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O problema com Rick Warren


Essa matéria foi originalmente publicada no site da revista Ultimato: http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=2378&secMestre=2411&sec=2440&num_edicao=318


É entre os evangélicos que o hábito da leitura mais cresce. O “povo do livro” tem a Bíblia como revelação, o que implica a importância do hábito da leitura como algo sancionado e implementado por Deus! Não apenas a leitura da Bíblia, mas a leitura em geral, que desenvolve a mente. Porém, o que temos lido? E como temos lido? Nem sempre lemos bem, assim como nem sempre oramos bem (Tg 4.3). Todavia, toda leitura é proveitosa quando passamos a ler criticamente; mesmo ler um livro ruim é bom, pois percebemos seus equívocos, dos quais às vezes nem o autor está consciente. Às vezes nos falta um arguto senso crítico que nos proteja de nos deixarmos levar pela retórica do autor que persuade com expressões tecnicamente calculadas para agradar, e o açúcar faz descer o veneno.

O sucesso de Rick Warren e de seu livro “Uma Igreja com Propósitos” é o sucesso do sucesso! É o sucesso de ter “no sucesso” um propósito de vida pessoal e ministerial. O sucesso que faz sucesso entre as pessoas hoje não é o da “obediência da fé” (Rm 1.5), nem o do “tomar a cruz” (Mt 16.24).

O sucesso que hoje se idolatra não é como o proposto no Salmo 1, em que o prazer está na “instrução do Senhor” e não em técnicas empresariais. O sucesso que faz sucesso hoje nas igrejas é o segundo os padrões mundanos de nosso tempo, em que as relações são mediadas pelo mercado. Esta ideia contemporânea de sucesso está implícita nas estratégias aplicadas ao crescimento de igrejas, das quais se pode inferir uma alta consideração por fama, prestígio, tamanho, enriquecimento e poder.

Igrejas e autores como Rick Warren escondem esse desejo mundano de sucesso por trás de uma linguagem aparentemente piedosa. Tenhamos a coragem de realizar uma autocrítica que nos permita verificar se esse caminho é o ideal, e até mesmo apropriado para nós. O que Warren propõe é a teologia da prosperidade, só que aplicada às instituições eclesiásticas, em vez de aplicada a indivíduos. É o crescimento numérico e financeiro do ministério que evidencia a bênção divina. Warren acaba por despertar, como um subproduto inconsciente, tudo aquilo que há de pior nos pastores: a vaidade, a cobiça, o amor ao prestígio, ao dinheiro e ao poder.

Uma igreja cristã não é uma instituição qualquer que visa o crescimento e a maximização dos lucros. Uma empresa secular deveria ter vocação social, mas busca sua perpetuação como finalidade. Isso também é verdade acerca de muitas igrejas que abandonaram os princípios éticos reformados do trabalho: sentido de vocação, austeridade em vez de ostentação e, acima de tudo, honestidade, em troca dos valores da sociedade de mercado e das estratégias de crescimento das empresas seculares.

Uma igreja não pode ter o crescimento como finalidade, pois existe para outro propósito: proclamar o evangelho da graça salvadora, por meio do testemunho de palavras e de obras de amor e, dessa forma, praticar a verdadeira e genuína adoração. As igrejas são passíveis de corrupção e degenerescência, como evidencia a história.

As igrejas se vendem ao “espírito-do-tempo” (“Zeitgeist”) e esse é o verdadeiro liberalismo teológico: o comprometimento de nossos princípios e valores em nome de uma acomodação. O “Zeitgeist” hoje é o de uma sociedade de consumo e de relações sociais mediadas pelo mercado. As igrejas passam a viver em função de seu próprio “sucesso”, ao estilo do mundo. Fazem planejamentos estratégicos, escolhem fatias do mercado, adotam “slogans” e passam a utilizar o discurso persuasório da publicidade que almeja a manipulação.

Os membros das igrejas, que Deus tanto ama, são instrumentalizados pelas igrejas para seus próprios fins, numa inversão perversa: o homem passa a existir para a igreja, e não a igreja para o homem -- perversão análoga àquela que Jesus combateu ao afirmar que o homem não foi feito para o sábado, mas o sábado para o homem (Mc 2.27). Deixar de priorizar pessoas sobre as coisas e as instituições é o colapso da vocação cristã.

