10 janeiro 2010

CORRA COM OS CAVALOS - Parte 3


Parte 3 - DEUS E O MAL DESSE MUNDO -Emprestei esse livro a um bom amigo que tem questões parecidas com as minhas embora pareça que tenhamos chegado a respostas diferentes. Ele não conseguiu terminar sua leitura sem explicar direito o porquê. Creio que ficou chocado com o tema do mal liberado sobre os judeus em conseqüência de seus pecados. Ele parou na questão de DEUS e o mal desse mundo. Como disse antes, isso é tentador, mas é reducionismo. Até que aprendamos a lidar apenas o fatos, sempre estancaremos em certas questões espinhosas. O mal desse mundo é um fato. Difícil de lidar, mas um fato. Em Os irmãos Karamazov, de Dostoievski, Ivan, o irmão cético, diz num certo momento: “Há uma coisa no Universo que clama: o choro de uma criança”.

DEUS é outro fato, pelo menos para aquele que investigou com cuidado as provas de Sua existência, seja interiormente (através de sua consciência) ou exteriormente (através da observação natural). A última realidade, para onde todas as coisas criadas convergem nos faz chegar à Causa Primeira. A origem do caos e o livre curso do mal parecem entrar em rota frontal de colisão com a concepção do DEUS que é Amor dos cristãos. “Se Ele se importa, porque negocia com o Mal e o diabo?” Nosso senso de justiça é abalado ao lermos o livro de Jó. Outro fato é que não temos no atual estágio todas as respostas e seria inútil tentar obte-las. Esse dualismo, essa luta do Bem contra o mal na qual eles vão coexistindo sem nunca se anular completamente, é uma doutrina muito antiga. Ela diz que ambos são igualmente importantes para o equilíbrio do universo. O cristianismo é diferente disso, pois, embora tenha uma boa dose de dualismo, ele nos diz que DEUS certamente irá acabar com mal do universo um dia. Como já disse C.S. Lewis sobre essa questão, “um dia Ele atacará com força total, só não se sabe quando”.

É aí que entra o fator determinante dessa equação: JESUS.

Ninguém foi tão enfático no que afirmava, ninguém foi tão convincente mesmo falando coisas que fariam qualquer um parar num hospício. JESUS é O FATO que nos leva a crer realmente num propósito para o ser humano, pois tudo indica que algo extraordinário, a saber, sua Ressurreição, ocorreu por volta do ano 30 da nossa era. JESUS tinha uma mensagem importante a transmitir que ia além do belo discurso moral. Ela diz respeito e afeta a vida de cada ser humano em nosso planeta. Em meio a tantos ensinamentos, há uma linha de pensamento que percorre toda extensão de suas palavras e pode ser traduzida assim: “Há um mal agindo no Universo, sim, mas é passageiro, terá um fim, será aniquilado no tempo correto. A virada da maré começa agora. Vocês me verão sofrer e morrer, mas também testemunharão meu triunfo e o começo da ruína das trevas com a primeira Ressurreição”...

Processar esses fatos requer se livrar de certos pressupostos e o maior deles é o que me diz que sei como um deus deveria agir baseado unicamente na minha noção de justiça e bondade. Se assumimos que somos criaturas criadas por um DEUS Bom, e possuímos noção daquilo que é justo e bom, obviamente o meu senso de justiça não pode ser maior que o Dele, pois veio Dele. Entretanto, DEUS não é “bonzinho’ do modo pueril como entendemos. Por isso, um dos epítetos mais usados ao longo de toda Bíblia para descreve-lo é Justo. Logo, juntando todas as partes da equação que montamos, tenho que concluir que Ele irá consertar as coisas e é justamente essa a mensagem de toda Bíblia: “Ei, agüentem firmes, sejam durões, o socorro está chegando! Não temam!”. As coisas podem ficar feias enquanto isso não acontece, Ele sabe, por isso, não deixa as coisas irem para o ralo totalmente ( é aí que entra o dualismo das Forças que batalham pelo espírito humano; acredite, Deus tem colocado suas forças como uma barreira mais vezes do que poderíamos imaginar, mas por vezes Ele mesmo a suspende como no caso dos judeus na época em que Jeremias viveu) e envia seus mensageiros, como o próprio Jeremias, alertando sobre o modo correto de viver mantendo uma visão alta.


