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Série Vacas Sagradas Evangélicas: O Sermão

(Este post foi produzido de partes do capítulo 2 do livro "Cristianismo Pagão?" de Frank Viola e George Barna, editado no Brasil pela Abba Press)


"O sermão é a base da liturgia protestante. Por 500 anos, vem funcionando como um relógio.Cada domingo pela manhã (nota T.E.: os cultos dominicais são realizados pela manhã nos EUA) , o pastor sobe ao púlpito e profere uma inspiradora pregação a uma audiência passiva que esquenta os bancos. A razão pela qual a maioria dos cristãos vai à igreja é pela importância do sermão. De fato, o culto como um todo é tipicamente julgado pela importância do sermão. Pergunte a alguém como foi o culto do domingo e quase sempre receberá uma descrição do sermão. Soa algo como o seguinte: Pergunta: “Como foi o culto do domingo passado?”

Resposta: “Foi maravilhoso. O Pastor Peckman falou-nos da importância de plantarmos ‘sementes da fé’ para aumentar nossa renda; foi tremendo. Me motivou a dar todo meu salário no domingo próximo”. Em suma, o conceito do cristianismo moderno relaciona o sermão ao culto dominical matutino. Mas isso não pára por aí. 

A maioria dos cristãos é adicta do sermão. Eles vão à igreja como baldes vazios esperando que os pregadores os encham com mensagens de ânimo. Para o cristão típico, o sermão é a principal provisão de sustento espiritual. É mais importante que a oração, a leitura bíblica e a confraternização entre os irmãos. E, sejamos honestos, é ainda mais importante que a comunhão com Jesus Cristo (pelo menos na prática!). 

Elimine o sermão e você eliminará a fonte mais importante de nutrição espiritual para a maioria dos crentes. Todavia, a surpreendente realidade é que o sermão não tem raiz nas Escrituras! Melhor dizendo, oriundo da cultura pagã, ele foi adotado e nutrido pela fé cristã. Esta é uma declaração alarmante. É verdade? Mas há mais.

O sermão, que tem pouco a ver com o genuíno crescimento espiritual, na realidade não elimina
o propósito que Deus desenhou com relação à reunião da Igreja.

De onde vieram os Sermões Cristãos?
O mais antigo registro cristão relacionado à pregação de sermões refere-se ao final do século II.Clemente de Alexandria lamentava o fato dos sermões exercerem pouca influência nos cristãos.Todavia, apesar de seu reconhecido fracasso, o sermão chegou a ser uma prática normal entre os crentes no princípio do século IV. Isto sugere uma questão interessante. Se os cristãos do século I não se destacavam por seus sermões, de onde os cristãos pós-apostólicos adquiriram o costume de proferir sermões? A resposta é contundente: O sermão cristão foi adotado diretamente da fonte pagã da cultura grega!

Para compreender o nascedouro do sermão, temos que voltar ao século V a.C. e analisar um grupo de mestres peregrinos chamados sofistas. Atribui-se aos sofistas a invenção da retórica (a arte de falar persuasivamente). Eles recrutavam discípulos e exigiam pagamento dos interessados em ouvir seus discursos.

Os sofistas eram polemistas experientes (a arte de debater). Eles eram mestres no uso de apelos emocionais, aparência física e linguagem, para “vender” seus argumentos. Com o tempo, o estilo, a forma e a destreza da oratória dos sofistas chegou a ser mais estimada que sua exatidão. Engendrou uma classe de homens que chegaram a ser mestres na arte de falar, “cultivando o estilo pelo estilo”.24[24] As verdades que eles pregavam eram verdades abstratas e não verdades que eram postas em prática em suas próprias vidas. Eles eram peritos em imitar a forma no lugar da substância.

Os sofistas se tornaram conhecidos pelas roupas especiais que usavam. Alguns tinham uma residência fixa onde proferiam seus sermões regularmente à mesma audiência. Outros viajavam para proferir seus polidos discursos.Eles ganhavam bastante dinheiro nesta atividade). Às vezes, o orador grego entrava em seu foro de discurso “já vestido em sua batina de púlpito”. Depois subia os degraus para ir ao seu assento profissional onde sentava antes de proferir seu sermão.Para chamar a atenção sobre um ponto, o sofista citava versos de Homero. (Alguns oradores estudaram Homero tão bem que memorizaram muitos de seus textos).O sofista era tão arrebatador que incitava muitas vezes sua audiência a aplaudi-lo durante o discurso. Se sua mensagem era bem recebida, alguns diziam que seu sermão fora “inspirado”.

Os sofistas foram os homens mais distintos de seu tempo. Tanto que eles viviam por conta própria. Outros tiveram estátuas públicas erigidas em sua homenagem. (Isto não lembra muitos de nossos modernos pregadores?). Quase um século mais tarde, o filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) fez uma modificação na retórica ao agregar três pontos à mensagem. “O todo”, disse Aristóteles, “necessita um princípio, um meio e um fim”. Com o tempo, os oradores gregos implementaram o princípio dos três pontos de Aristóteles em seus discursos. Os gregos se intoxicaram da retórica.Assim, pois, os sofistas se deram muito bem. Quando Roma conquistou a Grécia, os romanos ficaram encantados com respeito à retórica. Por conseguinte, a cultura greco-romana desenvolveu uma cobiça insaciável por escutar alguém proferir um discurso eloqüente. Isso ficou tão em moda que depois de cada cena nos teatros se entretinha as pessoas com um filósofo profissional que proferia um pequeno sermão.