O espírito do “warrenismo” pode ser identificado em uma das cartas em resposta ao meu artigo Quarenta livros que fizeram a cabeça dos evangélicos nos últimos quarenta anos (novembro/dezembro 2008). Alguém pergunta: “Quem é Ricardo Quadros Gouvêa? Qual o impacto do seu ministério sobre vidas e sua experiência ministerial? Faz apologia a Caio Fábio e comentário jocoso sobre Rick Warren. Infelizmente existe muita gente que não aceita que outros tenham um desenvolvimento ministerial maior que o seu!”

O missivista concorda com Warren que o sucesso de um ministério cristão depende do tamanho, que esse é o critério adequado para avaliarmos um ministro. Se eu fosse pastor de uma igreja de três mil membros, ele se veria obrigado a respeitar minhas opiniões, pois tal fato me credenciaria para afirmar o que quer que fosse. Contudo, sou pastor de uma igreja de cem membros, e não me preocupo com seu crescimento. Pretendo ser aferido pela fidelidade (1Co 4.1-5). Além disso, é contraditório sugerir que não aceito que outros tenham ministérios maiores que o meu e simultaneamente afirmar que faço “apologia” a Caio Fábio (o que também não é verdade), que tem um ministério muito maior que o meu. Eis o efeito pernicioso de Rick Warren: tecnicismo, pragmatismo e a avaliação do tão desejado “sucesso” por critérios mundanos.

Desconstruamos Warren pela sua noção de homogeneização. Em igrejas heterogêneas há gente de todo tipo e elas têm dificuldades de crescer. Há diferentes preferências pessoais porque essas pessoas têm formação educacional distinta, são de etnias variadas e pertencem a diferentes faixas etárias e classes sociais. O que Warren propõe, entre outras estratégias mercadológicas, é a execução proposital de um processo de homogeneização: a igreja que pretende crescer deve escolher uma fatia do mercado: escolher se será igreja de ricos ou de pobres, de cultos ou de incultos, voltada para uma etnia específica, e seus cultos devem agradar a um público específico. Os ricos não terão de passar pela humilhação de se sentarem com pobres, e não serão forçados a admitir que, em Cristo, somos todos iguais. Tampouco os cultos terão de partir o pão com os analfabetos, no sagrado nivelamento do evangelho. Poupemo-los desses constrangimentos! A homogeneização é um processo de especialização, de encontrar um “público-alvo” ao qual será possível satisfazer mais facilmente. Parece, a princípio, uma boa estratégia de evangelização. E funciona! Está, entretanto, de acordo com os princípios da ética cristã e com os propósitos de Deus? Não seria melhor sacrificar o sucesso no altar do Senhor?

Uma igreja é uma família da fé que reproduz em seu microcosmo a realidade social. Numa família encontramos pessoas de todo tipo: abastadas e necessitadas, cultas e incultas, jovens e idosas, pessoas de diferentes etnias, com preferências distintas. Assim é em uma igreja saudável, e isso nos ensina a sermos respeitosos e pacientes. Na igreja homogênea tudo é mais fácil, pois todos são parecidos. Martin Buber alerta: “Quando amamos somente aqueles que se parecem conosco, não amamos ao próximo, mas antes a nós mesmos refletidos no próximo”. A igreja homogênea pode crescer mais facilmente, mas tal crescimento é apenas inchaço, e não o crescimento orgânico de uma igreja heterogênea, fruto do crescimento espiritual de uma comunidade que tem de lidar com sua própria diversidade. Todos desejam participar de uma comunidade onde reina o amor! O crescimento se torna aí uma consequência natural.

Uma igreja precisa crescer? Por que as igrejas locais almejam o crescimento? Não se está questionando aqui o avanço do evangelho de Cristo, nem se devem surgir novas igrejas, mas sim o anseio de crescimento da igreja local e as megaigrejas, com milhares de pessoas que mal se conhecem e pastores que mal conhecem suas ovelhas.

Qualquer igreja com mais de mil membros corre sérios riscos de degenerescência, de perda das características que determinam sua existência como comunidade cristã. O ideal hipermoderno de igrejas grandes e poderosas deve dar lugar ao resgate do valor das eclesiolas em que a preocupação não é numérica ou financeira, mas humana e espiritual. A boa igreja não é aquela que nos proporciona um bom “show” dominical, impessoal e superficial, mas aquela onde encontramos a nutrição espiritual da comunhão fraternal com os que sabem nosso nome, onde todos são iguais, não por causa de uma estratégia secular de homogeneização, mas porque todos, apesar das diferenças, se amam e se respeitam, e formam um corpo místico, em que Cristo é a cabeça e nós somos diferentes órgãos (1Co 12).

