06 junho 2010

PARA QUÊ SERVE MESMO A IGREJA?



AVISO: Este post pode causar indigestão mental em mentes dogmatizadas e engessadas pela religião! Não digam que não avisei!

Obs: Eu tentei de verdade produzir um texto curto...


Uma das questões mais pertinentes com a qual um cristão evangélico ou católico médios tem se defrontado ao debater com pessoas mais esclarecidas culturalmente é a seguinte:

"Se JESUS é o filho de DEUS e a sua Igreja a responsável por pregar a sua Palavra a todos os povos do mundo, porque só assim se salvarão, isso faz do resto da humanidade que nunca foi cristã, antes de Cristo, em sua época e hoje, seres fadados à condenação eterna?" Estão os animistas, budistas, hindus, árabes, jainistas, taoístas, etc, de todos os tempos condenados pelo infortúnio de não terem nascido numa cultura ocidental "cristã" e educados nas aulas de catequese ou escola dominical? 

Como ouvi de um bom debatedor num fórum que questionava se JESUS havia ensinado conceitos aprendidos do Budismo: "Faltou o que para o mundo inteiro conhece-lo ? Os asiáticos e árabes não são filhos de Deus? Não são pessoas como nós ocidentais? Eu sinceramente não acho que se Jesus fosse o filho de Deus, enviado para salvar a humanidade, a Igreja que ele mandou Pedro fundar iria cometer toda sorte de abusos e desumanidades impunemente.  Não vejo Cristo nos atos dessa Igreja, nem desses que se dizem cristãos! Tampouco nos demais.  Também entendo que, Deus, sendo onipotente e tendo todas as características atribuídas a ele pela fé cristã, não precisaria utilizar métodos tão precários e obscuros para transmitir sua palavra ou seus desígnios."

Obviamente, são questionamentos legítimos de uma mente inquiridora, uma mente pós-moderna avessa a misticismos e que deseja ser saciada com lógica e coerência. A lógica passa longe da grande maioria dos discursos que se propõe a defender a fé cristã dos púlpitos, local povoado por homens carismáticos e mistificadores sempre prontos a hipnotizar as audiências com sua eloqüência, e a coerência não se deixa ser vista facilmente num meio que se multiplica pela sectarismo de seus membros e pela disputa de mercado, uma verdadeira bacia das almas. 

A questão pertinente acima apresentada diz respeito ao modo como temos entendido e vivido o cristianismo durante séculos, sobre como vivemos a "igreja", sobre o modo como espalhamos a mensagem e sobre como entendemos o mundo a nossa volta e como queremos afeta-lo. A questão como se apresenta diz respeito a missão da Eklesia de Cristo no mundo. Para quê foi criada? Para converter o mundo inteiro pelo Evangelho? Para viver como Cristo viveu? Se a resposta é sim, então, porque o cristianismo falhou, visto que mais da metade da população mundial em dias de hoje, não é cristã? Não é o Evangelho a arma forjada por DEUS para que o mundo testemunhe a Sua existencia através de seus discípulos? Não deveria ser ela, a Igreja, então, infalivel? Veja, então, o que a incoerencia cristã através dos seculos pode causar: "...a Igreja, apesar do inexpressivo trabalho social, é responsável pela origem de muitos ateus.  As pessoas vão desacreditando da Igreja – que prega uma coisa e faz outra - e acabam desacreditando de suas próprias crenças." - do mesmo autor da citação colocada acima Como um "cristão" domesticado dentro da escola de pensamento dogmatizado e engessado das "agências" do setor da fé responderia a esse clamor legítimo e fundamentado na veracidade  inconstestável dos fatos históricos? 

O papismo, os massacres históricos entre prostestantes e católicos e mesmo entre protestantes e protestantes na Europa, a Cruzadas, perseguição aos judeus, a Inquisição, o conflito religioso na Irlanda, o imperialismo cruel de potências ditas "cristãs" como Inglaterra, Espanha e Portugal no mundo medieval, o imperialismo econômico e militar da maior potência cristã de todos os tempos, os EUA, o racismo histórico dos "cristãos" sulistas americanos contra seus vizinhos negros, o regime de Aparheid criado pelos "cristãos" brancos na África do Sul, etc, etc...(Hoje em dia, vemos com repulsa os escândalos sexuais dos sacerdotes pedófilos e a pornográfica exibição de ambição econômica dos pastores evangélicos e cantores "gospel" e sua ãnsia por construir impérios econômicos) Tudo isso forma um mosaico bastante desanimador para quem procura ver nos cristãos um reflexo da pregação de Cristo. 

No fim, isso faz com que muitos sequer levem em consideração as palavras de Cristo em suas vidas e preferem acreditar nas diversas teorias popularizadas hoje por livros de sucesso como os de Dan Brown e filosofias ateístas antireligiosas como Zeitgeist, que dizem basicamente que o JESUS filho de DEUS apresentado na religião é uma invenção posterior de homens sem escrúpulos, como Saulo de Tarso,  para controlar uma massa de fanáticos, exatamente como vemos hoje os televangelistas fazerem.

