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A Batalha de um Só - Um conto

Certa vez um exército reuniu-se no alto de uma colina, preparando-se durante um dia todo para a batalha que se desenrolaria no vale abaixo no dia seguinte. O temível exército do inimigo já se fazia presente lá embaixo, com suas armaduras negras ao sol, estandartes ao vento e músicas de guerra par encorajar seus soldados que eram muitos e conhecidos por sua determinação, violência e crueldade.

No alto do monte, a disposição do outro exército não era diferente. Todos estavam obviamente excitados e ansiosos pelo início do combate, afinal eram guerreiros que haviam treinado muito para aquele momento. Sua vida era uma constante batalha, mas agora seu maior desafio estava a sua frente, vencer seu maior inimigo no seu campo. A guerra não pode  retroceder daqui. Este bastião tem que ser defendido até a morte.

Enquanto a hora para o começo do combate não chegava, os soldados no alto da colina ocupam seu tempo preparando seus espíritos para descer ao verdadeiro inferno que se instalará naquele vale em algumas horas. Mais do que bem treinados, guerreiros tem que ter um espírito inquebrantável e saber que tem que dispor de suas vidas para serem bem sucedidos. Tudo, absolutamente tudo, tem que estar resolvido dentro de suas mentes e corações antes de se atirarem à batalha. Não há nada mais pelo qual ele deseja voltar. Nem família, ou posses ou amores. Ele está desprendido de tudo. Assim, toda noite anterior ao combate, eles passam entoando hinos que exaltam a honra, a força de vontade e a vitória do espírito sobre o desejo da carne que os trouxeram até aqui, às portas do inimigo, rumo a uma grande vitória. Estão convictos de que suas vidas se resumem a esse momento. Lindas vestais, virgens e puras em intenção, derramam óleo perfumado sobre as cabeças dos guerreiros em sinal de sua total consagração.

Pela manhã, ao nascer do sol, o capitão do exército, um grande nobre daquelas terras, reune seus homens no alto da colina para as ultimas palavras antes do embate:

"Homens, chegamos aqui pela Graça do Doador da Vida, não por nossos próprios méritos. Se Ele nos permitir avançaremos sobre o território inimigo, mas eu lhes digo que eles nunca passarão daqui. Nunca mais nossa terra será ocupada pela cobiça, pela vaidade, pela luxúria, pela traição, pela mentira, pela corrupção dos sentidos. Agora temos Rei sobre nós e Seu Nome é Justiça. Avante, homens, pois hoje teremos a Glória de qualquer maneira na ceia...Ou sobre os corpos de nossos inimigos ou na Eternidade!" - e põe-se a descer a colina resolutamente ao acampamento inimigo logo abaixo, certo de que os valorosos homens que o acompanharam até aqui o seguirão até o inferno, mas logo algo o faz estancar surpreso, pois se vê marchando só. Voltando-se, vê suas tropas perfiladas exatamente onde estavam, como que paralisados, imobilizados como um exército de terracota. "Mas Quê..."; exclama.

Neste instante, intervém a figura do sábio do reino, um homem instruído na Sabedoria e na experiência da Vida, mestre no ensino do Caminho da Virtude:

"Filho, isto não é um tipo de sortilégio lançado pelas hostes do inimigo, e sinto muito não poder ter lhe falado antes aquilo que viria a seguir no desenrolar desta guerra. Este exército, preparado e treinado pelo Rei de Justiça, lutou bravamente contigo em muitas batalhas mas, a partir daqui, não mais poderá  acompanha-lo..."

"Mas...Por que?"

"O exército preparado pelo Rei de Justiça fortaleceu seu desejo para expulsar os inimigos de suas terras ancestrais, eles foram necessários como companheiros aliados nessa empresa para fortalecer sua vontade e forjar em seu espírito um guerreiro inabalável, mas eles não poderão ajuda-lo além daqui, pois o Rei de Justiça determinou que se usasse todo seu poder para exterminar de vez seus inimigos isso não ajudaria você a evoluir por completo como guerreiro perfeito. Ainda há pontos fracos em sua armadura e você deve fortalece-los até poder penetrar nas fortalezas inimigas para além daquele vale tenebroso..."

"Então, o que será? Desistimos da vitória aqui, tão perto de chegar? Não entendo o propósito de nosso Rei pela primeira vez. Pensei que Ele queria derrota-los de uma vez por todas assim como eu. Por que Ele procrastina contra o mal agora?"

"Não é procrastinação, meu capitão, mas deves entender que os meios utilizados por nosso Rei não são os mesmos dos outros reis. Ele poderia realmente esmagar os inimigos sem esforço algum se assim o quisesse, mas ele não está interessado no inimigo, seus olhos estão sobre nós. Não haveria proveito algum para nós nisso, pois ele deseja que nós vençamos usando as armas e habilidades que ele nos deu, para sermos perfeitos como ele é, não usando seu poder como mágica barata. E é ali, embora não entenda, naquele vale repleto de inimigos, onde o derradeiro teste será realizado e você sairá aperfeiçoado. Aquilo que ele lhe deu é seu e não importa se irá sozinho, pois deve  ser o suficiente para que você enfrente qualquer gigante pelo caminho. Embora seus guerreiros e irmãos não possam ir com você, tenha certeza de que nos momentos em que desfalecerem suas forças, eles serão enviados para fortalece-lo e nunca o inimigo avançará um passo sequer sobre o território que já foi tomado e dominado pelo Rei, a menos que você desista da luta e renda suas armas. Estaja certo de que não serão poucas as vezes em que fraquejará e pensará em desistir e depor as armas, mas tenha bom ânimo, pois Ele é Fiel para cumprir o que prometeu e enviará ajuda na hora certa, renovando suas forças e sua fé nos momentos mais duros, mantendo seu espírito e sua visão em meio a tribulação. Para este momento você foi chamado e treinado. Só você pode resistir e lutar aqui, caso contrário, tudo que foi feito terá sido em vão. Está pronto para essa batalha sem trégua, meu senhor?"