Como estamos longe do “esvaziamento” de Cristo (Fl 2.1-8), do desapego ao sucesso, ao prestígio, à fama, ao poder, ao dinheiro! Como testemunharemos de Cristo por meio de nossas vidas, como ensinam as Escrituras Sagradas: “Alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo [...] se pelo nome de Cristo sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o glorioso Espírito de Deus” (1Pe 4.13-14)? Talvez somente após a morte seja possível ao homem compreender o que significa ser bem-sucedido na vida. Os apóstolos nos ensinam que é perseverar em meio ao sofrimento. É motivo de alegria sofrer como Jesus sofreu e por causa de nosso amor por ele.

Agostinho fala de duas cidades, a de Deus e a terrena, em tudo misturadas. Na primeira reina o “agape”, a caridade (“caritas”), na segunda, o “eros”, a concupiscência (“cupiditas”). Ser bem-sucedido na cidade de Deus não significa sê-lo na cidade terrena e vice-versa. Jesus, ainda que inteiramente bem-sucedido na perspectiva celeste, foi muito malsucedido pelos padrões da cidade terrena, pobre, malcompreendido, abandonado e executado como um criminoso. Seus seguidores foram martirizados, depois de uma vida de pobreza, prisões e privações.

Os maiores expoentes da espiritualidade cristã foram todos sofredores. No século 4 Antão vivia numa caverna, miserável, considerado louco, mas venerado por sua santidade. Francisco de Assis, humilhado pelos cardeais e papas, morreu aos 44 anos e é visto por muitos como o maior discípulo de Cristo que já viveu. Juliana de Norwich nunca teve posses, foi considerada herege e, depois, aclamada como sábia. David Brainerd, o missionário americano que abandonou tudo para pregar o evangelho aos nativos de seu país, morreu aos 29 anos e deixou um diário de meditações que até hoje nos comove. José Manoel da Conceição, o padre protestante, que não viajava a cavalo, mas a pé e às vezes descalço, morreu como um indigente aos 51 anos, incompreendido pelos missionários. Como teriam eles se saído numa avaliação de sucesso a partir dos critérios dos warrenistas? Homens de Deus, mas totais fracassos na cidade terrena onde o que conta é a fama, o lucro, as posses, o poder, a saúde, a longevidade e a aparência física.

Hoje encontramos nas igrejas a pregação do sucesso, da reivindicação. Deus tem de nos abençoar com riquezas. Exigimos e nos apossamos do que é nosso por direito: o sucesso segundo os padrões do mundo. Agora isso vale também para as igrejas que querem ser como empresas bem-sucedidas: a busca do sucesso mundano sancionado por uma falsa fachada de sacralidade. Mefistófeles promete de novo a Fausto a felicidade em troca de sua alma. Vender-se ao espírito mercadológico do nosso tempo, em que impera o maquiavelismo, é vender a alma, abandonando princípios e valores que, para um cristão, são inegociáveis.


Ricardo Quadros Gouvêa é ministro presbiteriano e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e do Seminário Teológico Servo de Cristo.


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MISSÃO PORTAS ABERTAS - PONTES SOBRE ABISMOS











- IRMÃO ANDRÉ E O MINISTÉRIO DE UM APÓSTOLO DE NOSSOS DIAS -

Numa época em que há uma profusão de “apóstolos” com discursos grandiloquentes, bradando de suas cadeiras eclesiasticas coisas interessantes sobre a restauração da Igreja, seria útil lembrarmos de Apocalipse 2 e sobre como a Igreja de Éfeso provou a falsidade de certas pessoas que afirmavam ser apóstolos e não eram. Como tal poderia se feito? De modo bastante simples, segundo Jesus. Basta ver os frutos para que se saiba qual é a espécie da árvore.

Dessa forma, seria possível que haja pessoas ostentando um “título” de apóstolo sem exibir os frutos que o qualificam como tal? E o contrário disso (pessoas que não ostentam o título mas que exibem os frutos do apostolado), também existiria?