Os gregos e romanos antigos viram a retórica como uma das mais elevadas formas de arte. Conseqüentemente, os oradores do Império Romano foram honrados com o mesmo grau de encanto com que os estadunidenses homenageiam astros de cinema e atletas profissionais. Eles foram os astros mais brilhantes de seu tempo.

Os oradores conseguiam deixar uma multidão frenética simplesmente por sua poderosa destreza retórica. Os mestres da retórica, a fachada científica daquele tempo, eram o orgulho de cada cidade importante. Não demorou muito para que os romanos aprendessem dos gregos e se tornassem adictos do sermão pagão — como ocorre com muitos cristãos modernos adictos do sermão “cristão”.

A Chegada de uma Corrente Contaminada

Como é que o sermão grego foi parar dentro da igreja cristã? Por volta do século III, foi criado um vácuo quando o ministério mútuo do Corpo de Cristo se desvaneceu. Durante este tempo, o trabalhador itinerante que falava de uma forma espontânea deixou as páginas da história da igreja. Para substituí-lo, começou a surgir uma casta clerical. As reuniões abertas começaram a desaparecer, e as reuniões da igreja passaram a ser mais e mais litúrgicas.

Durante o século III, a distinção entre o clero e o leigo se disseminou rapidamente. Uma estrutura hierárquica começou a arraigar-se, e surgiu a idéia do “especialista em religião”.  Em virtude destas mudanças, o cristão funcional teve problemas para ajustar-se a esta estrutura eclesiástica tão diferente do que era antes. Não havia nenhum lugar para exercer seus dons. Pelo século IV, a igreja tornou-se completamente institucionalizada e o funcionamento do povo de Deus congelou.

Nesse meio tempo muitos oradores pagãos se tornaram cristãos. Como resultado, idéias filosóficas pagãs foram inadvertidamente sendo introduzidas na comunidade cristã. Isso resultou em que alguns dos novos crentes durante este tempo eram, antes da conversão, oradores e filósofos pagãos. Lamentavelmente, muitos destes homens foram os primeiros teólogos da igreja Cristã. São conhecidos como “pais da igreja”, contudo algumas de suas obras estão conosco.

Assim, a idéia pagã de um orador profissional treinado para proferir discursos ou sermões mediante pagamento passou diretamente ao sangue do cristianismo. Note que o conceito de “mestre especialista assalariado” não veio do Judaísmo. Veio da Grécia. Era costume dos rabinos judaicos dedicar-se a um trabalho ou profissão para não ter que cobrar pelos seus ensinamentos. Estes ex-oradores pagãos (agora cristãos) começaram a utilizar integralmente suas destrezas oratórias para fins cristãos. Eles se sentiam em seu cargo oficial50[50] e expondo o sagrado texto bíblico, como um sofista ao proferir uma exegese do texto quase sagrado de Homero...” 

Se você comparar um sermão pagão do século III com um proferido pelos pais da igreja, você encontrará a estrutura e a fraseologia de ambos bem similares.

Então, um novo estilo de comunicação passou a tomar forma na igreja cristã, um estilo marcado por uma polida retórica, uma gramática sofisticada, uma eloqüência descritiva, e um monólogo. Era um estilo desenhado para entreter e chamar a atenção sobre a destreza oratória do orador. Era a retórica greco-romana.Apenas aqueles que eram treinados podiam dirigir-se à assembléia! (Isso lembra algo?).

Um erudito descreve isso da seguinte maneira: A proclamação original da mensagem cristã era uma conversação de duplo sentido, mas quando as escolas oratórias do mundo ocidental aderiram à mensagem cristã, a pregação cristã transformou-se em algo bem diferente. A oratória tendia a substituir a conversação. A se sobrepor à conversação. A grandeza do orador tomou o lugar do assombroso evento de Jesus Cristo. O diálogo entre o orador e o ouvinte se desvaneceu em um monólogo.

Em suma, o sermão greco-romano substituiu a profecia, a mútua partilha e o ensino inspirado pelo Espírito. O sermão chegou a ser privilégio elitista de líderes da igreja, particularmente os Bispos.Tais cargos requeriam treinamento em escolas da retórica para aprender como falar. Sem tal educação, um cristão era impedido de falar ao povo de Deus.

Já no século III, os cristãos passaram a descrever seus sermões como homilias, o mesmo termo usado pelos oradores gregos ao fazerem seus discursos. Hoje, os seminaristas fazem um curso chamado homilética para aprender a pregar. A homilética é considerada uma “ciência que aplica as regras da retórica, tal qual na Grécia e Roma, onde teve origem”. Em outras palavras, nem a homilia (sermões) nem a homilética (a arte de pregar o sermão) tem origem cristã. Foram roubadas dos pagãos. Uma corrente contaminada se misturou com a fé cristã e envenenou suas águas. Essa corrente flui tão fortemente hoje como no século IV.


Como a Prédica do Sermão degrada a Igreja.