Talvez meu amigo não tenha chegado nessa parte do livro, mas é a que mais gostei. Trata-se de uma nota de rodapé na página 192, que diz: “Seus contemporâneos não tinha como saber, mas Jeremias foi a estrela mais brilhante em que os estudiosos séculos mais tarde, veriam como uma constelação de líderes religiosos estrategicamente posicionados no mundo.Os séculos 7 e 6 A.C. foram séculos renascentistas no que tange a alma e a DEUS. Em outras partes do mundo, Zaratustra estava começando uma nova religião na Pérsia, Lao-Tse estava formulando o Taoísmo e Buda início ao grande movimento reformista na Índia. Na Grécia, os filósofos Thales e Anaximander estabeleciam os alicerces da filosofia grega. Em todo mundo, havia anseio , fome e sede de justiça. A meditação e um ardente anseio parecem caracterizar o que conhecemos das civilizações na China, Índia, Pérsia e Grécia. Na Palestina, essa pessoas foi Jeremias.” Isso reposiciona e faz juz ao DEUS Criador de Tudo descrito nas paginas da Bíblia colocando-o no centro de tudo de importante ocorrido no pensamento humano visando dar-lhe uma visão ampla do Universo e da vida. O verdadeiro DEUS é universal e não tribal.

Então, se JESUS já venceu a morte e as trevas em sua Ressurreição, sendo o “campeão de DEUS” nessa guerra, porque o mundo e o ser humano não mudaram? Isto sim parece um verdadeiro mistério, pelo menos, numa análise primária, mas, se analisarmos as falas de JESUS veremos que Ele cita varias vezes que Ele mesmo aguarda o tempo correto para que certas coisas aconteçam. Ao lado de suas afirmações peremptórias de que haverá um dia de julgamento do mal e seus aliados, vemos a misteriosa declaração “Esse dia e hora ninguém o sabe, nem os anjos, nem o Filho, mas somente o Pai...” e “Não vos convém saber o dia e as estações que o Pai estabeleceu por seu Poder...”. Como aceitar essa limitação na atuação de um poder dito onipotente? Será que devemos crer, como alguns, que DEUS nos fez como objetos de uma aposta entre o Bem e o Mal? Será que Ele está somente esperando para ver qual lado vai vencer? De certa forma, DEUS está esperando sim que tomemos uma decisão e, por isso, nos dotou de uma faculdade tão controversa como o livre arbítrio, mas, por outro lado, também já apostou todas as suas fichas num dos lados. A vitória é certa, pois, então, Ele vai fazer uso de seu Poder de modo manifesto, Poder que Ele propositadamente tem restringido. Quando digo Poder estou me referindo a uma pessoa conhecida por nós pelo nome JESUS, seu campeão e sua ferramenta para realizar todas as coisas dentro daquilo que chamamos tempo-espaço.

Tudo se passa como se, dada a largada da Criação, um cronômetro tivesse sido disparado e não pudesse mais ser zerado até o término do tempo estipulado. A Queda do gênero humano foi um revés terrível em suas conseqüências, mas as areias do tempo não regridem nem mesmo a favor da causa de DEUS. Seria legislar em causa própria. Seria fácil para DEUS esmagar toda rebelião com força e nos forçar à obediência, mas a questão entre o Bem e o Mal nunca foi de Poder. Até as trevas sabem que não podem rivalizar com Ele em força. A questão é de Autoridade sobre a Criação. A real questão é: Quem terá domínio sobre as coisas criadas? O próprio DEUS ou suas criaturas? Quem merece cultivar o jardim? Segundo a tradição cristã, alguém mais reivindicou essa autoridade, questionando o modelo de gerenciamento do Filho do Sumo-Arquiteto.

Pelo pouco que se sabe, esse ser, um arcanjo, ou seja, classe celestial de primeira ordem, comandante em chefe de miríades de outros celestes e dotado de poderes inimagináveis para cumprir suas tarefas de superintendente de galáxias, juntamente com seus aliados, gostaria de ter mais liberdade de ação sem ter que ficar se reportando diretamente a alguém mais elevado e começou a questionar seu direito côo Deus da Criação, iniciando uma nova doutrina e disseminando-a entre os seus. Essa doutrina é a mesma que hoje se vê entre os mais variados gêneros de ocultismo, que diz que devemos aprender a usar tanto o lado bom quanto o lado sombrio, se quisermos ser como o próprio DEUS. A rebelião, diz-se, começou entre os celestiais, mas atingiu em cheio o coração humano, o qual se deixou seduzir pela oferta de um atalho ao Poder Ilimitado. A questão deve se prolongar até que o Supremo Juiz julgue o direito quebrado do legítimo herdeiro. Percebe quem é o maior prejudicado com toda essa perda de tempo e sofrimentos inúteis?

As questões se sucedem e você pode chegar a se perguntar: “Mas que eu tenho com isso? Por que devo escolher um lado? Não posso ser dono do meu próprio nariz? E por que escolher o lado de JESUS? Será que o outro lado não está somente querendo ser livre para fazer o que quiser de suas vidas e se viram obrigados a tomar certas atitudes ao se virem perseguidos? Por que DEUS exige obediência somente a Ele? Isso não é orgulho?”

