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DEUS - UMA IDÉIA?

DEUS... UMA IDÉIA? – DO HUMANISMO EMPEDERNIDO À  CRUZADA DESESPERADA DE RICHARD DAWKINS E DO ATEISMO MILITANTE/ DA OFENSIVA DOS EVANGELHOS 

GNOSTICOS AO DESCOBRIMENTO DO QUE É VERDADEIRO: O CAMPO DE BATALHA DAS COSMOVISÕES


 O ENTRAVE DO TRONCO ABRÂMICO

 Para alguns hoje em dia, DEUS é apenas uma idéia. Uma idéia surgida no desenvolvimento de uma humanidade ainda ignorante e supersticiosa.

 A ciência e o agnosticismo forneceriam respostas melhores e menos contraditórias à natureza humana e ao mundo hostil em que vivemos do que a idéia de um Deus criador eternamente bom e transcendente, especialmente com relação ao Deus judaico-cristão, com sua personalidade ambígua, para não dizer esquizofrênica, ora interferindo aqui e acolá, ora distante do desenrolar dos dramas humanos, ora ordenando guerras, ora mandando amar o inimigo. Uma divindade de cunho mais imanente, como apregoam certas doutrinas niilistas orientais, seria mais desejável e digerível ao gosto do agnóstico médio.

 De fato, as filosofias orientais não obstam que o homem não busque a DEUS como um ser pessoal, pois na verdade, religiões como o hinduismo, ou o legitimo budismo de Sidharta, não pregam deuses personalizados, mas estados de consciência que eliminam a pessoalidade e falam de uma busca de um principio divino no homem, de possibilidades escondidas pela natureza humana que deveriam ser libertadas a medida que o homem se aprofunda no sagrado.

 

É fato também que os mestres hindus incumbidos de espalhar seus ensinos no Ocidente tem feito de tudo para desvincular suas praticas das referencias da religião querendo alça-las à condição de ciência da mente, terreno ainda nebuloso para os cientistas que se deslumbram estudando o funcionamento do cérebro dos praticantes de yoga e meditação transcendental, praticas bastante disseminadas hoje até mesmo em academias de ginástica, de modo diluído.

 A idéia monoteísta como foi adotada no Ocidente e Oriente Médio pelos dois maiores ramos religiosos oriundos do mesmo tronco abrâmico poderia, portanto, na visão de muitos, ser descartada hoje em dia, visto que se torna cada vez mais um entrave no processo de unificação das culturas globais numa única sociedade baseada no livre comercio, no livre pensamento e no livre desenvolvimento da ciência e cultura e suas manifestações comportamentais.

 Sejamos sinceros em admitir que a única coisa que atravanca essa visão de mundo totalmente naturalista são as culturas monoteístas e seu fundamentalismo religioso histórico reivindicando para esse ou aquele o direito de “povo escolhido por Deus”.

 Não há mais barreiras ideológico-politicas que possam obstruir a concretização de uma sociedade baseada no consumo desenfreado por entretenimento e tecnologia desde que o gigante chinês se rendeu a um modelo de capitalismo ainda mais selvagem do que o ocidental. Ninguém, a não ser os fundamentalistas islâmicos, deseja controle e o poder político, mas todos desejam o poder econômico. Nada de expansões imperialistas para atrapalhar os negócios. Dinheiro e tecnologia são os motores da sociedade pós-moderna. Não grandes visões e modelos políticos em questão realmente. A vitória do modelo capitalista é evidente.

 O ideal de “Uma Aldeia Global” sem distinções de raças, castas, religiões ou valores absolutos de moral e ética e unido pelo comercio e pela busca de satisfação pessoal já foi tentado, ainda que em outros moldes, em diversos rompantes de megalomaníacos impérios como o de Alexandre ou Napoleão, sintetizado em doutrinas políticas variadas, apregoado por pensadores (dos estóicos, passando pelos iluministas até Nietszche), cantado por idealistas hippies sonhadores, etc...Não se sabe se é realizável, mas já se fala de um “gene egoísta” religioso que tem impedido a realização dessa utopia. Quem sabe, com o avanço continuo dos nossos bravos geneticistas poderão descobrir onde se aloja essa ‘doença’ e erradica-la da humanidade. Tal é o sonho dos atuais seguidores da idéia do ‘homem pelo homem e para o homem’.

 As religiões espiritualistas de hoje calcadas no hinduismo e budismo não impõem barreiras a esse tipo de cosmovisão, ao contrario, tendem a fomentar a concepção desta Nova Era da “paz e do amor universais”.

 O único entrave é o tronco monoteísta abrâmico.


 Sem duvida, o discurso de gente como Dawkins e Dennet não teria o mesmo apelo num mundo onde não houvesse a militância moral cristã, a intransigência israelense e o fundamentalismo islâmico, as três vertentes que advogam uma única origem: Abraão, o pai da fé, do qual vieram tanto os judeus e, portanto, JESUS Cristo, quanto o povo que viria a se tornar conhecido como muçulmanos. A mesma origem, o mesmo DEUS e posições totalmente opostas que frequentemente tem levado o mundo a uma posição beligerante nos últimos tempos, a ultima barreira intelectual para um mundo que quer se ver livre de arcaísmos medievais, como burcas e bulas papais, por exemplo. Dá pra entender a causa da indignação dessa gente. A religião tem sido um belo refugio para as mais perversas intenções do coração humano no decorrer dos séculos, mas idéia de que seriamos melhores sem nenhum pensamento religioso é estapafúrdia e a Historia prova isso.

 DAS CERTEZAS DE HUMME À CRISE DE MARCELO GLEISER

 O avanço do ser humano é inegável em muitos campos, principalmente o cientifico. Desafortunadamente para esses, tais avanços não foram suficientes para que o homem se tornasse mais humano, e justamente os regimes que prometiam elevar o homem a um novo patamar, relegando tais idéias primitivas e egoístas com suas praticas ignorantes ao seu devido lugar na Historia, tornaram-se os regimes mais intolerantes e genocidas de que se tem noticia até hoje, vide a fase do terror da Revolução Francesa, cujo lema propunha a abolição de qualquer forma de culto ao divino e a instituição do culto à razão, do nazi-fascismo, que empunhou a bandeira da eugenia (melhoramento das raças), uma pseudociência muito respeitada em boa parte do século XIX, e do comunismo, que manifestou as idéias do socialismo cientifico de Marx , e produziu monstros como Stalin, Mao Tse Tung e Pol Pot, responsáveis sozinhos pelo genocídio de mais de 100 milhões de pessoas num curtíssimo período da Historia.

 O ateísmo militante tem ganhado espaço na mídia ocidental propalando em alta voz ,entre outras idéias, que, até hoje, ninguém conseguiu provar a existência de DEUS. Essa afirmação se assenta, é claro, na negação da coleção do pensamento empírico e metafísico do homem no decorrer de toda sua Historia como “prova’ da existência do espiritual e do divino”. Mesmo a palavra ‘empirico’ no dicionário traz a conotação de charlatanismo, por ser de difícil comprovação, o que não significa falso ou inverídico.

  Desde que o filosofo David Humme realizou a síntese do pensamento iluminista e racionalista como seu ensaio Of Miracles, em 1748, declarando que milagres não poderiam acontecer porque violam as leis estabelecidas na natureza, as quais, depois de observadas, provam serem uniformes e invariáveis, parecem querer diminuir o tamanho do pensamento do homem acerca de si mesmo e estabelecer fronteiras rígidas que só a ciência e sua régua poderiam provar.

 Seria licito e sincero da parte dos militantes ateístas que se dissesse que o pensamento oposto também é verdade: A ciência também não conseguiu provar que DEUS não existe . No mínimo, essa alegação que exige provas para a existência  de DEUS por parte dos crentes é um tiro no pé dos ateístas, pois, partindo dos mesmos princípios, as provas exibidas por eles para a não existência de DEUS, são pífias.

 Todas as “provas” exibidas por eles como evidencias de que não encontraram nada de sobrenatural na sua observação da natureza, mas sim princípios bem ordenados que se repetem e podem ser medidos e analisados matematicamente, criando a sensação de ordem, em momento algum chegam a questão mais ampla: a CAUSA delas. Tudo que puderam descobrir se refere aos efeitos, que podem ser observados e medidos, não a CAUSA que os gerou. Em ultima instancia, provam, na verdade, aquilo que advogamos: DEUS é sobrenatural, isto é, está além da natureza e das leis que Ele próprio criou e sobre as quais tem poder.

 

Paradoxalmente, não há área na ciência que não esteja vivendo uma “crise” por causa do avanço da própria ciência e das descobertas advindas disso. Em seu site, Mico-Macro, Marcelo Gleiser argumenta que “Talvez não seja exagero dizer que estamos passando por um momento de crise na física e na astronomia, onde não dispomos de dados para discernir dentre teorias que visam explicar o mesmo fenômeno”. Gleiser ainda diz que “A falta de dados concludentes faz com que os cientistas, acostumados em poder explicar tudo, especulem demais e façam a ciencia, ou a fisica, sua área, se tornar metafísica”.