A questão é, quem falhou? Algumas questões lógicas se levantam. Se JESUS é quem disse ser, Ele não pode ter falhado, pois DEUS não pode ser como um homem que tenta algo para ver se dá certo ou não. Se a Igreja, por outro lado, é quem pensa que é, fazendo aquilo que acha que foi autorizada a fazer, então está falhando de modo clamoroso em sua missão por ter todos os recursos disponiveis para vencer o pecado e a indiferença do mundo. Mas, se a Igreja é o que pensa ser, imbuída do poder para isso, a saber, o Espírito Santo e a Palavra, mas não o faz por negligencia, isso não faz de seu Autor conivente de alguma forma com a sua letargia por deixar-nos conviver com mais de dois mil anos de contradições? 



Logicamente, JESUS e o Pai Celestial não podem ser culpados ou cúmplices dos erros dos homens, por uma simples cláusula impeditiva de sua condição divina: Ele é infalivel. Não como os papas romanos costumam autoproclama-se, permita-me dizer, mas pela simples questão de que erro aqui implica em não saber exatamente as consequencias daquilo que está empreendendo e o resultado final dos atos decorrentes da empreitada. Isso por si só anularia toda a idéia de um DEUS Eterno, Onipotente e Onisciente que está além do Tempo e Espaço. 


Se, então, DEUS/JESUS sabem o que estão fazendo e conhecem o caminho para realiza-lo a despeito das ações dos homens e, mais do que isso, não dependem delas, até mesmo para não serem confudidos com suas obras (O que até mesmo eu, mais bobinho, desejaria), resta-nos afirmar que é a Igreja que não entendeu a mensagem sobre quem é na verdade e qual a sua missão no mundo. Prevalece aquele axioma que diz "Seja DEUS verdadeiro e todo homem mentiroso" (Rom. 3.4). 


É inegável que a grande maioria das pessoas que decidem por algum motivo frequentar uma "Igreja", está com fome de DEUS e procura um sentido maior para a vida. É inegável que essa pessoa vai escolher entre uma das muitas vertentes que monopolizam a pregação do Evangelho. Provavelmente, se tornará católica romana, ou ,se seguir a tendencia atual, começará a ir a uma denominação evangélica de orientação neo-pentecostal. Pode ser que venha a cair num dos ramos colaterais do cristianismo, como o espiritismo, testemunhas-de-jeová ou mormons. Não importa. Todos esses crêem estar interpretando corretamente o Evangelho. Não precisamos arbitrar essa questão. Só constatar que todos dizem ter fé em JESUS. 


Qual seria o parâmetro para descobrir se há uma única verdadeira sem incorrer em algo que o próprio JESUS odiava que é condenação e julgamento? O que quero dizer, é que aos olhos do mundo, o Evangelho se encontra estilhaçado em mil pedaços e que não é fácil para alguém como o amigo que descrevi acima descobrir quem tem a razão ou qual interpretação ele deve seguir. 


Alguém me dirá que estou esquecendo que a única regra de fé e prática deixada para que seguíssemos é a Bíblia/Evangelhos, o que de cara, excluiria alguns grupos heterodoxos. Um exame mais acurado acabaria por eliminar outros grandes grupos por "inovações" doutrinárias absurdas. Por fim, segundo a medida estabelecida, teríamos que eliminar também os evangélicos, todos eles, sem exceção. Dos calvinistas aos batistas, dos assembleianos aos macedianos. Por que? A única regra de fé e prática, a saber, a Bíblia, condena duramente a prática da falta de unidade entre irmãos como sectarismo, partidarismo, divisões e ambições (Galatas 5.19 ao 21)como frutos da carne, em total oposição ao fruto do Espírito. Não importa o que digam, cada um dos grupos surgidos do ramo "protestante", surgiu em virtude de divisões, contendas e interpretações particulares e cada nova denominação que surge aumenta a rotura do odre. Quando uma pessoa se envolve com uma "igreja" ou agência evangelística, ela se vê às voltas com uma visão particular do que é o Evangelho e fica exposta à interpretação e práticas originadas naquele grupo em particular. Mas era para ser assim? Podemos de alguma forma misturar aquelas verdades espetaculares que JESUS nos revelou com isso que temos visto hoje?


Eu sei, eu sei...Dirão que a Igreja não pode ser perfeita porque é composta por homens falhos (mas perdoados - e isso deve fazer a maior diferença, logico). Já ouvi essa cantilena várias vezes. Também dirão que não se pode achar uma igreja perfeita  debaixo do sol, pelo mesmo motivo. Eu penso que se não pudermos encontrar o princípio ativo daquilo que move a verdadeira Igreja, que a faz nascer, crescer e viver a vida para a qual foi projetada, não acharemos igreja alguma que valha a pena em parte alguma do mundo. 


Se usarmos os critérios que usei acima, não restaria nenhuma "agência da fé" com sua respectiva plaquinha capaz de sustentar ou envergar com legitimidade o título de Igreja de Cristo. Por que? Porque o que define a palavra "igreja" em seu sentido original não é o local geográfico ou físico onde se vai, ou mesmo a programação apresentada a audiência, muito menos o estatuto que rege a razão social. Tenho certeza que dizer isso é chover no molhado para a grande maioria. È praticamente impossível que alguém que busque viver seriamente sua fé em Cristo se sinta completamente realizado e à vontade dentro de uma instituição religiosa. Há trabalhos mais elaborados e profundos na área abordando como o cristianismo tem se desviado desde o início da trilha proposta pelos apóstolos. 


