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FORREST GUMP E O SIGNIFICADO DO DESTINO EM NOSSAS VIDAS

                                     
Adoro esse filme e já o assisti várias vezes e cada vez um aspecto diferente do enredo sobressai para mim. É um filme sensível, delicado e cheio de ensinamentos importantes. O mais óbvio deles talvez seja o fato de que o valor de uma pessoa não se encontra na capacidade que uma sociedade e seus valores, no caso a norte-americana, baseados em premissas superficiais e preconceitos estúpidos, pode lhe conferir, mas no valor imputado individualmente dentro de uma educação familiar virtuosa.

Numa das cenas finais, o personagem de Tom Hanks diz à sua amada Jenny que não sabe se a vida é feita de destino ou se somos como uma pena soprada pela brisa ao acaso. Seu palpite é que a vida é uma mescla dos dois. Ou seja, somos aparentemente levados pelo acaso de lá para cá ou acolá, e a vida, em geral, na sua maior parte, parece uma sucessão de eventos desconexos e sem importância, mas que no final, revela-se num enredo gracioso e com objetivo, embora sinuoso e acidentado.

A palavra destino ganho em nossa cultura um tom fatalista que indica algo que não pode ser mudado e que está pre-determinado, sorte, fardo, fortuna ou infortúnio. Algo que acontecerá num futuro inexorável. Este é um emprego mórbido que fazemos da palavra que, na verdade, só quer dizer "Fim ou objeto para que se reserva ou designa alguma coisa; aplicação, emprego; Lugar aonde se dirige alguém ou algo; direção".

Para que haja um destino, seja bom ou mau, é necessário se colocar em marcha rumo a ele, o que equivale dizer que nossas ações e atitude pôem em marcha o trem nos trilhos que escolhermos.

A palavra "Destino" aparece em Isaías 65.11 ligada ao deus babilônico Maniy, ou Meni, adorado por judeus apóstatas no cativeiro, diante do qual lançavam sortes e derramavam vinho. Tal palavra está ligada a uma raiz que indica "cálcular, numerar, contar" e isso indica uma fixidez mórbida em querer controlar os acontecimentos da vida através da ciência exata dos números ou da razão. O profeta condena tal conduta dizendo que, da parte de DEUS, tais práticas os destinaria "à espada e à carnificina". Não há crueldade envolvida aqui, mas o entendimento de que tal procedimento leva à morte, à escravidão, à separação do verdadeiro entendimento que dá Vida, de que não podemos controlar os acontecimentos, mas crer que através deles vamos chegar ao verdadeiro propósito e significado de nossas vidas ,se mantivermos o foco correto. Separar-se de DEUS, o elemento doador da Vida, tem como resultado, destino final, fixidez, loucura, morbidez, morte.

Temos um fim ou propósito para o qual fomos designados originalmente. Mas ele tem a medida que quisermos atribuir à nossa jornada. Quando olho para vidas como as de Mahatma Gandhi ou Martin Luther King sou tomado pela dúvida que me diz que a grandeza e o alcance de suas ações e realizações não estavam ligados ao tamanho que davam às suas habilidades ou capacidades intelectuais. Muitos dos eventos capitais de suas vidas e que transformaram seus atos em ALGO MAIS não foi fruto de estratégia ou qualquer coisa que se possa reproduzir por alguma técnica, mas possuem aquela pitada de um ingrediente secreto, meio mágico, acrescentado pela Providência e que pôs em marcha certos acontecimentos, os quais tomaram certa proporção, e assim sucessivamente, unicamente em resposta ao SIM que eles deram ao chamamento em suas vidas. 

Somos todos chamados a ocupar um lugar que só nós mesmos podemos ocupar. Ocupar esse lugar equivale a fazer diferença na vida daqueles que estão ao nosso redor, sejam filhos,  parentes ,amigos, desconhecidos, etc...Não ocupa-lo não significa nenhuma ação, ao contrário, é a pior atitude que podemos tomar, pois tudo debaixo do sol segue o caminho da deterioração, rumo à entropia. 

Alguns podem entender isso como uma exortação ao ativismo religioso ou moral, e é daí que surgem as patrulhas ideológicas, mas ser dogmático é ser mórbido e G.K. Chesterton já disse que "é fácil ser pesado, mas difícil ser leve" e esta é nossa tendencia em todo tempo. Eis aí um paradoxo ensinado por Cristo, não uma contradição: Não obstante a gravidade de seus clamores e a dificuldade que temos como homens em cumpri-los, Ele não nos convida à fixidez e morbidez de uma vida dogmática e ao recalque religioso com a vida, muito pelo contrário. Ele nos convida a entendermos que no jogo da vida, PERDER É GANHAR. Enquanto não entendermos que a maior parte da vida e de nossas batalhas não serão ganhas, e não são para ser ganhas, mas para que se viva com a fluidez e força de um rio, viveremos como represas que desejam domar o curso dessas águas. Dependendo do ímpeto dos acontecimentos, que equivale à força do rio, será grande o estrago ao romper-se a represa. 

Vivemos num mundo exposto aos agentes da entropia. DEUS entrou nesse mundo para remi-lo de sua condição e ensinar aos homens somente aquilo que sempre ensinou desde a Queda, em todas as culturas e religiões: É preciso remir todas as coisas na Terra e cultivar tudo que for bom para salvaguarda-lo da destruição. Eis porque toda virtude, toda bondade, toda beleza, toda arte, tem um potencial para elevar e redimir o homem de uma condição inferior. 

Ao homem religado com DEUS, que pretende se tornar cada vez mais, passo a passo, à sua imagem e semelhança, só resta redimir tudo aquilo em que tocar e isso, com leveza e AMOR, certo de seu destino e propósito. 