 Por exemplo, sobre a teoria do Big-Bang, diz-se que antes dele havia uma chamada ‘singularidade inicial’, um caldo de energia dormente, originado não se sabe de onde, pois antes dele havia somente o NADA. Isto mesmo: NADA. Você consegue imaginar o que é NADA? Eu não. E nem mesmo os cientistas, pois por NADA eles querem se referir a algo diverso de tudo que hoje existe.Mas Marcelo Gleiser, surpreendentemente sem palavras para tentar explicar isso, desconversa dizendo que “Essa questão é tão sem sentido quanto perguntar o que há ao norte do Pólo Norte” (Revista Época 13/12/2006). Acho que nosso cientista mais ilustre de uma bela “saída pela direita”, bem ao gosto do Leão da Montanha dos desenhos da minha infância e da infância dele também.

 Trocando em miúdos, o Universo como o conhecemos só passou a existir num dado momento em que, sem causa concludente, expandiu-se a partir de um ponto (que ponto seria esse e localizado onde, visto que um ponto desse tipo tem que existir em algum lugar, mas se não havia ainda um lugar...)dando origem a matéria e ao tempo-cronos, onde tudo foi gerado. Nosssas mentes, portanto, só estão preparadas para discernir as coisas que acontecem dentro de nossa escala de existência, ou seja, dentro do tempo. Não estamos prontos para entender qualquer coisa que escapa a essa noção. DEUS e a Eternidade fazem parte dessa escala.

 Os cientistas ralham muito com os religiosos de plantão quando estes falam sobre Eternidade dizendo que esse é um conceito inexplicável e que o ser humano não deveria falar nesses termos, mas eles também dão de ombros quando interpelados sobre a questão do NADA, porque não há como explicar um Nada, visto que a própria ciência postula hoje que o próprio vácuo está cheio de uma matéria até agora pouco conhecida e que o preenche totalmente: a matéria negra. Hoje a matéria negra e sua companheira, a energia escura, povoam boa parte dos pesadelos dos astrofísicos.

 Admite-se que essa matéria seja de natureza e fontes desconhecidas, mas pode ser medida através das observações dos movimentos das galáxias, e corresponde a 70% ou mais da massa de tudo que existe e possui natureza totalmente diversa  da matéria que forma quase tudo a nossa volta.

Como disse o astrofísico John Bahcal, do Instituto de Estudo Avançado em Princeton: “Nós temos de aprender a entender esse Universo pouco atrativo, meio louco e implausível, pois não temos alternativa. Da matéria que existe, 85% são de um tipo que não conhecemos, e a maior parte da energia do Universo é de uma forma ainda mais bizarra. Medimos quantidades importantes, respondemos certas perguntas, e outras ainda mais desafiadoras surgiram em seu lugar. E tudo isso, ao olharmos para a primeira luz”, ou seja, os cientistas não sabem ainda qual é a constituição original do Universo. Sabem que algo existe no vácuo, o qual representa quase todo o Universo, porém é muito mais pesado que todo o resto do cosmo.

Segundo Rogério Rosenfeld, professor da Unicamp e PhD em Física pela Universidade de Chicago, o Universo tem apenas 5% de átomos, 30% de uma partícula elementar ainda desconhecida e 65% de um meio difuso (que não se concentra em galáxias) cuja origem não se conhece.

Um estudo recente (de 2003) feito com base na análise de dados do satélite-telescópio WMAP levou à conclusão surpreendente de que 73% do peso do Universo vem do vazio. Vazio, porém, cheio de energia cósmica numa espécie de matéria escondida

Não há espaço no nosso cosmos atual para a antimateria, pois ela e tudo que é matéria anulam-se ao se encontrarem, segundo os cientistas tem verificado. Mas antes, na tal singularidade, admite-se que estavam juntas. A tal “perturbação quântica” teria quebrado essa unidade, separando-as irremediavelmente enquanto existir as atuais leis naturais, e só assim pôde haver toda essa transformação de energia em matéria dando o pontapé inicial para o espaço-tempo.

 Então o que é o NADA?  Foi um Momento Eterno e singular no final do qual houve uma separação como aquela que está escrita em Gênesis e quem Ele vê que a Luz é boa e a separa das trevas. Os cientistas admitem que é muito provável que exista um universo de antimateria sobreposto ao nosso. Que m garante que não é essa a dimensão do impoderavel de DEUS em que as coisas espirituais são a normalidade? 

 Para mim, fica claro que os cientistas sabem que antes do tempo só poderia haver uma coisa: a Eternidade, eles só não podem dizer para não ser pegos por sua própria armadilha.

Quem... ops, perdão! O quê provocou a primeira mudança de estado que resultou naquela famosa explosão, a única de que se tem noticia que resultou em algo bom (fale serio, você já viu uma explosão colocar ordem em algo?) é A Pergunta que vem na seqüência.

 Aí entra em cena um dos principais personagens da mitologia cientifica, chamado Acaso. Esse emissário do destino atua em circunstancias chave do desenvolvimento da Evolução e ele é o responsável final por tudo que hoje existe.

 O DEUS ACASO DOS EVOLUCIONISTAS

 

 

Que m foi o responsável pela mudança do estado inerte inicial para o inicio de todas as coisas conhecidas? “Ora, o Acaso”, diriam os cientistas. O que permitiu que, no momento inicial, houvesse uma separação “sadia” de matéria e antimateria, fazendo assim que elas não se anulassem mutuamente e que pudesse existir o nosso Universo de matéria? “Foi o Acaso novamente”, responderiam sem pestanejar. Qual a causa que permite que, apesar do comportamento selvagem e imprevisível das partículas que constituem a base de todas as coisas, os quarks, as ciências estabeleçam leis invariáveis e constantes como a física e a química e a gravidade? “Só o Acaso”, diria nosso entediado cientista.

 Ainda que peça desculpas a classe cientifica ao me apoderar de um de seus mais caros termos, não seria sarcasmo da minha parte atribuir uma certa personalidade a esse personagem chamando-o de Sr. Acaso, pois, é isso que fica ressaltado ao analisarmos seus atributos verificáveis na natureza. 

 Ora, além de um incrível senso de intervir nas necessidades mais básicas de todos os seres vivos, beneficiando-os com mutações que auxiliam na sua preservação e multiplicação, ele possui sensibilidade para emprestar à natureza beleza e poesia, capacidades que se pensava somente poderem ser atribuídas a um artista.

  Seria de se esperar da lógica fria das possibilidades matemáticas, que os seres conseguissem respirar quantidades suficientes de oxigênio, mas uma atmosfera mergulhada em tons de azul que acalmam o olhar e a alma e nos faz sentir aconchegados num mundo amistoso, foi um jogada sensacional do Sr. Acaso, não? A reprodução deveria ser algo mecânico e apenas necessário e tolerado, devendo envolver mais dor que prazer, mas, oh, quanto prazer existe no ato sexual. Esse Sr. Acaso é mesmo um gênio. Estamos envoltos por todos os lados de verde, como se precisássemos de um tapete para brincarmos e que também é agradável aos olhos e a sombra das arvores ainda oferecem abrigo contra o calor do Sol. E as frutas? Além de bela aparência, tem um sabor variadissimo em nada repetitivo ou monótono. Quanta criatividade, Sr. Acaso!

 O Sr. Acaso fez também com que nós, seres humanos, embora semelhantes ao chipanzé em 98,5% do DNA, fossemos dotados de capacidades intelectuais quase infinitamente maiores.

 Fico pensando o que diria desses dados o bem humorado G.k. Chesterton, o jornalista inglês, filosofo e escritor e apologeta da fé cristã, que tinha coragem de desafiar para o embate de idéias em publico gente com Bernard Shaw, para defender idéias reacionárias como o pecado original. Chesterton escreveu em Ortodoxia, e isso em 1908, sem saber desses dados, que “o que assusta não é o quanto o homem se assemelha aos animais, mas o quanto difere deles. É a monstruosa escala de divergência que exige explicação. Que os homens e os animais são iguais, é, num certo sentido, um truísmo, mas que, sendo tão iguais, eles sejam tão disparatadamente desiguais, esse é o choque e o enigma. O fato do macaco ter mãos é muito menos interessante para o filosofo do que o fato de que, tendo mão, ele não faz quase nada com elas: não estala os dedos nem toca violino, não entalha o mármore, nem trincha costeletas de carneiro.”

Chesterton inverte o argumento dizendo que “essa primeira razão superficial dos materialistas é, na melhor das hipoteses, um bom motivo para se crer no contrario”. E assim é na maioria dos casos apresentados pelos ateístas

 Eu aceitaria a intervenção impessoal do acaso se visse coisas mais casuais na natureza, mais frias, objetivas. Digamos que se a natureza exibisse mais nuances como uma obra de Oscar Niemayer em que só vê geometria de aço e concreto, fria e calculista, sem um traço de beleza e poesia propriamente humanas, fria demais no inverno, quente demais no calor, nada aconchegante. Porem, tudo que vejo, tudo que percebo, aponta para uma marca pessoal que exibe criatividade e INTENÇÃO EM AGRADAR E EMPRESTAR BELEZA A EXISTENCIA.