É óbvio que devemos, no decorrer de nossas vidas, desenvolver a capacidade de dirigi-las baseados nas nossas próprias escolhas que são basicamente influenciadas por nosso caráter, experiências e educação, mas até que ponto podemos afirmar que somos donos de nosso destino e que não devemos nenhuma forma de gratidão ou obediência a qualquer preceito moral ou ético visto que se encontra entranhado em nós? Se reconhecemos que tudo o que somos e o que pensamos sobre nós e o mundo ao redor tem uma procedência Superior, isto é, se admitimos que temos em nós uma fagulha do Divino, não seria nossa obrigação pautar nossas vidas por uma busca incessante por essa fonte de Paz e Alegria? Se seguíssemos unicamente a noção de que devemos satisfazer nossos instintos, dados para que pudéssemos sobreviver num mundo selvagem, como ficaríamos? Muitas das maiores virtudes cristãs são verdadeiras confrontações aos nossos instintos mais básicos. Por exemplo, o perdão. Perdoar continua sendo muito mal entendido hoje em dia. Todos acham um ideal muito lindo e elevado até ter algo realmente para perdoar. Perdoar não é desculpar por um errinho qualquer. JESUS estava falando aos judeus para perdoar seus inimigos, os romanos, que invadiram e ocuparam sua terra e praticavam atos cruéis de todo tipo com a gente de seu povo.

E que tipo de sociedade teríamos se DEUS não tivesse colocado dentro do homem o código do casamento? Se prender a uma única fêmea é quase uma violência para o homem, mas que medida mais salutar e avessa aos nossos instintos, presente até nas sociedades mais antigas, visando a proteção do sexo mais fraco (pelo menos fisicamente) e da prole perante um contrato social que obriga o cumprimento de certas metas por ambos os lados. Lógico que o casamento pode se bem mais que isso e esse era o plano, fazer de dois um, ou seja, um organismo perfeitamente ajustado e em harmonia física e espiritual. Mas tudo isso fica a critério da consciência do individuo. Em tudo nessa vida você pode projetar um significado mais elevado, uma simbologia mais rica ou resolver navegar na superfície para sempre. Àqueles que acha que o casamento é apenas um ritual ou uma convenção, e que podíamos viver tão bem juntos quanto os animais o fazem em bando, eu digo, que estamos longe demais da simplicidade deles. Um animal é o que é, não pode se tornar muito melhor ou pior do que já é quando nasce, já ao ser humano foi dada a faculdade de se tornar, por suas escolhas e ações, num santo ou num demônio.

Os resultados da chamada revolução sexual e do feminismo podem ser constatados em qualquer lugar do mundo, principalmente ocidental. O casamento não é mais um vínculo duradouro, mas uma relação utilitária que pode ser desfeita na presença do menor empecilho (Como poderia ser duradouro se abolimos em nossa cultura a noção do que realmente é uma aliança?) e por causa disso, a taxa de natalidade decresce a cada ano no Velho Mundo e cada vez mais pessoas resolvem que desejam passar uma vida de solteirice egocêntrica e depois uma velhice solitária. Por aqui vemos que a liberação do sexo feminino não seguiu uma forte conscientização do que é uma sexualidade sadia (Como poderia ser de outra forma se não temos nenhuma política publica duradoura que sobreviva às trocas de partidos no poder?) e vemos a proliferação de toda uma geração de filhos nascidos de relacionamentos fortuitos e promíscuos. Geralmente, são criados dentro de ambientes hostis, por adolescentes que não estão preparados para a complicada tarefa da paternidade, e são recriminados por ter estragado a vida de seus progenitores. De modo geral, são criados na maior parte do tempo pelos avós, bastante conhecidos por sua capacidade de “estragar” os netos. Não é surpreendente que possamos constatar que o número de encarcerados com esse perfil aumenta na razão e na proporção do aumento da própria população carcerária, pois os dois fatores sociais estão intimamente ligados.

