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CORRENDO COM OS CAVALOS – VIGOR ESPIRITUAL EM MEIO ÀS MAZELAS DA VIDA


Parte 1 - LIVRANDO-SE DOS PRESSUPOSTOS

Certo dia, um “irmão” de fé, sem muita cerimônia ou rodeios, mas bem dentro do estilo pentecostal de tratar as coisas espirituais, disse-me: “DEUS está dizendo para você ler Jeremias 12 a partir do versículo 1”. Num primeiro momento, mesmo para alguém que já pertence ou está acostumado com o modo de se expressar das pessoas desse meio, a tendência natural da nossa mente é duvidar que O DEUS ETERNO TODO-PODEROSO CRIADOR DO UNIVERSO tenha falado algo a alguém que está do seu lado sobre você e se perguntar sobre o porque Dele nem ao menos se dar ao trabalho de comunica-lo pessoalmente. Tudo bem...Precisamos entender que se existe um DEUS, principalmente como o DEUS descrito na Bíblia, Ele é realmente esquisito para os padrões considerados comuns por todo ser humano “normal” e eu nunca vou compreender totalmente seu modo de agir. Não consigo compreender nem ao menos o por quê dEle ter criado todas as coisas, até mesmo a mosca da fruta, ou o por quê da Sua permissividade para com o mal desse mundo ou no fato D’Ele ter vindo ao mundo na forma de um galileu pobre que ensinou coisas como amar e orar pelos inimigos, dar a outra face, oferecer o perdão e ser desapegado das coisas materiais.Convenhamos que, se Ele é quem disse ser, achamos que Ele deveria agir logo como DEUS e fazer logo uma faxina nesse mundo tresloucado e varrer os Bushs, Osamas e Sarneys logo, não? Ou ainda sobre o por quê, a razão da minha própria existência, visto que ela não parece ter nenhum sentido notável.

Parar nessas questões, e a tentação disso é grande, é diminuir fatos inquestionáveis, embora insondáveis, ao nível somente daquilo que a minha mente limitada pode e deseja aceitar como real e digerível. Esse é um erro de redução e, apesar de primário, tende a travar todo o processo. Aprendi a não reduzir o Absoluto, e podemos faze-lo de várias formas.

Por exemplo, o indivíduo que tem dúvidas sobre DEUS, ao invés de procurar confirmar se não há pistas suficientes da Divindade ao redor de si, nas coisas criadas e na ordem do universo, apoia-se num argumento que parece ter alguma lógica, mas que é, na verdade, bem fraquinho, como: “Se me derem provas concretas, eu acreditarei”. Ora, não precisamos “crer” em algo que já foi cientificamente provado. Se DEUS pudesse ser autenticado cientificamente através de provas, o cético continuaria não “crendo”, no sentido de que foi eliminado o elemento subjetivo e fundamental de toda crença, ou seja, a Fé. Ele sairia convencido, mas isso não lhe traria o sentido de admiração, alegria e veneração ao DEUS que criou todas as coisas, um dos atributos exclusivos em todos os tempos daqueles que propagaram a revelação de DEUS através da Fé.

Também podemos percorrer o caminho inverso e atribuir tanta importância ao fato de que DEUS existe e espera que vivamos de um modo melhor tão somente por sabermos disso, que supradimensionamos as questões que envolvem Fé de modo que as pessoas passam a exibir um viver esquizofrênico, vivendo com os pés na terra mas pensando que tem penas espirituais que as farão voar para o alto bem acima de qualquer sinal de perigo, tribulação ou angústia. Vivemos no tempo dos super-heróis do espírito em que qualquer sinal de fraqueza ou fracasso é encarado como sintoma da pior doença que um “crente” pode ter: falta de fé. Está doente e não consegue ser curado? “Cadê sua fé, menino?” Está em pecado por fraqueza espiritual? “Você está cheio de capiroto!” Toda situação adversa, do chefe pagão à mulher rixosa se resolve com a infalível fórmula “Tá amarrado em nome de...” ou “O sangue de ....Tem poder”. Isso também é reducionismo e muitos não entendem que estão banalizando algo muito profundo bem aos olhos de todo populacho. Nessa curta jornada minha (cerca de seis anos e meio) pelo meio evangélico, vi o suficiente para atestar que existe um fundamentalismo tão grande, insuspeito e extenso nessa cultura, o qual é capaz de embotar os sentidos da maioria e empobrecer sua capacidade de lidar com as verdades mais cruas da vida.