 

Quando analisamos os argumentos de livros como “DEUS- Uma ilusão” vemos que aquilo que os ateístas defendem como provas da não-existencia de uma entidade suprema e de um mundo espiritual não tem nada a ver com ciência, definida como uma área em que se deve empregar os padrões metodológicos aceitos pela comunidade cientifica em geral para se provar algo, visto que utiliza argumentos preconceituosos e vagos como: “Cientificamente, a existência de DEUS é tão improvável quanto a hipótese de que há uma xícara em órbita do Sol, entre a Terra e Marte”. Uma piadinha feita por Bertrand Russell, filosofo racionalista do inicio do século e citado por Dawkins em sua cruzada “cientifica e racional”.

 Pergunto: “Isto é Ciência com C maiúsculo?” Não, não creio que o seja.

 Ainda que o “argumento” carregue consigo uma questão, a da improbabilidade e até irracionalidade da existência de DEUS, não chega a ser um argumento inteligente, ainda mais vinda da parte de alguém laureado por defender o darwnismo cegamente como Dawkins. 

Vejamos, é improvável, cientificamente falando, a existência de DEUS? Tão improvável quanto a vida no planeta Terra? Tão improvável quanto o aparecimento autosustentavel dessa bolha de vida vagando no negro universo? Tão improvável quanto a possibilidade de matéria inorgânica gerar vida orgânica, a primeira célula gerada em ambiente totalmente alheio ao seu atual habitat? Tão improvável quanto as miríades de mutações aleatórias necessárias para criar a biodiversidade existente? Tão improvável quanto a serie de mutações genéticas, todas aleatórias e todas benéficas, responsáveis por nos tornarmos tão diferentes de nossos “parentes” símios?  Tão improvável quanto a série de saltos evolutivos, sempre benéficos, que nos levaram a uma distancia tão grande do ponto de onde saímos que nem conseguimos vislumbrar o outro lado do canyon que deixamos para trás na nossa trajetoria?

 Se olharmos mais de perto para os problemas que os ateistas militantes tem para sustentar sua fé na evolução, veremos o quanto suas tentativas de avacalhar o pensamento das pessoas se reveste de desespero. Como disse Michael Behe, o controvertido bioquímico que bagunçou de vez a teoria de Darwin ao refutar a evolução no nível celular em “A Caixa Preta de Darwin”: “A ciência é uma atividade nobre capaz de gerar uma feroz lealdade”.


 A ciência de base evolucionista, teoria amplamente aceita e difundida pela maioria dos cientistas (poderíamos compara-la ao sistema operacional Windows que roda em cerca de 95% por cento dos pcs do mundo, mas existem outros sistemas como o Linux, que sobrevivem da tenacidade de uns poucos corajosos em desafiar as regras do jogo) enfrenta hoje dificuldades para se explicar em quase toda as áreas da ciência moderna e isso se deve menos ao esforço dos criacionistas do que às novas tecnologias da era eletrônica que levaram o debate pra áreas nunca imaginadas pelos propositores iniciais da Evolução. Apesar do evolucionismo ser muito bem aceito até hoje, a ciência existia muito antes dele. Com o tempo, a teoria de Darwin, bem aceita desde o principio na classe cientifica e tomada finalmente como a carta de emancipação  da ciência em relação a qualquer pensamento religioso, foi alçada ao posto de dogma infalível. Quem discordasse dela a partir daí, estava destinado ao descrédito geral. Essas vozes foram sistematicamente silenciadas até recentemente.

 Mas a teoria de Darwin não foi isenta de criticas desde seu inicio.

 Já em 1871, St. George Mivart elaborou sua lista de objeções à Teoria, muitas das quais segundo Behe, são surpreendentemente atuais, algumas da quais são: “...Que a ‘seleção natural’ é incapaz de explicar os estágios incipientes de estruturas úteis” (essa proposta é levada às ultimas conseqüências por Behe em seu livro bomba que desvenda a complexidade irredutível de sistemas celulares, algo impensável para a ciência nos tempos de Darwin – “A ideia de Darwin pode explicar cascos de cavalo mas poderá explicar os alicerces da vida?”, desafia ele.); “...Que ainda é sustentável a opinião de que as espécies tem limites definidos, embora muito diferentes, para sua variabilidade” (tema do ultimo livro de Behe, “Os limites da Evolução”), pois embora queira, a teoria de Darwin ainda não consegue explicar o fosso intransponível entre as espécies.

 Na verdade, hoje em dia, a problemática em torno da Teoria da Evolução adquire proporções matemáticas do tamanho dos números que os teóricos encontram quando aplicam sua ciência às probabilidades reais dela ter acontecido. Behe destaca que “Os matematicos ...tem se queixado de que os números do darwinismo simplesmente não fazem sentido...A um matemático que alegar que o tempo para o numero de mutações necessarias para criar um olho era insuficiente, biólogos disseram que seus números deviam estar errados. Os matemáticos não se convenceram disso. Ou como disse um deles: “Há uma grande lacuna na teoria darwiniana e acreditamos que ela deve ser de tal natureza que não possa ser conciliada com a concepção corrente de biologia.”

 Fred Hoyle, astrônomo e matematico, ex-adepto do darwinismo, calculou que a probabilidade da produção ocasional apenas das enzimas básicas para a produção da vida são de 1 sobre 1 seguidos de 40000 zeros!!!!! Cada célula possui um banco de dados codificados no seu núcleo maior que todos os volumes da Enciclopédia Britânica e isso, de modo perfeitamente ordenado e seqüencial. Sem um projeto intencional fica difícil explicar como toda essa informação codificada em seqüência foi parar ali. É essa a nova fronteira enfrentada pelo darwinismo desconhecida até pouco tempo, pois o interior das células ainda era uma incógnita para a ciência até alguns anos. Era fácil para um cientista do século passado explicar que toda vida surgiu de uma única célula. Parece simples quando não se conhece a complexidade existente dentro de uma célula. Na verdade, o surgimento de uma célula (do modo como a vemos hoje: uma maquina biológica), de modo espontâneo na aurora dos tempos, sem precedentes que a expliquem, equivale a dizer que uma motocicleta pode surgir na sua frente nesse exato instante vinda do nada absoluto.

 Sobre a complexidade da informação encontrada na célula, Philip Johnson escreve em “Ciência, Intolerância e Fé”, Editora Ultimato:

 “A vida não é feita somente de matéria (química), mas de matéria e INFORMAÇÃO; a informação não é redutível a matéria, mas é um tipo de coisa totalmente diferente. Uma teoria da vida tem de explicar não somente a origem da matéria, mas também a origem independente da informação.”

 O zelo e a lealdade de alguns cientistas em segurar com unhas e dentes os restos arca darwiniana é tão feroz que alguns lançam mão de argumentos de fazer inveja a qualquer fundamentalista religioso. Em 1940, o geneticista Richard Goldshmidt, um neodarwinista que não conseguia aliar sua fé, que diz que novas espécies podiam ser criadas pelo acumulo de mutações benéficas e cumulativas (pequenos saltos evolutivos que acabam gerando mudanças suficientes para gerar uma nova espécie no decorrer de muitos milênios), com o registro fóssil homologado pela paleontologia até então, propôs uma teoria complementar que ficou conhecida como “teoria do monstro esperançoso”, a qual propunha que grandes mudanças poderiam ocorrer de modo repentino e ao acaso (naturalmente) e, assim, um réptil poderia chocar seu ovo normalmente e descobrir, no momento do seu rompimento, que chocou uma ave (!!!!????!!!#####***@@!!!!!).

 Isso mudou desde 1940? Não, não mudou. Em 1995, o paleontólogo Niles Eldredge descreve essas mutações que deveriam gerar todas as espécies como “um acumulação muito rara de leves mudanças – no decorrer de milhões de anos, a uma taxa lenta demais para explicar toda a mudança prodigiosa que ocorreu na historia evolutiva. Quando vemos o aparecimento de novidades evolutivas isso ocorre com um estrondo e, não raro, sem nenhum prova sólida de que os fosseis na evoluíram também em outros lugares”. Ou seja, uma mutação aleatória já é algo raro, mas uma mutação súbita que leve ao aparecimento de uma nova espécie em diversos lugares ao mesmo tempo é algo tão fenomenal quanto uma xícara aleatória flutuante no espaço sideral!

 Ao menos, é essa a idéia que o extrato geológico fornece através do fenômeno conhecido como “Explosão Cambriana”, que ficou conhecido como “Big Bang Biológico”. Assume-se que antes desse período, no substrato imediatamente inferior, encontra-se apenas formas multicelulares inexpressivas e, então, num passe de mágica, no período seguinte, há uma explosão de vida com fosseis das mais diversas formas. A revisão recente da idade desse ciclo de cinqüenta milhões de anos para dez milhões – um piscar de olhos em Geologia – não ajuda em nada os darwinistas.

 Behe registra o incrível lamento de um cientista respeitado, Klaus Dose, sobre o cadáver da Teoria de Darwin, que é um bom resumo da questão: “Mais de trinta anos de experimentação sobre a origem da vida nos campos da evolução química e molecular levaram a uma percepção mais clara da enormidade do problema do aparecimento da vida na Terra em vez da sua solução. Atualmente, todas as discussões sobre os principais experimentos e teorias nesse campo terminam num impasse ou numa confissão de ignorância”.