Assim, creio que só somos donos de nós mesmos em parte. Temos algo a desenvolver, uma possibilidade, uma ponte perdida que deve ser reconstruída para acessar o outro lado. Negligenciar isso é como desprezar o ar que se respira ou sujar a água que se bebe (não é isso que temos feito??). Não deveria haver outra prioridade ao ser humano senão procurar entender o tamanho real do significado da Vida que nos deu tanta vida. Muitos vociferam contra DEUS pelo que vêem de mal no mundo e o tacham de cruel. Isso também é um mal de nosso tempo: o negativo, o lado ruim, vende mais. Os jornais vendem mais quando cobrem uma catástrofe. Um filme é mais visto se tiver mais cenas chocantes. A celebridade mais famosa é a que dá mais escândalos. O game mais popular é o mais sangrento.Tanto mais vemos barbaridades, mais inoculados ficamos quanto aquilo que é belo e singelo. Como diria meu amigo recalcitrante, essas coisas diminuem a nossa fé. Minha sogra gosta de assistir a um desses programas televisivos que ressaltam a violência urbana e domestica. Frequentemente tem crises de nervosismo por causa de alguma noticia estapafúrdia e vive com medo de que sua casa seja invadida. Acostumamos-nos com sujeira e já não podemos contemplar o belo desse mundo, achamos que Ele nos abandonou ou que nem existe mais, mas DEUS insiste em repetir que cada pôr-do-sol, amanhecer, estações do ano, vales, quedas d’água, montanhas e a biodiversidade são um lembrete de sua eterna criatividade e poesia. Estamos rodeados de beleza, canto, poesia e pequenos milagres cotidianos, mas não conseguimos mais vê-los. Seria esse um estratagema inimigo? Embotar nossos sentidos com o mal a fim de perdermos a esperança na nossa única esperança? “Fique conectado a maior parte do tempo, utilize cada vez mais bugigangas eletrônicas, dependa cada vez mais delas e distancie-se cada vez mais das pessoas e dos relacionamentos reais”. O tempo gasto atualmente com realidade virtual, seja games ou web, tem roubado a maior parte do tempo em que os pais poderiam interagir com os filhos. Pesquisas mostram que os atuais adolescentes da era digital não conseguem manter uma conversa produtiva com um adulto, em especial pais, limitando-se a respostas evasivas e monossilábicas. Os pais são tratados geralmente como os “trouxas” da série Harry Potter e são sumariamente “deletados ou bloqueados” da vida social de seus filhos.


O HERDEIRO - Pelo que podemos ver, o ser humano tem se esforçado para ser dono de seu nariz, mas não consegue se desvencilhar de certos padrões que sempre o arrastam para um estágio mais abaixo. A História humana por si só deveria nos fazer parar para repensar nossas prioridades, mas parece óbvio a essa altura que os homens não estão dispostos a mudar radicalmente suas agendas e não precisamos do relatório oficial do encontro de líderes em Copenhagen para entender isso. De que lado estamos então? Estamos seguindo nossos próprios caminhos, estabelecendo nossas idéias de humanidade, mas os resultados dizem que estamos indo bem, que estamos corretos? Somos melhores hoje do que vinte séculos atrás? Ou temos sido apenas teimosos? DEUS poderia nos cobrar pelo fato de exercermos o poder de escolha que Ele mesmo nos outorgou? Não estamos nós também numa espécie de obtusa rebelião contra Aquele que nos fornece luz, ar, calor, chuvas, colheitas e etc?

Imagine que você tem uma casa, uma bela casa de campo, na qual você introduziu alguns indivíduos, com algum tipo de parentesco, que de outra forma estariam em maus lençóis, mas que, com o passar dos anos, passaram a ignorar o dono da casa, chegando a questionar sua autoridade e já não dão a mínima para suas instruções para zelar pelo lugar em que foram bem recebidos, que pertence na verdade ao pai do senhorio. O senhorio, seguindo sua natureza justa e bondosa, herdada do pai, não usa a força para despejar esses maus inquilinos, mas se vê praticamente banido em seu próprio lar. O senhorio vai ao seu pai, que é um justo juiz e entende de leis, e ambos decidem esperar o prazo legal até que a questão possa ser devidamente julgada enquanto insistem por todos os meios para que os usurpadores se arrependam e obtenham o seu perdão, mas nada dá amostras concretas disso e eles seguem depredando o bem alheio. Assim, não zelam pelo solo que já está cansado, desmatam as árvores do pomar, fazem queimadas, desviam o curso do ribeirão para fazer um lago particular (“Que se dane o vizinho do lado”), não trocam as telhas quebradas do telhado, não lavam a louça do almoço(depois de reclamarem novamente do que comeram), maltratam os animais, não levam o lixo para fora e nem dão descarga no vaso sanitário. Aos apelos do senhorio eles dão de ombros e fazem troça dele. Não é esse tipo de inquilino que temos sido?

Mas o justo juiz tem um filho, o legítimo herdeiro de tudo ali. Prevaricará ele no direito de exigir a herança de seu filho não executando a reintegração de posse? Ele chegou mesmo a enviar seu Filho como ultima amostra de que estava disposto ao perdão total da dívida, mas o prenderam, o maltrataram duramente e o mataram cruelmente. Entretanto, isso também estava dentro dos planos do Juiz, e seu filho foi salvo das garras da morte e agora pode oferecer essa salvação àqueles ingratos moradores. Mas Ele disse que voltaria outra vez e, dessa vez, com Força total e aos moradores da casa que não tivessem obedecido ao seu pai, lançá-los-ia fora da casa.