"Como posso negar aquilo que sou e voltar para trás? Para a Glória ou a morte por ela estou aqui e não retrocederei. Se tenho que lutar tal batalha sozinho não me importo. Vou crer nas palavras do Rei por que melhor são suas promessas do que as vantagens dos déspotas que oferecem tesouros de tolos, onde só há vaidades e vanglórias. Tudo passa nessa vida, mas somente eu tenho que conviver com minhas escolhas, pois sei quem sou e no que me tornei. Mais vale morrer acreditando do que passar o resto da vida lamentando por não ter percorrido esse caminho até o fim".

Dito isto, o guerreiro pôs-e a descer a colina que o separava do inimigo que o esperava de braços abertos e dentes cerrados. Atirou-se ao seu destino abraçando-o com avidez. Aquele foi o dia mais longo de sua vida. As vagas inimigas não davam descanso. Como demônios que conheciam os pontos fracos de  sua  armadura, o cercavam e o atacavam sem piedade, procurando minar suas defesas. Mas uma força e uma destreza inigualáveis faziam com que o justo guerreiro nunca esmorecesse e a cada golpe desferido dezenas de inimigos caiam estraçalhados, fazendo-os recuar assustados. Logo, porém, se reagrupavam e atacavam ainda mais furiosos. O cansaço e a fadiga sobrevieram e o guerreiro sentiu-se derrotado, e isso muitas vezes. Porém, em todas as vezes que ele parecia que realmente seria derrotado, o socorro vinha como prometido, e o exército do Rei intervinha afastando os abutres, colocando-o de pé e restaurando suas forças para continuar a seguir. Inúmeras vezes ele caiu, Inúmeras vezes foi levantado, inúmeras vezes ele se atirou sobre os inimigos desejando morrer e acabar com tudo aquilo de uma vez, mas nunca desistiu nem depôs suas armas, até que acabasse aquele dia e o próprio Rei lhe dissesse que basta, declarando-o vitorioso naquela guerra, e o acolhesse entre o hall de seus heróis.

Assim somos nós, chamados para uma batalha que só acabará no dia em que formos recolhidos do campo de batalha, aquele vale, que somos nós mesmos. Até chegar ali, podemos ser ajudados por muitos que nos dão forças para seguir em frente, mas ao chegar ali, ficamos sabendo que a maior batalha só pode ser lutada por nós: a batalha contra nossos demônios, a batalha contra os exércitos do ego dentro de mim que me dizem que não sou bom o bastante, e que eu sempre ou fracassar. Não importa quantas vezes vou cair naquele campo perante o inimigo, pois o Rei não me mandou vencer uma guerra que Ele já venceu, importa apenas que eu lute sem cessar, sem depor as armas que Ele me deu e crendo que socorro me será enviado para não desfalecer e voltar a ser escravo. Essa luta pela liberdade dura até o fim do dia de nossas vidas quando o crepúsculo chega sobre nossos olhos e, enfim, ele me dirá se perseverei e lutei o bom combate.

Por enquanto, tudo que tenho é minha própria luta e as armas que me foram entregues e com elas espero resistir.

                          Trilha sonora deste post


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ZEITGEIST - O ESPIRITO DA MENTIRA REFUTADO FURO A FURO Parte IV

GAUTAMA, O BUDDHA,  E AS (DE)SEMELHANÇAS ENTRE O BUDISMO E CRISTIANISMO – Este post faz parte de Zeitgeist refutado/parte 4 de 4

Na verdade, Sidharta Gautama não foi citado no filme Zeitgeist, o que eu considero um dado relevante, pois se pode dizer muita coisa sem usar uma única palavra e os autores do vídeo podem estar querendo passar a idéia de que o budismo, na forma ensinada por Sidharta, e sua doutrina está acima das outras religiões. De fato, o budismo mais puro e não contaminado por praticas hindus ou tibetanas vem sendo bem aceito até mesmo por agnósticos por que renega a interferência de qualquer divindade no plano natural. O homem está por si só e deve achar a saída pó si mesmo e isto não tem nada a ver com milagre, trata-se de um processo mental.