A verdade é que DEUS nem sempre vai se manifestar em sua vida de um modo que muitos julgam claramente bíblico, ou seja, miraculoso ou espetaculoso. Talvez, eu não veja fogo cair do céu, nem morto se levantar, nem ouça uma voz de barítono me chamar três vezes, nem veja um único endemoniado autentico. Talvez DEUS queira me manter à parte disso tudo, na penumbra... talvez Ele esteja me poupando. Quem já sondou a vida de um “santo” ou mártir sabe do que estou falando. Precisamos assumir que DEUS não está preso a nada e não podemos usar Sua Palavra escrita para encapsulá-Lo em formas pré-programadas de ação. DEUS, apesar de toda tentativa humana, continua selvagem, indomável, incompreensível em seus desígnios para meu nível intelectual.


DEUS É QUÂNTICO - Seria válido prestarmos mais atenção à realidade natural. O DEUS que criou toda a ordem do Universo, também é responsável pelo comportamento caótico que a Física moderna tem descoberto no funcionamento das partículas mais básicas da construção dos elementos. A física quântica embaralhou todas as cartas novamente e o que parecia um mar calmo e monótono na superfície se revelou um oceano profundo, povoado por turbilhões, abismos e seres monstruosos como quarks, gluons, bóson de Higgis, neutrinos, etc. É possível afirmar que, se DEUS existe, Ele mesmo é quântico.

O fato é que o fervor fundamentalista pode se tornar uma armadilha, uma arapuca para o peregrino, e, invariavelmente, se torna isso mesmo, pois é perfeitamente moldado para isso. Ele está cheio de fórmulas mágicas e misticismo cristão (alguns chamam mesmo de paganismo), ritualísticas e linguajar estranho ao não-iniciado . Um gueto, quase como aderir às cores de uma gangue. Há pouco (ou nenhum ) espaço para dúvidas sadias frente a hierarquia eclesiástica, pouco entusiasmada com recalcitrantes (“Um perigo para o rebanho”) . O líder espiritual é virtualmente infalível em suas assertivas, pois é guiado, ungido. Só há espaço para responder em Fé.

“Está passando por lutas? Você precisa de mais consagração! Vai orar, jejuar e DEUS vai responder!” Depois do esforço descomunal, vem a fadiga, a angústia, a dúvida e, por fim , como golpe de misericórdia, a descrença. DEUS continua calado. Não há ninguém para se abrir verdadeiramente. Todos respondem com os clichês comuns no meio. Não há sinal de vida inteligente, de pensamento liberto de paradigmas. Você se torna um desgarrado quando menos se dá conta. Mesmo crendo, não crê o suficiente, pelo menos não em tudo aquilo que as pessoas ao redor dizem crer.

Um bom meio de não se frustrar é deixar de lado os pressupostos e não se apoiar tanto na experiência alheia. Estou aprendendo que sempre tenho um pressuposto sobre DEUS e o modo como Ele deveria agir ou se manifestar que não tinha percebido ainda. Geralmente, porém, acontece o contrário. Estamos sempre afoitos e ávidos por sucesso e buscamos nos realizar em todas as áreas. Pensamos que só seremos plenos se tudo, absolutamente tudo, sair como planejamos em nossas mentes. Transferimos essa responsabilidade pela gerência de nossos planos para DEUS quando nos voltamos a Ele. Nosso novo aliado vai garantir nossa vitória e nos coroar de êxito e glória. Essa é a retórica triunfalista do fundamentalismo, uma armadilha que parece óbvia demais, mas na qual a grande maioria acaba caindo.

Deixei o gueto fundamentalista quando olhei ao redor e me vi, de modo estranho, lutando sozinho com algumas questões que não pareciam perturbar mais ninguém. Todos pareciam tão cheios de certezas sobre a “vontade de DEUS”, sobre “o que DEUS está falando” enquanto eu ficava cada vez mais incerto se realmente tinha algum dia ouvido alguma coisa da parte Dele. Toda semana ouvíamos falar de uma revelação nova (“DEUS me falou ontem enquanto caminhava...DEUS me falou hoje no chuveiro...DEUS me falou à noite num sonho...”) e eu me sentia mal porque comecei a questionar se aquelas pessoas estavam sendo completamente honestas consigo mesmas. Achei que o problema estava em mim até que a dissociação cognitiva entre o que ouvia falar e o que vivíamos na prática se tornou evidente demais para rechaçar. Não importava mais a grandiloqüência e a eloqüência dos discursos, havia um fosso evidente entre a retórica e a prática que nem o culto mais bem elaborado com músicas, danças, luzes e todo o barulho pentecostal que se possa fazer poderiam esconder por muito tempo.