Pra resumir, está pacificado que o modelo/padrão de atividades da "igreja" que chegou até nós nos dias de hoje é um amálgama do que ocorria na sinagoga judaica mesclado com a retórica praticada nas praças públicas das cidades gregas. Não parece sintomático que um dos lemas da Reforma tenha sido e continua sendo "Igreja reformada, sempre reformando"? Mais de 500 anos depois, o que mais resta ser reformado se a forma e o conteúdo continuam a ser modelos inacabados, imperfeitos e que só exibem a incoerência e destemperança de homens eloqüentes e carismáticos que desejam acima de tudo satisfação pessoal? Recomendo o trabalho sério de gente como Dallas Willard (principalmente o clássico "A Conspiração Divina"), George BarnaWolfgang Simson e Christian Schwarz para quem quiser se descobrir porque a "igreja cristã" continua ano após ano através dos séculos, reforma após reforma (ou, para usar uma palavra da moda, repaginação após repaginação), a reproduzir um modelo baseado na idéia do templo judaico, com sacerdotes mediadores e um sumo-sacerdote (pastor principal ou presidente, ou apóstolo fundador, etc), sacrifícios, impostos e levitas responsáveis pela adoração e serviço. Esse modelo coloca o homem como medida  da igreja de Cristo, assentado sobre a pirâmide eclesial, mas penso que já discorri o suficiente por aqui sobre hierarquia eclesiastica e seus males ao organismo chamado Eclesia. Soma-se isso ao fato de que estamos numa era onde tudo se resume em entretenimento e dá-lhe parafernália: som, luzes, decoração suntuosa, bons músicos para dar aquele clima, slides-shows sempre disponíveis para emocionar, tudo bem ensaiadinho para ser "encenado" na hora certa, e PRONTO! Bem vindos ao cristianismo cosmético!


Tudo isso já foi exaustivamente explorado e muito se tem falado sobre os "desigrejados", classe que cresce à razão e proporção da taxa de inchaço das "igrejolas invangélicas" e dos abusos praticados em nome de DEUS. Muitos lideres igrejeiros vão brandir de seus púlpitos "Hereges!" e "Endemoniados!", mas a verdade é que esse número tende a aumentar e engrossar a fila daqueles que tentam de novo e de novo, primeiro em outra denominação e depois, ao constatar a repetição dos mesmos erros, passam à obscuridade, ou quem sabe, apostam em modelos que estão surgido, como comunidades que se reúnem nos lares, que se autodenomina Igreja-Orgânica. Os líderes das "agências da fé" dirão que o problema não está no modelo das instituições mas na falta de adequação dessas pessoas e sua recusa em se submeter à sua "autoridade espiritual", ou seja, são rebeldes. A "boa ovelha" não se rebela nunca contra o pastor. 


De minha parte, penso que esses grupos tem o direito de existir e não praticam "heresia" por se reunirem sem vínculo eclesial e afirmar tal coisa é o extremo da hipocrisia visto que a esmagadora maioria das denominações que hoje se gabam de ser insituições "autorizadas" por DEUS começaram exatamente como grupos dissidentes dentro de outras agremiações. Isso possui um lastro histórico muito grande mesmo antes do grande cisma de Lutero. Grupos antagônicos já existiam dentro da Igreja Romana, por isso as diferentes ordens monásticas com ênfases diferentes, como dominicanos, jesuítas e franciscanos, mas todos se submetiam ao papado, que detinha poderes de polícia secular. Um dos primeiros movimentos reformistas de que se tem notícia foi iniciado por volta de 1160 d.C. pelo francês de Lyon, Pedro Valdo, cujos seguidores conhecidos como "pobres de Lyon" e mais tarde como valdenses possuíam uma doutrina sã e ortodoxa, se reunindo nos lares e possuindo um zelo missionario que os levou a edificar muitas comunidades cristãs no interior da Europa. Há relatos inclusive de que mantinham comunhão entre essas comunidades através de obreiros apostólicos itinerantes que viajavam de um lugar a outro para ensinar, corrigir e exortar os irmãos (!!?). Como era de se esperar foram massacrados por Roma por volta 1480. 


O que pretendo explicar com essa breve digressão é que tudo aquilo que é institucionalizado tende a perseguir e, se possível, sufocar movimentos dissidentes, os quais de certa forma ameaçam desestabilizar o estado das coisas como se encontram. Não há nada novo sob o sol. O que vemos hoje é a reprodução de uma busca muito anterior à Reforma. 


"Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo." -Romanos 2.1


Se não podemos chamar a nenhuma dessas instituições verdadeiramente de Igreja, por tudo que acabamos de explanar, então, onde está a verdadeira Igreja de Cristo? Ela tem uma existência real no mundo físico? Qual a sua missão? O que é  Igreja na verdade? A Igreja é necessária ou não? Não vamos parar nunca de buscar o modelo ideal, visto que essa busca, como mostramos, já é muita antiga e se perde na História? Será que JESUS deseja que reformemos algo realmente para Ele ou isso é apenas a projeção nossa de um ideal, uma concepção humana do que é a igreja? Afinal, se DEUS precisa da Igreja por que não intervém de uma vez?


Só para constar, segundo o Léxico de Strong, o vocábulo Ekklesia quer dizer:
 reunião de cidadãos chamados para fora de seus lares para algum lugar público, assembléia
1a) assembléia do povo reunida em lugar público com o fim de deliberar
1b) assembléia dos israelitas
1c) qualquer ajuntamento ou multidão de homens reunidos por acaso, tumultuosamente
e etc, etc...