Então, o herdeiro pode voltar a qualquer instante. O pai está seguro em seu direito, embora lhe doa ver o que esses maus inquilinos tem aprontado.

A questão de adorar a DEUS e obedecer-lhe vai de encontro a essa pequena história. DEUS não é orgulhoso. Ele não pode ser como nós, mesquinhos, ciumentos e obtusos. JESUS disse que quem olha para ele, sabe como é o Pai. JESUS disse mais: que o Pai é ainda maior que Ele. Será que podemos ter uma vaga idéia do que isso significa? Penso que não. A questão toda é que DEUS tem um herdeiro legítimo disso tudo. A Bíblia diz que tudo foi feito por Ele e para Ele. O Filho construiu tudo para honrar o Pai. Seu direito foi contestado, mas nunca tomado definitivamente. Ele quer devolver tudo intacto ao Pai para agradar-lhe com Amor. O Pai por sua vez, quer que o Filho entre no seu direito, final, tudo foi feito pensando nele. Não há outro que o Pai queira ver feliz senão o Filho legítimo. Ele sabe que todas as coisas, dentro do espaço-tempo, tem um prazo determinado e nós também sabemos disso, pois descobrimos a Lei da Entropia. Todas a coisas, do modo como conhecemos, caminham para um fim ou mudança de estado. Hoje sabemos que tudo morre, mesmo galáxias.

Antes disso, porem, Ele quer nos dar a oportunidade de reconhecermos que não precisava ser assim, que não precisamos ir para o ralo junto com todo o resto. Assim ,a Bíblia diz que, na plenitude dos tempos, DEUS fará todas as coisas convergirem para Cristo, ou seja, vai reivindicar o direito do seu herdeiro, para que tenhamos a oportunidade de ver seu governo e provar aquilo que desprezamos desde o início. Depois disso, virá o fim das coisas como as conhecemos e as coisas que nenhum olho viu, nem ouvido ouviu e nem subiram ao coração do homem, segundo as palavras de Paulo, terão vez. Isto é, para aqueles que voluntariamente o desejaram.

Isso tudo é muito fantasioso para você? Por vezes, a realidade tenta roubar toda visão do fantástico que é a impossibilidade da vida nesse mundo. Por muitas vezes também sou tentado a duvidar, mas então me lembro de que Ele veio e sua passagem entre nós é a maior história de todos os tempos. Muitos tentam contestá-la ou dar a ela outros tons, humanizá-la, por assim dizer, mas quase todos os mestres da moral ou reformadores religiosos tem seu tumulo entre nós para que sejam honrados e suas memórias preservadas. Esse não, pois desde o início seus amigos íntimos dizem que ressuscitou dentre os mortos. Isso não é coerente com a lógica humana, mas é coerente com tudo aquilo que Ele mesmo dizia a respeito de si. O tumulo vazio diz por si só muita coisa. Primeiro, que os detratores e perseguidores de Cristo e seus seguidores, contemporâneos da época dos eventos, principalmente judeus e romanos, ficaram tão aturdidos com a noticia da sua ressurreição que sequer conseguiram elaborar um plano fraudulento qualquer para impedir que tal fato se propagasse. Pelos relatos dos Evangelhos, os judeus, temerosos de que os discípulos roubassem o corpo, requisitaram uma guarnição romana para guardar o tumulo. Quando esses soldados voltaram com a notícia de que algo inusitado acontecera, esses homens devem ter sido tomados do mais absoluto terror. No caso comum de um fanático, as esperanças de seus seguidores estariam findas na junção de forças do poder coercitivo dos rabinos judeus com a mão de ferro romana para impedir os delírios de um bando de loucos. Nós sabemos que isso não foi possível e eles se viram obrigados a calar-se diante da evidencia de que o impossível irrompeu entre eles.

Talvez você ache que a idéia de um messias salvador é algo inventado pelo cristianismo, mas na verdade esta é uma idéia tão entranhada no inconsciente coletivo da humanidade que deveríamos avaliar melhor qual a origem, ou procedência da idéia do Escolhido.

Todas as culturas desenvolveram mitos sobre heróis que são previamente destinados a uma tarefa incomum. Geralmente, são seres comuns, muitas vezes mais comuns que a maioria, mas com alguma aptidão ou habilidades ainda não manifestadas, mas portadores de um caráter acima do comum. Não obstante as dificuldades, vencem os obstáculos depois de grandes esforços que, em geral, trazem a idéia de redenção para alguma situação que se passa entre seu povo. Esta é a imagem cunhada através dos séculos do herói, ou Escolhido. Esse personagem, geralmente escolhido pelos senhores do destino dos homens, os deuses e deusas de antão, é um geralmente, um humano mas que possui um algo a mais que os humanos: ele tem um pé no divino, sendo portanto mais do que um humano comum. Por isso, suas qualidades morais e físicas são tão superiores e, embora passe lutas, vence para o Bem da humanidade.