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Jorge Vercilo - Asas Cortadas (Jota Maranhão e Jorge Vercilo)


Eu, pássaro perdido
Que avoou sem medo
Quando era menino
Sério, eu chego a me lembrar
e logo chega o mundo
Pra intimidar
Eles gritam e conseguem me assustar
Eu me sinto gaivota sobre o mar
Que afundou as asas nas manchas de óleo ao mergulhar
E agora não consegue mais voar
Um dia eu vou voar
Sei, sei tudo que posso
Mas vem essa lei
e impõe o ócio
quem tem um olho é rei
Se eu desafiar, incomodarei
Vez em quando bate um vento por aqui
Abro as minhas asas pra tentar subir
Mas com tanto tempo preso a essas grades, me esqueci
E agora tenho medo de cair
Tiê,
Venha das alturas me salvar
No maciço da Tijuca pousará
Onde as nuvens se debruçam
E eu não canso de esperar
Sua liberdade me libertará
Abra as suas asas


Vai sem medo, vai
Vai ganhar o céu
Quem provou da liberdade
não terminará
Preso as próprias grades
Um dia eu vou voar
Eu já vivi no ar
Vem me ver voar
Vem me ver voar

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EXPELLED - O FILME - LINK PARA DOWNLOAD



Ufa!!Acabei de encontrar um link seguro no Megaupload para quem desejar baixar o documentário que está deixando os darwinistas de cabelo em pé ao redor do mundo. Dá pra assistir inteiro no You Tube, com legendas, mas para quem quer ter uma cópia de segurança, há um link seguro no Megaupload. Baixe o arquivo que contém dois links para o download mais a legenda em português de Portugal, mas que está bem inteligível e...  Bom divertimento!

Sinopse: O documentário é uma crítica ao posicionamento da ciência de hoje que dentro da chmada “liberdade acadêmica” suprime toda e qualquer ideia científica que não seja naturalista. Qualquer pressuposto de design deve ser eliminado ou no mínimo chamado de pseudo-ciência. Quem paga o preço por desafiar o “status quo” são os cientistas, professores e alunos que ousam desafiar essa “liberdade acadêmica” que cremos possuir.

Arquivo formato:AVI (zipado) ; Tamanho: 706,73 MB;
Qualidade: DVDRip – Excelente Qualidade – Inclui Legendas em Português (PT-PT)
"Entre os selvagens, os corpos ou as mentes doentes são rapidamente eliminados, os homens civilizados, entretanto, constroem asilos para os imbecis, os incapacitados e os doentes. E nossos médicos põem o melhor de seu talento em conservar a vida de todos e cada um até o último momento, permitindo assim que se propaguem os membros fracos das nossas sociedades civilizadas. Ninguém que tenha trabalhado na reprodução de animais domésticos, terá dúvidas de que isto é extremamente prejudicial para a raça humana". (Charles Darwin - Livro: "The descent of man: and selection in relation to sex" )

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EVOLUÇÃO E SELEÇÃO NATURAL - PROCESSOS CEGOS OU INTELIGENTES?

“Em 2009, com o aniversário dos 200 anos do nascimento de Darwin, o conceito de Darwinismo tornou-se tão popular que foi celebrado na maioria das revistas de biologia. No entanto, a teoria darwinista da evolução está associada com o conhecimento científico ultrapassado e crenças ultrapassadas do século 19"


Tal informação poderia ser facilmente creditada a algum defensor do criacionismo bíblico, mas, na verdade, trata-se de uma matéria do conceituado jornal londrino de divulgação de pesquisas médico-científica, The Lancet


A Ciência evoluiu tanto no último século até hoje que se viu obrigada a rever suas teorias, refazer seus cálculos e reeditar seus postulados e isso continuamente e numa velocidade análoga ao surgimento das novas tecnologias que possibilitaram ao homem lançar um olhar mais profundo tanto na direção do firmamento, no caso da astrofísica e seus potentes telescópios, quanto para dentro do mundo microcósmico das células e os não menos potentes microscópios eletrônicos. 


A Ciência não deixou de ser a Ciência após reformular e corrigir conceitos antigos, como os de Newton, englobando a sua Mecânica dentro de uma teoria que explicava melhor o funcionamento do Universo, a Relatividade de Einstein. Das medições e observações surgidas desse conceito, decorreu a aceitação geral de que o Universo como o conhecemos teve um início, o chamado Big Bang, algo que os cientistas não desejavam em absoluto encontrar pelas implicações religiosas que  a idéia traz em si , pois criam que poderiam provar o contrário, ou seja, que o Universo era perfeitamente estável desde que se tem notícia. 


Da mesma forma, ao olhar para dentro dos átomos, o microcosmo das partículas subatômicas, percebeu-se que a Relatividade de Einstein não funcionava tão bem quanto no macrocosmo das galáxias. Nascia a Física Quântica e suas aberrações que teriam feito Newton enlouquecer A Física Quântica e seus desdobramentos, como a Teoria das Supercordas, muito em voga hoje em dia entre os cientistas para tentar explicar as abstrações de certas partículas que parecem surgir do "nada" para ir rumo ao "nada", não subtraiu em nada a validez da Relatividade de Einstein. Ambas são válidas em esferas diferentes.


É difícil entender o porquê o mesmo não ocorre em relação a Biologia e outras ciências aplicáveis ao estudo do surgimento da vida na Terra. Nesse sentido, a afirmação acima, vinda da fonte da qual veio, é um bom indício  de que o acúmulo de descobertas no segmento científico que estuda as bases da vida terrestre pode estar se abrindo para trabalhar com uma perspectiva diferente da proposta inicial de Darwin e dos naturalistas do século XIX. Isto seria natural e não implica necessariamente em defender algum tipo de criacionismo, mas ceder diante do peso das evidências científicas, como no caso do Big Bang, de que a vida em si não pode ser explicada como tendo surgido ao acaso, num processo cego e aleatório. a recusa em trabalhar com outras hipóteses é meramente de cunho filosófico, como já afirmou Michael Behe em seu clássico livro "A Caixa Preta de Darwin". 