Embora venerado por cinco séculos, o sermão convencional tem contribuído das mais variadas formas para a degradação da igreja. Primeiramente, o sermão faz com que o pregador seja uma virtuose artística do culto eclesiástico. Como resultado, a participação da congregação fica obstaculizada (na melhor hipótese) e excluída (na pior hipótese). O sermão transforma a igreja em um auditório. A congregação degenera em um grupo de espectadores apagados presenciando um evento. Não há espaço para interromper ou questionar o pregador enquanto ele profere seu discurso. O sermão congela e trava o funcionamento do Corpo de Cristo. O sermão promove um sacerdócio dócil por permitir que os homens do púlpito com suas mãos agitadas dominem a reunião da igreja semana após semana.

Em segundo lugar, o sermão estanca o crescimento espiritual. Pelo fato de ser uma estrada de uma só mão, o sermão embota a curiosidade e produz passividade. O sermão debilita a igreja no que toca ao seu funcionamento. O sermão sufoca o mútuo ministério. Abafa a participação aberta. Estanca o crescimento espiritual do povo de Deus.

Como cristãos, necessitamos funcionar, exercitar, caminhar para poder crescer.Podemos crescer sentados como uma estátua de sal ouvindo um homem pregar de lá de cima do púlpito semana após semana? De fato, uma das metas do estilo da pregação e ensino do NT é incentivar você a funcionar. Isto encoraja você a falar na reunião da igreja.O sermão convencional obstaculiza este processo.

Em terceiro lugar, o sermão conserva a mentalidade do clero antibíblico. Cria uma excessiva e patológica dependência do clero. O sermão faz do pregador um especialista em religião, o único que tem algo de valor a compartilhar. Trata todos os demais como cristãos de segunda categoria, como esquentadores de banco (Embora isso não expresse o geral, é a realidade). Como pode o pastor aprender dos demais membros do Corpo de Cristo quando eles estão mudos? Como pode a igreja aprender do pastor quando seus membros não podem fazer perguntas durante sua prédica? Como podem os irmãos e irmãs aprenderem uns dos outros se eles estão amordaçados e não podem falar nas reuniões?

O sermão torna a “igreja” distante e impessoal. O sermão priva o pastor de receber o sustento espiritual da igreja. O sermão priva a igreja de receber nutriente espiritual mútuo. Por estas razões, o sermão é uma das maiores barricadas que impedem o sacerdócio funcional!

Em quarto lugar, em vez de equipar os santos, o sermão remove suas habilidades. Não importa quão forte e extensamente o ministro fale acerca de “equipar os santos para a obra do ministério”, a verdade é que a pregação de sermões não equipa ninguém para o serviço espiritual. Na realidade, o povo de Deus acostumou-se tanto a ouvir sermões que os pastores acostumaram-se a pregá-los. (Sei que alguns cristãos não gostam de pregações a cada semana, mas parece que a maioria as desfruta).Em contraste com a pregação, o ensinamento do estilo neotestamentário equipa a igreja para que funcione sem a presença do clero.

Em quinto lugar, o moderno sermão é totalmente contraproducente. A maioria dos pregadores é especialista em coisas que nunca experimentou. Por ser abstrato e teórico, piedoso e inspirador, demandante e obrigatório, entretido e ruidoso, o sermão não coloca os ouvintes em uma experiência direta e prática daquilo que é pregado. Assim, pois, o sermão típico é uma lição de natação em terra seca! Falta todo valor prático. Prega-se muito no ar, mas ninguém aterriza. A maioria das pregações é dirigida ao lóbulo frontal. A moderna pregação do púlpito falha em ir além da mera disseminação de informações sobre equipar crentes a experimentar e utilizar aquilo que escutam.

O sermão reflete seu verdadeiro pai — a retórica greco-romana. A retórica greco-romana estava mergulhada em abstrações.Esta “envolvia formulas desenhadas para entreter e revelar o artista orador em vez de instruir ou desenvolver talentos em outras pessoas”.O moderno sermão polido pode acalentar o coração, inspirar a vontade e estimular a mente. Mas raramente, ou nunca, indica como se retirar da conferencia!

De qualquer forma, o sermão não promove crescimento espiritual. Mais que isso, ele agrava o empobrecimento da igreja.Os sermões atuam como um mero e momentâneo estimulante.
Seus efeitos são extremamente efêmeros.

Sejamos honestos. Há multidões de cristãos sendo “sermonizados” há décadas, todavia, continuam na condição de bebês em Cristo.Nós cristãos não somos transformados por escutar sermões. Somos transformados por um encontro regular com o Senhor Jesus Cristo.Os que ministram, portanto, são chamados a assegurar que seu ministério seja intensamente prático. São chamados não apenas para revelar a Cristo, mas para mostrar a seus ouvintes como experimentá-lo, conhecê-lo, segui-lo e servi-lo.
Se um pregador não consegue levar seus ouvintes àquela experiência viva e espiritual que ministra, os resultados da mensagem serão efêmeros. Portanto, a igreja necessita menos gente no púlpito e mais facilitador espiritual. Há uma necessidade urgente de pessoas proclamando Cristo e sabendo como levar o povo de Deus a experimentar esse mesmo Cristo proclamado.