Primeiramente, o dom apostólico (porque se trata de um dom, não de um título de ordem hierarquica) não era estático. Seu ministério possuia um caráter itinerante, circulando pelas comunidades para ministrar aos santos e manter as redes conectadas umas às outras. Geralmente era um obreiro maduro e provado no Evangelho, independente da idade(como parece ser o caso de Timóteo e Tito), com autoridade para disciplinar e corrigir erros doutrinários e, havendo oportunidade, plantar sementes de novas comunidades. A função administrativa estática e local era exercida exclusivamente pelos presbíteros e seus assistentes, os diáconos.

Fazemos uma confusão babilônica com os termos e simplesmente vertemos “pastor principal” para “apóstolo” e as funções continuam as mesmas. Achamos que , como o título “apostolo” aparece em primeiro lugar nas listas de Efésios 4.11 e I Coríntios 12.28, fazemos grande coisa em chamar pelo título de apóstolos pessoas que servem suas comunidades locais e administram uma grande congregação. Estamos acostumados com a velha escadinha piramidal de importância dentro do modelo adotado pela maioria.

Quando eu olho para o ministério exercido pelo holandês Irmão André vejo todas as prerrogativas requeridas para o apostolado. Aí estão seus frutos na forma de um trabalho incansável de décadas para fazer conhecida no Ocidente a dura realidade daqueles que não podem desfrutar de liberdade religiosa em seus países, mas nem por isso deixam de perseverar no Nome de JESUS. Vejo as dores de parto e a fadiga inerentes ao trabalho de um verdadeiro obreiro apostólico que deixa sua zona de conforto e vai ao campo expor seu rosto em lugares tenebrosos para confirmar, exortar, suportar, criar pontes onde não há caminhos e levantar líderes, encorajando-os a seguir em frente sem abandonar a luta em face das dificuldades. Com efeito, um dos lemas do ministério criado a partir do trabalho de André, a Missão Portas Abertas, é Fortalecer as igrejas de Cristo que sofrem com a perseguição imposta por regimes autoritários para que sejam Luz em meio às trevas.

Tal chamado teve início em 1955 quando o Irmão André, então um jovem e entusiasmado evangelista, sentiu que deveria trabalhar para amenizar as dificuldades dos irmãos que habitavam por trás da então famigerada Cortina de Ferro, que dividia a Europa entre países capitalistas e comunistas, fornecendo material didático e Bíblias, artigo raro dentro dos regimes comunistas ateus. Já é lendário seu testemunho, descrito no livro “O Contrabandista de DEUS”, que descreve como orou para que DEUS cegasse os olhos dos policiais poloneses da fronteira para que não vissem a carga “explosiva” de sua van, biblias e material evangelístico para ser distribuído nas comunidades.

Irmão André escreveu outros livros, mas vamos nos concentrar nesses dois lançamentos em particular: Força da Luz , de 2004, e Cristãos Secretos, de 2007, ambos da editora Vida, escritos em parceria com o americano Al Jansen, que lançam luzes sobre o que ocorre em comunidades cristãs obscuras no Ocidente, como a dos palestinos cristãos, que somam cerca de 3% deles, pegos no fogo cruzado entre insurgentes da Intifada e judeus, e sobre comunidades cristãs que tentam se manter em países onde domina a temida lei islâmica, a Sharia.

Em Força da Luz, vemos André se mover com desenvoltura em meio a fundamentalistas islãmicos como o xeque Yassim, fundador do Hamas, e Yasser Arafat, então líder do Fatah, sempre levando consigo a imagem de um legítimo embaixador do Reino de YEHSHUA, o Príncipe da Paz, esforço pelo qual é reconhecido entre os muçulmanos. Tal esforço o levou ao sul do Líbano, no campo de refugiados de Marj al-Zahour, onde Israel exilou por um ano os mentores intelectuais do então embrionário Hamas, na época um movimento mais cerebral que politico. Tal atitude de Israel resultou numa guinada na direção do movimento que descambou para a violência logo depois. Obtemos informações importantes sobre os processos que levaram ao recrudescimento das ações tanto de palestinos como israelenses e passamos a conhecer os esforços e dificuldades dessa pequena parcela de cristãos palestinos, que são como estranhos no ninho, pois não querem apoiar a luta armada sem limites dos fundamentalistas e, por isso, sofrem preconceito e violencia de seus próprios compatriotas, mas, por outro lado, também sofrem com a truculência israelense que não poupa quem se identifica como palestino.