  Uma capitulação incrível da ciência no séc. XXI, frente aos novos fatos expostos pelo avanço da própria ciência principalmente porque em 1963, o biólogo francês Francis Crick, descobrir da estrutura helicoidal do DNA, previndo o colapso do pensamento religioso frente aos avanços da ciência, ofereceu cem libras a melhor proposta a uma piada sua: “O que fazer com as capelas do campus de Cambridge?” As capelas de Cambridge continuam de pé, Crick morreu e sua pretensão com ele, mas um dos homens que concluíram e lideraram uma legião de cientistas no mapeamento genético do genoma humano( Projeto Genoma) é um crente em DEUS: Francis Collins.


Francis Collins nem sempre acreditou em Deus, mas se viu confrontado a tentar provar, com mente aberta e analítica, perfeitamente cientifica e racional, por argumentos lógicos, que essa era uma idéia realmente absurda que não valia mesmo a pena. As respostas para seus questionamentos resultaram no livro “A Linguagem de DEUS – UM cientista apresenta evidencias de que Ele existe”, um titulo bastante auto explicativo.

 Citando Marcelo Gleiser, “Ao contrário do que possa parecer, crise é coisa boa em ciência”. Esperamos que o seja e que marque uma mudança de paradigmas. Parece que algo grande está para acontecer no ramo da Biologia como resposta a um sem numero de especialistas pouco dispostos a endossar novamente a Teoria da Evolução.

 Sem duvida, DEUS é uma idéia assombrosa, principalmente, como frisamos, o Deus judaico-cristão. Seria mais cômodo descarta-lo de vez e seria justamente assim que aconteceria e nem seria muito difícil de consegui-lo numa sociedade voltada como hoje em dia para o hedonismo e entretenimento se nada de extraordinário tivesse acontecido no decurso dos últimos dois mil anos. Essa cosmovisão estaria fatalmente condenada se não tivesse sido tornada atraente até os dias de hoje por um único motivo: JESUS CRISTO!

 

 COMO SERIAM O MUNDO E A IDEIA DE DEUS SEM JESUS?


 Uma das verdades mais notáveis sobre JESUS é que ninguém fez tanto em tão pouco tempo e é realmente um exercício mental interessante tentar pensar em como seria o mundo atual se esse homem incomum não tivesse surgido. O Império Romano não teria sido cristianizado e o Ocidente continuaria sendo pagão mesmo depois de sua queda. Em que isso influiria no desenvolvimento da sociedade como conhecemos? Que tipo de sociedade surgiria? Que leis veríamos? E o Islã? Certamente que surgiria, mesmo que sem os respingos de compaixão (sim, os ensinos do Islã devem levar em conta o Injil, como eles chamam o Evangelho) inspirados nos ensinos do Nazareno que tem hoje, mas numa versão mais selvagem e totalmente despida de misericórdia, avançando sobre um Ocidente enfraquecido e estupefato com sua força e majestade, assustado demais para reagir à altura e até mesmo ansiando mesmo por ser engolido e assimilado por essa grandeza.

 Sem a visão do mundo romano-cristão, tomada dos judeus de “povo escolhido”, o Ocidente não teria forças nem vontade para rechaçar a maré de turbantes e cimitarras e, consequentemente, talvez víssemos algo parecido com a Revolução industrial e a Era espacial ocorrer numa Europa cheia de minaretes apontando para o céu e turbantes sobre as cabeças.

 Será que veríamos surgir algo como o comunismo na Rússia? E o descobrimento das Américas? Certamente não teríamos um país chamado Estados Unidos, pelo menos não no moldes atuais, fundado por puritanos cristãos, para reger boa parte do que ocorre no mundo atual em matéria econômica e cultural. As implicações disso no estilo de vida de cada um dos habitantes desse planeta seria tremendamente alterada, sem duvida.

 Para aqueles que querem entender o mundo como uma sucessão mais ou menos lógica de idéias políticas e religiosas que continuam arraigadas no ser humano e causando efeito até nossos dias, fica difícil não se deter por mais que um mero instante na figura do Nazareno. Sua figura permanece incólume como aquilo que realmente é na História Humana, um divisor de águas, e como a Esfinge de Gizé, parece exibir seu enigma perturbador insolúvel para aqueles que não detém  as chaves para entender seu real significado.

  Ele parece exibir um pequeno sorriso de canto de lábios àqueles que querem exibir uma visão de mundo que não leve em conta o Seu Evangelho. Ele parece dizer: “Decifra-ME! Ao menos tente uma vez em sua vida, se quiser ter alguma coisa que valha realmente a pena se refletida!”

 Como pesar a real importância desse personagem na atual cena mundial e a relevancia dos seus ensinos e alegações? Muitos, perturbados com as implicações de suas afirmações, rejeitaram seus apelos e construíram suas próprias visões daquilo que ele e seus discípulos fizeram dele. Chegaram a respostas aceitáveis? Somente seus intelectos podem responder a si mesmos se estão plenamente convencidos das respostas. Fizeram sua opção, escolheram seu lado, e isso é racional e valido, mas baseados em quê a fizeram? Baseados nos fatos? Mas quais fatos?

Alguns chegam a certas conclusões após analisarem a historia da igreja cristã e seu testemunho e mesmo o testemunho dos fiéis que se encontram espalhados nas muitas categorias e subcategorias do cristianismo atual. É isso correto? Chegaremos ao cerne da questão ou obteremos uma resposta falseada?

Muitos disseram segui-lo, mas seus atos os desmentiram. Foram realizadas guerras em seu nome, mas dificilmente alguém poderia dizer que Ele mesmo as aprovaria e que apoiaria um dos lados. Pessoas foram torturadas e queimadas por instituições que diziam representa-Lo, mas quando se pode ver em suas palavras autorização a que se fizesse isso em Seu Nome?

Não se pode negar a autoridade do seu ensino mesmo que a cristandade não tenha alcançado o andar nessas alturas em boa parte desses últimos dois mil anos. Não, a cristandade não é um bom parâmetro do homem que foi JESUS de Nazaré e, segundo Chesterton, isso é um bom indicio de que a doutrina cristã do pecado original, intrínseco ao ser humano, pode ser plenamente comprovada em nosso habitat.

Se não podemos olhar para o ser humano e o legado deixado pelo rastro daqueles que professaram segui-LO, legado de civilizações, guerras, cruzadas, reis e papas, catedrais e filosofias, para onde então podemos fixar nossos olhos com firmeza para que possamos encarar o personagem sem desculpas e subterfúgios e sem rebuscamentos filosóficos que falsifiquem a mensagem deixada por Ele. Se eu fizer isso, se eu quiser de fato chegar o mais próximo possível de Quem realmente foi JESUS, só haverá uma única resposta possível: OS QUATRO EVANGELHOS.

 

SÃO CONFIAVEIS OS QUATRO EVANGELHOS COMO FONTE HISTORICA?

 

Em linhas gerais, a arqueologia e o estudo pormenorizado da Historia e dos costumes dos povos tem provado a exatidão dos relatos bíblicos.

 

Não há hoje, estudioso serio e dedicado que questione que os Evangelhos foram compostos para além do primeiro século após a morte do Cristo. O estudo dos costumes, pormenores de incidentes e descrições de lugares tem confirmado que foram escritos por pessoas que viveram nessas épocas e foram testemunhas de primeira mão ou no maximo de segunda (no caso de Marcos, um discípulo de Pedro, e Lucas, amigo e companheiro de viagens de Paulo, que, segundo escreveu em seu Evangelho e no livro de Atos, diligenciou “minuciosamente” de tudo com as pessoas que presenciaram os fatos, que, é lógico, deveriam estar vivas para isso).

 

Josh McDowell escreve em seu clássico “Evidencia que exige um veredito – vol. I”:

 William Foxwell Albright, que foi um dos mais destacados arqueólogos de todo o mundo, disse: "Podemos dizer enfaticamente que já não existe qualquer base sólida para atribuir a qualquer livro do Novo Testamento uma data posterior a 80 A.D., isto é, duas gerações inteiras antes do período entre 130 e 150, período calculado pelos críticos mais radicais do Novo Testamento da atualidade". 7/136

Ele reafirma essa posição numa entrevista à revista Christianity Today (Cristianismo Hoje; 18 jan. 1963): "Na minha opinião, cada livro do Novo Testamento foi escrito por um judeu batizado, entre as décadas de quarenta e oitenta do primeiro século de nossa era (bem provavelmente em algum período entre aproximadamente 50 e 75 A.D.)".