Necessitamos restaurar a prática do século I da exortação mútua e do ministério mútuo. No NT, a transformação espiritual depende destas duas coisas.Naturalmente, o dom do ensino está presente na igreja. Mas o ensino deve fluir de todos os crentes107[107] tanto quanto flui dos que possuem dons especiais para ensinar. Nós deixamos a Bíblia de lado quando permitimos que o ensino tome a forma de um sermão convencional e o relegamos a uma classe de oradores profissionais.

Concluindo

O sermão do púlpito não é o equivalente à pregação encontrada nas Escrituras.A prática do sermão não é encontrada no Judaísmo do AT. Não é encontrada no ministério de Jesus, nem na vida da Igreja Primitiva. Além disso, Paulo disse aos gregos convertidos que ele próprio recusou ser influenciado pelas formas de comunicação utilizadas pelos pagãos de seu tempo.

O sermão é uma “vaca sagrada” concebida no ventre da retórica grega. Nasceu na comunidade cristã quando os ex-pagãos (agora cristãos) começaram a levar seus estilos de oratória para a igreja.

No século III era comum o líder cristão proferir sermões. No século IV virou norma. O cristianismo absorveu sua cultura circundante.Quando o pastor sobe ao púlpito exibindo sua veste clerical e proferindo seu sermão sagrado, ele exerce o papel do antigo orador grego.

Todavia, apesar do fato do sermão não possuir nenhum mérito de fragmento bíblico que justifique sua existência, este continua sendo admirado e isento de crítica nos olhos da maioria dos cristãos modernos. O sermão entrincheirou-se de tal forma na mente cristã que a maioria dos pastores e “leigos” que crêem na Bíblia falham em ver que por pura tradição afirmam e perpetuam uma prática antibíblica. O sermão chegou a ser permanentemente embutido em uma estrutura organizacional complicada, bem longe da vida eclesiástica do século I.

Diante de tudo que descobrimos sobre o sermão moderno, considere estas questões penetrantes: 

Como pode um homem pregar um sermão sobre “ser fiel à Palavra de Deus” se a prática do sermão não é bíblica? Como pode um cristão sentar-se passivamente em um banco de igreja e passivamente afirmar o sacerdócio de todos os crentes desse mesmo banco? 

Para personalizar um pouco mais:Como é que você, querido cristão, pode pretender defender a doutrina protestante de base puramente bíblica ao mesmo tempo em que apóia o sermão do púlpito?

Como disse eloqüentemente certo autor, “o sermão é inquestionável em termos práticos. Passou a ser um fim em si mesmo, sagrado, subproduto de uma reverência distorcida pela tradição dos anciãos...”. Parece estranhamente inconsistente que aqueles que estão mais dispostos a defender a Bíblia como a Palavra de Deus, “supremo guia em todos assuntos de fé e prática” se encontrem entre os primeiros a rechaçar os métodos bíblicos em favor das “cisternas quebradas” de seus pais (Jeremias 2:13). Em outras palavras, não há espaço no curral da igreja para vacas sagradas como o sermão!"

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AS I LAY DYNG - Vídeos Comentados

Bem...que o AILD é uma banda incrível eu já escrevi por aqui, mas outra coisa notável a seu respeito são seus clips, especificamente, dois feitos para o álbum "An Ocean Between Us", incluindo o video nomeado para o Grammy de 2007, "Nothing Left", e sua sequência, algo meio que inédito em clips, "The Sound of Truth". Além deles, temos o último trabalho de divulgação da banda para o último album, "The Powerless Rise", com a música "Parallels". Vamos disponibilizar também as letras para uma melhor compreensão do contexto daquilo que a banda quer passar como mensagem. Há muitas coisas interessantes para analisar nesses vídeos.

NOTHING LEFT - NADA MAIS


Este mundo nunca foi digno
Mas como posso chamá-lo de infiel
Todas as promessas foram cumpridas
Como decadência que se arrasta de sua garganta
Como o morto saindo da sepultura aberta
Lábios de esplendor e língua de engano
Tudo morre agora assim como nosso frágil pulso só contém resíduos

Como aqueles que ofegam por um último suspiro
Não podemos esconder que não há mais nada

Se toda minha aflição me guiou até aqui
Então posso chorar todas as minhas lágrimas
Para ter essa chance outra vez
E saber que há mais do que isto
E saber que há mais do que você

Como aqueles que ofegam por um último suspiro
Não podemos esconder que não há mais nada

Num mundo futurístico como nos é apresentado na primeira cena, vemos uma realidade de tirania e opressão através da discriminação e intolerância a pessoas que desenvolvem um tipo de doença que pode ser contagiosa. A personagem principal da história se vê acuada pelos outros que a vêem como um ser inferior, menos que humano ao descobrirem que ela é portadora do "mal". A cena seguinte nos mostra uma estrutura muito parecida com o Coliseu, lugar onde os cristãos foram massacrados por muitos anos, como um câncer a ser estirpado na sociedade romana. Não há sinal algum de misericórdia ou compaixão nas faces das pessoas pela mulher exposta a vergonha pública enquanto a figura que parece ser o "César" do local incita a massa até que ele dê o sinal indicando a condenação: o polegar para baixo tão característico da ordem que os Césares davam para que alguém fosse executado. O clip termina com a mulher sendo levada para fora da cidade rumo a um tipo de prancha sobre um precipício e sua execução parece algo inevitável.