Da mesma forma que os outros, especialmente Krishna por sua proximidade com a cultura e mitos hinduístas, os paralelismo entre esse “deus’(embora Sidharta nunca tenha reclamado tal coisa)  Cristo são da mesma classe: deprimentes e forçados demais e não vale a pena comenta-los. Entretanto, há um aspecto mais interessante a ser enfocado no que tange o budismo. Já a alguns séculos ele vem sendo introduzido no Ocidente com a idéia constante de que ele guarda tantas semelhanças com o cristianismo que poderia ser considerado seu irmão mais velho, visto que Gautama viveu cerca de 500 anos antes de JESUS. Essa semelhança não seria produto do acaso mas, de alguma forma, fruto de uma assimilação proposital. Os Evangelhos parecem deixar uma lacuna na vida publica de JESUS que se estende dos doze aos trinta, idade com a qual efetivamente se mostrou ao mundo, fato que não passou desapercebido por muitos oportunistas. JESUS, segundo esses, teria peregrinado até lugares como India e Tibete e aprendido ali a filosofia oriental e o budismo. Já em 1906, o escritor inglês G.K. Chesterton rechaçava as pretensas semelhanças entre o budismo e o cristianismo verdadeiro em seu clássico “Ortodoxia” dizendo que não poderia haver duas coisas mais distintas em essência, o que eu concordo se analisarmos o cerne, o tutano, das duas escolas.
Ele dizia que os dois são semelhantes no que todas os credos são semelhantes ou descritos como semelhantes em pontos que obviamente são diferentes. Chesterton olhava alem daquilo que a maioria via como uma semelhança a toda prova: o ensino do amor ao próximo e da abnegação das coisas materiais. Ele olhava para a solução que um e outro davam para um problema com o qual todos os credos basicamente concordam: que a humanidade está imersa em pecado e engano.
 Para começar, tanto o budismo e o hinduismo vêem a criação como sendo a queda e a criação do mundo e do homem principia com o fardo da infinita roda do sansara, um triste começo, no qual o homem foi podado da comunhão plena com o divino, a qual dificilmente será restabelecida senão no decorrer de uma eternidade de nascimento e morte. A criação, nesse caso, não corresponde a um ato de amor do criador, Brahma, mas quase que uma simples necessidade fisiológica.
Desse modo, o único caminho para a felicidade total do homem é libertar-se do sentimento de existir, que traz sofrimento, segundo Gautama, readquirindo o direito de se extinguir completamente ao unir-se de novo à essência do universo, onde não há pessoalidade. Em outras palavras, o budista anseia atingir o Tudo a fim de se tornar Nada. O nirvana budista é o sonho niilista do suicida.
 Obviamente, essa era a visão original do fundador do budismo, um legitimo reformador da religião hindu, que não via muito sentido nas superstições de seu povo envolvendo miríades de deuses que nada podiam fazer por seus adoradores, o que o levou a pensar num modelo que levasse as pessoas a desconsidera-los e serem seus próprios agentes salvificos.
 Em contrapartida, o pensamento judaico-cristão vê o ato da criação como um ato de profundo amor do Criador. Chesterton o definia como um gesto estranho de generosidade que fez o Criador exultar com uma divisão de si mesmo que encheu o universo de almas vivas, como Ele mesmo é, quase como num orgasmo criativo. O que realmente separou o homem de DEUS não foi a Criação, mas o ato descrito como pecado (erro, falha) onde, já disse alguém, o mal se tornou abundante no homem e o Bem, algo especial e raro. 
Apesar do pecado, contudo, esse DEUS não abandonou sua criação, mas proveu leis e legisladores a todos os povos para que pudessem ascender dos pântanos da animalidade a que estavam condenados e preparando-os para que, no tempo determinado por Ele mesmo, enviasse Seu Filho para mostrar-lhes plenamente como Ele É e qual seu plano para que todos os povos possam chegar a uma plenitude do seu conhecimento.
 No pensamento judaico-cristão, DEUS não apenas fez algo no passado, mas continua gerenciando de modo pro-ativo todas as coisas, encaminhando a direção da Historia (“Meu Pai trabalha até hoje e eu também” João 5,17), o que não significa se intrometer em todos os assuntos humanos (argumento muito usado por aqueles que julgam que se há um DEUS, especialmente o judaico-cristão, porque há o mal?), pois como JESUS mesmo disse em  João 10.34 citando o Salmo 82, fomos criados como deuses, querendo referir-se ao peso das nossas decisões e atitudes, mas deuses com o juízo e direito de governo prejudicados e que não conseguem discernir muito bem quais suas prioridades( uma boa olhada no mundo que ajudamos a construir com nossas mãos verá que isso é realidade). Nesse mesmo Salmo vemos que a palavra ‘deuses’, usada para descrever aqueles que exerciam o direito e o juízo na época é colocada em contraposição a outra, usada para descrever pessoas que sofriam injustiças por causa da corrupção e opressão daqueles que deveriam julgar retamente e esses, sim, são chamados de ‘filhos do Altissimo’. Longe da proposição de um sistema de castas sociais, o DEUS judaico-cristão sempre se colocou do lado do pobre e necessitado e com JESUS fez questão de dizer que o Reino, preparado para seus filhos, será deles, que nunca receberam o direito nesse sistema de coisas. A questão proposta é: Quem desejamos na realidade ser? Deuses assentados em seus próprios tronos do ego ou filhos que procuram conhecer onde está a vontade do Criador?
 Penso que aqui chegamos a encruzilhada onde o pensamento budista e o cristianismo irremediavelmente se separam. Até então podemos ver uma certa confluência de pensamento pois as duas escolas pregam como ponto de partida o conhecimento do mal que acomete o ser humano (o desejo de ser um deus de si mesmo) e o leva a ser um personagem irreal, alheio a sua verdadeira natureza, e o abandono do eu como forma de se encontrar verdadeiramente.
 Por Sidharta ter falado isso cerca de 500 anos antes de JESUS, parece que ele detem a primazia desse ensino. Que ele tenha chegado a essa conclusão por si só é realmente um grande feito, fruto de uma boa dose de meditação e observação da natureza humana, mas não deixa de ser uma conclusão natural feita por uma pessoa que sinceramente buscou a verdade. 