Ficamos íntimos dos problemas e dilemas de pessoas (O REINO SÃO AS PESSOAS!!!!) como Hanna Massad, que ao estudar no prestigiado Seminário Teológico Fuller, na Califórnia, questiona o posicionamento dos cristãos ocidentais que sempre relacionam o sucesso militar do estado de Israel com a volta do SENHOR sem questionar suas práticas e sua política, e também podemos conhecer Salim Munayer e o fantástico ministério chamado Musalaha (perdão e reconciliação em árabe), surgido da necessidade de construir pontes para a reconciliação e interação entre cristãos árabes e israelenses, a fim de criar uma cultura de Reino de DEUS em meio a tanta ira e escalada beligerante. Tanto um lado quanto outro se viam com animosidades latentes, pois se achavam influenciados por ideais e bairrismos naturais às suas culturas, sem se dar conta que Cristo destruiu o muro da inimizade entre os povos, para fazer um único povo e uma única forma de viver, que é, na verdade, uma contracultura, expressa na forma de harmonia.












encontro do Musalaha

O Musalaha organiza de tempos em tempos encontros entre os cristãos de ambos os lados, tirando-os de seus meios culturais e levando-os para um ambiente aberto, geralmente o deserto do Negueb, onde durante vários dias os indivíduos interagem, intercedem juntos e leem a Bíblia como um povo que se chama pelo Nome.

É emocionante ver como JESUS pode fazer nascer laços de fraternidade perenes como é o caso de Yitzhak, um judeu messiãnico, e Wa’el, um cristão palestino, que, a despeito das diferenças aparentes, construiram laços de amizade e fraternidade. Não posso mensurar a importancia desses esforços no desenrolar dos eventos escatológicos que darão lugar na Terra Santa nos últimos dias. De alguma forma, sinto que DEUS vai usar tremendamente essa visão para mostrar ao mundo que Cristo é a ponte que pode unir todos os povos e desfazer as inimizades pois Ele é o único Príncipe da Paz, pois eles se propuseram a ser sal e luz em meio às trevas e proclamar que já não fazem parte desse ou daquele lado, mas que pertencem a um Rei de um Reino que irá se manifestar fisicamente, mas que já está entre nós. Profeticamente, não podemos ficar alheios a esses esforços, mas orar pela paz de Jerusalém (O Reino de DEUS ali presente)e seus filhos, os pacificadores entre lobos vorazes.

Em “Cristãos Secretos”, conhecemos gente do porte de Ahmed, um nome fictício para proteger a identidade de um jovem muçulmano que, perturbado após ler o Injil (Evangelho para os muçulmanos), levanta sua voz numa mesquita para perguntar ao imãporque não honramos mais ao Profeta Isa? Quando olho para Ele eu vejo perfeição. Quando olho para ele, eu vejo DEUS”, apenas para ser espancado quase até a morte e exilado do convívio da família.

Conhecemos Mustafá,um homem preparado para ser uma ponta de lança do movimento islâmico, influenciando e cooptando jovens para a causa da jihad, mas que não esperava que algo incrível lhe acontecesse. Ao estudar os escritos cristãos, considerados espúrios pelo Islã, para que melhor pudesse rebate-los em seus discursos inflamados, seus olhos se abriram e o contrário do que esperava veio à tona. Na encruzilhada entre dois pensamentos antagônicos sobre DEUS e sua natureza ele perguntou com dor na alma “Alá, DEUS, qual livro é verdadeiro? Mostre-me qual está certo”. DEUS costuma responder esse tipo de oração sincera. Mustafá recebeu a Verdade e se tornou uma “testemunha” do Poder do Evangelho. Essa palavra no grego é “martus”, de mártir, ou seja, com poder até mesmo para morrer pelo que se acredita.

Sabe, ao ler esses escritos sou invadido pela consciencia do porquê do livro de Atos não ter sido encerrado com o típico Amém dos demais livros e cartas apostólicas. É porque ele não foi realmente encerrado. Ele continua sendo escrito nas vidas de pessoas como Ahmed e Salim Munayer, pois o Espirito Santo nunca cessou de atuar nos lugares onde a Luz tem que brilhar mais forte. Nós, do Ocidente, estamos amortecidos e sonolentos em quanto o Espirito não repousa um segundo, trazendo convencimento da verdade em corações que jamais sonharam em se tornar cristãos, quanto mais pela pregação de evangelistas oportunistas que só querem receber os louros da fama. Ficamos sabendo de pessoas que dormem muçulmanos, mas acordam no outro dia convictas de que JESUS é o único caminho que pode salva-las de uma religião punitiva de lei e castigo e dar paz no espírito, não condenação.