Segundo esse conceituado bioquímico, a Teoria em si não precisaria ser descartada de todo, mas adequada a nova realidade cientifica surgida dos avanços no estudo das bases celulares da vida, a qual deixa claro que a teoria de Darwin não consegue dar conta nem mesmo do surgimento de vida a partir de não-vida, ou seja, a primeira célula multiplicadora de vida surgida espontaneamente de interações químicas entre materiais inertes e sem vida. Ora, uma das coisas mais claras em Ciência biológica, não de hoje em dia, mas já de muito tempo, é que somente Vida Gera Vida, ou seja, a vida só pode surgir de material orgânico não do que é inorgânico.


A Informação Genética é um dado novo e um novo campo no qual as descobertas irão alargar as fronteiras do conhecimento humano. Craig Venter é um dos empreendedores do ramo, um homem ambicioso que quer escrever seu nome nas novas páginas dessa Ciência. A julgar como a mídia está disposta a alardear suas "façanhas" no ramo, seus negócios só irão crescer exponencialmente. Sua última inovação causou alarde recentemente sendo noticiada no mundo todo com estardalhaço. A equipe dele manipulou geneticamente o DNA de uma bactéria introduzindo sequências cromossômicas sintéticas montadas artificialmente num sintetizador químico.


 Basicamente, aquilo que a equipe de Venter conseguiu não foi criar vida em laboratório como alguns meios de comunicação falsamente alardearam, mas descobrir exatamente onde inserir a informação genética fabricada no lugar correto no intrincado cordão cromossômico.  Feito isso, conseguiram que a bactéria "funcionasse" do modo como esperavam dentro de outra bactéria. Isso só foi possivel graças ao sequenciamento genético do qual Venter e sua equipe também são pioneiros. Assim, cada cromossomo da bactéria teve sua posição e função, bem como sua composição química, bem definidas, mas ainda assim, nem todo processo dessa "modificação" foi "artificial", pois tiveram que depender da ação natural de certos fungos para completar a união do "DNA alienígena". 


Os experimentos de Venter e outros na área trazem sérias especulações na esfera da bioética mas, em geral, os avanços da Ciência devem contribuir para a idéia que se tem de que nossa civilização está progredindo de alguma forma para minimizar os efeitos da nossa crescente industrialização e globalização. Como toda Ciência prática, ela deve possuir dois lados, podendo evoluir para técnicas que visem algum Bem, como foi no caso das vacinas, ou um grande potencial para o Mal. Nada diferente do que temos visto usualmente.


Para nós, fica claro que a Ciência molecular de hoje já trabalha com a vida da mesma forma que os cientistas da computação trabalham na programação de dados. Somos máquinas biológicas. Aquilo que define quem somos e como somos, são informações químicas codificadas e dobradas sobre si mesmas em fitas que podem ser desenroladas e lidas por alguém capacitado para tal. Se quisermos mudar a programação em geral, basta conhecer a informação contida ali. 


Como estamos no ambiente da blogosfera, temos muitas pessoas que possuem blogs eaqueles que, como eu, já ousaram acessar aquela parte do "Painel" que diz "editar HTML" para tentar inserir alguma modificação no lay-out de sua página terão uma imagem clara de tudo isso. Ao inserir um código específico (algo como  ) você pode fazer aparecer em sua página algum item novo, com uma funcionalidade diferente, um elemento programado e desenhado para tal. Um código bem feito funcionará perfeitamente, mas se tiver alguma falha, pode deixar alguns recursos inúteis em sua página. 


A Informação Genética atua da mesma forma em nós. Aquela aparente sopa de letrinhas sem sentido, distribuída entre colchetes e parenteses, é responsável por cada item da página, seu formato, seu tamanho, sua posição e funcionalidade. Da mesma forma, tudo aquilo que nos faz como nos somos aparece em forma quimicamente codificada dentro da fita helicoidal conhecida como DNA.


A Evolução darwiniana das espécies encontra um sério problema aqui. O surgimento de qualquer tipo de vida a partir de material inorgânico já era matéria controversa na época de Darwin, na qual se acreditava que a base da vida celular era bem simples, mas, ao abrir-se a "caixa" celular mais rudimentar, encontramos uma maquinaria elaborada, uma fábrica fantástica capaz de se autogerir e se reproduzir e, mais adiante, descobriu-se que isso tudo só se fazia possível graças ao código da máquina, dobrado sobre si mesmo vezes sem conta na forma de uma fita que contém em si toda a informação necessária para que a célula em questão se multiplique da maneira correta. 

Como se vê, não se trata simplesmente apenas de que a vida tenha surgido de certa maneira, por sorte, e alguns aminoácidos tenham ganho ao acaso a capacidade de se reproduzir, protegendo-se do mundo hostil dentro de uma membrana celular, gerando o primeiro ser vivo, mas, na verdade, COMO poderia o acaso, aleatoriamente, agrupar em perfeita ordem as sequências exatas de ADN que tornam funcionais uma célula, produzindo enzimas específicas para cada função dentro da mesma, por mais rudimentar que fosse essa primeira célula? As dificuldades matemáticas se tornam virtualmente intransponíveis. 

Segundo Fred Hoyle, um dos maiores cientistas do século passado, "A noção de que não somente os biopolímeros mas todo o completo programa operativo de uma célula viva, pudesse vir ao acaso por uma 'sopa' orgânica primordial aqui na Terra é evidentemente um extremíssimo disparate." 


Não vou perder tempo colocando os números a que certos matemáticos chegaram ao calcular as probabilidades  para que tal evento ocorresse uma única vez , mas somente dizer que eles consideram que a quantidade de tempo que levaria para que tal combinação de resultados simultâneos acontecesse em um único lugar e isso ao acaso é bem maior do que a idade atribuída ao Universo.