Todo sistema filosófico ou credo, ou religião, qualquer que seja o nome que se venha a dar, se quiser ter um traço que seja da verdade, deveria partir desse ponto: conhecimento de que estamos todos cheios de engano e o conseqüente abandono do velho estilo de vida para uma novidade de vida. Mas ninguém poderia imaginar que um começo tão sinonímico pudesse terminar em praias tão opostas, porque a contemplação budista leva ao distanciamento não só das paixões interiores mas, a medida que nos aproximamos da divindade cósmica transcendente e imanente, também nos distanciamos de qualquer coisa próxima àquilo que Cristo disse aos seus discípulos: “Não vim trazer paz mas a espada!” e “Eis que vos envio como cordeiros em meio a lobos!” e também “Sereis odiados de todos por causa do meu nome”.
Uma divindade imanente, perfeitamente búdica,  não envia ninguém, pois não há necessidade. Está tudo perfeito como sempre esteve, não é preciso correr como um doido por aí como JESUS e seus discípulos falando que o Reino de DEUS está próximo e que há possibilidade de que muitos venham a se perder do verdadeiro caminho e serem condenadas a passar uma eternidade sem DEUS (para ser bem honesto, Ele disse que a maioria iria por esse caminho), pois todos terão infinitas oportunidades, não é mesmo? Uma divindade perfeitamente búdica nunca ensinaria algo grotesco como “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no ultimo dia”! Ou então “O Filho do Homem veio para servir e dar sua vida em resgate de muitos”! Resgatar vidas se deixando matar numa cruz? Para quê isso afinal? Bastava deixar bons ensinamentos, não? Na verdade, na verdade, isso não se parece em nada com ensinos budistas, não? 
JESUS partiu do mesmo ponto de Sidharta para chegar em lugar bastante diferente: estamos todos sim imersos em nossas naturezas pecaminosas a ponto de precisarmos renunciar ao nosso falso eu, o nosso ego caído, a fim de nos encontrarmos verdadeiramente, e é aí que se encontra a encruzilhada entre os dois caminhos: um leva você a se esvaziar de si mesmo para expandir o verdadeiro eu, onde todos nós somos Budha, Cristo ou o próprio DEUS, mas como o sistema budista não prevê uma divindade com atributos pessoais, os quais, lembre-se, são a fonte de todo sofrimento, é desejável que esse contato com essa “energia” leve à perda da pessoalidade e de toda individualidade para ser um como o universo e em equilíbrio com a natureza.
 O que o cristianismo propõe difere e contrasta muito com essa filosofia, pois ele propõe que sejamos esvaziados de nós mesmo para sermos cheios de UMA PESSOA! Os discursos e praticas de JESUS produziram nas vidas de seus discípulos algo bem diferente da vida contemplativa dos monges seguidores de Gautama. 
Neles foram reproduzidos toda fúria e paixão de seu mestre por um mundo que não se deixa amar facilmente de modo que neles se reproduziu a mesma dor e ferimentos de mártir do precursor. Todo romance carregado com ingredientes como paixão furiosa capaz de qualquer coisa para arrebatar o coração do amado/a acaba em sangue. Essas sempre foram as cores do cristianismo verdadeiro, vermelho tinto, intenso e cruento, ao invés da alva brancura neutra dos montes gelados tibetanos. 
Não poderia ser de outra forma porque JESUS sempre se pronunciou em termos absolutos. Não havia espaço para desconsidera-lo. As pessoas ou o amavam ou o odiavam porque ao considerar as implicações de seu discurso achavam mais plausível de que se tratasse de um doido como tantos que surgiam de tempos em tempos na Palestina. Isso é assim ainda hoje. Muitas pessoas gostam de ler o Sermão do Monte e sua moral selvagem, as parábolas e suas lições vividas mas quando chegam a certos pronunciamentos como os sete EU SOU do evangelho de João (Eu Sou o pão da vida, Eu Sou a luz do mundo, Eu Sou a porta das ovelhas; Eu Sou o Bom pastor; Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida; Eu Sou a Ressurreição e a Vida; Eu Sou a Videira Verdadeira) torcem o nariz e tendem a achar que isto soa como uma brincadeira de mau gosto.
 Para qualquer leitor mais atento, as implicações dos discursos de JESUS são obvias. Ele não referiu-se a si mesmo como um profeta, um sábio, um ensinador como o povo judeu estava acostumado, mas usou títulos que o distinguiam de todos os outros que haviam falado em nome do DEUS hebreu. Os judeus sabiam muito bem as implicações do uso de epítetos como Filho de DEUS (é só ler João 10,33 a 36 para conferir) ou Filho do Homem, um designativo bastante distinto para um judeu porque se refere unicamente ao tão aguardado Messias de Israel e usado em Daniel 7:13, 14 neste contexto. No livro “Evidencias que exigem um veredito”, Josh Mc Dowell cita o estudioso Scotchmer que afirmou: "pela formação judaica que tiveram, os discípulos e inimigos de Jesus compreendiam que o real significado da expressão 'Filho de Deus' era 'Divindade'.
  É justamente isso que Ele quis dizer em João 8,23: “Eu não sou desse mundo”; ou em Mateus 12,16“Todas as coisas me foram entregues por meu Pai...E ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. 
C.S. Lewis, autor das Crônicas de Narnia, disse :   ... Um homem que fosse um simples homem e dissesse o tipo de coisas que Jesus disse não seria um grande mestre de ensinos éticos. Seria um lunático — estando em pé de igualdade com o homem que diz o mesmo de Napoleão ou, então, seria o Diabo vindo do inferno. Você precisa tomar uma decisão. Ou esse homem era e é o Filho de Deus, ou, então, era um louco ou algo pior ...que ninguém apareça com algum tipo de insensatez paternalista, afirmando que Ele foi um grande mestre humano. Ele não deixou conosco a responsabilidade de decidir a respeito. Não pretendeu fazê-lo".
 Não seria preciso dizer que nenhum outro falou assim, a não ser os vários mentirosos e lunáticos que afirmaram coisas parecidas. Sobre esse aspecto que não pode ser desconsiderado se estamos tratando de todas as possibilidades acerca de JESUS, Josh Mc Dowell diz em seu clássico “Evidencias...”: “Todavia, devemos nos lembrar que alguém pensar que é Deus, especialmente numa cultura veementemente monoteísta, e então dizer aos outros que o destino eterno de cada um depende de crerem nEle não é uma fantasia insignificante, mas os pensamentos de um lunático no sentido pleno da palavra. Jesus foi esse tipo de pessoa?” Dizendo isso, ele nos propõe um trilema, isto é, “proposição formada de três lemas contraditórios disjuntivamente e de tal maneira dispostos que, negada ou concedida qualquer das três proposições, permanece sempre firme a conclusão contra o adversário. 
Vamos lá: para o fato de JESUS ter se declarado filho de DEUS, sendo assim de origem divina, vc pode tomar três caminhos. Dois deles levam a conclusões parecidas e partem da premissa que suas afirmações eram falsas. Sendo assim:
 1º- Ele não sabia que eram falsas – Jesus estava iludido consigo mesmo, ou seja era um lunático desses que se acham nos hospícios se dizendo Napoleão;