E a igreja do ocidente? Com o que temos nos preocupado nos últimos anos, ou séculos? Temos nos ocupado de tantos ventos de doutrina que tem nos dividido em muitas facções e também com o secularismo que varre o pensamento pós-moderno que não sobra muito tempo para se ocupar de Esmirna, a igreja que sofre perseguição pelo testemunho de JESUS.

Eu o desafio a tomar contato com essa realidade e permanecer neutro quanto a isso. Falamos e falamos que pertencemos ao Corpo de Cristo e muitos sermões foram pregados sobre I Cor. 12, 26 mas os dados nos informam que apenas cerca de 0,03% da igreja brasileira sabe que irmãos pertencentes ao mesmo Corpo sofrem perseguição pela fé em determinadas partes do mundo. Pais de família, quando não são sumariamente executados, são aprisionados por tempo indeterminado em prisões sem condições humanas nenhuma, privando suas famílias do sustento, meninas cristãs são raptadas de seus lares e obrigadas a casar com muçulmanos só para serem depois abandonadas e arruinadas numa sociedade arcaica e preconceituosa. Essa realidade está lá fora. Enquanto nossas prioridades são tornar nossos ministérios os mais visíveis possíveis ao mundo, pessoas como Ahmed tem que se manter escondidos por ter a cabeça a prêmio pelos radicais.

Eu o desafio a conhecer o ministério Portas Abertas e continuar priorizando vaidades que nada valem para levar a Igreja a ser o que ela foi projetada para ser: arma de ataque contra o inferno, pois JESUS disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela, ou seja, quem deve estar na posição de ataque somos nós, sempre, fomos criados para isso. Como membros do corpo, deveríamos pensar primeiramente em fortalecer a frente de batalha que se encontra em dificuldades e depois nos unir em outra frente. Isso é pensamento estratégico de guerra em alto nível, pois é disso que se trata, da mais alta batalha espiritual que se possa conceber. Faltam estrategistas em nosso meio e pessoas que se deixam consumir pela causa, como um Paulo, por exemplo. Che Guevara, consumido pelas chamas da paixão cega por uma causa perdida, abriu mão de tudo o que possuía e tomou seu lugar como guerreiro onde quer que fosse chamado a ajudar seus “camaradas”. Por uma causa humana perdida e falida. E nós? Porque não vemos tamanha abnegação em nosso meio? É confiança mesmo na vitória de Cristo ou só covardia mesmo?

Irmão André disse num encontro em Belém com cerca de 400 fundamentalistas islâmicos que eles nunca entenderiam o cristianismo enquanto os cristãos não vivessem a cruz de Cristo. Nada pode ser mais verdade. Os muçulmanos, quando olham para o Ocidente, veem sua marcha para a secularização e para a sensualidade, veem nossos filmes, músicas e danças, impregnados de desvios morais e associam isso tudo ao que se acostumou chamar CRISTANDADE, ou seja, ao conjunto de povos que dizem ter suas culturas e leis derivadas do cristianismo.

“Precisamos entender que o desafio apresentado pelo islamismo é muito diferente do desafio apresentado pelo comunismo durante o século vinte. O comunismo chegou ao absurdo de negar a existência de DEUS e o resultado foi um horroroso sistema de governo que entrou em colapso apenas setenta anos depois. O islamismo está no mundo há mil e quatrocentos anos e traz um desafio muito maior aos cristãos. Ele nos apresenta a pergunta “Quem é DEUS?”. A forma como respondemos a essa indagação tem uma profunda relação com a forma como vivemos nossa vida”, diz André na parte final de “Cristãos Secretos”.