O final melancólico e aparentemente injusto da trama ressalta a injutiça do mundo relatada na letra de Tim Lambesis. a execução, perseguição e a intolerância com pessoas "diferentes" e consideradas "aberrações pelos mais variados motivos tem sido a tônica o mundo desde há muito tempo. Nós sempre rotulamos, discriminamos e perseguimos aqueles que são "diferentes". 

A intolerância exposta no video pode ter muitas fontes e acontecer de muitas maneiras. Não somente os cristãos foram perseguidos e mortos por suas convicções na história. Os leprosos foram banidos da sociedade durante séculos por ignorancia e medo. Os nomeados "cristãos", por sua vez, perseguiram os judeus por toda Europa. "Cristãos" perseguiram e mataram "cristãos" durante a época da Reforma. Liberais ateus perseguiram e mataram "crentes", expuseram padres e freiras a execração pública pelas ruas de Paris durante a Revolução Francesa. A intolerância anda juntamente com o medo e o ódio daquilo que não podemos entender nem aceitar totalmente. 

 A idéia do clip também pode girar em torno da projeção de uma sociedade futuristica onde a fé em DEUS poderá ser encarada como uma doença e exposta a um julgamento público. 

Mas que tal pensamos se estamos nós mesmos hoje em dia encarnando esse espírito tão horrível promovendo o medo e a desconfiança a certos tipos de pessoas só porque não aceitamos o seu modo de ser e viver? De que lado queremos estar realmente? Apontando, acusando e condenando? Nas palavras de Lambesis, o mundo cumpriu todas as suas promessas e é isso aí mesmo, não devemos esperar dele outra coisa, mas e quanto a nós, não deveríamos ficar do lado daqueles que "ofegam por um último suspiro", uma última chance de encontrar na vida algo "além do que isto" aqui oferece?

The Sound of Truth - O som da Verdade

Temos ouvido tudo que queriamos ouvir
A "Verdade" que soa bem aos nossos ouvidos

Mas que sabedoria há em nós
Para vivermos baseados nos sentimentos de nossos corações?
Quantas vezes os instintos nos desapontaram
Nunca parar para pensar
Nunca ser questionado
Diga o que realmente significa
Quando sua ambição te chama
Para que serve orar
Se você só ouvirá o que quer ouvir?

Falamos de lutar para resistir a este mundo
Mas, e quanto à batalha que existe dentro de nós?
Se temos escolhido viver contra a maré
Então como estamos diante do mesmo caminho?
Não há diferença entre nós e eles
Se buscamos tão cegamente a verdade de sentimentos.

Temos ouvido tudo que queriamos ouvir Verdade que soa bem aos ouvidos

O clip começa onde "Nothing Left" termina, ou seja, na prancha de execução. Mas algo está acontecendo na tal cidade futurística, um tipo de rebelião ou revolução que leva muitas pessoas às ruas. Elas não estão satisfeitas com o governo daquele "caroinha" de preto e então saem às ruas depois de libertarem a garota da morte certa. A rebelião chega até a sede do governo onde os rebeldes capturam o ditador e o levam a julgamento público naquele "Coliseu" onde antes a garota foi julgada. Repare que o povo que antes apoiava o tirano agora quer sua cabeça e a única que não parece realmente a vontade ali é a garota que seria executada. Quando o ditador é atirado ao solo e depois levantado repare que suas luvas ficam no chão e, então, algo ocorre. O déspota olha de modo estranho para suas mãos sujas de lama, sujas de uma terra manchada com o sangue de tantos condenados por ideologias opostas. 

Só para lembrar, alguns minutos antes, a mão é mostrada por um dos "rebeldes" como uma senha para adentrar a uma reunião fechada dos revolucionários. Talvez para salientar a diferença entre os oprimidos e o opressor, que sempre aparecia gesticulando com as mãos cobertas pela luva preta.
O significado real daquilo que a banda queria passar somente eles mesmos poderiam responder, mas creio que o sentido simbólico disso é que nesse instante a "ficha" cai para muitos ali e ocorre uma identificação psicológica do povo com o ditador. Eles são iguais em essência. Ele era seu governante porque eles o permitiram e cederam todo poder a alguém que era a extensão deles mesmos. Isso é comum na História. Os nazistas só chegaram ao poder com o apoio popular, o mesmo com os comunistas na Rússia e na China. Cada revolução vitoriosa na História está alicerçada ou no apoio popular ou na omissão do povo em tomar posição frente a um levante.
Todos conhecemos o ditado que diz: "Todo povo tem o governo que merece", o que é verdade, até certo ponto. 

Vejamos o Brasil. Todos reclamamos dos nossos políticos, mas não são eles brasileiros como nós? O que nos faz pensar que seríamos diferentes deles se estivéssemos lá? Seria razoável se admitessemos que nossa classe política é o espelho do que é o brasileiro moralmente, ou não? Nossa apatia em exigir mudança nos diz mais sobre nós do que pensamos. 

Em consonância com a letra, a banda expõe a verdade de que o pensamento cristão que inspirou as bases dos ideais de direitos humanos dos estados modernos e tomou o poder despótico de governos derivados do Império Romano, não mudou em essência o ser humano.