Segundo um site de divulgação científica, "até mesmo uma célula primitiva como a bactéria E. coli, uma das formas de vida mais simples existentes hoje, é incrivelmente complexa. Seguindo o modelo da E. coli, uma célula teria que conter, em um mínimo absoluto:
  • uma parede celular de alguma natureza, para conter a célula;
  • um mapa genético para a célula (na forma de DNA);
  • uma enzima capaz de copiar informações do mapa genético para a produção de novas proteínas e enzimas;
  • uma enzima capaz de produzir novas enzimas, juntamente com todos os blocos de construção para essas enzimas;
  • uma enzima que possa construir paredes celulares;
  • uma enzima capaz de copiar o material genético, em preparação para a divisão celular (reprodução);
  • uma enzima ou enzimas capazes de cuidar de todas as outras operações de divisão de uma célula em duas, para implementar a reprodução (por exemplo, algo precisa separar a segunda cópia do material genético da primeira, e depois a parede celular precisa dividir-se e se fechar, nas duas novas células);
  • enzimas capazes de produzir moléculas de energia para que todas as enzimas mencionadas anteriormente possam funcionar."
OU seja, o nível de  especialização mesmo nesse nível é tremendo. Ainda mais: 
"O mecanismo de mutação da evolução não explica como o crescimento de um genoma é possível. Como as mutações criam novos cromossomos ou alongam uma fita de DNA? É interessante notar que, em todos os cruzamentos seletivos de cães, não houve alteração no genoma básico deles. Todas as raças de cães ainda podem cruzar umas com as outras. As pessoas não testemunham um aumento no DNA do cão, mas simplesmente selecionaram genes do pool genético canino existente para a criação de diferentes raças."

Trocando em miúdos, como se não bastasse o mistério do surgimento da primeira célula autoreplicante, também é desconhecido os meios naturais (isto é, não há pistas) pelo qual as espécies puderam se tornar diferentes umas das outras pelo acúmulo de mutações. De modo sitomático, foi justamente nesse quesito que o aclamado Richard Dawkins sofreu sua maior humilhação pública num vídeo que ficou famoso no mundo inteiro. Uma pretensa equipe de jornalistas evolucionistas (na verdade, uns malucos defensores do criacionismo disfarçados de ateus !!!!) perguntou a Dawkins se ele poderia dar um único exemplo de mutação genética ou processo evolucionário que tenha resultado em aumento de informação no genoma. O pedido de Dawkins para que lhe dessem um tempo para pensar e o longo silêncio que se seguiu falaram muito mais que a resposta dada longos segundos depois. 

A rigor, Dawkins saiu pela tangente sem explicar nada apelando para a famosa história do elo ancestral comum a todas as espécies superiores mas cujo rastro não pode ser encontrado em lugar algum hoje. Dawkins saiu depois com uma desculpa de que notou que havia caído numa cilada de criacionistas logo que ouviu a pergunta e que ficou embaraçado por isso. Mas por que ele ficaria embaraçado se lhe foi dada uma boa chance de responder a fanáticos religiosos idiotizados com os argumentos  lógicos e claros da ciência ateísta? A menos, é claro, que o maior defensor do ateísmo científico não tenha nada a dizer sobre isso.

Numa entrevista a uma rede americana, Dawkins disse que a Ciência tem acumulado muitas provas científicas sobre como o Universo funciona, o que tornaria uma explicação sobrenatural do surgimento do Universo por DEUS algo inútil. Para ele, o acúmulo de informação científica vai tornar a idéia de DEUS algo irrelevante em algumas décadas. Mas a coisa não vai justamente por aí, para não dizer exatamente que caminha do contrário. A Ciência descobriu realmente como um sem número de coisas antes misteriosas acontecem (por exemplo, a eletricidade, a gravidade, as marés, etc), mas não pode dizer uma única palavra do PORQUÊ de acontecerem exatamente dessa forma (Dawkins, nesta entrevista, também usa uma argumentação bastante errada para repelir a afirmação do interlocutor de que os maiores genocidas da história recente eram ateus: Hitler, Stalin, Mao e Pol Pot. Dawkins afirmou que esses déspotas foram realmente maus, mas que sua maldade não poderia ser atribuída ao seu ateísmo. Ora, então porque a maldade dos cruzados, dos inquisidores e dos jihadistas deve ser creditada à religião em si e não à disposição e conveniências individuais dos envolvidos? O argumento em si se torna inválido e autocontraditório por ser tendendioso.)


Exatamente como no caso do avanço na genética, o acúmulo de informação científica, longe de dar uma explicação simples e racional para o surgimento do Universo tem esbarrado em evidências concretas de que não só a vida biológica mas o próprio surgimento da matéria a partir de um "nada absoluto" é um dado tão bizarro com o qual eles não gostariam de trabalhar por suas implicações metafísicas. 

O Big Bang foi aprovado como teoria geral para o surgimento do Universo não porque fosse a teoria mais bonitinha mas porque derivava de observações e dados matemáticos confiáveis, não obstante suas implicações religiosas. Muitos cientistas, entre eles o próprio Einstein, se retorceram de vontade de arranjar um jeito de escapar das inferências que se fariam inevitavelmente pelos religiosos, mas nada puderam fazer. Não é isso que tem acontecido também com a descoberta da informação codificada do DNA? 

Com a descoberta de grandezas como a Gravidade, a Energia, do Eletromagnetismo, da Força Nuclear (fraca e forte) e da Física Quãntica, também ganhou força o argumento teleológico a favor de um sobrenatural como causa primeira, ou pelo menos, de um supernatural inteligente com poderes além da nossa compreensão. O argumento teleológico busca evidencias de um projetista como explicação mais razoável para a incrível quantidade de ordenação que se vê no Univeros através das leis naturais. No jargão científico, há o que se chama de "Sintonia Fina" (fine tuning) das leis da natureza, uma série de felizes "coincidências" encontradas pelos cientistas. As interações dos fenômenos é tão intensa e ao mesmo tempo delicada que o brilhante Stephen Hawking teve que dizer que "As chances contrárias ao surgimento de um Universo como o nosso a partir de algo como o Big Bang são enormes. Acho que existem claras implicações religiosas" (citado do livro "Quando a Ciência encontra a religião", de Ian G. Barbour, professor emérito de Física e Religião no Carleton College em Northfield, Minnesota - recomendo altamente esse  livro aos interessados no assunto)
Algumas das interações descobertas :