Se o “mover de DEUS” (para usar outra expressão muito usada no meio) estava realizando algo verdadeiro em nosso meio, porque eu não via crescer entre nós algumas daquelas qualidades que transbordam nos Evangelhos e nas cartas de Paulo e que nunca deixaram de ser o cartão de visita pelo qual se autentica uma verdadeira comunidade cristã, como humildade, unidade, amor fraterno, empatia, compaixão, amizade verdadeira? Falava-se tanto em PODER DIVINO de classe apostólica( a última e mais vibrante inovação do meio, pois os apóstolos em seus dias demonstravam ao mundo as mesmas virtudes de Cristo com grandes manifestações do Poder de DEUS e hoje evoca-se um ressurgimento dessa estirpe como prenúncio da Parousia, ou volta de Cristo) ) mas não se pode dizer que eu tenha visto uma única demonstração desse “poder” que não pudesse ser confundida com manifestação psicológica.

Lutei muito comigo mesmo e acabei decidindo parar e fazer as contas. Clamei mais de um ano por revelação, um sonhozinho, uma brisa do Espírito Santo para apontar a direção, mas nada, pelo menos aparentemente, veio em meu socorro. Somente uma convicção muito grande de que era hora de voltar a ser um peregrino simplesmente. A história de Abraão e sua chamada em Harã povoava minha mente.

Abraão, o chamado “pai da fé”, é reconhecido por judeus, muçulmanos e cristãos como patriarca e profeta. Descrito como um homem prudente, mas comum, que viveu uma vida comum, com as mazelas cotidianas comuns da vida, exceto por alguns poucos encontros e insights que teve a partir dos setenta e cinco anos, segundo a Bíblia, quando foi chamado para ser um peregrino numa terra estranha. O que quero dizer é que o relacionamento dele com seu DEUS não dava a ele garantia a cada passo do caminho. Os riscos do empreendimento e o nível de ansiedade na mente e no coração dele não foram removidos. Admiro Abraão por sua coragem e seu modo de vida. Ele adorava seu DEUS com seu estilo de vida simples e não usava de liturgia ou ritualística e a Bíblia registra as poucas vezes em que construiu altares e se sentiu inclinado a sacrificar em gratidão, não como parte de uma cerimônia, mas espontaneamente. Abraão não era religioso, somente um peregrino. Desejei isso para mim com todos os riscos envolvidos no projeto. Mais do que isso, parecia impelido nessa direção. Queria voltar a ser tão humano quanto Abraão, apesar da sua fé e seu DEUS.

Quantos estão hoje em situação semelhante? Quando as instituições gerenciadas pelo homem prendem ao invés de libertar e tomam do homem o sentido de que tudo que ele tem é sua fé e sua jornada e o tornam sedentário e arraigado a um solo infértil, esse lugar se torna Ur dos caldeus para ele. O único caminho, então, é ouvir o chamado para desertar e voltar para a única coisa real nessa vida: a imensidão selvagem da jornada tendo sua fé como bússola.

Tive que decidir por mim mesmo se valia a pena ou não continuar castrando minhas convicções e violentar minha consciência para continuar participando de algo que já não era nem o mínimo espontâneo para mim e, sob o olhar complacente do SENHOR, me retirei daquela congregação e me assentei nas sombras para me questionar e questionar DEUS sobre a validade dessa experiência. O que era válido e o que não era. O que foi real e durável e o que era madeira e palha que pra nada servem. Posso parecer rude e um herege, com certeza, para muita gente e um apóstata perdido para alguns, mas me arrisco a dizer que DEUS não está nem aí para 90% daquilo que é feito dentro das “igrejas” hoje em dia. DEUS não é um promotor de eventos e não está interessado em formas e fórmulas.

Fiquei grato ao sair do cristianismo institucional com a única convicção que eu poderia manter, isto é, eu estava vacinado contra as mazelas de me frustrar com homens, mas sem dúvida, senti o repuxo. Caminhar dessa forma é aprender a andar de novo. É mais fácil questionar os homens por suas atitudes, mas porque DEUS é assim, tão permissivo e tão pouco pro - ativo quando o assunto envolve a Fé em Seu Nome e o modo como os líderes agem a frente de algo tão importante (pelo menos assim ainda considero) como a IGREJA? “E agora? Pra que lado vou, SENHOR? De que valeram esses anos todos? Foi tudo ilusão? Nos abandonaste? Por que se cala nessa hora? Não prometeste teu Espírito para nos guiar? Me fizeste enxergar mais do que eu pretendia e agora não posso permanecer nem mesmo entre seu povo. Porque cada um faz o que quer como no tempo de Juízes? Como posso ser cobrado se não há um lugar sequer que esteja livre da manipulação do homem e da demoníaca hierarquia eclesiástica?”