Continuamos sendo cristãos nominais mas usando as mesmas armas de sempre para prevalecer nossos pontos de vista, ouvindo as "verdades" que escolhemos e agindo de acordo com nossas escolhas baseadas em não mais do que gosto pessoal. A Verdade cristã, que a banda quer salientar, sempre conduz a um confronto com nossos modos de enxergar as coisas e as medidas que usamos para "manter" a aparência do mundo ao nosso redor. 
Resta saber se a banda vai produzir algum tipo de sequência para a história, que a meu ver, não está finalizada.

Há espaço para mais um episódio para fechar a reflexão iniciada por esses dois excelentes vídeos que mostram que uma banda metal não precisa ser acéfala para ser boa e que o bandas cristãs podem trazer um conteúdo muito importante para a mente dos jovens que gostam do estilo.


Parallels - Paralelos



Estamos todos em coma; Somos superalimentados...mas subnutridos, ansiosos para algo mais.
Nunca famintos e ainda assim nunca satisfeitos. Lascivos, porém, sem nenhuma carne ou mente útil.

Eu sou uma contradição ambulante que encontrou estabilidade
consumindo tudo, sem produzir nada substancial.

Nos paralelos nós batalhamos...batalhamos para conservação, há um jeito melhor para sermos libertados.
De tudo o que almejamos, tem que haver algo melhor na vida do que simplesmente estar vivo...do que simplesmente estar vivo.

Não somos mais iguais como eu espero  mostrar. Há um caminho melhor se nós apenas deixarmos rolar.
Nós não somos...nós não somos iguais...nós não somos....nós não somos os mesmos...deixa isso rolar (abandone).

Na tensão entre o desejo ávido ou simples necessidade
Fica claro que os poucos limites entre os únicos nós preservamos.

Não somos mais iguais como eu espero mostrar. Há um caminho melhor se nós apenas deixarmos isso
Nós não somos...nós não somos os mesmos...nós não somos....nós não somos os mesmos.
Deixa rolar... Não somos mais os mesmos.

Nos paralelos nós lutamos para conservação,
há um jeito melhor para sermos libertados...para sermos libertados.
E nos paralelos (paralelos) nós batalhamos para conservação (batalhamos para conservação),
há um jeito melhor para sermos...para sermos libertados.


Em “Paralels” vemos uma crítica contundente ao sistema  que faz do ser humano um produto montado em linha. Inertes, como num estado de coma, simplesmente somos condescendentes num processo que tenta uniformizar cada ser para que seja útil às engrenagens da grande máquina. Vemos a tal “máquina” arrancar a cabeça de um cidadão para “plantar” ali uma cabeça de pássaro igual a de todos os outros. O vídeo mostra que somos colhidos para participar desse processo desde bebês e parece não haver um meio de nos livrar dessa escravidão, mas como a letra diz “Há um meio melhor para sermos libertados”. A expressão “let it GO” usada para definir de que modo se dará essa “libertação” é de difícil tradução pois se trata de uma expressão idiomática que depende muito de contextualização e interpretação. Literalmente, quer dizer “deixe ir” ou “deixe rolar”, mas pode significar de um modo mais profundo, uma espécie de deserção, de abandono de uma causa ou motivo.

De acordo com o contexto da letra, a banda faz referencia ao estado letárgico em que cada um está imerso nesse processo, mesmo sentindo-se vazio e ansioso por uma Vida realmente significativa. Nesse sentido, somos nós mesmos os responsáveis por mudar a direção e buscar um sentido e horizontes que ampliem nossa percepção de vida. Como disse Lambesis em entrevista recente publicada por aqui, o objetivo em geral das letras do novo cd é mostrar que é possível ter “Uma vida mais simples em comunidade que permita que todos tenham uma vida muito mais livre da corrupção e da ganância”.

Parece que já é realmente tempo dos jovens cristãos acordarem da alienação religiosa e serem os portadores de uma mensagem mais poderosa para essa geração Y. Essa mensagem, firmemente alicerçada em valores espirituais, antes de fazer qualquer apologia doutrinaria ou dogmática, ganha ares de contracultura ao questionar os sistemas de controle e massificação do pensamento, ferramentas presentes também dentro da religião institucional. Ao fazer isso, gente como o AILD, P.O.D., Brian Head entre outros estão levantando suas vozes para acordar muitos jovens não só para a realidade de que podem escolher outro caminho, mas apontando que a única real saída é a transformação interior proposta nos Evangelhos. E isso é muito diferente de propor religião.


Bom, é isso aí. Se alguém quiser adicionar algum comentário ou fazer alguma ressalva, fiquem à vontade. 









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Finalmente está provado: A Evolução ocorreu...Foi um Milagre de DEUS!!!!

O apologista cristão William Lane Craig inverte a lógica usada pelos ateus evolucionistas e usa suas próprias armas para provar em um debate sobre a existência de DEUS numa universidade americana que a Evolução só precisa na realidade de uma única coisa para ter acontecido:  A EXISTÊNCIA DE DEUS!!!!! Essa foi demais!

William Lane Craig é um dos apologetas cristãos mais preparados de nossos dias para rebater os argumentos de teofóbicos como Dawkins, Hitchens e Dennet. Aliás, ao que parece, Dawkins tem refutado continuamente debater com ele. Por que será, hein?