2º - Ele sabia que eram falsas – Nesse caso, ele era um mentiroso perigoso, um psicopata mestre em manipular mentes, tão doente a ponto de morrer sustentando sua mentira só para colocar seu nome na Historia.
 Vamos analisar as implicações dessas duas assertivas:
 A primeira hipótese não se coaduna com a profundidade e sublimidade dos ensinos morais e éticos de JESUS, seus exemplos práticos, sua bondade, sua serenidade e suas parábolas reconhecidas como alguns dos mais belos exemplares de sabedoria retórica já registrados nas palavras de qualquer sabio, e, mais do que tudo, seus argumentos a fortiori (que significa "por causa de uma razão mais forte", ou seja, "com muito mais razão" - http://www.sualingua.com.br/04/04_afortiori.htm ) como resposta aos problemas  referentes à Lei apresentados por oponentes como saduceus e fariseus, as quais faziam com que esses experimentados polemistas se calassem de imediato, demonstram uma acuidade em termos de lógica e razão, um equilíbrio entre astúcia e benevolência que exigem dizer que JESUS era um sujeito com plenas posses de suas faculdades mentais e não menos que isso. São inúmeros ainda hoje os livros que tentam penetrar na psicologia dos ensinamentos de JESUS, dando provas da profundidade de seus argumentos. Um dos maiores best-sellers do ano passado em todo mundo foi o livro escrito por Mark W. Baker“JESUS, o maior psicólogo que já existiu”. Um ano antes, outro fenômeno de literatura foi “O Monge e o Executivo”, centrado nos exemplos práticos da liderança de JESUS sobre seus discípulos e ensinando como se tornar um líder-servidor como ele.   Recomendo especialmente a serie de quatro livros “Analise da Inteligência de Cristo”, do psiquiatra brasileiro Augusto Cury, No prefacio do primeiro volume, ele conta que “Estudar a mente de Jesus Cristo é mais complexo do que estudar a mente de qualquer pensador da psicologia e da filosofia. Investigar se a sua inteligência poderia ou não ser fruto da criatividade intelectual humana é uma tese estimulante e que possui muitas implicações”. Continuando, “Muitas escolas têm recomendado aos professores sua leitura e o têm adotado em diversasdisciplinas, com o objetivo de que seus alunos expandam as funções mais importantes da inteligência. Psicólogos o têm utilizado e estimulado seus pacientes a lê-lo, com o objetivo de ajudá-los a prevenir a depressão, a ansiedade e o stress. Empresários têm adquirido centenas de exemplares para distribuir aos seus melhores amigos e clientes. Professores universitários o têm recomendado em faculdades. Leitores têm confessado que sua vida ganhou um novo significado após a leitura de “Análise...”. Além disso,apesar desse livro tratar de psicologia e não de religião, pessoas de diversas religiões têm sido ajudadas por ele e o utilizado sistematicamente”.
 A pergunta obvia é: Um lunático poderia ludibriar a Historia e as ciências da personalidade dessa forma? Mais ainda: um personagem tão fascinante poderia ter sido inventado na mente de alguém?
 A segunda hipótese revela uma tese mais perturbadora: a de que JESUS tenha sido um psicopata megalomaníaco que urdiu um plano para entrar para a Historia. Como todos os problemas inerentes a ela, essa afirmação ainda é mais discutível que a outra, pois sabe-se que um psicopata é mestre na arte de enganar. Os filmes de suspense são pródigos em retratar personagens psicopatas que manipulam suas vitimas visando obter vantagens ou maior prazer. Geralmente são inteligentes e de personalidade cativante e levam seus planos às ultimas conseqüências. Essa hipótese é verdadeiramente aterradora e alguem pode perfeitamente acreditar nela e dizer que JESUS foi tão ardiloso a ponto de fazer com que um discípulo seu encenasse um ato de traição para leva-lo ao suicídio (uma pratica constatável em certos lideres psicopatas como Jim jones) e, sabendo que os judeus iriam querer sua morte, insuflado os discípulos a roubar seu corpo para depois espalhara a mentira da ressurreição. 
O mais impressionante dessa maracutaia toda não seria o plano em si, mas que aqueles caipiras galileus conseguissem levar a melhor em tudo sobre os judeus e os romanos juntos, levando a cabo o plano de modo perfeito, sem vestígios de sua fraude, conseguindo com que sua seita aumentasse prodigiosamente logo nos primeiros anos no local palco da fraude e, em seguida, pelo resto do mundo romano. Mais, eles seria culpados pela conversão de um homem como Paulo, antes perseguidor implacável, determinado a destruir completamente a heresia cristã, no maior defensor e proclamador do Evangelho no mundo. Alguém poderá dizer que não provas também sobre quem era na verdade Paulo ou Pedro e aí teremos não um, mas um bando de psicopatas da mais alta estirpe reunidos na formação do cristianismo, algo como uma Associação dos Psicopatas Unidos por Uma Causa. Realmente, essa é uma hipótese bem mais louca que a outra.
  Você pode dizer que estou fazendo piada, mas as implicações são realmente essas para as duas hipóteses. Resta analisar a terceira hipótese  você verá que ela pode ser mais perturbadora que as outras duas juntas.
 3º - JESUS falou somente a Verdade sobre Si mesmo: Josh McDowell cita o teólogo Thomas Schultz : “ Conforme vemos, seguramente Ele não se encaixa dentro do molde de outros líderes religiosos: "Nenhum dos grandes líderes religiosos, nem Moisés, nem Paulo, nem Buda, nem Maomé, nem Confúcio, nem qualquer outro, alguma vez afirmou que era Deus; ou melhor, com a exceção de Jesus Cristo. Cristo é o único líder religioso que chegou a declarar a sua divindade e o único indivíduo que convenceu uma grande parte do mundo de que era Deus".
 Nesse caso, seria salutar fazer a mesma pergunta que Pilatos fez à multidão em Jerusalem naquela Páscoa: “O que farei então de JESUS, chamado o Cristo?”Mateus 27,22
Você pode tomar duas decisões a partir dessa instante, ambas capitais: aceitar o fato de que Ele é quem disse que era e que você precisa Dele ou ignora-lo solenemente.
Os que tomam essa decisão a tomam baseadas no medo da perda do controle de suas vidas e se agarram a idéia de serem senhoras de seu destino e não estão dispostas a abrir mão de certos hábitos e costumes, mas nunca mais poderão ficar indiferentes ao fato de que Ele não deixou absolutamente opção para que alguém o chamasse de outra coisa. Ele chamou a responsabilidade para si daquilo  que afirmava. Tomé, por fim  reconhecendo a natureza sobrehumana de JESUS ao colocar a mão sobre as feridas produzidas na cruz, exclamou se rendendo aos pés dele: “SENHOR meu e DEUS meu!”; uma declaração bastante forte para um judeu criado numa cultura de arraigado monoteísmo.
 Com ultimo apelo à realidade da divindade autoproclamada de Cristo, gostaria de apresentar uma prova histórica e arqueológica irrefutável sobre uma profecia de JESUS cumprida já no primeiro século da era cristã. Ela está registrada nos Evangelho de Mateus, e se refere às cidade impenitentes de Cafarnaum, Betsaida e Corazim.