- Dentre os muitos  Universos compatíveis com as teorias de Einstein, o nosso seria um dos poucos realmente adequados para abrigar a vida orgânica como a conhecemos; vida essa baseada na síntese do carbono, o qual, por "coincidência", é produzido nos cosmos com tanta precisão e especificidade que alguns cientistas consideram "aterrador" esse fato;


-A gravidade é cerca de 1039 vezes mais fraca que a força eletromagnética. Se a gravidade fosse 1033 vezes mais fraca, as estrelas teriam um bilhão de vezes menos massa e queimariam um milhão de vezes mais rápido;


-A fraca energia nuclear tem 1028 vezes a força da gravidade. Se a fraca energia nuclear fosse levemente mais fraca, todo o hidrogênio no universo se teria transformado em hélio (impossibilitando a existência de água, por exemplo).Uma forte energia nuclear (de 2%) teria impedido a formação dos prótons, produzindo um universo sem átomos. Decrescendo seu valor em apenas 5%, teríamos um universo sem estrelas;


-Se a diferença em massa entre um próton e um nêutron não fosse exatamente a que é – cerca de duas vezes a massa de um elétron - então todos os nêutrons se transformariam em prótons e vice-versa. E diríamos “adeus” à química como a conhecemos – e à vida; *


* citações da obra do Dr. Patrick Glynn, Ph.D., formado em Harvard (EUA) e Cambridge (Inglaterra), é Diretor Associado e Acadêmico residente da George Washington University Institute for Communitarian Policy em Washington D. C.



Outro pesquisador dedicado disse que "Quanto mais examino o Universo e os detalhes de sua arquitetura, mas encontro indícios de que o Universo, de certo modo, devia saber que nós iríamos surgir".



UM Universo que "espera" o surgimento da vida não está muito de acordo com processos aleatórios deixados à sabedoria de coincidências. Tal informação só faz sentido se o processo é guiado, dirigido e isso implica numa "mente" organizadora. Tal nível de especificidade em todos os níveis verificados pela Ciência está de acordo com a Evolução darwiniana e a seleção natural como processo aleatório, totalmente cego?



Uma amostra de como a Ciência, assim como a religião, induz a uma "feroz fidelidade" a Darwin, como aponta Michael Behe, está nas explicações dadas pelos darwinistas para certos casos bem complicados como o das baleias. Vejamos:

Os ancestrais das baleias viviam na terra. Existem evidências de que a baleia evoluiu da vida na terra para a vida no mar. Mas como e por que isso aconteceu? O "por que" geralmente é atribuído à abundância de alimentos no mar. Basicamente, as baleias foram onde estava a comida. O "como" é um pouco mais complicado: baleias são mamíferos, como os humanos, e como nós viviam e se moviam em terra firme, respirando ar em seus pulmões. Como então se tornaram criaturas marinhas? Um aspecto desta evolução, de acordo com Tom Harris, autor de Como funcionam as baleias, é explicado da seguinte maneira: 
... para fazerem esta transição, as baleias tiveram que superar inúmeros obstáculos. Em primeiro lugar, tiveram que lidar com o acesso reduzido ao ar respirável. Isso levou a várias adaptações notáveis. O "nariz" das baleias saiu da face e foi parar no alto de sua cabeça. Este orifício de respiração permite que respirem sem emergirem totalmente. Em vez disso, uma baleia nada próximo à superfície, arqueia o corpo emergindo brevemente as costas e, então, flexiona a cauda, impelindo-a rapidamente a profundidades maiores.
A "explicação" parece convincente? Na falta de qualquer coisa melhor lança-se o recurso da necessidade e tal necessidade é a responsável por toda transformação de que uma espécie precisa para se tornar em outra, mas como vimos, o neo-darwinismo está em apuros justamente pela falta de provas de que o acúmulo de tais mutações possa acrescentar as informações necessárias ao DNA. Mais ainda, o registro fóssil das baleias é um pesadelo para os neo-darwinistas pois, por tudo que se possa averiguar, desde a mais remota antiguidade, uma baleia sempre foi uma baleia como as de hoje em dia. Ora, isso não se parece com método cientifico, mas com especulação pseudo-científica. A Ciência está cheia disso hoje em dia. Na ânsia por não se dar por derrotados, os ateístas fundamentalistas lançam mão de explicações e cenários cada vez mais metafisicos. Qualquer explicação é boa o  suficiente se mantiver-se longe de qualquer referência a algo que esteja além do natural. A Ciência hoje em dia quer determinar e nortear a visão de mundo de seis bilhões de pessoas. Como? Suprimindo e ridicularizando tudo que faz referencia ao sagrado.


Por tudo que pudemos conferir, a vida como a conhecemos segue um enredo, um roteiro com fim específico: o surgimento de vida inteligente que pudesse descobrir as causas e efeitos que a produziram e quais os indícios que apontam sua origem. 


Dizer simplesmente que tal processo "evolutivo", ou seja, propiciador de vida, emergiu do acaso e que ele pudesse produzir aleatoriamente seres que pudessem teorizar e  depois comprovar por métodos a existência de tal ordenação, nos dá uma amostra do quanto estamos distantes de descobrir quem somos realmente e encontrar a totalidade de nós mesmos. Descobrir que a vida pode ter sido ordenada desde o princípio deveria causar o tipo de assombro que o contato com DEUS geralmente causa a um inconverso, mas não é preciso pensar que essa idéia deva levar a algum tipo particular de crença. Antes, deveria causar resignação, humildade, devoção e uma sadia sensação de sagrado no interior por reconhecer que esse dom vem de tão alto, não importando, pelo menos a princípio, quem seja seu idealizador. Nós simplesmente somos e o porque disso pertence à Providência. Se estamos evoluindo ou decaindo também deve ser algo que diz respeito a ela de alguma forma. 


