algum aspecto da vida comum, nos ajudou de alguma forma a nos tornarmos seres humanos melhores uns para com os outros. O "cristianismo" amalgamou-se de tal forma aos valores e ideais de uma sociedade baseada no "ter", no conformismo com a estrutura do mundo e no consumismo mercadológico que tornou-se um dos pilares do stabilishment  moderno com a pregação de que uma pessoas abençoada e que tem parte com DEUS é uma pessoa bem sucedida em todas as áreas, gerando a ânsia por mais e mais bençãos visíveis e palpáveis. Na verdade, a pregação de Cristo, melhor entendida por seus executores, aplicada à regra levaria a uma subversão dos valores e comportamentos tão grandes que conduziria a um progressivo colapso das idéias de civilização como a conhecemos. O que resultaria disso senão uma sociedade fundada em valores totalmente opostos aos do mundo atual? 

O filósofo dinamarquês Soren Kierkgaard "revelou" a verdade sobre como agimos verdadeiramente ao descobrir ao que está em jogo quando "aceitamos" o Evangelho: “A questão é simples. A Bíblia é muito fácil de entender. Mas nós, cristãos, somos um bando de vigaristas trapaceiros. Fingimos que não somos capazes de entendê-la porque sabemos muito bem que no minuto em que compreendemos estaremos obrigados a agir em conformidade.

Tome qualquer palavra do Novo Testamento e esqueça tudo a não ser o seu comprometimento de agir em conformidade com ela. ‘Meu Deus’, dirá você, ’se eu fizer isso minha vida estará arruinada. Como vou progredir na vida?’. Aqui jaz o verdadeiro lugar da erudição cristã.
A erudição cristã é a prodigiosa invenção da igreja para defender-se da Bíblia; para assegurar que continuemos sendo bons cristãos sem que a Bíblia chegue perto demais.” - Soren Kierkgaard

Não nos enganemos: Se a Verdade de uma Aliança com DEUS nos leva a reformular nosso modo de pensar , sendo transformados por uma revolução interior em uma criatura nova e diversa da anterior, como não deveria nos levar a repensar também como deveria ser uma comunidade de pessoas que aceitam tal mensagem?

Se tal mensagem nos leva a nos conformar com certos valores e padrões comuns a essa civilização, não é certo dizer que em dado momento ela foi falseada? Em que foi falseada? Foi falseada quando, sentindo o perigo que o rondava ao antecipar sua morte, deixamos nosso eu nos trapacear e criar um palco no qual pudesse atuar de forma convincente, enquanto mantinha tudo dentro do seu devido controle criando uma estrutura que lhe parecesse familiar, onde pudesse usar das mesmas armas que sempre usa na sociedade civilizada, as quais conhece bem, como controle, manipulação, hierarquia, desejo, ambição e egoísmo, ainda que mascaradas debaixo da maquiagem de piedade. 

Nossas religiões cristãs são organizações onde subvertemos o poder de subversão contido no Evangelho e tentamos domesticar o Leão de Judá e ensinar que, sendo obedientes às "normas" do Evangelho seremos mais abençoados que outros. 

Felizmente, muitos tem despertado do sono letal e acordado para uma realidade na qual a distinção entre aqueles que buscam somente serem notados pela quantidade de "bençãos" alcançadas e aqueles que buscam a face do DEUS de Abraão, Isaque e Jacó para honrar uma aliança eterna feita através do sangue derramado na cruz ficará patente a todos. Breve chegará o dia em que não haverá mais ligação possível, como nunca houve realmente, entre Evangelho e babilonismo. DEUS tem despertado um povo ansioso por Sua liberdade. A matéria de 09 de agosto de 2010 na revista Época atesta isso. 

Porém, longe de uma "nova reforma protestante", DEUS está preparando uma verdadeira revolução no entendimento que temos do que é e como atua o seu Corpo sobre a Terra. Muito bem apontada é a tendência "Cristocêntrica" que parece dirigir o desejo dos líderes emergentes para longe do "Eclesiocentrismo" dos último século. Desvios e abusos não devem ser temidos ou invocados pois o risco sempre é inerente à liberdade com a qual DEUS nos privilegiou como seres humanos. Esse pode ser o prenúncio de uma época pela qual temos orado há muito tempo, pois inconformismo, questionamentos e desejo de mudança sempre antecederam os movimentos que desembocaram em legítimos avivamentos ao longo da História cristã. 

O desejo de viver a Graça e a Liberdade do Evangelho são precursores do impetuoso Vento do Espírito que nos leva para onde Ele quer, aqueles que desejam honrar verdadeiramente a Nova Aliança que se cumprirá na derrocada desse mundo e dos sistemas erigidos a partir de idéias inspiradas pelo inimigos da cruz, ou melhor dizendo, nós mesmos.


"Isto diz o SENHOR: Eis que estou demolindo o que edifiquei e arrancando o que plantei, e isto em toda a terra.E procuras tu grandezas? Não as procures; porque eis que trarei mal sobre toda carne, diz o SENHOR; a ti, porém, eu te darei a tua vida como despojo, em todo lugar para onde fores" - Jeremias 45, 4 e 5
"Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos" - Apocalipse 18.4



Yahweh - letra traduzida da música do U2 

Pegue esses sapatos
Fazendo toc-toc por alguns becos-sem-saída
Pegue esses sapatos
E os faça servir
Pegue essa camisa
Lixo de poliéster branco feita em lugar nenhum
Pegue essa camisa
E a faça limpa
Pegue essa alma
Presa num pouco de pele e ossos
Pegue essa alma
E a faça cantar

Yahweh, 

Yahweh

Sempre há dor antes de uma criança nascer



Yahweh,

Yahweh

Ainda estou esperando pelo amanhecer

Pegue essas mãos
Ensine-as o que carregar
Pegue essas mãos
Não faça um punho
Pegue essa boca
Tão rápida para criticar
Pegue essa boca
Dê-lhe um beijo




Yahweh, 

Yahweh

Sempre há dor antes de uma criança nascer



Yahweh, Ya

hweh

Ainda estou esperando pelo amanhecer

Ainda esperando pelo amanhecer, o sol está nascendo
O sol está nascendo no oceano
Esse amor é como uma gota no oceano
Esse amor é como uma gota no oceano




Yahweh, 

Yahweh

Sempre há dor antes de uma criança nascer



Yahweh,

Yahweh

Porque a escuridão antes do amanhecer?

Pegue essa cidade
Uma cidade deve brilhar numa colina
Pegue essa cidade
Se ela for seu destino
O que nenhum homem pode ter, nenhum homem pode pegar
Pegue este coração
Pegue este coração
Pegue este coração
E o quebre!

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