Em que pese o fato de que a maioria das lendas e mitos de outrora realmente não passarem disso, a construção da idéia do Escolhido como um salvador que redime a humanidade de um estado perigoso ou degradante pertence muito mais ao universo da psique humana do que à História como uma sucessão de fatos. A História tem muito pouco ou nada a nos dizer sobre esse processo, a não ser que ele já se encontra desde as primeiras sociedades documentadas. Já discorri aqui sobre as pretensas semelhanças que podem ser encontradas entre a história de Cristo e as de outros pretensos “filhos de deuses” no post sobre o filme Zeitgeist. No filme, o autor tenta ligar a figura de JESUS a um infindável desfile de mitos de messias ligados a um certo culto astronômico com base no predomínio do Sol, símbolo da Luz, sobre a Noite do Inverno, ou as Trevas. Os mitos e arquétipos existem por si mesmos. O mito do herói redentor é um dos mais fortes entre a humanidade. Se confunde com a noção do sagrado no homem e é análoga a nossa concepção de certo e errado, de um padrão de justiça elevado, de uma moral e de uma ética que todas as sociedades antigas revelaram ser herança de um passado mais alto e longínquo, recebido das mãos de emissários divinos.

O mito do messias redentor permeia toda a história de uma humanidade que tateia meio que às cegas procurando se recompor de uma amnésia causada por um desastre imenso que levou boa parte de sua memória, mas deixou-lhe lampejos que a faz desejar pelo Belo, pela Justiça, embora, invariavelmente, recaia no Mal de sua natureza caída. Por causa dessa natureza caída, nosso inconsciente coletivo brada por alguém que possa nos redimir de nossa condição e nos tornar a levar para onde estávamos anteriormente e surgem histórias e lendas de heróis, como o Gilgamesh dos sumérios, o Horus dos egipcios, o Viracocha dos Incas,o Thor dos nórdicos e o Rei Arthur dos bretãos. O herói sofre, mas vence enfim. Muitas das vezes, à custa da própria vida. Mas há sempre uma promessa do seu retorno, pois não morreu realmente, mas vive entre os deuses e retornará para fazer justiça novamente. Assim diziam os muitos mitos pagãos sobre os Escolhidos.


Que ponto queremos estabelecer aqui? Que dentro da própria psique humana encontra-se codificada a sua realidade espiritual da necessidade de se aproximar de seu Criador mas também a certeza de que isso só será possível através de UM homem Escolhido, mas que se eleva acima do mero humano, que deve pagar o preço de elevar a humanidade através de um ato redentor.

É ensinado na Teologia, principalmente por causa dos escritos de Paulo, que DEUS entregou a Lei, ou Torah, aos judeus recheada de tipos e símbolos que remetem ao sofrimento e morte vicária de JESUS Cristo como Messias, o Ungido, ou Escolhido por DEUS para uma tarefa insuportável para um homem comum: levar sobe si o peso dos pecados da humanidade e derrotar a morte, que entrou no mundo por causa do pecado humano.

Essa rica tipologia traz muitas referencias ao sacrifício de uma vitima inocente no altar, cujo sangue derramado em favor do pecador teria o poder de apagar a mancha do pecado. Tudo aquilo que envolve o cerimonial levitico, desde as roupas do sacerdote às peças e ornamentação do Templo, segundo Paulo, são “sombras das coisas que viriam” e serviriam unicamente para indicar que o Messias surgiria entre eles, que sofreria como um cordeiro sem mancha manietado ao altar e carregaria sobre si o peso do pecado da humanidade, para assim, vencer o inimigo do gênero humano: a morte e seu agente nesse mundo. Essa é a simbologia que encontramos no Antigo Testamento. Mas se cremos que DEUS é universal e não um deus tribal qualquer, lograríamos êxito se buscássemos entre os demais povos antigos, indícios de que DEUS forneceu pistas de que um Escolhido viria? Creio que essas pistas nos são fornecidas através dos simbolos e tipos messiânicos dos antigos mitos pagãos. Em JESUS, o esoterismo também é redimido de toda falsificação. Embora imperfeitos, como todo tipo, mesmo o judaico, eles projetam adiante todo o anseio e necessidade do homem em encontrar redenção. E deixam claro também que só um Escolhido poderá fazê-lo em nome de todos.

Todos esse mitos, sem exceção, trazem em si, uma mensagem de busca pela Excelência, por um modo de vida mais digno e proveitoso, mas altruísta e generoso, por que não está centrado numa busca egoísta de satisfação própria, mas no interesse do próximo e no bem comum. Não é essa a mensagem Dele quando disse “Faça primeiro aos outros o que quereis que vos façam” e “Aquele que reter sua vida a perderá, mas aquele que a perder por amor de mim a encontrará”. Não está escrito também que “Não há maior amor do que dar a vida pelo seu irmão”?