Craig usou os números a que dois cientistas, Frank Tripler e John Barrow, chegaram postulando a teoria chamada Princípio Antrópico Fraco, que postula, basicamente, que o Universo não esperava nossa chegada (tese do Princípio Antrópico Forte) mas que comportou-se de modo a permitir o surgimento da vida, sem nada que a predefinisse.
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Livres do quê e para quê? - Uma reflexão sobre a Liberdade em Cristo de Gálatas



"Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão" - Gálatas 5.1


Ah, Liberdade...Poucas palavras soam tão bem aos ouvidos. O conceito por trás dessa palavra elevou-se a categoria de um ideal universal para todos os homens. A Declaração dos Direitos Universais do Homem garante, pelo menos no papel, que todos devem nascer livres e permanecer nesse estado sem ser mantido em escravidão. Logicamente, não passa de uma boa retórica que nunca nos livrou realmente da tirania dos governos mundiais, mesmo os "democráticos", através da política e do sistema econômico...Mas isso é uma outra história.

Todos estamos mais do que familiarizados com João 8.36 ("Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres),  e gostamos de ouvir isso. Geralmente, se perguntarmos a que Cristo se referia, diremos que Ele veio nos libertar do poder do pecado e das garras da morte. É uma resposta correta. Sem dúvida, ele veio para isso. 

Milhares de pessoas experimentam diariamente ainda hoje algum tipo de libertação de algum padrão destrutivo de vida através do conhecimento das palavras do Evangelho. Porém, fica um pouco mais difícil alguém explicar como ou o quê se faz exatamente para manter-se livre. Pode-se dizer que a libertação efetivamente ocorre num momento, no momento em que os olhos do cego são abertos e ele se vê na beira do precipicio que se tornou sua vida e clama para que O SENHOR o tire dali. Agora, com sua alma lavada, com vestes novas, sandália zero bala, anéis nos dedos e etc, ele está debruçado aos pés do Mestre e só pensa em como fará para agradá-lo mais. 

Toda criança precisa de um tutor, alguém que lhe guie os primeiros passos e o ensine os rudimentos do mundo, do falar  do agir corretamente. Desse modo, pode-se dizer que somos entregues, como lactentes, aos cuidados de tutores que nos ensinarão os primeiros rudimentos. Começamos a ser ensinados de várias maneiras pelos responsáveis pelo doutrinamento. 

De certa forma, começamos a ser condicionados a ver algumas coisas além daquilo que vimos Nele na primeira vez. 

Me ocorrem várias  que poderia usar para ilustrar a situação. Em uma delas, depois de liberto de um mal que me impedia de andar livremente, eu sou uma criança dada a correr. Gosto realmente de correr. Vou a qualquer lugar correndo. Sinto-me realmente livre correndo. Mas um dos meus tutores me diz que eu correria melhor se usasse uma muleta. Inicialmente eu discordo, pois eu sei, apesar de criança, naturalmente, que isso iria afetar meu desempenho na corrida, mas acabo cedendo porque obediência é um sinal de respeito e de que estou crescendo. Naturalmente, quero agradar meus tutores para também agradar a Ele, que me libertou e me fez andar, e mostrar que não sou um ingrato ou rebelde.

Obviamente, meu desempenho cai, muito, mas... coisa engraçada... meus tutores me dizem que estou muito melhor assim e fazem comentários do tipo: "Veja só, hein...Está crescendo rapidamente" e "É isso mesmo, meu rapaz!Você é um jovem de fé!". Eu acabo acostumando em usar uma muleta para correr, embora sinta que não funciona e que ela diminui a sensação de liberdade original do correr. Não obstante, meus tutores ainda acham que eu só mostraria realmente que sou O bom se aprendesse a correr com DUAS muletas ao invés de uma, e lá vou eu de novo...Até que me viro bem, afinal, sou um cara persistente, acostumado a desafios, mas aquela antiga sensação de Liberdade...Ah, essa ficou pra trás de vez. Embora descontente, ainda recebo muitos tapinhas nas costas de meus mestres que insistem em dizer que estou cada vez melhor do que antes.

Essa é a moral da história dos gálatas, a quem Paulo escreve essa carta, que se fosse colocada no Novo Testamento na ordem cronológica em que foi escrita, ocuparia a primeira posição, tendo sido escrita por volta de 49/50 d.C., portanto, antes mesmo de alguns Evangelhos, como o de João. 

Os gálatas foram alcançados pelo Evangelho de Paulo e sentiram o frescor das asas do Espírito bater em suas faces. Estavam livre e viviam assim. Por assim dizer, corriam como cavalos selvagens. Quando digo cavalos selvagens as pessoas podem ter uma imagem errada a respeito. Quero dizer, os cavalos só são selvagens para quem quer montar neles. Geralmente, eles vivem bem numa vida em comunidade onde fazem parte de uma família coletiva, onde todos ajudam-se mutuamente a sobreviver e escapar das adversidades que teriam se andassem por aí sozinhos. 