Albright conclui: "Graças às descobertas de Qumran, o Novo Testamento comprova que, de fato, é aquilo que anteriormente as pessoas criam que fosse: o ensino de Cristo e de seus seguidores imediatos, no período compreendido entre cerca de 25 e 80 A.D". 5/23

Muitos dos eruditos liberais estão sendo forçados a considerar datas mais remotas para o Novo Testamento. As conclusões do Dr. John A. T. Robinson em seu novo livro, Redating the New Testament (Atribuindo Novas Datas ao Novo Testamento), são surpreendentemente radicais. Sua pesquisa levou-o à convicção de que o Novo Testamento foi escrito antes da Queda de Jerusalém, em 70 A.D. 79

 Há outras provas a serem consideradas quando um texto antigo, não só o bíblico, é submetido a prova de antiguidade e veracidade, entre elas o teste bibliográfico, o de evidencias internas e de evidencias externas e o Novo Testamento passa em todas elas com louvor sobre outros escritos antigos.

 O teste bibliográfico aponta para a abundancia dos manuscritos encontrados, o mais antigo data de 130 d.C., e para a variedade de traduções em línguas como copta, siriaco e grego e mostra uma incrível unidade do texto que chegou até nós. F. F. Bruce, emérito estudioso dos textos antigos, declara: "No mundo não há qualquer corpo de literatura antiga que, à semelhança do Novo Testamento, desfrute uma tão grande riqueza de confirmação textual".

 Inúmeros escritos antigos importantes para se compreeender o desenvolvimento da civilização até hoje, chegaram até nós através de poucos manuscritos confiáveis e realmente antigos. Da Ilíada de Homero somente 643 exemplares chegaram até nós em forma de manuscrito e da obra atribuída a Julio César, Guerras Galicas, somente 9 ou 10 manuscritos e assim em diante. De modo oposto, o Novo Testamento chegou até nós em mais de 5 mil manuscritos conhecidos das mais diversas épocas do desenvolvimento da Igreja.

 

A rápida expansão do cristianismo pelo mundo antigo e sua tradução nos diversos idiomas usados (copta, siriaco, grego, latim, etc...)produziu outro fenômeno único do N.T. em relação aos escritos antigos conhecidos: a multiplicidade de variantes do texto, que deveria se traduzir, via de regra, em deturpação da mensagem, mas, de modo inverso, acaba resultando na confirmação da autenticidade do texto, pois os críticos são unânimes em dizer que os “erros” encontrados representam menos  de !% de corrupção textual, resumindo-se a algumas controvérsia sobre poucas passagens, como Marcos 16 -9 a 20 e João 8,11, e alguns erros de grafia ou tradução, e que nenhuma dessas variantes constitui problema para qualquer doutrina básica do cristianismo ou deturpação da mensagem original dos apóstolos. Normam Geisler, um dos mais proeminentes estudiosos vivos do texto bíblico atualmente, revela em “Introdução Bíblica – Como a bíblia chegou até nós”, na pág.175:

 “Westcott e Hort, Ezra Abott, Phiplip Schaff e A.T. Robertson avaliaram com o maximo cuidado as evidencias e chegaram à conclusão que o texto do N.T. tem pureza superior a 99%.” Uma marca impressionante se comparada com escritos muito mais recentes como o Alcorão, do séc. VII d.C., que, mesmo depois da revisão de Orthman vinte anos depois da morte de Maomé, ainda possui sete modos diferentes de leitura

 

 O Diatessarão ("uma harmonia de quatro partes") é a mais antiga confirmação de que os Evangelhos já assumiam naqueles dias o formato que temos hoje. A expressão grega dia Tessaron significa literalmente "através de quatro". O Diatessarão foi uma harmonia dos Evangelhos preparada por Taciano em cerca de 160 A.D.

 

A evidencia interna fica por conta do depoimento dos chamados “pais da igreja”, a geração dos bispos das igrejas que sucedeu os apóstolos. Seus abundantes escritos formam comprovadamente uma linha continua de tradição histórica e pratica que aponta para o texto dos quatro evangelhos, visto que, de modo surpreendente, se tivessem sido suprimidos, poderiam ser reconstituídos quase que integralmente somente pelas citações usadas por esses patriarcas em suas epistolas às comunidades cristãs. É importante dizer que as citações deles se restringe aos evangelhos considerados canônicos. Não se encontra em seus escritos, citações de qualquer dos evangelhos apócrifos.

 Após uma prolongada investigação, Dalrymple chegou à seguinte conclusão: "Veja aqueles livros. Você se lembra da pergunta que me fez sobre o Novo Testamento e os pais? Aquela pergunta despertou a minha curiosidade, e, como eu conhecia todas as obras existentes dos pais do segundo e terceiro séculos, comecei a pesquisar e, até agora, já encontrei todo o Novo Testamento, com exceção de onze versículos" – JOSH McDOWELL em Evidencia que exige um veredito vol.I

Contra a tese de que o canon só foi elaborado tardiamente por uma arbitrariedade da Igreja de Roma na epoca de Constantino, há o testemunho de gente como Irineu, bispo de Lion (180 A.D.), foi aluno de Policarpo, bispo de Esmirna, o qual foi martirizado em 156 A.D., tendo sido cristão por 86 anos e discípulo do apóstolo João. Irineu, que tambem foi martirizado por volta de 200 d.C. escreveu:

 "Tão firme é a base sobre a qual esses Evangelhos repousam que os próprios hereges dão testemunho a favor desses livros, e, tomando-os por base, cada um deles se esforça por estabelecer sua própria doutrina particular" {Contra Heresias, III).

"Pois assim como existem os quatro cantos do mundo onde vivemos, e quatro ventos universais, e assim como a Igreja se encontra dispersa por toda a terra, e o evangelho é a coluna e o alicerce da Igreja e o sopro de vida, de igual maneira é natural que o evangelho tenha quatro colunas, soprando imortalidade a partir de cada canto e novamente despertando a vida nos homens. Por essa razão é evidente que o Verbo, o arquiteto de todas as coisas, que está assentado sobre os querubins e sustenta todas as coisas, tendo-se manifestado aos homens, deu-nos o evangelho em forma quádrupla, forma que se mantém coesa por meio de um só Espírito." – fonte: Evidencia que exige um veredito vol. I

 Hoje em dia, há uma profusão de ideias mirabolantes na midia que tentam passar a mensagem de que a Igreja Catolica Romana foi quem elaborou uma farsa, suprimindo documentos que descrevem um Jesus diferente, mais humano, e dando preferencia aos textos que o divinizavam.

 Paulo previniu em II Timoteo 4.3, que nos ultimos dias as pessoas não suportariam a sã doutrina desnvolvendo uma doença que ele chamou de “comichão nos ouvidos” e amontoando mestres segundo seus proprios desejos excusos.

  O sucesso e a repercussão da discussão causada pelos livros de Dan Brown e pela descoberta do aclamado Evangelho de Judas, dão conta de que chegamos a esses dias. As pessoas não suportam ouvir o Evangelho verdadeiro mas gostam de ouvir que “as coisas não são bem assim” e a preguiça as impede de fazer uma pesquisa mais profunda sobre o que há de real.

 O resultado é a aceitação de ideias que nunca fizeram parte do Evangelho original, mas que, como a arqueologia, o estudo dos textos e da Historia comprovam, formam uma linha colateral, uma escola separada da revelação dada aos apostolos, conhecida como gnosticismo. Da mesma forma que o estudo pormenorizado corroboram o texto canonico, ele define que essa linha veio em paralelo, sendo já combatida por Paulo, Pedro e João em seus escritos.

 

Analisa-lo hoje cumpre um dever para aqueles que desejam “batalhar pala Fé que nos foi entregue” segundo Judas verso 3, ou aqueles que simplesmente querem, sinceramente, descobrir qual é a Verdade.

 QUAL EVANGELHO, QUAL JESUS? - O GNOSTICISMO E SEUS EFEITOS COLATERAIS NO EVANGELHO

O gnosticismo nunca formou uma única linha de ensino mas se espalhou com diversas praticas evoluidas do pensamento helenico, englobando conceitos judaicos, persas, gregos e hindus. 

Ao que parece, Paulo enfrentou diversas vezes grupos que não se satisfaziam com o Evangelho apresentado por ele ou pelos outros apostolos. A carta aos Colossenses é quase toda destinada a destruir conceitos erroneos adquiridos de maneira colateral como culto aos anjos, asceticismo e rituais astrologicos.

 Em Corinto, a sua luta se deu contra aqueles que dividiam a comunidade em partidos, um dos quais se autodenominava como “de Cristo”, querendo dizer com isso, que não recebiam instrução ou disciplina de ninguem, mas somente do proprio Cristo. Como fica patente na leitura dos evangelhos gnosticos de Judas e outros, tais figuras arvoravam para si uma revelação maior sobre quem era Cristo e sua missão, a qual somente os verdadeiros iniciados poderiam ter acesso. O cristianismo seria apenas a continuação e coroamento das religiões de misterio dos gregps e de certos povos orientais.

 

Ao que parece, a evolução dessa heresia culminou no estabelecimento de um partido que foi adquirindo metastases em varias localidades, como é descrito em Apocalipse 2,15, passagem na qual JESUS, atraves do profeta João, alerta contra o perigo da doutrina dos nicolaitas e suas obras. Não foram deixadas muitas evidencias sobre a doutrina dos Nicolaitas (conquistadores do povo), mas parece que queriam estabelecer um tipo de hierarquia, uma primazia sobre o povo de DEUS.