Esta é uma idéia que acalenta esperanças, mas não uma esperança senil, porque se tanto trabalho de artesão foi preciso para que chegássemos até aqui, como não seríamos objeto da mais bondosa intenção dessa Inteligência, e porque não dizer, do seu Amor?


Pra terminar quero postar o vídeo de uma parte de um documentário que tem feito sucesso no exterior. Trata-se do filme "Expelled -No Intelligence Alowed", produzido por Ben Stein, que mostra o sofrimento e perseguição a que certos cientistas tem sido submetidos ao desafiar o stabilishment com noções bem atuais da Ciência. Vale a pena conferir. É realmente uma pedrada das boas em várias presunções darwinistas, trazendo implicações (até mesmo históricas) sérias sobre onde tal ensino pode levar a humanidade.


 O documentário pode ser encontrado em 10 partes no You Tube. O trecho   em questão exibe uma entrevista do autor com o famigerado Richard Dawkins onde, surpreendentemente , ele admite a hipótese do design inteligente em termos de uma interferencia de engenharia genética alienígena em nossa criação!!!!! É hilário vê-lo se engasgar todo ao admitir que não tem idéia alguma sobre como a coisa toda da vida começou e admitir que "Se olharmos para os detalhes, detalhes da bioquímica, biologia molecular, PODEREMOS  ENCONTRAR A ASSINATURA DE ALGUM TIPO DE DESIGNER"! Obviamente, isso não resolveria a questão, somente a levaria mais adiante, e a pergunta sobre a origem de tais "deuses" persitiria. 


Enfim, quem em nada crê, sempre exigirá mais e mais "provas" e teorias absurdas ainda que isso os afaste cada vez mais do verdadeiro sentido da jornada humana, somente revelada no conhecimento de DEUS .


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MADONNA - FROZEN - tradução

Você só vê o que seus olhos querem ver
Como pode a vida ser aquilo que você quer que ela seja?
Você fica congelado
Quando seu coração não está aberto


Você está tão consumido com quanto você consegue,
Você desperdiça seu tempo com ódio e arrependimento,
Você fica arrasado
Quando seu coração não está aberto


Mmm... se eu pudesse derreter seu coração
Mmm... nós nunca ficaríamos separados
Mmm... entregue-se para mim
Mmm... você possui a chave


Agora não tem propósito em estabelecer a culpa,
E você devia saber que eu sofreria o mesmo
Se eu perder você
Meu coração ficará partido


O amor é uma ave, ela precisa voar
Deixe toda a dor dentro de você morrer
Você fica frio
Quando seu coração não está aberto


Mmm... se eu pudesse derreter seu coração
Mmm... nós nunca ficaríamos separados
Mmm... entregue-se para mim
Mmm... você possui a chave


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NÃO SOU QUEM DEVERIA SER


 "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou!" - ROMANOS 7. 18 a 24

Pode parecer estranho e triste ao mesmo tempo ao mundo pós-moderno, mas se deve haver um único sentimento autêntico que deva se perpetuar por toda a vida de um ser humano que vê perplexo diante das vagas monumentais da existência e que sente aflorar o desejo por um sentido pleno de espiritualidade em sua jornada, é o sentimento de inadequação da carne a essa vontade mais elevada. Mais até do que isso, a carne não só não se conforma a esse chamado, mas se opõe a ele fortemente, como está escrito em outra memorável passagem escrita pelo apóstolo Paulo em Gálatas 5.17 : "Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer".

De modo geral, essa é a condição do seguidor de Cristo, a qual não é em nada diferente da maioria das noções religiosas nascidas em qualquer época ou cultura, exceto naquelas em que se deseja explorar as possibilidades negras da espiritualidade humana e aí então, onde os baixos instintos e vícios são as "virtudes" cultivadas, o potencial demoníaco pode ascender do inferno. Em suma, porém, os santos, profetas, poetas, sábios e ascetas de todos os tempos preferiram enaltecer as virtudes do Alto e cultivar ideais que parecem querer nos distanciar de nossa natureza e nos promover a um outro nível.

Penso que temos visto o bastante do homem entregue à sua inclinação em desenvolver o potencial do lado negro, o bastante para desesperar e desacreditar de todo Bem e nos perguntar se estamos realmente perdidos, mas penso também que as pistas deixadas por exemplos de ser humano que aspiram acima de tudo transcender essa humanidade caída propondo valores que não se parecem em nada com aquilo que vemos usualmente, não são apenas uma contradição, mas um dado concreto de que o ser humano não apenas deseja ser diferente de sua natureza atual, biologicamente animal, mas que luta contra algo que NÃO É SEU NATURAL, que o aprisiona em algo para o qual não foi criado. A suma de todas as religiões e filosofias que buscam a ascese do ser humano a algo mais valoroso é que NÃO NOS CONFORMAMOS COM O QUE VIEMOS A SER. E lutamos contra isso avidamente com as melhores armas de que dispomos procurando recuperar uma condição perdida, mas não irremediavelmente. Caso contrário, seria a ausência da noção de que existe outra possibilidade além da Depravação Total, o que não é lógico, pois ainda possuímos algum freio moral. Nossas armas, como a educação, o desenvolvimento tecnológico, a razão e a vontade meramente ética e moral, não tem produzido resultados expressivos no ser humano a julgar pelo estado das coisas no mundo. A religião tampouco tem produzido frutos expressivos apesar de ser o "bolsão" que apregoa a Verdade de nosso estado e a possibilidade que jaz além.

O resumo de tudo isso é que, embora possamos detectar a legitimidade do clamor do ser humano em relação a sua condição e sua necessidade em escapar dela, vemos que, em geral, constatar tal fato não produz mudança alguma. Talvez algum empenho em práticas restritivas tenha algum êxito por algum tempo, quem sabe um programa do tipo AAA ou algum ativismo religioso surta algum efeito, mas logo se vê que a humanidade se compraz na mediocridade. Ser medíocre é ser médio, andar na média. Somos ambíguos e contraditórios porque, embora conheçamos nossa doença, acalentamos o sentimento de que ela não nos mata nem nos fere realmente.