Não pretendia que esse artigo fosse tão autobiográfico, mas ao sentar-me diante da tela e passar para o teclado tudo aquilo que minha memória poderia descrever sobre a passagem em questão e sua relação com o livro de Eugene Peterson, vi que não haveria como desvincula-la de minha jornada espiritual pessoal. Descrevi DEUS como sendo “quântico”, no sentido que O entendo como algo imprevisível, misterioso e insondável para minha mente limitada. Houveram alguns “momentos quânticos”, entre os quais incluo este episódio, durante os quais algumas “coincidencias” mostraram uma dose de “sincronicidade” algo além do grau casual e que vieram de encontro a questões muito profundas da minha alma naquele momento em específico, me dizendo a que altura eu estava no Caminho e trazendo foco, direção e, acima de tudo, VISÃO.

Manter a visão pode ser tudo que se tem e que se pode guardar quando DEUS te coloca em terra estranha como peregrino. Já ouvi várias canções sobre aquela famosa passagem de Habacuque 3,17. É algo que fica muito bonito de declamar, mas extremamente difícil de manter quando se vive tal situação. É preciso maturidade...eu diria mais: É preciso ter colhões e crer que os sinais deixados te levarão ao fim da jornada e não te deixarão em algum vale de ossos secos. É isso que a vida de gente como Jeremias ensina. É essa lição que O Espírito queria me ensinar. Não sei se a aprendi integralmente, ainda estou processando o ensinamento, ou treinamento, pois ele dura a vida toda. Toda visão traz um preço a pagar para que se concretize. Talvez eu não esteja pronto para assumi-la na íntegra, mas não sou eu quem avalio isso.

“O que você fará se tudo parecer dar errado? Vai se afogar em auto-indulgencia? Vai desistir de tudo e voltar para o Egito?”

NAS SELVAS DO COTIDIANO

JEREMIAS 12, 1 A 5:

1 Justo és, ó SENHOR, quando entro contigo num pleito; contudo, falarei contigo dos teus juízos. Por que prospera o caminho dos perversos, e vivem em paz todos os que procedem perfidamente?

2 Plantaste-os, e eles deitaram raízes; crescem, dão fruto; têm-te nos lábios, mas longe do coração.

3 Mas tu, ó SENHOR, me conheces, tu me vês e provas o que sente o meu coração para contigo. Arranca-os como as ovelhas para o matadouro e destina-os para o dia da matança.

4 Até quando estará de luto a terra, e se secará a erva de todo o campo? Por causa da maldade dos que habitam nela, perecem os animais e as aves; porquanto dizem: Ele não verá o nosso fim. A resposta de Deus

5 Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os que vão a cavalo? Se em terra de paz não te sentes seguro, que farás na floresta do Jordão?

Após receber o “oráculo” do meu amigo, no outro dia, fui fazer algo no centro da cidade e adentrei uma livraria evangélica sem saber direito se iria ou não comprar algo. A princípio, estava apenas olhando as novidades. Uma solícita vendedora veio em meu encalço sedenta para engordar sua comissão. “Posso ajudar, irmão?” “Não, obrigado, irmã. Estou só dando uma olhada nas novidades.” “Ah, sim...Tem algumas novidades muito boas como por exemplo esse livro que fala da vida de Jeremias...Olha só...é do Eugene Peterson...”

“Hã....Nunca ouvi falar desse Eugene Peterson, mas deixa eu dar uma olhada...” “Corra com os cavalos era o nome do livro, calcado na passagem a qual meu amigo se referiu a mim um dia antes, Jeremias 12, 1 a 5. Coincidencia o um “momento quântico”? Decidi abraçar essa pista dada e comprei o livro na hora. Tornou-se meu livro de cabeceira, não porque seja mirabolante ou contenha uma nova revelação, algo que eu nunca tinha ouvido, mas justamente pelo contrário. Ele é para mim como um marco permanente na estrada, uma luz difusa a frente do caminho quase sempre turvo pelas brumas. Sempre volto a ele quando as trevas se adensam para relembrar o lembrete do SENHOR de que a vida pode ser mais dura para quem decide viver pela fé do que para outros e que não adianta se refugiar em desculpas esfarrapadas como a de Jeremias: “Mas eu sou só uma criança...” Não...C.S. Lewis disse certa vez que devemos ser constantemente lembrados daquilo que já sabemos e não sermos introduzidos constantemente a novidades. É uma verdade vergonhosa pois somos obtusos e obstinados em seguir nossos instintos.