 

Analisando o conjunto de certas passagens das cartas de João às igrejas da Ásia, que os condena juntamente com a doutrina de Balaão e uma certa profetisa com a alcunha de Jezabel, elas reforçam a sensação de que suas doutrinas tinham relação com aquilo que se conhece dos gnosticos.

 Apocalipse 2:

 14  Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição.

15  Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas.

 20  Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos;

 24  Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina e que não conheceram, como eles dizem, as coisas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei sobre vós;

25  tão-somente conservai o que tendes, até que eu venha.

 

A doutrina de Balaão - Balaão, um vidente, ou profeta (visto que os termos no Antiggo Testamento se equivalem) de Midiã, fo procurado pelo rei  dos moabitas, Balaque, para encontrar um meio de parar os filhos de Israel que estavam entrando, naquela altura, em Canaã. A historia está em Numeros 22 e o resultado é que Balaão acabou sugerindo a Balaque que o único modo de faze-los parar era afastando-os da vontade de seu DEUS, fazendo-os se prostituirem-se com mulheres moabitas enviadas para seduzi-los em um banquete onde tambem havia sacrificios a outros deuses e assim foi feito.

 

Jezabel, a apóstata – Jezabel, mulher natural de Sidom, foi a esposa do impio rei de Israel, Acabe, e pode ser descrita como a mulher mais perigosa da Biblia, pois perverteu a mente do rei a tal ponto que o culto a YAWEH  foi totalmente suprimido em Israel, o reino do Sul, sendo substituido pelo culto ao deus cananeu Baal. Sendo assim, o pecado de Jezabel é da mesma natureza do erro de Balaão: o de lançar erros diante do povo de DEUS e faze-lo pecar conhecendo as “coisas profundas” ou “profundezas de satanas”;

 

As profundezas de satanás – Paulo parece aludir a algo parecido na carta aos Romanos, capitulo 6, verso 1, no qual diz:

  1-Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? 2-De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?”; 

 Segundo se sabe dos gnosticos, eles desprezavam a carne a tal ponto que diziam que degrada-la com pecado não faria mal algum ao espirito. Alguns, ao contrario, ensinavam que o ser humano só poderia verdadeiramente ascender à Luz depois de cair na mais profunda treva, sendo “salvos” pelo “conhecimento” (gnose) adquirido de guias espirituais; Eis porque, exaltavam o ato traidor de Judas, que conspirou contra a carne de JESUS, que segundo eles era um homem comum, mas canalizado por um poderoso espirito chamado Seth, o verdadeiro Cristo; Diziam que Judas era o principal dos discipulos pois não titubeou em sacrificar o homem que vestia aquele espirito – Resumindo: Uma reinterpretação radical da teologia judaica que dificilmente sairia das mentes dos apostolos.

 É admitido hoje pela critica textual, que não é uma ciencia cristã, mas uma pratica que surgiu da necessidade de verificar a autenticidade e nivel de erro do texto sagrado, que os Evangelhos são descrições que vinham de uma tradição “direta da fonte”, como já dissemos antes. Ou seja, Pedro ensinou a Marcos, que escreveu seu Evangelho baseado nas memorias de Pedro, Mateus e João foram testemunhas oculares dos fatos e Lucas aprendeu muito de Paulo e diligenciou junto às pessoas que viveram os fatos, como os proprios apostolos.

 Eusebio de Cesarea, em seu livro que atravessou os seculos, Historia Eclesiastica, do seculo III, afirma que guardou as palavras de seu mestre Papias, discipulo de João, que disse: "O Ancião também costumava dizer o seguinte: 'Marcos, tendo sido o intérprete de Pedro, escreveu fielmente tudo o que ele (Pedro) mencionava, fossem palavras ou obras de Cristo”; e tambem que "Mateus registrou os oráculos em língua hebraica (isto é, aramaica)".

 

Uma pergunta deveria ser feita a essa altura: Se Judas suicidou-se (um ato de heroismo diga-se, para os gnosticos) a quam ele legou as revelações recebidas? Ele possuia discipulos?

 Ora, o nosso ponto aqui é: Será que podemos rastrear uma tradição apostolica continua nos apocrifos e pseudepigrafos tambem? Quem deseja discernir entre falso e verdadeiro deve conhecer em que se baseou a divisão desses escritos em canonicos, ou dotados de autoridade apostolica, apocrifos, livros que em algum momento forma cogitados pela igreja de então como canonicos e pseudepigrafos, “ecritos falsos” em grego, aqueles que nunca forma cogitados como verdaeiros pela igreja.

 

Entre os livros considerados apocrifos e que, em algum momento e lugar especificos, foram cogitados como canonicos estão a Epistola de Barnabé e a obra O Pastor, de Hermas e tambem O Didaquê, ou Ensino dos Apostolos. Esses livros foram citados como canonicos por um ou mais patriarcas das igrejas e incluidos em códices antigos como livros “inspirados”, mas sua aceitação nunca foi ampla nem geral por parte de todas as comunidades, pois em geral, falta-lhes a marca incontestavel dos escritos autorizados por serem oriundos da pena de um apostolo do SENHOR, nem, em verdade, reivindicam ser autorizados por DEUS, como acontece na maioria das epistolas do N.T., onde os escritores afirmam terem escrito da parte de DEUS pelo Espirito. Esses escritos são uteis historicamente para avaliar o ensino da igrejas do seculo II, logo após a era apostolica, e fornecer documentação sobre os 27 livros inspirados do N.T. e informações sobre como viviam na Ortodoxia da Palavra, mantendo-se longe das praticas consideradas enganosas e que abundam nas paginas dos livros considerado “falsos”.

 A partir do seculo II, as pressões internas, motivadas pelos erros gnosticos e a proliferação de cartas apostolicas falsas (as quais Paulo faz referencia em II Tessalonissenses 2,2), e pressões externas por causa das perseguições intermitentes à Fé cristã, levaram os cristãos muito cedo a separar o que devia ser lido do que devia ser lançado fora como mera invenção de mentes humanas.

 A escritora e historiadora Elaine Pagels, no excelente livro Os Evangelhos Gnosticos, afirma que o ponto inicial de discordia entre ortodoxos e gnosticos começou muito cedo e baseia-se num ponto capital da fé cristã: a Ressurreição em corpo de JESUS. Em oposição ao relato de Lucas e João, que afirmam que JESUS deu varias provas aos apostolos de que não era uma aparição, mas era ele mesmo em carne e osso, ‘chamaram a concepção literal da ressurreição de “fé dos tolos”’ .

Os escritos gnosticos, de fato, diferem dos canonicos, até mesmo nisso. Os Quatro Evangelhos apresentam em unissono o drama da encarnação de JESUS, seu ministerio de milagres e subsequente confronto com as autoridades religiosas judaicas e consequente condenação à morte na cruz, culminando com a ressurreição na manã do primeiro dia da semana. Há variações nos pormenores dos relatos, mas a cadencia está lá: tudo aponta para o climax do Golgota e a redenção da vitoria sobre a morte.

 

Esse drama, tão intenso na sua concepção, carmesim, violento e cruento, chamado e aclamado atraves das eras como a Paixão de Cristo pela humanidade, falta nos relatos gnosticos que o suprimem de modo brutal, preferindo as palavras e discursos de JESUS que poderiam ser entendidas de modo dubio, pois JESUS ensinava a multidão por parabolas e aos discipulos, dava a conhecer os “misterios do Reino” nas palavras do evangelhista.

 

Dessa forma rejeitavam a ressurreição de diversas formas, visto que nunca formaram uma única escola de pensamento. Assim, alguns diziam que o espirito Cristo abandonou JESUS na hora da crucificação e outros pareciam advogar que JESUS não possuia carne de verdade e a crucificação foi uma encenação. João parece dispensar mais atenção a esse grupo pois em diversas passagens ele exalta a concepção de que o “Verbo se fez carne” e em II João afirma: “7 - Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo afora, os quais não confessam Jesus Cristo veio em carne; esse é o enganador e o anticristo.”

 Os professores gnosticos, em franca posição de afronta à autoridade do colegiado apostolico, parecem ter incentivado a seus discipulos a produzir por si mesmos seus proprios escritos “inspirados” por revelações especiais que só iniciados nos ‘misterios’ poderiam receber.

 Elaine Pagels relata:

 Cada um, como aluno de

um pintor ou escritor, esperava expressar suas próprias impressões

ao revisar e transformar o que lhe fora ensinado.

Quem apenas repetisse as palavras do mestre seria considerado

imaturo. O bispo Irineu lamenta que:

 

“cada um deles produza algo novo todo dia, segundo sua

habilidade; pois ninguém é considerado iniciado [ou: “maduro”]

entre eles a menos que desenvolva enormes ficções!”