Isso é verdade, pois ele pode constatar in loco nos campos de refugiados do Hamas o quanto esses homens buscam a DEUS de modo devoto e sincero, são verdadeiros amantes de DEUS, que consideram o Ocidente e seus valores como representantes diretos de uma cultura que promove o afastamento do homem de DEUS e seus valores morais e éticos. Logicamente, com uma cultura com fortes raízes tribais ainda hoje, como em todo Oriente, valores como honra e coragem são muito valorizados, o que resulta em intolerancia e violencia contra tudo que se apresenta como antagonico ao seu sistema. O fundamentalismo islamico moderno foi influenciado pelas idéias de um egípcio chamado Sayyid Qtub, publicadas no livro “Milestones”, que ele escreveu na prisão antes de ser executado em 66 por conspirar contra o governo do Egito. Em 1949, ele esteve nos EUA para estudar na Universidade de Greeley no Colorado, onde consolidou sua visão pessimista do Ocidente e, em particular dos EUA, principal agente corruptor de Satã no mundo. Sayyid era profundamente místico em seu islamismo, o que o levou a tornar-se celibatário. Logicamente, para sua mente fanática e auto-reprimida, tudo que ele via no Ocidente cheirava a sensualidade e imoralidade. Ao voltar para sua terra, estava convicto de que o mundo ruiria em pouco tempo se os muçulmanos não se lançassem numa guerra-santa. Triste ver como uma mente doentia, cheia de rejeição e auto-indolencia pode influenciar a tantos outros. É triste também constatar que nosso modo de vida e religião influenciou negativamente e não trouxe nada positivo para Sayyid, pois talvez ele não tenha encontrado ninguém que mostrasse a Ele realmente O DEUS QUE HABITA NOS HOMENS. Isto é impressionante e alarmante.

Com relação a isso, também pudemos constatar muita falta de sabedoria aos “cristãos” que historicamente convivem com os muçulmanos em países um pouco mais abertos, como o Egito e Líbano, onde, por enquanto, não foi estabelecida a Sharia. Esses “cristãos” fazem parte de famílias que pertencem a igrejas históricas cristãs como a Católica e a Ortodoxa há séculos e lhes é permitida a liberdade de culto com restrições como não converter muçulmanos e não fazer atos públicos, nem fazer novas igrejas, além de toda sorte de discriminação social. Porém, o modo de vida dessas pessoas não ajuda aos muçulmanos a entender a Cruz de Cristo, pois os “cristãos” são os únicos nesse lugares a negociar alcool e carne de porco, além de suas mulheres se trajarem com roupas ocidentais, estimulando os ãnimos de radicais. Quando um muçulmano se converte, frequentemente ele não tem um orientação adequada e acaba aderindo a costumes tipicamente ocidentais. A orientação de Paulo é para que não escandalizemos a ninguém que tenha a consiencia fraca, por motivos de comida, bebida ou roupa, mas que vivamos de modo irrepreensível e santo de modo que não possam blasfemar do Evangelho. Em “Cristãos Secretos” vemos o que acontece a uma comunidade cristã despreparada para receber um novo convertido do islamismo e como um único verdadeiro cristão pode inflamar o fogo do Primeiro Amor num altar em que só restavam cinzas.

André também disse que transformamos o cristianismo em uma religião, mas na verdade “cristianismo é seguir a Cristo”. O que pode ser mais simples e mais distante daquilo que vivemos hoje? Os muçulmanos radicais são aqueles que bradam que se deve combater os infiéis onde eles estiverem pela causa de jihad. Eles já provaram o quão longe podem ir e desprezam suas vidas porque “Alá é maior!”.

Em II Timóteo 4,7 Paulo declara que “Combateu o bom combate”, numa tradução árabe, “o bom jihad”. O bom combate não é fazer prevalecer a cultura do ocidente decadente e corrupto, o bom combate não é as tropas americanas esmagarem a Al-Qaeda nem destituir o presidente iraniano. O bom combate é ajudar os muçulmanos a responderem essa questão “Quem é DEUS?” e como nossos irmãos o farão se não os ajudarmos a serem aquilo que DEUS os chamou a ser: TESTEMUNHAS EFICAZES DO PODER DO EVANGELHO?

Alguns muçulmanos estão dispostos a se explodir e explodir a outros para mostrar a superioridade do Islã. Quantos cristãos estão dispostos a enfrentar a face da morte, levando a sério o negar-se a si mesmo, para provar a eles que já morremos e nossa verdadeira vida está escondida em Cristo, não mantendo suas vidas em segurança?

Eu amo a Missão Portas Abertas e a Igreja Perseguida!Você já a conhece? Eu o desafio a conhece-la e permanecer inerte!


links: http://www.musalaha.org/

http://www.portasabertas.org.br/tema_ano.asp

http://www.secretbelievers.org/home.aspx


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