Creio que poucos vão discutir a importancia que o Novo Testamento dá ao fato do surgimento da Igreja e que tal fato está intrinsecamente ligado à missão terrena do Verbo Eterno. No Evangelho de João, capítulo 11 ,verso 52 lemos: "E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos".


A Igreja de Cristo como diz Paulo em I Timóteo 3.15 é a "Casa do DEUS vivo, a coluna e firmeza da Verdade". Que entendimento  temos aqui? Será que podemos dizer que o verso exposto corrobora a idéia de que é necessário um templo de pedra para que se faça reuniões? Casa designa habitação, morada. Sabemos que o DEUS verdadeiro não pode habitar em templos feitos por mãos de homens, mas sabemos também que o N.T. nos diz que deveríamos ser os "templos do Espírito" atualmente. Lembramos que JESUS disse que estaria presente onde dois ou mais irmãos estivessem reunidos em Seu Nome. Logo, podemos concluir que o DEUS Vivo está e habita onde quer que irmãos se reúnam para glorificar Seu nome. A coluna e a firmeza da Verdade está no fato de que essa reunião se dá somente por causa daquela afirmação primal de Pedro que dá início à Eclesia, de que JESUS é o Ungido, o Cristo Ressurreto de DEUS. Essa afirmação é de posse exclusiva da Igreja de Cristo e  o que a caracteriza de modo principal. Sem ela não há Igreja na Terra. Muitos podem dizer que JESUS foi um mestre ou profeta, mas só a Sua Igreja particular sobre a Terra pode afirmar que Ele é o Verbo procedente do Pai, enviado para mostrar aos homens que DEUS se importa conosco. A Igreja acontece quando os templos do Espírito se reúnem para manifestar que JESUS é o Cristo. Creio que poucos estariam dispostos a questionar isso tudo. 


A questão verdadeira que se apresenta é aquela do início: Para quê serve mesmo a Igreja? Qual sua missão na Terra? Certamente, assim como o cristianismo em si, como já disse C.S. Lewis, não para que nos sintamos confortáveis ou acomodados e seguros de nossa salvação. Se era para que salvássemos o mundo, então falhamos miseravelmente. Faltou o quê mesmo? Empenho? Então, um pouco mais de ativismo fará bem. Mais tarefas para os membros, mais programas e eventos para atrair a vizinhança.Creio que alguns acham que faltava o surgimento dos meios de comunicação de massa, dado o empenho dos televangelistas para adquirir mais horários na TV. Talvez,se JESUS derramasse um pouco mais do Seu Espírito...Não. Já dissemos que Ele não pode ser responsabilizado pela presunção humana de que a Igreja que Ele veio estabelecer deveria ser aquilo que os homens acharam que deveria ser. 


O pensamento evangélico atual tem um tom triunfalista de conquista de território, uma idéia de expansão numérica e um discurso agressivo que marca o terreno da "batalha espiritual contra principados e potestades que não encontro em nenhum dos escritos dos apóstolos. A Igreja deveria conquistar o mundo, arrombando as portas do inferno e saqueando almas perdidas. Essa é a visão que impera entre tantos "ministérios" que promovem "atos proféticos" e marchas pelo país declarando que o Brasil é de JESUS. Essa é a visão do "Converta-se ou seja condenado". Embora a grande maioria sejam pessoas bem intencionadas, a verdade é que tais práticas e ensinos só tem aumentado o desequilíbrio e  o fanatismo de muitos pelo messianismo desses grupos, arraigado principalmente em figuras carismáticas e controversas como os tão afamados líderes profissionais de louvor, o casal Hernandes e "apóstolos" como Renê Terra Nova. Pelo tom  grandiloquente do discurso dos tais, tenho absoluta certeza de que esses são daqueles que pensam que DEUS depende de alguma forma do trabalho que eles exercem à frente de suas "agências" para realizar alguma coisa na Terra.


Sejamos claros, depois de tudo que foi exposto, das mazelas humanas no terreno da fé: Será que JESUS deixou algo a ser realizado, levado a cabo em Seu Nome pelos homens? Em outras palavras: Será que DEUS espera realmente que a Igreja conquiste o mundo?


 Talvez muitos não entendam aquilo que vou dizer mas a verdade lógica que surge de tudo quanto tratei aqui é que o que quer que JESUS tenha realizado através da Obra da Cruz, sua real dimensão e alcance no Tempo e no Espaço, em todas a dimensões, foi uma obra completa em si mesma e NÃO DEPENDE DO TESTEMUNHO DA IGREJA em qualquer época ou lugar, caso contrario Ele não teria bradado "ESTÁ CONSUMADO!" (i.e. - finalizado, levado ao cumprimento final). Para mim, está claro que JESUS/DEUS não pode depender de homens imperfeitos para levar a cabo uma missão como essa. O que Ele tinha de fazer, Ele realizou por si mesmo.Não ficou nada para a eklesia realizar em nome DELE. 