 Contra esse costume, Pedro já advertia em sua segunda carta, no capitulo I, verso 16, testemunhando sua autoridade como testemunha ocular dos fatos e demarcando os limites de sua autoridade:

 “ Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade” 

Irineu, um campeão da Ortodoxia, escreveu por volta de 180 d.C. o tratado Contra Heresias, no qual defendia os limites da fé cristã contra os ensinos dos professores gnosticos Valentino e Marcião, que advogavam que a única autoridade admitida para aquele que foi iluminado era o proprio espirito. Cada um deveria ser livre para sentir e transmitir o Cristo da maneira como o entendesse, por isso, a diversidade de seitas e ensinos gnosticos. Tertuliano, outro dos patriarcas da igreja, disse sobre os gnosticos:

 

cada um deles, como convém a seu próprio temperamento,

faz alterações na tradição recebida como também aquele que a transmitiu

a modificou quando moldou a tradição segundo sua

própria vontade.

 Para que sua versão do Evangelho ficasse completa, era essencial uma visão fantástica e uma revelação nova de um aspecto inédito da Palavra de DEUS. Visões de Cristo como uma luz, um menino, velho ou mesmo mulher eram comuns e tinham explicações as mais variadas. Nesse ‘espirito’ não era incomum que o iniciado recebesse as revelações até então ocultas que, presumia-se, Cristo havia dado a certos discípulos como Tomé, Judas, ou Madalena. Nesse caso, esses escritos não seriam provenientes dessas fontes mas simplesmente escritas “noespirito de Tomé”, ou “no espírito de Madalena”, e etc...Algo semelhante ao que ocorre hoje com os milhares de livros dos quais se dizem que foram “ditados”, ou psicografados, por espíritos do além.

 Deve-se notar nisso, mais que uma semelhança, eu creio, mas uma verdadeira identificação entre o gnosticismo e o espiritismo kardecista, pois ambos advogam uma ressurreição espiritual simbólica de Cristo, não a ressurreição em corpo da ortodoxia. Outras semelhanças seriam a mediação de médiuns, ou iniciados, e espíritos ascencionados.

 Elaine cita que Paulo, Pedro e João também fazem uso abundante de visões e revelações pessoais em seus escritos, mas que elas sempre conduzem à ortodoxia daquilo que foi revelado anteriormente na Palavra. Deveras, Paulo é explicito ao declarar os limites que uma visão ou revelação dada mesmo pelos anjos deveria ter: “ Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” – Gálatas 1,8

 É notável nos evangelhos gnosticos a tensão reinante entre a relação de Madalena e os discípulos que são mais proeminentes nos Evangelhos canônicos, especialmente Pedro. Terá havido realmente esse conflito de personalidades entre os dois? Será que podemos encontrar o fio da meada histórico do cisma ortodoxo/gnostico nesse embate nebuloso? Que há de histórico e factual nisso?

 

OS EFEITOS DESASTROSOS CAUSADOS PELOS PSEUDEPIGRAFOS


 Rastrear os passos de Maria Madalena é uma missão quase impossível, mas não é impossível que ela tenha se distanciado da incipiente comunidade cristã por motivos como ciúmes da posição dos apóstolos, cujo numero nunca excedeu doze, e da colocação das mulheres na ordem da igreja nascente. Será que Maria de Magdala aspirava por mais, devido a graça concedida a ela de ser a primeira a ter visto o Ressuscitado? Por que JESUS permitiu ser visto por ela, mas não tocado por ela, como permitiu depois a Tomé, um dos doze? Terá Maria sido uma inofensiva mulher que permaneceu em meio ao rebanho cristão de Jerusalém, ou uma perigosa e rebelde “Jezabel”, como a mulher descrita na igreja de Tiatira?

 Infelizmente, não há nenhuma tradição segura que possa apoiar qualquer teoria sobre o que teria acontecido realmente a Maria Madalena depois da ressurreição de Cristo. Parece certo dizer que se encontrava entre o grupo sobre o qual foi derramado o Espírito Santo no Pentecostes, mas tudo para alem disso, apóiam-se unicamente em escritos de autoria duvidosa e nas tradições tardias espalhadas principalmente pelos pseudepigrafos (“escritos falsos” em grego) que pulularam a partir do II século d.C., os quais como vimos, foram produtos de férteis imaginações. As tradições consideradas mais seguras dão conta de que teria morrido de forma piedosa e tranqüila em Éfeso, outras mais obscuras, dizem que viajou par a França, onde atuou como evangelhista, morrendo em um pequeno povoado. Porem, não há nenhum escrito antigo de um pai da igreja ou algo parecido para fornecer uma pista que valha a pena seguir.

 

A Igreja Católica Romana até estabeleceu alguns dogmas baseados na aceitação de  algumas tradições oriundas desses escritos, como o dogma da Assunção de Maria antes de sua morte e também o dogma da Imaculada Conceição que se apóia numa idéia exposta num pseudepigrafo que descreve José como um homem piedoso, mas já bem velho e viúvo, pai de filhos, e que recebe Maria, bastante jovem, como esposa por ordenação de DEUS, mantendo-a intocada mesmo depois do nascimento de JESUS. Se esses relatos exerceram ou não influencia no pensamento do colegiado romano no estabelecimento dessas doutrinas de fé, é coisa que não podemos afirmar peremptoriamente, mas há claros indícios de que sim.

 Algumas tradições tipicamente católicas como os nomes e o numero dos chamados “três reis magos” do Oriente (na Escritura são citados somente como magos, ou magis, uma palavra estrangeira para designar alguém envolvido com as artes astrológicas ou ocultas, nunca é dito que eram reis ou que vieram em tres), os nomes dos ladrões na cruz, a historia de Verônica, a tradição do uso de palmas para cultuar Maria em maio e de que o símbolo de S. José seria um lírio, são todas tiradas desses escritos, de autoria bastante duvidosa para a grande maioria dos estudiosos dos textos antigos.

 Mas será que algum estudioso católico, de hoje ou qualquer época, visto que a Santa Sé de Roma outorgou autoridade de Tradição incontestável a esses relatos, estaria disposto a advogar a antiga tradição exposta nos evangelhos gnosticos do relacionamento intimo entre Madalena e o SENHOR? Penso que não.

 De qualquer forma, se essa influencia se concretizou por alguma via, os pseudepigrafos, de cunho gnostico ou não, parecem aptos a cumprir um papel proeminente na formação das heresias mais contagiosas que visam assaltar um único alvo: MINAR A CONFIANÇA (LEIA-SE FÉ) NA OBRA DA CRUZ E NA RESSURREIÇÃO EM CORPO DE JESUS, AS DUAS DOUTRINAS MAIS CENTRAIS DO EVANGELHO ORTODOXO!

 

Os efeitos colaterais desses ataques podem ser devastadores para aquele que deseja vivenciar a verdade libertadora do cristianismo original, que está longe de ser um sistema de crença, um corpo de doutrina ou uma porta de entrada no ocultismo. A medida que a influencia dos ensinos desses relatos extras de personagens como Maria Madalena e Maria, mãe de JESUS, foram penetrando no meio cristão, produziram um afastamento da doutrina e praticas apostólicas, ou seja, as pessoas começaram a acreditar em algo mais que os próprios apóstolos não criam nem achavam necessário crer.

 Com efeito, será que alguém pode achar que algum dos discípulos ali presentes no cenáculo em Pentecoste, rezava a Ave-Maria ou a Salve-Rainha, com um terço em uma mão e uma imagem da santa na outra? Como Paulo afirma em ATOS 20.27 ( “...Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus”), a doutrina apostólica consistia em anunciar tudo aquilo que fosse útil e proveitoso para a edificação dos santos na Fé e eles nunca deixariam de anunciar algo que fosse essencial para a salvação de quem quer que fosse.

 Quantos às praticas ascéticas que os gnosticos introduziram, praticas ascéticas derivadas dos costumes dos sábios orientais, os quais os gregos chamavam ginnossofistas, Paulo alerta em Colossenses 2: “23  - As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum, senão para a satisfação da carne”.

 A pregação apostólica de Paulo, Pedro e João, bem como as evidencias deixadas pelas comunidades cristãs ortodoxas dos primeiros séculos, mostram atividades bastante singelas e diferentes daquelas que vieram mais tarde. O cristianismo não tinha nenhuma pompa ou circunstancia, mas resumia-se num estilo de vida simples e fraternal, em que cada família era chamada a integrar uma família maior: a Igreja, não um prédio ou templo organizado, mas as casas daqueles que criam e recebiam as pessoas para compartilhar da fé comum em torno de uma mesa em comum, como foi o costume de JESUS com seus discípulos. Ali, oravam, liam e estudavam  as Escrituras, sem muitas formalidades, interagindo entre si. Os únicos sacramentos perpetuados foram o batismo dos que criam e a ceia para aqueles que já faziam parte do grupo, necessarios a fim de fortalecer o vinculo familiar/tribal.

 Enquanto gentios convertidos a Cristo, os seguidores do Caminho, nome originalmente anterior a “cristãos”, adotado em Antioquia bem cedo, não havia a necessidade de observação da lei judaica, como Paulo ensinou, separando sabiamente princípios culturais israelitas do principio geral mais amplo aplicado aos estrangeiros. Os seguidores do Caminho entre as nações não haviam sido chamados para se tornarem judeus, o que os deixou livres de uma série de usos e costumes, levando a um estilo de adoração menos carregado de religiosidade judaica. Como JESUS previra, havia chegado o tempo dos verdadeiros adoradores adorarem ao Pai em espírito e verdade, sem ocasiões especiais, nem datas especiais, nem lugares especiais. Todos os dias, em todas as casas , em qualquer ocasião, mesmo sem a presença de uma liderança pastoral centralizadora, era possível cultuar a DEUS.

