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FORREST GUMP E O SIGNIFICADO DO DESTINO EM NOSSAS VIDAS

                                     
Adoro esse filme e já o assisti várias vezes e cada vez um aspecto diferente do enredo sobressai para mim. É um filme sensível, delicado e cheio de ensinamentos importantes. O mais óbvio deles talvez seja o fato de que o valor de uma pessoa não se encontra na capacidade que uma sociedade e seus valores, no caso a norte-americana, baseados em premissas superficiais e preconceitos estúpidos, pode lhe conferir, mas no valor imputado individualmente dentro de uma educação familiar virtuosa.

Numa das cenas finais, o personagem de Tom Hanks diz à sua amada Jenny que não sabe se a vida é feita de destino ou se somos como uma pena soprada pela brisa ao acaso. Seu palpite é que a vida é uma mescla dos dois. Ou seja, somos aparentemente levados pelo acaso de lá para cá ou acolá, e a vida, em geral, na sua maior parte, parece uma sucessão de eventos desconexos e sem importância, mas que no final, revela-se num enredo gracioso e com objetivo, embora sinuoso e acidentado.

A palavra destino ganho em nossa cultura um tom fatalista que indica algo que não pode ser mudado e que está pre-determinado, sorte, fardo, fortuna ou infortúnio. Algo que acontecerá num futuro inexorável. Este é um emprego mórbido que fazemos da palavra que, na verdade, só quer dizer "Fim ou objeto para que se reserva ou designa alguma coisa; aplicação, emprego; Lugar aonde se dirige alguém ou algo; direção".

Para que haja um destino, seja bom ou mau, é necessário se colocar em marcha rumo a ele, o que equivale dizer que nossas ações e atitude pôem em marcha o trem nos trilhos que escolhermos.

A palavra "Destino" aparece em Isaías 65.11 ligada ao deus babilônico Maniy, ou Meni, adorado por judeus apóstatas no cativeiro, diante do qual lançavam sortes e derramavam vinho. Tal palavra está ligada a uma raiz que indica "cálcular, numerar, contar" e isso indica uma fixidez mórbida em querer controlar os acontecimentos da vida através da ciência exata dos números ou da razão. O profeta condena tal conduta dizendo que, da parte de DEUS, tais práticas os destinaria "à espada e à carnificina". Não há crueldade envolvida aqui, mas o entendimento de que tal procedimento leva à morte, à escravidão, à separação do verdadeiro entendimento que dá Vida, de que não podemos controlar os acontecimentos, mas crer que através deles vamos chegar ao verdadeiro propósito e significado de nossas vidas ,se mantivermos o foco correto. Separar-se de DEUS, o elemento doador da Vida, tem como resultado, destino final, fixidez, loucura, morbidez, morte.

Temos um fim ou propósito para o qual fomos designados originalmente. Mas ele tem a medida que quisermos atribuir à nossa jornada. Quando olho para vidas como as de Mahatma Gandhi ou Martin Luther King sou tomado pela dúvida que me diz que a grandeza e o alcance de suas ações e realizações não estavam ligados ao tamanho que davam às suas habilidades ou capacidades intelectuais. Muitos dos eventos capitais de suas vidas e que transformaram seus atos em ALGO MAIS não foi fruto de estratégia ou qualquer coisa que se possa reproduzir por alguma técnica, mas possuem aquela pitada de um ingrediente secreto, meio mágico, acrescentado pela Providência e que pôs em marcha certos acontecimentos, os quais tomaram certa proporção, e assim sucessivamente, unicamente em resposta ao SIM que eles deram ao chamamento em suas vidas. 

Somos todos chamados a ocupar um lugar que só nós mesmos podemos ocupar. Ocupar esse lugar equivale a fazer diferença na vida daqueles que estão ao nosso redor, sejam filhos,  parentes ,amigos, desconhecidos, etc...Não ocupa-lo não significa nenhuma ação, ao contrário, é a pior atitude que podemos tomar, pois tudo debaixo do sol segue o caminho da deterioração, rumo à entropia. 

Alguns podem entender isso como uma exortação ao ativismo religioso ou moral, e é daí que surgem as patrulhas ideológicas, mas ser dogmático é ser mórbido e G.K. Chesterton já disse que "é fácil ser pesado, mas difícil ser leve" e esta é nossa tendencia em todo tempo. Eis aí um paradoxo ensinado por Cristo, não uma contradição: Não obstante a gravidade de seus clamores e a dificuldade que temos como homens em cumpri-los, Ele não nos convida à fixidez e morbidez de uma vida dogmática e ao recalque religioso com a vida, muito pelo contrário. Ele nos convida a entendermos que no jogo da vida, PERDER É GANHAR. Enquanto não entendermos que a maior parte da vida e de nossas batalhas não serão ganhas, e não são para ser ganhas, mas para que se viva com a fluidez e força de um rio, viveremos como represas que desejam domar o curso dessas águas. Dependendo do ímpeto dos acontecimentos, que equivale à força do rio, será grande o estrago ao romper-se a represa. 

Vivemos num mundo exposto aos agentes da entropia. DEUS entrou nesse mundo para remi-lo de sua condição e ensinar aos homens somente aquilo que sempre ensinou desde a Queda, em todas as culturas e religiões: É preciso remir todas as coisas na Terra e cultivar tudo que for bom para salvaguarda-lo da destruição. Eis porque toda virtude, toda bondade, toda beleza, toda arte, tem um potencial para elevar e redimir o homem de uma condição inferior. 

Ao homem religado com DEUS, que pretende se tornar cada vez mais, passo a passo, à sua imagem e semelhança, só resta redimir tudo aquilo em que tocar e isso, com leveza e AMOR, certo de seu destino e propósito. 


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Jorge Vercilo - Asas Cortadas (Jota Maranhão e Jorge Vercilo)


Eu, pássaro perdido
Que avoou sem medo
Quando era menino
Sério, eu chego a me lembrar
e logo chega o mundo
Pra intimidar
Eles gritam e conseguem me assustar
Eu me sinto gaivota sobre o mar
Que afundou as asas nas manchas de óleo ao mergulhar
E agora não consegue mais voar
Um dia eu vou voar
Sei, sei tudo que posso
Mas vem essa lei
e impõe o ócio
quem tem um olho é rei
Se eu desafiar, incomodarei
Vez em quando bate um vento por aqui
Abro as minhas asas pra tentar subir
Mas com tanto tempo preso a essas grades, me esqueci
E agora tenho medo de cair
Tiê,
Venha das alturas me salvar
No maciço da Tijuca pousará
Onde as nuvens se debruçam
E eu não canso de esperar
Sua liberdade me libertará
Abra as suas asas


Vai sem medo, vai
Vai ganhar o céu
Quem provou da liberdade
não terminará
Preso as próprias grades
Um dia eu vou voar
Eu já vivi no ar
Vem me ver voar
Vem me ver voar

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