Mateus 11 - 20  Passou, então, Jesus a increpar as cidades nas quais ele operara numerosos milagres, pelo fato de não se terem arrependido:
21  Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza.
22  E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras.
23  Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje.
24  Digo-vos, porém, que menos rigor haverá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo.

 A critica não aceita a Bíblia como escrito profético, isto é, que ela registra vaticínios reais daqueles que foram chamados profetas em suas paginas, os quais anunciaram muitas coisas que viriam a acontecer num futuro próximo ou mesmo em épocas muito distantes das quais eles viveram. Geralmente, os escritos proféticos se encontram no Antigo Testamento, mas o livro profético mais conhecido da Bíblia está no Novo Testamento, o Apocalipse.
 JESUS proferiu profecias varias vezes. Seu grande Sermão Profético, que prediz a queda de Jerusalém, ocorrida no ano 70 d.c., consta dos quatro Evangelhos Sinóticos e é tão importante quanto o Sermão do Monte, embora muitos tentem diminuir-lhe o valor, numa atitude arbitraria, justamente por causa do seu caráter profético. Dizem que foi inserido nos Evangelhos depois do acontecido embora não haja uma só evidencia que aponte que esses relatos não constavam dos escritos originais, como atestam os mais antigos e fieis manuscritos que temos hoje.

 A passagem em questão não consta do Sermão Profético, mas é claramente uma profecia de JESUS contra essas cidades da Galileia que não aceitaram sua pregação e tem a particularidade de não poderem ser enquadradas como inserções posteriores. Por quê?
 Porque essas cidades se tornaram em ruínas por volta do ano 400 d.c., quando um grande terremoto devastou toda a região e nem o mais louco critico poderia dizer que as declarações em questão foram inseridas após o desastre, pois alguns dos melhores manuscritos do Novo testamento são reconhecidamente muito anteriores a essa época.

 O mais impressionante é que, apesar da localização privilegiada dessas cidades, elas nunca vieram a ser reconstruídas e habitadas novamente, sendo simplesmente abandonadas. A cidade de Tiberiades que também fica na mesma região, porem, apesar de ter sido parcialmente destruída algumas vezes, sempre voltou a vida e continua de pé depois de vinte séculos, como muitas cidades milenares da Palestina contra as quais não foram pronunciadas sentenças de juízo por JESUS ou qualquer dos profetas. 

Coincidência? Como tudo que apresentamos aqui, cabe a você decidir o que fazer quanto a isso.