 Para salientar essa diferença, não se reuniam solenemente nos sábados, mas escolheram o “primeiro dia da semana”, o dia da ressurreição, para uma confraternização geral nas casas de comunhão para “partir o pão” como descrito em Atos 20,7 e I Cor. 16,2. Não se tratava do ritualismo vazio que se vê hoje, mas uma verdadeira refeição fraternal.

 A medida que as idéias gnosticas e supersticiosas dos pseudepigrafos foram adentrando sorrateiramente no arraial cristão, também vemos a introdução de  formas de culto tipicamente herdadas de tradições das religiões politeístas como datas especiais de celebração, as quais deveriam ser acompanhadas de abstinências especiais, lugares especiais de culto, que se moveu paulatinamente das casas ate se tornar obrigatório o uso de templos pelos imperadores Teodosio e Graciano, locais de peregrinação, geralmente os túmulos dos mártires, paramentos sacerdotais para distinguir o sacerdócio, coisa comum em todas as religiões, e ritos de purificação usando água ou incenso e, finalmente, orações na forma de fórmulas sagradas, como os mantras usados no Oriente, sem falar na devoção às imagens, introduzida por volta de 780.

Resumindo, foi-se o principio ativo do Evangelho, sobrando uma fórmula insípida, um placebo sem poder curativo. Vez por outra, algumas vozes surgiram bradando do deserto como Prisciliano, Pedro Valdo, os cátaros e outros, os quais insistiam que ainda havia seiva de vida correndo nos subterrâneos, vozes muitas vezes silenciadas pelo sistema mas nunca plenamente derrotadas. Seu eco reverberou até para alem da Reforma Prostestante.

 

Aliás, os mais conhecidos reformadores como Lutero, Zwinglio e Calvino, logo mostraram que estavam mais inclinados a sentimentos nacionalistas e socialistas do que propriamente espirituais, visto que logo passaram a perseguir aqueles que foram os verdadeiros reformadores, chamados por eles de anabatistas, por não aceitarem a imposição do batismo de crianças, pratica que os pseudoreformadores adotaram do catolicismo romano. Só na região dos Paises Baixos foram condenados à fogueira entre os anos de 1535 e 1546, cerca de 30.000 pessoas ligadas a esses grupos pequenos de comunhão, independentes entre si e sem uma forma de organização aparente.

 Resumindo, os apócrifos e pseudepigrafos são uns dos responsáveis diretos por fazerem desviar os cristãos da fé original, ortodoxa e apostólica. Eles desviam ainda hoje as pessoas do cerne da mensagem cristã, a encarnação e paixão do DEUS Criador pela humanidade e conseqüente libertação pessoal que essa mensagem traz àquele que a recebe em seu coração.

 

É manifesto nas vidas de personagens históricos como Paulo, os mártires do Coliseu, Irineu, Pedro Valdo, John Huss e mais recentemente no encontro entre David wilkerson e o líder de gangues em N.York, Nicky Cruz, o poder do Evangelho real, que apresenta o Cristo crucificado e Ressurreto, em transformar vidas como acontecia nos dias em que o Mestre Galileu andava pela Palestina. Essas pessoas, juntamente com uma miríade de outras podem atestar que suas vidas nunca mais foram as mesmas após um “encontro” com o Mestre da Vida. Somente o Cristo ortodoxo, que viveu em carne e de fato permaneceu morto por três dias, mas que reviveu dentre os mortos pelo poder de DEUS, o qual o elevou aos céus e que espera o tempo ordenado para retornar e transformar a Terra de novo num jardim, pode tocar assim as pessoas.

 

O Cristo gnostico e o descrito nos apócrifos, no minimo, atiça a curiosidade das pessoas sobre episódios pouco importantes, se teve ou não relações com uma mulher, etc...No máximo, ele faz com que as pessoas se embrenhem pelo ocultismo e suas mais variadas formas, buscando o pote de ouro no fim do arco-íris do auto-conhecimento.

 Não se encontra testemunhos nesses meios de um sentimento de salvação, perdão e paz que pululam nos meios evangélicos ortodoxos, nem um sentimento de liberdade de espírito que causa uma transformação de qualidade nos relacionamentos da pessoas com o meio e as pessoas na qual vive, o sentimento que provem da idéia de que devemos amar ao próximo como Ele nos amou.

 

Geralmente, é isso que acontece quando alguém realmente tem um “encontro” com JESUS, e, de fato, a maior parte das iniciativas relevantes no cuidado aos necessitados no mundo todo, vem de organizações intrinsecamente cristãs como a Cruz Vermelha, o Exercito da Salvação, a fundação de Madre Teresa de Calcutá e até mesmo as maiores lutas pela liberdade e pelos direitos civis, como as perpetradas por gente como Martin Luther King e Ghandi em seus principio de não-violencia, advem do cristianismo genuíno.

 Os “outros  evangelhos” e os “falsos Cristos” não podem produzir nada parecido, mas vão na contramão do original e produzem um sentimento de isolamento das necessidades do próximo e dos relacionamentos humanos em geral, um esfriamento gradativo da capacidade de se importar com as pessoas ao redor e uma dependência cada vez maior de experiências místicas e de seres que habitam nas penumbras, pretensos guias, que levarão seus incautos seguidores a se perder nos labirintos profundos das viagens psíquicas dentro da alma humana. Ressoam as palavras do apostolo Pedro sobre os falsos mestres já em seu tempo: “... porquanto, proferindo palavras jactanciosas de vaidade, engodam com paixões carnais, por suas libertinagens, aqueles que estavam prestes a fugir dos que andam no erro, prometendo-lhes liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois aquele que é vencido fica escravo do vencedor” – II Pedro 2, 18 e 19

 

CONCLUINDO - A BATALHA DAS COSMOVISÕES

 Uma verdadeira cruzada tem se organizado no mundo contemporâneo a fim de dar combate à idéia de um DEUS criador dos céus e da Terra e da proclamação de um Evangelho Universal de Salvação.

  Podemos concordar no fato de que o pensamento religioso muitas vezes não nos faz pessoas melhores. Há muitas guerras e conflitos armados de cunho religioso no mundo, há pessoas que se confessam religiosas e cometem atos aviltantes, muito embora confessem algum tipo de credo, mas podemos reverter essa aparente contradição ao apontarmos que o problema não será resolvido tirando a idéia de DEUS dessas pessoas, mas afirmando que existe muito pouco do DEUS Vivo e verdadeiro de fato nelas.

O mundo e as pessoas, não importa a religião que seguem ou o credo que confessam, precisam na verdade de mais de DEUS, do DEUS verdadeiro, do DEUS Vivo, que Se manifesta em AMOR, PERDÃO, RECONCILIAÇÃO, PAZ e TRANSFORMAÇÃO na vida das pessoas que O encontram.

 Os lares cristãos precisam transbordar novamente da Gloria e da Vida de DEUS para que possamos, como nos dias antigos, espalhar a novidade, o vinho novo, e expulsar os demônios (literalmente)do ceticismo e da falsa ciência (gnose) atraves do impacto do verdadeiro Poder de DEUS, o Evangelho da Salvação, nas vidas dos redimidos. Os seguidores do Caminho enfrentaram batalhas num terreno muito parecido com o que vemos hoje: fé supersticiosa, animismo, ceticismo, devassidão, mas eles venceram pelo testemunho de suas vidas transformadas.

 

É bom que o mundo saiba que não temos uma fé supersticiosa que não pode ser sustentada com fatos plausíveis. Como vimos, a ciência e a propaganda por um falso cristo vem sendo duramente combatida e desbancada pela investigação mais aprofundada, mas não devemos esperar que os que são do mundo reconheçam isso. Satanás nunca iria permiti-lo. Podemos esperar, ao contrario, um recrudescimento das tentativas de retirar a autoridade das Escrituras e mesmo perseguição àqueles que pregam seus valores. Isso já vem acontecendo há muito tempo em vários níveis.

 

Para nós, fica a lição de que a Historia está do nosso lado porque nosso DEUS é o dono dela. As políticas humanistas e sociais que se apóiam na evolução do ser humano e que excluíram DEUS de sua agenda, nunca produziram uma melhora do ser humano, muito pelo contrario. A ciência, como vimos, não pode arrogar a si o direito de dizer que o homem deve deixar de cultuar DEUS porque Ele não existe, porque essa não é sua atribuição inicial, visto que não há respostas suficientemente boas para o problema da origem da vida na Terra.

 

Os detratores do Evangelho Verdadeiro, movidos pelo hálito de satanás, não possuem nada a seu favor a não ser sua infindável criatividade e a curiosidade mórbida das pessoas pelo obscurantismo e a fome por romances rocambolescos.

 Por tudo isso, creio mesmo que somos mais do que conquistadores, como diz Paulo, pois alheio a todas as adversidades criadas, podemos divisar claramente O ALVO, mantendo-o sempre à vista, e Ele não é outro senão o próprio Ressucitado.





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