Nenhum homem cumpriu esses requisitos além de JESUS Cristo. Nenhuma história ou mito cumpriu tão bem os requisitos de um ato redentório como a história dele, porque quem lê os Evangelhos sem preconceitos, com a mente aberta, é impactado pela veracidade dos relatos de testemunhas que presenciaram os eventos. Ele aconteceu na História. Longe dos relatos mitológicos mirabolantes de semideuses que não possuem fundo factual algum temos a história de alguém que nasceu de uma família judia simples, que se tornou conhecido não por enfrentar monstros ou batalhas épicas, mas por fazer o bem e ensinar um modo revolucionário de viver a vida. Alguém que mudou as pálidas vidas de pescadores da Galiléia em dínamos que incendiaram um mundo em uma década e milhões de outras vidas em mais de dois mil anos. Alguém cujo vigor das palavras o tempo não pôde diluir. Alguém que força os maiores críticos do cristianismo, mesmo a contragosto, a dizer como Russeau: "Quando Platão descreve o homem justo que imaginava, oprimido por todos os castigos de culpa, mas merecendo as mais elevadas recompensas da virtude, ele descreve exatamente o caráter de Jesus Cristo..."; ou Strauss: "Até mesmo David Strauss", escreve Wilbur Smith, "o mais rancoroso de todos os adversários dos elementos sobrenaturais dos Evangelhos, cujas obras ajudaram a destruir a fé em Cristo mais do que os escritos de qualquer outro homem na atualidade - até mesmo Strauss, com todas as suas críticas contundentes, incisivas e maldosas e sua total rejeição de tudo que diga respeito a milagres, já perto do fim da vida foi constrangido a admitir que em Jesus existe perfeição moral. 'Esse Cristo... é histórico, não um mito; é um indivíduo, não apenas um símbolo... Ele continua sendo o mais elevado modelo de religião ao alcance da nossa mente; e nenhuma devoção perfeita é possível sem Sua presença no coração'."

Um dos mais renomados céticos do século XIX, H.G.Wells, autor de ficções como A Máquina do Tempo e O Homem Invisivel, dá uma declaração equilibrada que dificilmente veríamos hoje num evolucionista como Richard Dawkins: "Ele foi grande demais para seus discípulos. Em vista daquilo que ele afirmou claramente, não é de admirar que os que eram ricos e prósperos tenham tido uma sensação de horror a coisas estranhas que ele falava como uma ameaça ao seu mundo por causa do Seu ensino. Talvez os sacerdotes, os governantes e os ricos tenham-no compreendido melhor do que seus seguidores.

Ele agia como um terrível caçador moral, fazendo com que a humanidade saísse das confortáveis tocas em que, até então, tinha morado. De acordo com a luz resplendente do seu reino, não deveria haver propriedade, nem privilégios, nem orgulho, nem primazia; na verdade, não deveria haver nenhuma outra motivação ou recompensa além do amor. Não é de surpreender que os homens tenham ficado ofuscados e cegos, e tenham se queixado amargamente. Até os seus discípulos reclamavam quando ele insistia em lançar luz sobre eles. Não é de admirar que os sacerdotes tenham percebido que entre esse homem e eles próprios não havia escolha, senão a de que ou ele ou o sacerdócio devia desaparecer. Não é de admirar que os soldados romanos, pegos de surpresa por algo que estava além da sua compreensão e que ameaçava toda a disciplina militar que possuíam, reagissem com risos descontrolados, coroassem-no com espinhos, vestissem-no de púrpura e dele fizessem um César de brincadeira. Pois levá-lo a sério implicava vir a ter uma vida estranha e perturbadora, abandonar certos costumes, controlar instintos e impulsos, experimentar uma felicidade incrível..."Não é de admirar que até hoje esse Galileu seja grande demais para nossos pequenos corações." depoimentos retirados de “Evidencia que Exige um Veredito vol. I”, de Josh Mcdowell, importante compendio sobre a relevancia histórica do cristianismo e que pode ser encontrado aqui.

Outro depoimentos incluiriam pessoas como Napoleão ("Eu conheço os homens; e eu lhes afirmo que Jesus Cristo não é um homem...Todas as coisas que existem em Cristo me surpreendem. Seu espírito me enche de admiração e respeito, e Sua vontade me confunde...) e C.S. Lewis, um ex-cético e naturalista, que viu sua visão de mundo ruir ao investigar a fundo o cristianismo e as verdadeiras razões para sua incredulidade: Jamais se explicou satisfatoriamente a discrepância entre, de um lado, a profundidade e a sanidade mental de Seus ensinos morais e, de outro lado, a megalomania exagerada que deve estar por detrás de seus ensinos teológicos, a menos que Ele seja verdadeiramente Deus. De modo que as hipóteses não cristãs sucedem-se umas às outras devido à interminável fecundidade da mente, a qual é fruto da perplexidade".