Voltando aos gálatas, vemos que Paulo está quase irado com um certo tipo de gente que se introduziu no meio deles e os inquietou tanto que fez com que eles aceitassem algumas muletas, ou, para usar outra imagem, colocar voluntariamente sobre si alguns cabrestos, como  se faz com os cavalos. Sabe como é, nada de mais, só pra facilitar a direção. Esse pessoal, segundo Paulo, uma galera da pesada, do mal mesmo, ficou conhecido na historia da igreja como "os judaizantes"

O que essa gente barra pesada queria com o povo de DEUS, hein? Paulo tinha um palpite: "Eles são zelosos de vós, mas não sinceramente, mas querem afastar-vos (ou excluir-vos), para que o vosso zelo seja em favor deles" - Gálatas 4.17  -  Ou seja, eles queriam ocupar um lugar que não mereciam e que nem mesmo Paulo ocupou, pois plantou a igreja na Galácia e, tempos depois, foi embora, deixando-os não sozinhos, mas ao cuidado do Espírito enviado para edificar os santos.

A carta aos gálatas é tida como a Carta Magna cristã de emancipação de lei judaica e muitos julgam que ela veio antes do concílio de Jerusalém onde se definiu que os gentios não seriam sujeitos às práticas da Lei judaica. Paulo defendia esse princípio, a superioridade da Nova Aliança frente à Lei, com argumentos de deixar a barba bipartida de qualquer judeu em pé. 

Por exemplo, Paulo usa a imagem do herdeiro que tem tutores que cuidam do seu crescimento e que "durante o tempo em que o herdeiro é menor, em nada difere de escravo (do tutor), posto que é ele senhor de tudo; Mas está sob tutores e curadores até ao tempo predeterminado pelo pai; Assim, também nós, quando éramos menores, estávamos servilmente sujeitos aos rudimentos do mundo; vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos; E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, {Aba; no original, Pai} Pai!; De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus." - Gálatas 4, 1 a 7

As implicações da argumentação de Paulo são realmente destruidoras para a doutrina da Lei. Ele está na verdade declarando que Cristo nos livra de sermos escravos indefinidamente, condição pela qual a Lei nos foi enviada. Ora, se JESUS deixou o Seu Espírito para que recebessemos a adoção de filhos e pudéssemos clamar 'ABA', já não somos escravos, logo a Lei para nós foi destruída, aniquilada. Só nos resta aprender a nos comportar com a Liberdade que um filho deve ter na casa do Pai. 

Infelizmente, essa não é uma lição fácil de aprender. A Liberdade esconde perigos inerentes às suas prerrogativas e o caso é que não são muitos os interessados hoje, como Paulo foi, em ensinar a caminhar por esse caminho. Há muitos tutores e curadores, mas são como aqueles que Paulo antagonizava. Querem que sejamos zelosos deles, querem que nos ocupemos exclusivamente deles e seus ensinos, são possessivos, ciumentos, facciosos, partidaristas, invejam-se mutuamente e são muito, mas muito mesmo, carismáticos, eloquentes e persuasivos. 

Diluem a Graça que nos põe em Liberdade, introduzindo aquilo que estava morto para nós. Paulo alerta: 

"Esta persuação NÃO VEM DAQUELE QUE VOS CHAMOU; UM POUCO DE FERMENTO LEVEDA TODA MASSA" - Galatas 5. 8 e 9

Um mandamento aqui, outro ali, um princípio da Lei revivido aqui, outro acolá e Pronto!!!Estamos excluídos, apartados! Do quê? Da Liberdade da Graça. Excluidos de quem? Da pessoa que nos libertou!! Nos fazemos novamente escravos ao nos submeter a uma hierarquia divinamente humana, que reconstrói a ordem do templo, instituindo levitas, porteiros, cobranças de impostos e a posição mais alta e desejada de sumo-sacerdote que comanda as ações. O povo só é de DEUS se trouxer a sua contribuição muda e sua obediência cega. Mas DEUS, como antes, levanta no meio do povo, profetas para alertar e despertar seu povo.

Como somos cegos reconstruindo um sistema que matou o Messias? Como não podemos enxergar que não vem de DEUS a vontade de dominar sobre o rebanho, mas é fruto do nosso medo da LIBERDADE com a qual Ele nos presenteou? Domínio, controle e medo. São esses os motores do mundo. Por que o utilizamos em nosso meio? Por que não deixa-los? Por que é mais fácil optar por nossas soluções, que só trouxeram até  hoje ódio, inveja, divisão do que o conselho de Paulo em Gálatas 5.13: "Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor"? 

"LIBERDADE"
Pastores, padres, evangelistas, mestres, líderes, EM NOME DE JESUS, abram mão do controle e do dominio sobre o rebanho de Cristo. Essas não podem ser as ferramentas que lapidam os filhos do Pai. Não ponha fardos sobre eles, os quais o SENHOR mesmo os tirou. Criem vínculos de Amor para guiar as pessoas à maturidade, se é que vocês mesmos são maduros e possuem algo a ensinar verdadeiramente. Se não possuem nada, apenas deixem as pessoas seguirem adiante e DEUS se encarregará delas. São servos Dele, não seus. Não façam deles crianças eternamente dependentes do leitinho de vocês e suas "bocas de ouro". Lembrem-se de que aqueles que ensinam receberão maior julgamento. Olhem ao redor e para dentro de si mesmos e vejam se, mesmo inconscientemente, ao imitar certos modelos, vocês não introduziram fermento farisaico que dilui a Graça Libertadora e introduz a mão pesada do homem sobre os ombros fracos de pessoas que somente estão dando o primeiro suspiro de liberdade. Se isso implicar em abdicar das estruturas montadas para tal, não temam pois DEUS nos chamou para andarmos VERDADEIRAMENTE LIVRES!!

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