 Mas e a evangelização do mundo não ficou a cargo da Igreja? Evangelizar significa espalhar as Boas Novas de que DEUS, afinal, se importa com os homens e se ofereceu voluntariamente como prova de que seu perdão está disponível a todos. Qual é, pois, o alcance desse perdão? Somente aos que ouviram e aceitaram a Fé na era cristã? Não, não pode ser por tudo que sabemos sobre a justiça de DEUS. 
A história dos homens segue seu rumo como antes, nações surgem, impérios caem, novos tipos de sociedade são levantadas com novas filosofias, numa sucessão de guerras e revoluções, rebeliões, sedições, derramamento de sangue, intrigas e traições. O homem segue fazendo aquilo que sempre fez, mas agora pode dizer que o faz em nome de JESUS/DEUS, o bode expiatório favorito e ideal do hipócrita, mas em que isso difere do que o homem fazia antes em nome de deuses pagãos? Avalie isso e veja se a Historia teria menos sangue do que teve sem as guerras religiosas promovidas em nome de Cristo. Se for honesto, dirá que qualquer nome seria bom para promover um banho de sangue, como vemos no desfile da História, quanto mais O NOME! 
A lei da Entropia (2ª lei da termodinamica) no genero humano e nas sociedades humanas segue seu curso natural e seguirá até que o homem esgote de vez com os recursos do planeta e comece a aniquilar-se em desespero, para tentar resgatar seu estilo de vida mesquinho e egoista. 



Enquanto isso, o cristianismo seguirá seu descaminho, procurando um retorno, reformando uma casa na qual DEUS nunca entrou, nem entrará, procurando programas e salvadores que lhe deem uma sobrevida aos olhos do público, orando por um reavivamento que não virá e crendo piamente que está fazendo a "obra de DEUS"


A Eclesia é mais uma grande dádiva de DEUS ao homem, não um grande favor que fazemos a DEUS como muitos querem que pensemos. DEUS não precisa que nos reunamos para cantar ou coletar ofertas. Se DEUS depende daquilo que é perpetrado semana após semana dentro dos templos evangélicos para levar a cabo seu grande plano de salvação da humanidade, me desculpem, Ele "estaria na roça", por assim dizer, e seria um Deus menor, quem sabe até, um espírito zombeteiro que gosta de brincar com coisa séria.


Me digam simplesmente como um Homem, na acepção da palavra, como JESUS foi, avesso às tradições religiosas e convenções humanas e que investiu tudo em relacionamento humano, correndo o risco de manchar sua imagem pública por ficar tanto tempo ao lado de pecadores, poderia deixar alguma ordem para seus discípulos criarem algo tão insosso, burocrático, chato, e distante da realidade da vida quanto é um culto rotineiro de qualquer dia da semana numa igreja qualquer?  


O duro é constatar que eu mesmo participei e comunguei desse espírito por um certo tempo (seis anos e meio) mas a dor e a angústia só cresceram. Eu me perguntava e orava: "DEUS, o que faremos? Não podemos fazer nada sem Ti. Onde o SENHOR está nisso tudo? Por que nos deixa dessa forma? Por que não intervém?" Minhas perguntas, dúvidas e frustrações não ficaram sem respostas. Hoje, sei que toda aquela angústia foi dada para que eu amadurecesse para ganhar uma visão muito mais ampla de DEUS e de seus caminhos. 


Ah... O tratamento de DEUS para nossas pretensões e suposições é duríssimo. Bem que Bob Munford advertiu em "Reinando em vida" para termos certeza se queremos realmente pedir ao SENHOR que nos mostre a Verdade da Sua vontade. quando Ele começa a fazer algo real em sua vida, o irreal, o dispensável começa a se perder mesmo que você tente segura-lo pelos dedos. Pensei ter perdido O Caminho mas O Caminho não desistiu de mim. Andei tropeçando, cambaleando, achando que estava voltando o trecho percorrido, procurando por suporte aqui e ali sem encontrar ninguém que não quisesse me arrastar de volta ao cativeiro babilônico ou maneasse a cabeça e dissesse "Você está voltando ao que era". Por fim, posso dizer que se tem cumprido em mim aquilo que o salmista disse no Salmo 30: "Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida; o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã; Quanto a mim, dizia eu na minha prosperidade: jamais serei abalado; Tu, SENHOR, pelo teu favor fizeste forte a minha montanha; tu encobriste o teu rosto, e fiquei perturbado" Aprender na experiência a confiar que DEUS tem o controle de seu caminho, embora você não veja nenhum a frente, é uma dura lição para se aprender sozinho. Como está escrito em II Timóteo 2.13: "Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo". Tenho confiança naquilo que entreguei no altar do SENHOR: entreguei minha vida inteira, todas as minhas convicções, para que ele faça delas aquilo que quiser, que as transforme, que as molde como bem quiser e, por isso, em toda minha fraqueza, sei que Ele te me guiado nas descobertas que tenho feito sobre a dimensão de fé em que Ele deseja operar em mim. Acima de tudo, creio que isso vem dele porque não é dogmático, mas condizente com a vida terrena do Mestre, mantendo a ortodoxia do ensino do credo apostólico. 

Apostatei sim, mas da religião que se diz "cristã" mas que abandonou seu DEUS e da "igreja" que adultera com o mundo dizendo que espera pelo Noivo. Prefiro  o caminho solitário do peregrino Abraão, o "apóstata" da idolatria e mundanismo de Ur. Por enquanto, sigo sozinho, como uma ave migratória separada de seu bando, mas tenho certeza que, em seu momento, o SENHOR designará irmãos e irmãs, filhos e pais de mesmo espírito e ânimo aos quais eu possa me juntar na jornada, como foi profetizado na minha vida.