O homem foi preparado em sua psique através dos mitos e das religiões para a chegada do Escolhido.

Será que hoje o homem moderno é diferente? Será que, na era digital, depois da psicanálise, da conquista espacial e da liberação sexual, nos emancipamos daquilo que parece ocupar o mais profundo do nosso ser? A julgar pelos filmes campeões de bilheteria recentemente, creio que não. As sagas se sucedem mas a tônica permanece. Guerra nas estrelas, Senhor dos Anéis, Matrix, Harry Potter replicam o mito do Escolhido, do herói redentor.


De todos, o que mais chama a atenção pelo paralelismo da morte vicária é Matrix, onde Neo, o messias da era apocaliptico pós-digital, oferece sua vida como único recurso para deter um mal que se espalha e promete destruir toda vida conhecida. Sua “morte” não é uma morte real e seus poderes, como Escolhido, só aumentam depois dela e é dito que um dia talvez ele volte para terminar o que começou. Sua morte não resolveu todos os probelmas dos humanos, pois não destruiu a Matrix, mas agora a humanidade possui um aliado que está além do poder dela. Mais, garantiu aos seres humanos um meio de sair da Matrix voluntariamente, uma das condições aceitas pelo Arquiteto da Matrix, segundo o final de Revolutions. A obra dos irmãos Wachowski é cheia de referencias e tipos mitológicos e esotéricos relativos a uma realidade superior ao plano que vivemos. As referencias são tantas e tão bem elaboradas que podemos crer que os tais irmãos sabiam bem do que estavam falando.

No site da revista eletronica Espaço Academico lemos sobre o fim da trilogia: “O fim da história marca a transição de um mundo regido pelo destino (o Oráculo) para um mundo regido pela escolha. Como a transição que houve no mundo Antigo, com o advento do cristianismo. Passou-se de um mundo determinado pelo sentimento trágico da vida para um mundo determinado pela esperança trazida com a Boa Nova da vinda de Cristo... No fim, o conteúdo principal de toda a história é mais religioso do que filosófico. A crença no Predestinado é a esperança que move os rebeldes. Enquanto esperam pelo sucesso de Neo, cada um deve fazer sua parte, é o discurso de Morpheus, que sintetiza a esperança messiânica de um reino de Deus na terra”.

O ser humano em todas as épocas sonhou e projetou muitos dos sonhos que DEUS colocou dentro dele na forma de histórias, parábolas, ensinamentos e elas, como sombras daquilo que é real, devem nos guiar ao conhecimento daquilo que é Perfeito. A nós, só é dado o direito de lidar com os fatos. O mal é um fato nesse mundo. Para muitos, embora envolto em mistérios, DEUS também é um fato. JESUS é o fator que faltava na equação. Nele, a esperança de que um dia o Bem vai esmagar o Mal ganham contornos bem definidos e de certeza, pois Ele veio e já venceu o último inimigo: a morte. Podemos enfim, armados dessa Esperança, atravessar o vale da sombra da morte correndo contra os cavalos do desanimo, do desespero e da mediocridade.

Para o meu amigo que luta com DEUS armado de seu sentimento de indignação e justiça, deixo outra declaração de um homem que descobriu que a verdadeira revolução não pode ser alcançada pelas armas.

"Reconheço que a natureza da existência de Cristo é misteriosa, mas esse mistério atende aos anseios do homem. Rejeite esse mistério e o mundo se tornará um enigma inexplicável; aceite-o, e a história de nossa raça encontrará explicação satisfatória" Napoleão Bonaparte

Pra finalizar, para quem se interessar pelo livro de Eugene Peterson, deve saber que ele foi relançado por aqui pela mundo Cristão com outro título, Ãnimo.

E para aqueles que desejam se aprofundar nas questões filosóficas e teológicas do cristianismo, bem como descobrir evidencias históricas e arqueologicas para apoiar sua fé, aí vão dois links indispensáveis: “Cristianismo Puro e Simples” do Sr. C.S. “Cronicas de Narnia” Lewis, uma exposição brilhante e profunda do que é na verdade o cristianismo, feita por um dos seus maiores e mais proeminentes apologistas em todos os tempos; e “Evidencia que Exige um Veredito”, volumes I e 2, de Josh McDowell, um verdadeiro compendio que compreende arqueologia, historiografia dos manuscritos, depoimentos históricos e muito mais que fazem dessa obra uma verdadeira arma contra os críticos da historicidade dos feitos e ditos do Homem da Galiléia.

Fim

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