Peterson, um teólogo de peso e pastor de ofício, um dos mais respeitados do meio, é prudente, conciso, instigante e avesso às fórmulas dos escribas contemporâneos, pois não apresenta a fé como ferramenta de sucesso pessoal, mas como guia para os caminhantes.

A partir do livro de Peterson, estudei mais detidamente o livro de Jeremias na Bíblia e pude adentrar ainda mais na mensagem dada. Pude constatar, logo no início sobre o que se tratava: Ao descrever sobre como uma virtude como a “bondade” tem tão pouco atrativo sobre nossa geração (inconscientemente, preferimos os vilões, eles dão melhores personagens), Peterson declara que “ser bonzinho” não é o caso aqui: a palavra mais adequada para Jeremias é BRAVURA.

É engraçado como sempre pensei em JESUS nesses termos. Podemos olha-lo por vários ângulos e creio que sua bondade e candura foram já devidamente exaltadas, mas poucos se referiram a Ele como O BRAVO que É, um guerreiro talhado com as qualidades excepcionais para enfrentar e vencer um inimigo virtualmente invencível. As qualidades de super-herói de JESUS, com toda a aura de bondade e justiça dos verdadeiros heróis permeou minha mente durante toda minha vida. Eu sonhava em ser um homem assim: Bom, mas Forte; Justo, mas Humilde, um campeão, pronto a lutar e dar a vida por uma causa justa. Não por acaso, um dos epítetos de JESUS no Antigo Testamento é Varão de Guerra. Há um contraste flagrante entre sua figura humilde e bondosa que aceita a vergonha e a humilhação do suplício sem murmurar com a imagem de terror que infunde em toda uma legião de demônios (ver a passagem do endemoniado gadareno ), os quais o questionam se teria vindo ante do tempo para atormenta-los (???!!). Uau!! Poder suficiente para atormentar uma legião de demonios? Nas páginas do Evangelho, porém é que ele travou a mãe de todas as Batalhas, dando a outra face e sendo surrado, quando poderia tornar em pó seus inimigos e mesmo na maior derrota, aparentemente, sair vitorioso.

Também esta é a lição de Jeremias: podemos nos sair vitoriosos quando todos só veem a derrota em nós.

Jeremias trouxe esse exemplo para mais perto de mim, num grau mais humano, pois podemos nos enganar ao achar que a tarefa de Jesus foi facilitada por seus poderes divinos. Isso é um erro. Ela se tornou mais difícil justamente por isso, pois sendo verdadeiramente homem, embora DEUS, seria tentado a agir como um homem. Satanás, muito perpicaz, percebeu isso e tentou-O justamente nisso. Mas em Jeremias vemos como alguém destituído de qualquer Poder para realizar um único sinal miraculoso sequer e portando somente o Poder da Visão pode se comportar diante da opressão de vinte e três anos combatendo a dureza de corações empedernidos pela religião, orgulho e hipocrisia. Como? Embora não pudesse ser visto pelos olhos humanos, O PODER DE DEUS operava poderosamente em Jeremias e só por isso ele pôde resistir à desolação que veio sobre Israel em sua época:

JEREMIAS 1,18

18 Eis que hoje te ponho por cidade fortificada, por coluna de ferro e por muros de bronze, contra todo o país, contra os reis de Judá, contra os seus príncipes, contra os seus sacerdotes e contra o seu povo.

19 Pelejarão contra ti, mas não prevalecerão; porque eu sou contigo, diz o SENHOR, para te livrar.

Como nos lembra o autor, “Não há como viver pela fé, seja um profeta ou uma pessoa comum, sem ser sustentado por uma visão desse tipo”.

“A vida é difícil, Jeremias. Irá desistir diante da primeira onda de oposição?...Procurará refugiar-se em casa no instante em que descobrir que multidões de pessoas estão mais interessadas em manter seus pés aquecidos do que viver sob risco para glória de DEUS?...É muito mais fácil, como bem sabe, ser um neurótico. É muito mais simples viver como um parasita. É menos complexo relaxar e deixar-se levar pelos braços da maioria. Mais fácil, porém, não melhor, não mais significante, não mais recompensador...Se você se sente fatigado por essa multidão comum de patéticas mediocridades, o que fará quando a verdadeira corrida começar contra os velozes e determinados cavalos da Excelencia?...é mais fácil definir-se no mínimo (“um bípede sem penas”) e viver com segurança dentro dessa definição do que ser definido no máximo (“pouco menor que DEUS”),vivendo aventuras nesta realidade.É improvável, creio eu, que Jeremias tenha sido rápido ou espontâneo à pergunta de DEUS...A vida de Jeremias foi sua resposta: Eu correrei com os cavalos!”

trilha sonora desta postagem



continua...


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