Para ser relevante como foi nos dias iniciais, a Igreja deve abandonar alguns de seus maiores pressupostos, a prepotência e a arrogância no falar. Temos que parar de achar que as pessoas "não-cristãs" não conhecem nada ou já não estão sendo atraídas por DEUS de alguma forma, só porque sua cultura ou religião são diferentes da nossa. Muitas vezes estão mais próximos do que muitos cristãos. Devemos parar já com nossa jactância sobre o monopólio da salvação que julgávamos ter. Deveríamos parar imediatamente de achar que basta que as pessoas se levantem de seus lugares e façam uma declaração de fé em Cristo para ter uma nova vida. Isso é um misticismo ridículo. Deveríamos parar de ensinar um credo e começar a viver como JESUS para que vejam a Verdade dentro de nós. Desde muitos séculos, o nome de JESUS é reconhecido no mundo inteiro e a grande maioria dos povos da Terra já ouviram falar dele e seus ensinamentos sublimes. Dos árabes aos hindus e budistas, todos reverenciam JESUS como profeta, como bodhisatva ou um budha (desperto, iluminado), mas essa grande maioria também reconhece que os cristãos não se assemelham quase nada ao seu MEstre, e, por isso, muitas vezes, a maior declaração que poderíamos dar ao mundo como prova de que Ele é realmente DEUS e Salvador, fica prejudicada por nosso mau testemunho. 


Nossa condição é tal que poderíamos verter os versos de Romanos 2, destinado aos judeus, parafraseando -os aos "cristãos" de hoje:



17 Se, porém, tu, que tens por sobrenome "cristão", e repousas na Bíblia, e te glorias em Deus;
18  que conheces a sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído em toda Bíblia;
19  que estás persuadido de que és guia dos cegos, luz dos que se encontram em trevas,
20  instrutor de ignorantes, mestre de crianças, tendo na Bíblia a forma da sabedoria e da verdade;
21  tu, pois, que ensinas a outrem, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas?
22  Dizes que não se deve cometer adultério e o cometes? Abominas os ídolos e lhes roubas os templos?
23  Tu, que te glorias na Bíblia, desonras a Deus pela transgressão da lei?
24  Pois, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa.



Está registrado em Atos o motivo da multiplicação dos seguidores do Caminho nos primeiros dias: "...mas o povo tinha-os em grande estima" - Atos 5.13; e também: "louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar" - Atos 2.47


Note que a multiplicação dos fiéis não se deve a nenhum recurso, técnica ou programa empregado, mas ao modo de vida exibido pelos seguidores do Caminho e, principalmente, pela ação do SENHOR atraindo as  pessoas ordenadas para se salvarem. Esse fator deve ser preponderante na adoção de um novo enfoque na salvação das almas. Não é a igreja que salva através da pregação, é o próprio SENHOR quem salva aqueles  em quem tem agido, chamado e atraído. Nenhum de nós pode ignorar mais o fato de que, apesar da maldade inerente ao ser humano presente em todo mundo, de que existem pessoas que trabalham e anseiam por justiça em todas as culturas já surgidas, em todas as épocas da História. Para quem essas pessoas trabalham independente da cultura ou do deus que julgam servir?Paulo em Romanos 2.13 a 16  responde dizendo:  



"Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados; Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos; os quais mostram a obra da lei escrita no seu coração, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os; no dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu evangelho."
 

Uma interpretação correta de passagens como esta tem passado de largo diante dos pretensos mestres bibliólatras de nosso tempo porque implica em num assunto mais áspero e difícil de descascar que abacaxi: a salvação por obras. Ela existe ou não? Paulo está falando do dificil conceito de "justificação", não de salvação.  A justificação através de JESUS serve para abolir a idéia de que podemos agradar a DEUS através da religião e seus atos cerimoniosos, como era o caso dos judeus. Paulo estava declarando que estava livre de cumprir os ditames cerimoniais judaicos por que o sacrifício perfeito de JESUS tornava-os obsoletos.

Eis porque todas as principais religiões do mundo são parecidas como códigos de ética e moral, pois são reflexos imperfeitos dessa lei da consciência da qual fala Paulo, e todas, sem exceção, carregam o homem de ordenanças que visam aplacar a "ira dos deuses" sobre o pecador, procurando sua propiciação ou favor. Como Paulo explica, só JESUS pode limpar nossa consciência da "má consciência" (
Hebreus 10.22) herdada após a Queda e nos conduzir a um nível de relacionamento mais maduro com o Eterno.

Sei que isso deve causar urticária em muitos, mas devemos seguir expandindo certos conceitos que hoje tem deixado a igreja num beco sem saída por pensar pequeno demais sobre como DEUS deve levar a cabo a idéia de fazer todas as coisas, no céu e na terra, convergirem na direçao de JESUS (
Efésios 1.10).

Examinado a Bíblia, vemos claros exemplos de que o DEUS Eterno realmente não trata ninguém com acepção ou desdém. Ele não possui a vaidade dos homens e pode deixar que um politeísta como
Nabucodonozor escreva um capítulo todo da Bíblia no livro de Daniel, ou chamar um adepto do zoroastrismo, mas benfeitor do povo judeu como Ciro,o Grande, de seu ungido e mostrar sua benignidade a Naamã, o sírio e a viúva de Serepta e acolher na genealogia de JESUS a prostituta Raabe



Vemos em Lucas 7.10, JESUS justificar a fé do centurião que era louvado entre os judeus por sua benevolência com o povo judeu ao dizer que nem mesmo em Israel encontrara tal fé. Temos a visita dos "reis magos" do Oriente ao recém-nascido DEUS encarnado, caldeus que viviam estudando as configurações dos astros e suas implicações segundo as antigas tradições de sua cultura. Ao que parece, pelas dádivas que trouxeram, eles entenderam muito bem (não sei se por revelação) a natureza e a missão daquele menino de nascimento humilde, pois o ouro é um dote de realeza, o incenso indica seu ofício de sumo-sacerdote e a mirra, arbusto espinhoso cujas propriedades anti-sépticas são conhecidas desde a Antiguidade na preparação de medicamentos e aromáticos.