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ZEITGEIST - O ESPIRITO DA MENTIRA REFUTADO FURO A FURO Parte III

A VIA CONTRARIA DE INFLUENCIA E O VERDADEIRO CERNE DA EXPERIENCIA CRISTÃ – O TESTEMUNHO DE ONTEM E HOJE – Este post faz parte de Zeitgeist refutado/parte 3 de 4

 É possível até que tenha havido o processo contrario de influencia, ou seja: vendo o cristianismo crescendo exponencialmente, muitos religiosos procuraram adaptar seus mitos de modo que pudessem alegar essas semelhanças. Isso é verdade, por exemplo, no caso de Apolônio de Tiana, um pretenso homem miraculoso do qual há alguma referencia histórica entremeada a muitos feitos extraordinários atestados por pouquíssimos neófitos, mas que se parece muito mais com uma tentativa gnostica de rivalizar com o cristianismo mais ortodoxo.

 Sabe-se que o gnosticismo (uma espécie de sincretismo entre o cristianismo e tradições orientais e helênicas) rivalizou com o cristianismo nos primeiros séculos chegando mesmo a ser aceito por uma boa parcela do mundo cristão da época. Gnostico ou não, a figura de Apolônio (que alguns procuraram associar ao Apolo de Atos 18.24, mas ali lemos que Apolo era judeu, natural de Alexandria) ele está muito mais para uma figura mais ligada ao cristianismo, mesmo gnostico, que um messias da linha solar. Apolônio é, ao meu ver, uma dessas tentativas de elevar a imagem de alguém ao mesmo patamar do de Cristo, mas as evidencias e implicações históricas que cercam as alegações acerca de seus feitos são de peso irrelevante. Dizer que as evidencias históricas e relatos acerca desse personagem poderiam leva-lo a ser tão importante quanto JESUS Cristo, se não houvesse uma conspiração para prevalecer o cristianismo, é desprezar o peso de uma montanha em relação a um monte de areia.
Na verdade, o impacto do Evangelho, a mensagem de que JESUS ressuscitou dos mortos,  sobre o mundo antigo se deve ao efeito transformador continuo na vida de pessoas que tomavam contato com a Palavra. Não se trata da mera aceitação de um credo ou de um ritual, mas algo estranho a qualquer religião vista até então: o testemunho de que JESUS podia mudar o viver de quem quer que fosse, simplesmente pela fé Nele. Os apóstolos davam continuo testemunho dessa capacidade de JESUS pois exibiam vidas transformadas. As pessoas da época conheciam os judeus e os apóstolos não eram como os judeus que eles conheciam.
 Essa foi a mensagem que impactou o mundo, pois o interior do ser humano nunca mudou e a falta de paz interior que vemos hoje, que se traduz num viver vazio e sem sentido, já grassavam num mundo tingido  pelas cores violentas e luxuriantes de Roma. Paulo diz em Romanos 5:1 :  “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”.
Paz com DEUS se traduz num viver diferente diante dos homens que significa dizer que a necessidade principal do homem foi suprida e o vazio se foi. Essa verdade revolucionaria atingiu, através de Paulo, até mesmo a guarda pretoriana que o guardava em uma de suas prisões por causa do Evangelho:  “ Filipenses 1. 12 :Quero ainda, irmãos, cientificar-vos de que as coisas que me aconteceram têm, antes, contribuído para o progresso do evangelho;13 - de maneira que as minhas cadeias, em Cristo, se tornaram conhecidas de toda a guarda pretoriana e de todos os demais”. Até mesmo debaixo do nariz de Nero, havia cristãos (Filipenses 4:22  :Todos os santos vos saúdam, especialmente os da casa de César). Ao que parece, pelo menos um de seus conselheiros mais próximos, Evellius, foi martirizado como cristão.
 A mensagem e o testemunho dinâmico de Cristo não mudou. O testemunho do cristianismo é o mesmo. Milhares de vidas atualmente atestam que tiveram seu viver transformado por aquilo que chamamos de “encontro pessoal” com a Palavra Viva, ou seja, o próprio Cristo presente através do Seu Espírito, como naqueles dias em que Ele se movia através das cidades palestinas e mudava o curso da vida de pessoas tão distintas quanto um religioso como Nicodemos e a mulher samaritana. Os tempos e as mudanças no mundo não mudaram a alma humana. Ela continua presa ao vazio existencial, sem perdoar-se de seus pequenos pecados, que em geral, vão se avolumando formando e fazendo da existência um inferno. Em Cristo, segundo suas próprias palavras em Mateus 10, 28 a 30,, encontramos alivio da bagagem e novo fôlego de vida, algo comparado com um novo nascimento. Muitos podem erguer seus olhos pela primeira vez e contemplar os céus abertos, pois eles não mais os condenam, pois agora há uma Paz ali que não havia antes...Paz com DEUS através do sacrifício de JESUS! Essa experiência subjetiva, que não pode ser comprovada por nenhum método cientifico, e que é o cerne da experiência cristã genuína, chama-se GRAÇA, favor imerecido.
 São inúmeros os relatos que nos chegam de pessoas que tomam conhecimento da Graça e perdão que existem em JESUS em lugares dominados pelo controle islâmico. São relatos tão parecidos com os encontrados no Evangelho que parecem ter sido escritos naquela época: 
Adil*, um cristão do Tadjiquistão, país emancipado da antiga U.R.S.S. , testemunha que esteve presente durante a tortura e morte de um cristão quando era muçulmano. Esse cristão impactou Adil porque, além de aceitar a morte como algo natural e não implorar por sua vida, prova de honra entre os muçulmanos fundamentalistas acostumados a enfrentar a morte naturalmente, orou a DEUS perdoando seus agressores e pedindo sua salvação, algo incomum para os padrões islâmicos de Adil. Com o passar do tempo, Adil tomou contato com o Injil (Evangelho) e teve uma experiência verdadeira com a GRAÇA. Foi expulso de sua casa por seus parentes, que inicialmente iriam mata-lo, e exilado de seu país, mas voltou anos mais tarde como pregador do Evangelho. Ele atesta que:
 “Muitos dos ex-rebledes (que lutaram contra os russos) me conheciam como um muçulmano zeloso, cuja fé, porem, não impedia de  matar pessoas e nem de usar drogas. As mudanças em mim, no meu estilo de  vida e em meu ponto de vista tem feito eles refletirem. É claro que tenho dificuldades: a pessoas ficaram irritadas comigo , minha esposa não voltou para mim, meus parentes continuam com raiva, mas, honestamente, estou feliz por ser um soldado de Cristo.”
 *Esse testemunho foi originalmente publicado na revista “Portas Abertas” de agosto/setembro de 2008. Mais testemunhos, acesse:http://www.portasabertas.org.br/testemunhos/