A constatação de Paulo em todo o livro de Romanos, mas em especial no capítulo 7, pode deixar transparecer aos olhos do cético que a condição geral do que crê é muito triste, pois antevê um Bem que não pode alcançar em detrimento de um agente do Mal do qual não pode escapar: ele mesmo. Isso pode parecer um triunfo sobre a religião cristã em si e pode até ser mesmo, visto que em si, ela não é nada mais nada menos que uma reedição da Lei, com ordenanças e restrições para o neófito. Como Paulo diz, a Lei só  produz uma coisa: o conhecimento do pecado (Romanos 3.20).

É por isso que Nietzche acusava o cristianismo de ser a coisa mais antinatural e abominável que poderiam ter inventado, por negar de tal forma tudo que parecia natural e bom no ser humano antigo em detrimento de uma prisão do corpo e um flagelo da consciência. Em termos gerais, o cristianismo, como religião de preceitos e conceitos tão abstratos e místicos como pecado e redenção, pode ser realmente tão insosso, fraco e indigesto como sopa de xuxu. Os detratores do cristianismo, como Nietzche, o acusam de hipocrisia por não viverem as alturas do que se prega nos púlpitos, mas o próprio Nietzche foi um hipócrita e um fraco porque nunca chegou perto do impiedoso super-homem que descrevia como ideal, sendo o covarde que era. A hipocrisia é um mal congênito da raça humana em seu atual estado, não uma atribuição de certos grupos.

Eu mesmo me descrevo como um hipócrita, pois vivo me vendo fazendo algo e falando outro. Por exemplo, falo sempre sobre a Igreja ideal, embora não consiga encontra-la em lugar algum da terra, nem mesmo em minha casa. Na descrição do blog está escrito "Resistindo à correnteza do mundo", deixando transparecer que consigo resistir em todo tempo às marés de instabilidade espiritual que me afligem.

Reconhecer isso não me faz mais pecador do que ninguém, mas desconhecer isso seria uma hipocrisia a mais. Embora seja hipócrita, não o sou do tipo perfeito. O tipo perfeito é aquele que se apraz em seu disfarce ou aparência a fim de ganhar algo vantajoso. Por incrível que possa parecer, esse processo pode ser até mesmo inconsciente. Na verdade, a religião, seja cristã ou não, serve tão bem aos hipócritas quanto qualquer outro disfarce, seja a política, o poder ou a carreira, etc. São todos jogos de interesse, com a diferença de que a religião é a mais burra dentre todas.

(Isto é somente um adendo: Pense nisso: na religião todo o "cenário" é montado para que as pessoas venham e se impressionem de alguma forma positiva com o serviço religioso ali prestado. As pessoas se esforçam para serem agradáveis e polidas e espirituais, ou seja, profissionais da área. Alguns se especializam em certos setores como animação de auditório e conduzem bem uma multidão, seja cantando ou falando. Outros se comprazem em simplesmente aparecer e ouvir as palavras que descem suvemente dia após dia, criando a sensação de que, afinal, você está fazendo algo útil para si mesmo e para DEUS. No final, estão todos ali pelos seus próprios motivos e gostos pessoais, fazendo aquilo que sua inclinação natural lhe diz, seja calado, cantando ou em pé diante a platéia. Fora dali, porém, no tratar diário, persiste o incômodo registrado por Paulo. Sem um palco para atuar, nós continuamos sendo o que sempre fomos. As palavras mágicas não fazem sentido no mundo real. Você se tornou refém de um mundo de faz de conta. Há fé em Cristo ali e até empenho e boa vontade para "fazer a coisa funcionar", mas algo continua fora de lugar, a engrenagem não funciona como deveria. Se formos sinceros e honestos o suficiente conosco mesmos e com o Deus que julgamos conhecer esses joguinhos enfadam bem rapido, pois fomos programados culturalmente para optar sempre pelo modo mais fácil e burro para resolver um dilema e as "igrejas cristãs" são a prova disso.)

A simples constatação disso não gera conforto, ao contrário. Se livrar disso, também não produzirá uma espiritualidade genuína imediatamente(embora garanta um pouco de autenticidade). Somos obstinados, duros de aprender, somos homens ocidentais, afinal. Somos uma mistura desafortunada de gregos, romanos e judeus (no caso brasileiro, a coisa ainda piora com a inclusão dos portugueses no "blend"). Sejamos práticos e verdadeiros: o cristianismo é impraticável. Ele é impossível de ser vivido da maneira como tem sido pregado. Ele deve ser, em essência, algo diverso daquilo que nos ensinaram.

DISCIPLINAS ESPIRITUAIS ESQUECIDAS

Já disse um inglês balofo chamado G.K. Chesterton: "O cristianismo não foi testado e reprovado; na verdade, foi considerado difícil e abandonado, sem ao menos ser experimentado"

Como "cristianismo" ele está querendo dizer a doutrina original de Cristo e não o simulacro que lhe usurpou o lugar.

A verdade que sobressai para mim é que nossos "jogos" e interesses favorecem a mania irritante que temos para dissimular, competir com o próximo e atuar em frente aos outros. É por isso que o "cristianismo" atual tem tão poucas pessoas se dedicando em diminuir a si mesmos através do trabalho voluntário e da oração, pois o estímulo está no polo oposto. Queremos ser altamente espiritualizados tendo tudo em comum com todos os "brinquedinhos", artifícios e maneirismos da nossa civilização. A ausência de qualquer muleta que favoreça esse desvio da personalidade humana por satisfação e aprovação é desejável por isso, mas não alivia em nada a bagagem, muito pelo contrário. É muito mais difícil, como tenho provado por mim mesmo. Minha mania em bancar o "coitadinho de mim" quando me sinto frustrado comigo e com DEUS, principalmente, é de dar nojo.