A conversão do centurião Cornélio em Atos é emblemática. Descrito como piedoso e temente a DEUS, ao qual orava e dava esmolas aos pobres sem ser cristão ou judeu, do qual o anjo diz que as esmolas tinham subido a DEUS como oferta suave e, por isso, fora chamado porque já estava sendo salvo por DEUS. Sua salvação, ao conhecer Aquele que o chamava estava assim sendo aperfeiçoada. 


C.S. Lewis, o famoso criador do mundo de Nárnia, era um homem que gostava de contar verdades cristãs imiscuídas em fábulas para crianças e é duramente criticado até hoje pelos fundamentalistas cristãos que o acusam de introduzir ocultismo (!!!) às crianças por causa do alto grau de magia e fantasia de suas histórias. No livro final da saga de Nárnia, "A Batalha Final", ele coloca na boca do leão Aslan, o "JESUS" de Narnia um profundo conceito pouco compreendido entre os cristãos: 
"Não porque ele e eu sejamos um, mas por sermos o oposto um do outro é que tomo para mim os serviços que tens prestado a ele. Pois eu e ele somos tão diferentes, que nenhum serviço que seja vil pode ser prestado a mim, e nada que não seja vil pode ser feito para ele. Portanto, se qualquer homem jurar em nome
de Tash e guardar o juramento por amor a sua palavra, na verdade jurou em meu nome, mesmo sem saber, e eu é que o recompensarei. E se algum homem cometer alguma crueldade em meu nome, então, embora tenha pronunciado o nome de Aslam, é a Tash que está servindo, e é Tash quem aceita suas obras. Compreendes isto, filho meu?”


Em 1981, o missionário transcultural Don Richardson lançou um livro que se tornou mais um clássico da missiologia cristã, juntamente com os anteriores "O Totem da Paz" e "Os Senhores da Terra", chamado "O Fator Melquisedeque". Este livro trata justamente da experiência pessoal do autor em reconhecer que, até mesmo nas mais remotas e selvagens tribos não alcançadas antes pelo Evangelho DEUS estava operando através da sua cultura, através de um conhecimento mesmo incipiente de uma Lei Moral maior que deveriam seguir em detrimento de uma condição de culpa interior. Seus rituais de expiação do pecado talvez não fossem tão elaborados como os do povo judaico, mas a idéia de que havia uma conduta moralmente mais alta que agradava à divindade e que certos atos eram condenáveis em si mesmos, confirmaram ao autor de que DEUS havia colocado a "Eternidade em seus corações", título do livro em inglês, e preparado o Caminho para aqueles também.


Recordemos deste misterioso Melquisedeque citado em algumas passagens capitais da Bíblia. "Sem pai, sem mãe, sem genealogia; que não teve princípio de dias, nem fim de existência, entretanto, feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote perpetuamente." - Hebreus 7, 3. Melquisedeque quer dizer "Rei Justo" e representa uma linha colateral da revelação do DEUS Único na Antiguidade. Não há informação histórica alguma sobre ele ou sobre a natureza do seu sacerdócio, mas é um emblema bastante claro de que DEUS não atua na via única da aliança feita com Abraão. Ninguém sabe até onde Melquisedeque exerceu seu papel ou influência mas Don Richardson cita a lenda de Viracocha entre os incas como um emblema de que esperavam um Messias como JESUS.Tanto incas quanto maias e aztecas diziam que suas raças foram "civilizadas" por um "deus" em forma de homem, branco e barbudo (!!!) que lhes deu leis boas e justas e os rudimentos da civilização. Ao partir de volta para onde veio, prometeu-lhes que voltaria uma dia. Essa promessa era lembrada até a época da conquista espanhola, pois Cortez chegou a ser confundido com esse "deus", o que facilitou muito seu trabalho ímpio. Essas culturas tiveram um início brilhante, mas rapidamente, involuíram e regrediram para práticas detestáveis como sacrifícios humanos e guerras sistemáticas, prova da ação do pecado no coração do homem e da Entropia na sociedade humana.
Ainda não entendemos exatamente o alcance da obra da Cruz de Cristo. Ela é muito maior que a importância pontual que os cristãos querem lhe dar. Se JESUS é o novo Adão, como diz Paulo, ele não é o representante de uma classe privilegiada mas de toda raça humana. A cruz é o lugar, sim, no tempo e no espaço, da ira de DEUS, onde seu ódio pelo que nos escraviza é destruído pelo Amor Dele em Cristo, mas entendido de outra forma, onde todo pecado da humanidade foi condenado e tratado não apenas individual mas coletivamente, é o lugar onde ainda hoje Cristo recebe sobre si todo peso da energia mortal gerada pelo pecado coletivo da humanidade em todas as épocas. O tempo e espaço só existem para nós, que habitamos numa dimensão tridimensional. Eis porque para nosso DEUS, JESUS é o cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo. Ele sabia que iríamos precisar dessa saída. 
Ainda que seja complicado, tente entender da seguinte forma: sem a Morte e Ressurreição de Cristo não haveria como retomar a vida daqueles que foram destruídos pela morte, ou seja, todos os seres que nasceram após a Queda, para que fossem julgados por um critério que fosse válido para todos, pois a medida, não importa o que digam, é uma só: a quantidade, mensurável somente para DEUS, de justiça e retidão, atributos divinos, que há em cada um. Através de seu ato expiatório, JESUS cumpriu sua profecia que diz: "Quando eu for levantado atrairei todos a mim". As palavras de JESUS tem implicações objetivas e não devem ser tomadas como simples metáforas. Ele literalmente "mudou o fluxo", de um processo que caminhava inexoravelmente para a destruição de todas as coisas, para um no qual "o fim é só o começo" de outra coisa (Isaías 53.12 - porquanto derramou a sua alma na morte) Assim, todos os seres humanos, de todas as épocas e culturas podem se identificar com o sacrifício da cruz, pois somente por meio dele é que todos serão julgados no Grande Dia. Em Apocalipse 20.13 lemos: "Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras"
Assim, torna-se mais real também essa passagem:
Romanos 5: 
18  Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida.
19  Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.