 No livro “Evidencias que exigem um veredito”, de Josh MacDowell, vemos exemplos parecidos como “prova”, ainda que subjetiva de que Cristo continua fazendo as mesmas coisas nas vidas das pessoas há mais de 2000 anos. Um dos testemunhos é do cantor B.J.Thomas, interprete do sucesso internacional 'Raindrops Keep Falling On My Head'.
 Ele mesmo conta que "... Em 1970 ele já havia ganho 13 milhões de dólares. Em 1976, apesar do sucesso em vender mais de 32 milhões de discos, inclusive o grande sucesso 'Raindrops Keep Falling On My Head', B. J. Thomas devia mais de 800.000 dólares.
Não era apenas na área financeira que sua vida estava falida. Apesar da carreira bem sucedida de cantor, durante anos B. J. Thomas sentia-se uma pessoa profundamente angustiada. Era viciado em drogas, gastando três mil dólares por semana em cocaína. Além disso, estava tão dependente de estimulantes e tranqüilizantes que tomava de 40 a 50 comprimidos de cada vez, apenas para se manter... Certa vez tomou 80 pílulas e foi retirado inconsciente de um avião no Hawaí, estado norte-americano. Foi levado às pressas a um hospital. Quase morreu por excesso de drogas, e naquela época pouco se importava se tivesse ou não morrido... Mas certa noite sua esposa levou-o para fazer uma visita casual ao lar dos amigos que a tinham levado ao Senhor.
O marido, Jim Reeves, estava fora, mas a esposa os convidou para ficarem para jantar. 'Senti tanta paz naquele lar', disse B. J. Thomas, 'que eu sabia que deviam conhecer Deus. Quando Jim chegou em casa perguntei-lhe a respeito, e ele começou a me falar sobre o Senhor'... 'Enquanto orava', conta B. J. Thomas, 'senti uma perturbação em meu peito. Durante um minuto senti uma forte dor e pensei que estivesse com uma costela quebrada. Então tive a sensação de que algo estava 'simplesmente indo' e uma paz me invadiu. Tive então uma atitude receptiva e ouvi atentamente tudo o que me diziam. Então abaixei minha cabeça e comecei a orar. Orei durante aproximadamente vinte minutos. E orei dizendo todas as boas coisas que haviam me dito que eu devia dizer... Sua libertação das drogas foi algo tão maravilhoso quanto sua salvação, e a partir daquele dia (29 de janeiro de 1976) até hoje, nunca duvidou da experiência que teve com o Senhor nem de que a salvação que recebeu é real ". 

Zeitgeist, como um todo, tem um alvo, o stabilishment, do qual a religião organizada sempre fez parte como meio de conduzir o gado humano. Os compiladores do video estão alinhados com a atual tendência anarco-capitalista de "pensadores" livres como Jeremy Rifkin, autor de Entropia, Daniel Quinn, autor de "Ismael" e "História de B" e Stephan Molineux. Para esses e outros, a civilização atual não passa de uma conspiração urdida por mentes perversas e cruéis, que empregam quaisquer meios para atingir seu objetivo: controle e poder. Isso não está longe da realidade. Até certo ponto, concordo com as críticas levantadas por tais autores, acho relevante e interessante sua linha de raciocínio. A civilização realmente é uma conspiração e a religião organizada sempre foi uma de suas armas mais eficazes. Ocorre que não podemos jogar fora o bebê junto com a água suja da banheira. Seu erro está em não fazer a separação devida da mensagem de Cristo daquilo que os homens fizeram com ela. Tal mensagem guarda em sua forma original tanto poder para subverter as regras da civilização que, como seu autor, teve que ser encarcerada, mutilada e crucificada, e presa, a estruturas e modelos de controle que a tornaram amortecida dentro de si mesma. Libertar tal poder das mãos da inércia seria perigoso para o mundo como o conhecemos. A sociedade e o mundo como todos desejamos e sempre foi o sonho dos grandes realizadores da humanidade, nunca será alcançada por filosofias humanas e políticas sociais, mas importa que o homem siga pensando que pode tomar para si as rédeas de seu destino e evolução. Quando todas as opções se mostrarem inviáveis e toda iniciativa, por mais bem intencionada, desembocar em tirania e controle despótico, o homem saberá que um novo mundo só pode se construído por pessoas que foram transformadas por dentro verdadeiramente. Será o fim do reino dos homens e um novo início para os que esperam a concretização do REINO.

  

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