Por vezes, sinto que toda dificuldade que tenho em desenvolver minha salvação (Filipenses 2.12-13) está ligada ao ritmo de vida que tenho e minhas obrigações rotineiras como provedor de um lar. Sinto que se me afastasse de tudo que me causa estresse diário e ansiedade, eu obteria mais precisão e poder para ouvir de DEUS. Pode ser difícil permanecer "espiritual" se ocupando de coisas triviais ou mesmo em funções que pouco contribuam para manter-se "em alta".

De fato, se a agenda do homem sempre esteve em oposição à de DEUS, hoje muito mais. É preciso tempo para desmascarar o Eu, e tempo, aparentemente, é tudo que não temos hoje, embora a vida não seja nada além de tempo na forma de horas, dias, meses, anos e décadas. Hoje em dia, parece mais rápido formar um "obreiro" do que moldar uma empada numa forma.

Aquilo que nos é oferecido pelo mundo e pelas religiões não passam de distrações às disciplinas que poderiam nos levar a um sério comprometimento com DEUS e a sua agenda, que inclui necessariamente a mortificação do meu ego. Esse é um ponto em que pecamos seriamente hoje. Encontramos grande dificuldade em conciliar as atribuições cotidianas de um mundo como o nosso com um tempo exclusivamente dedicado às disciplinas que historicamente moldaram a espiritualidade de tantas figuras proeminentes da história cristã.

O cristianismo autêntico não pode ser confundido com o rigor ascético dos místicos antigos e nem com o monasticismo medieval, mas tem mais a ver com eles e suas disciplinas milenares do que com a falsa espiritualidade atual baseada na imposição de mãos de "pessoas ungidas" e na "transferência de dons" (?!!?).

Uma espiritualidade sadia e intensa não pode prescindir de certos elementos comuns à certas religiões em todos os tempos, principalmente as orientais, como a meditação, introspecção e contemplação que visam prioritariamente trazer equilíbrio ao viver do indivíduo. Sem o incentivo a isso, fica difícil de entender a exortação de Pedro em sua segunda carta, ao dizer: "...associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor" - II Pedro 1.5 a 7. 

Como fazer isso sem mudar substancialmente seus hábitos e seu modo de vida? Como cumprir aquilo que Paulo nos fala em Romanos 12. 1 e 2, "que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional; E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente" sem sacrificar pelo menos uma boa fatia do tempo que gasto com meus deleites? Queremos Poder sobre nós mesmos sem custo algum? Segundo Dallas Willard, "A Igreja falhou em não levar a sério a transformação humana, como uma questão prática e real, que deve ser abordada em termos realistas". 

Dessa forma, sendo realistas, o "cristianismo" não pode ser assim tão diferente que não utilize certa ferramentas comuns a todos os que busquem atingir um grau de maturidade humana elevado. Podemos ver isso no exemplo nas próprias disciplinas usadas pelo SENHOR JESUS em sua vida encarnada. 

JESUS não era um estóico, mas sua moral e ética eram postas em prática constantemente; JESUS não era budista, mas se retirava constantemente para lugares desertos para ficar só e orar (meditar, contemplar); JESUS não era um sadhu indiano mas certamente fazia uso do jejum como forma de "quebrar" a resistência da carne (não que precisasse, claro, como nós precisamos). Os "doutores da lei" de hoje nos dizem que devemos "ser como JESUS", mas não explicam como já que não ensinam tais práticas aos neófitos.

Com efeito, o cristianismo autêntico deve apresentar uma moral e uma ética que se parecem com estoicismo mas que não leva à frieza de uma norma regimental, mas ao amor sacrificial. Não busca ser reconhecido nem compete com ninguém como o Tao, mas não deseja o imobilismo e estende as mãos para ajudar. Deseja a paz interior e a solitude, mas não o isolamento e por ser a Voz de um DEUS Vivo e indignado com nossa condição denuncia a falsidade e proclama a Verdade em alto e bom som! 

É assim que deveria ser mas, de qualquer modo, isso nos leva à única verdade constatável de que todos estamos no mesmo patamar, dando voltas e mais voltas em torno daqueles montes terríveis que são Romanos 6 e 7, sem qualquer perspectiva de encontrar o caminho que nos leve ao monte de Romanos 8. Vivemos a expectativa gerada na recepção da promessa e a dor de ver que nossa carne não se submete nem debaixo de porrada, que somos incapazes de um único pensamento autenticamente santo diante de certas tentações e tribulações.

De todas as dúvidas que tenho, o maior mistério para mim ainda se chama ESPÍRITO SANTO. Este é o principal elemento que falta a todas as outras filosofias ou religiões. O fim não é a moral ou a virtude em si, mas  tornar-se apto a ser um veículo ideal Dele. Desconheço-o quase por completo e, por isso, O temo. Quem puder dizer algo diferente que se pronuncie. Tenho fé em JESUS o suficiente para dizer que já tive minhas experiências espirituais que conto como válidas, mas a pessoa e a ação do Paráclito ainda me são por demais envoltas em brumas. Falta-me "intimidade" para interpretar o que Paulo quer dizer com "Andar no Espírito" sem esbarrar na teologia e no verbalismo vazio das letras. Quem sabe, quando eu e outros tantos nos dedicarmos mais às disciplinas esquecidas do "cristianismo" e voltarmos a ficar "equilibrados", em harmonia interior e inabaláveis às distrações do mundo, possamos ter algo real para falar sobre ele.

Até lá, até que cheguemos ao monte de Romanos 8, resta-nos aplicar-mo-nos à salvação como o soldado em treinamento para a guerra. Era essa linguagem usada por Paulo e penso não se tratar de mera figura de linguagem. Pôr o pé no Caminho significa pisar em terreno minado e ser treinado em pleno campo de batalha.  "Vigiai e orai" disse Ele e nem por uma hora achou quem tivesse disposição para acompanha-Lo.  


  "Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações,  sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes." - Tiago 1.2 a 4

Quem pode se regozijar com isso se não tiver a certeza de que é perfeitamente possível, em virtude de seu treinamento, vencer seu adversário?

trilha sonora deste post: OFICINA G3 - MEUS PASSOS (letra baseada em Romanos 7)

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