Eu conheço as implicações do que estou dizendo. É uma heresia para o entendimento comum que tem sido a tônica de séculos e séculos de escravidão religiosa. Não sou um heresiarca. Não pretendo fundar uma seita, nem arregimentar adeptos, nem espalhar doutrinas, não pretendo abrir um negócio lucrativo, digo, uma denominação, mas esse é o modo como vejo Cristo, sua doutrina e sua Igreja em relação ao mundo e ao gênero humano em geral. Cristo tem que ser maior do que o cristianismo e aquilo que ensinam sobre ele, porque sua mensagem é Universal e Sua Salvação Objetiva, caso contrário, dependeria de algo que a "igreja" deveria ter feito e não fez, nem fará!!!


Entenda que não dimuinuo a importância da Igreja, ao contrário. Por precisamos dar a ela sua dimensão verdadeira dentro do plano de DEUS de salvar nossa raça e nos levar ao próximo passo é que devemos deixar de trata-la como algo pretensamente tão santo mas que nós não levamos muito à sério a julgar como as pessoas se comportam dentro dela. A Igreja deve voltar a ser um feliz encontro de pecadores em tratamento de uma doença que os levará fatalmente à morte do corpo físico, mas que devolve esperança aos que entrem em contato com ela, pelo sal e luz de indivíduos que não verbalizam simplesmente doutrinas, mas que ensinam por seu viver o que é andar em Graça e Sabedoria não humana, mas Divina. A Igreja deve se parecer cada vez mais com JESUS quando andou por essa Terra e se parecer cada vez menos com aqueles que querem reforma-la  seguindo as fórmulas deixadas na História.


Um dos livros mais interessantes que li ultimamente foi "Por que você não quer mais ir à Igreja?", de Wayne Jacobsen e Dave Coleman. Ali acompanhamos a história de um homem, um "ministro" cristão, que se desilude com a instituição e através dos encontros com o misterioso João passa a enxergar que seu cristianismo não passava de um ponto de vista míope e tendencioso do que é o Caminho. 
Algumas passagens  marcantes:
"- Suponho que o mais importante é que, se eu desejo encontrar uma forma de Igreja que atenda o que está nas Escrituras, preciso mudar esta organização ou abandona-la.
- Ou parar de procurar.
- O quê? Você está falando sério?
- Nenhuma instituição é capaz de dar conta do que é a Igreja. Não busque mudança de formas, mas invista em relacionamentos.O Novo Testamento certamente fala do que seria a igreja ideal: JESUS como único foco e cabeça, a solidariedade exercida dia a dia entre os fiéis, participação livre e um ambiente de liberdade para que as pessoas possam crescer nele."


"-Começo a descobrir muitas coisas...Temos ensinado as pessoas a se comprometerem com nossas cerimônias religiosas e nossos programas e chamamos isso de igreja"


"-...Os gansos voam juntos não por obrigação, mas porque isso deixa mais leve sua carga e os conduz com mais rapidez e menos esforço para seu objetivo...E todos esses bandos acabarão chegando ao mesmo lugar juntos..É esse o encontro. Não se trata das reuniões que vocês fazem, do lugar onde se reúnem ou de como se reúnem. Trata-se de unir seus corações para Ele...Cada pessoa que cruz o seu caminho, crente ou não-crente é um parceiro potencial a jornada. Amando-as na medida em que elas o permitem, vocês estarão participando do grande encontro Dele."


É isso. Tão natural quanto respirar. Não precisamos pensar em como fazer isso. Sem nada artificial ou pré-programado. Apenas um viver liberto e despretensioso. Libertos de toda megalomania e pretensão, poderíamos ensinar aos povos a Suprema Alegria que é descobrir O CAMINHO, sem a presunção de conquista ou de capacidade. Apenas uma caminhada para perto Dele e para longe de nós mesmos. 

1 comentários:

Rosemberg Camilo disse...

Parabéns pela matéria.

Gostei!

rcs7.blogspot.com

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Leu, gostou, odiou, quer malhar? Deixe sua opinião, ora bolas!!!Tá com medo, por que entrou na Trincheira? Não fique em cima do muro!!!!

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