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O SILÊNCIO DE DEUS

Não importam o que digam, DEUS, O SENHOR, está em silêncio. 

Ele ainda fala aos corações dos que o buscam com humildade e sinceridade dentro dos templos, catedrais e dos quartos fechados e nem está omisso ao contrito de coração que clama a Ele com simplicidade. Mas Ele está em silêncio nos púlpitos e nas bocas daqueles que se autointitulam portadores da Sua mensagem e que se colocam na frente das agências que franqueiam Seu Nome sem o menor pudor pelo terceiro mandamento. 

Que mais Ele poderia fazer se O silenciaram? Há muitas teologias, ensinos e doutrinas hoje, mas quem pode dizer que fala em Seu Nome se não o fizer levianamente? Quem pode dizer hoje em dia "Assim diz o SENHOR" sem cair em condenação diante de si mesmo?

Que mais Ele poderia fazer se o substituíram e trocaram a Fonte de Águas Vivas por poços de águas imundas, falsos ensinos, doutrinas diabólicas, falácias, bezerros de ouro e se prostituíram seguindo o erro de Balaão e se fartando do guisado de Esaú na mesa do rei de Babilônia?

DEUS está em silêncio porque não há voz profética, porque ninguém parou sua vida para ouvi-Lo. Temos denuncistas enfadados, não profetas. O profeta tem uma única paixão e pregação: apontar O Caminho de volta para O SENHOR. Não vejo ninguém falando assim, porque não vejo ninguém cansado de si mesmo, de suas tentativas, de seus erros e acertos. A maioria ainda acha que dá pra aguentar mais um pouco do "'jeito que estou". Continuam, então, apertando os botões do painel de comando, como chipanzés selvagens dentro de uma cabine de nave espacial, para ver o que acontece em seguida. "Er...não é esse botão...Quem sabe esse..."

Todos apontam os erros, sabem onde temos caído, mas ninguém está disposto a abrir mão de sua posição, do status quo dado pelo stabilishment. Nas Escrituras, os profetas, como Eliseu ou Jeremias, tinham desistido de suas próprias vidas e não pertenciam a nenhuma casta social, nem mesmo a mais honrada, a levítica, mas permaneciam do lado de fora, como que sendo propriedade exclusiva Dele. A alguém assim poderia chama-lo profeta. Sem a medida fornecida pelo profeta, sem a visão renovada constantemente do alvo, sem as palavras frescas trazidas da Fonte, o povo sucumbia ao marasmo do normal e do cotidiano. 

Aparentemente, essa figura angustiante, o profeta, surgia do nada vindo do deserto para assombrar as vãs esperanças do habitante daquelas poeirentas terras em viver uma vida frívola e dissoluta desafiando-os a ver algo mais para o qual foram chamados, algo terrível e insuspeito. 

O deserto é hoje o lugar do qual os "cristãos" tem mais pavor. Lugar habitado por feras e, dizem, pelo espírito do tentador. Lugar de desterro, de  isolamento, longe da congregação dos salvos e do burburinho do arraial, longe das luzes, longe das vozes, perto do...Silencio. Silencio ensurdecedor do vento. Lugar onde o céu permanece calado, mas é descortinado nas noites sem lua. O deserto é o lugar onde o silêncio pode falar e se mostrar. Estamos sós com nossos receios, fracassos, dúvidas, temores e demônios pessoais. A dureza e aspereza do ambiente quebram a resistência, a casca se rompe e se abre totalmente.

Que tem o SENHOR a ver com tanto alarido que se faz hoje em dia, com essa gente que corre de um lado pra outro anunciando coisas grandiosas mas que nunca pararam para ouvir algo pertinente da parte do Espírito para o dia de hoje, mas que só repete, repete e repete os mesmos erros de seus  "pais" e dos "pais de seus pais" e falam acerca do que não sabem nem conhecem verdadeiramente, mas só ouviram falar, mas pensam conhecer por terem lido em algum lugar que assim deveria ser. "Como se faz uma receita de bolo" é assim que consideram em seu coração e repetem a mesma receita e comem do mesmo sabor do erro. 

São esses aqueles que "aprendem sempre e nunca podem chegar ao conhecimento da Verdade". Estão sempre aprendendo algo novo, uma doutrina nova, um método novo chocado por satanás para dar continuidade às suas praxes sem nunca desistir de si mesmos, sem nunca desaprenderem as práticas de seus "pais", sem nunca silenciarem o seu alarido para ouvir a Voz daquele que se manifesta na sarça ardente em meio ao deserto das ovelhas e cabras burras de Midiã.

Não importa o que digam, DEUS, O SENHOR, está em silêncio. E vai continuar assim, até que calemos as vozes de cântico e as festas insossas regadas ao vinho da frivolidade babilônica e nos voltemos para aquela imensidão silenciosa e terrível que não deseja outra coisa senão nos matar...Assim como Ele.

Isaías 1:
10 - Ouvi a palavra do SENHOR, vós, príncipes de Sodoma; prestai ouvidos à lei do nosso Deus, vós, povo de Gomorra.
11 - De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? —diz o SENHOR. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes.
12 -  Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pisardes os meus átrios?
13 - Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene.
14 - As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer.
15 - Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.
16 - Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal.
17 - Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas.
18 - Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.
19 - Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra.
20 - Mas, se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do SENHOR o disse.


Ouvi-me, rebeldes. Se O SENHOR, aquele que conservou as mãos furadas como marca do Seu Amor por nós, não for o centro das suas vidas e das suas pregações, Ele não será mais nada em suas vidas. Se sua recompensa e seu galardão é conquistar o mundo e tudo que nele há, nunca o terão como seu grandioso galardão eterno, como Ele se fez notar a Abraão (Genesis 15,1).

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