27 janeiro 2008

ACAUTELAI-VOS DO FERMENTO - TEOLOGIA DO DOMINIO

Sobre as atuais predisposições politicas dos nossos lideres evangelicos, escrevi este email a um pastor local que possui um jornal de circulação gratuita após vê-lo numa edição do jornal abraçado a politicos em campanha (um ex-deputado, investigado na cpi do narcotrafico e um candidato a governador na ultima eleição). Não, ele não estava pregando a Palavra a eles, estava declarando-lhes apoio e sinalizando "a vontade do SENHOR" a suas ovelhas. Não fui respondido e nem sei se ele leu, mas esse pendor atual em tentar produzir uma "maioria moral" no Brasil me deixa doente. Sendo assim, escrevi:

“ACAUTELAI-VOS DO FERMENTO”
Sabe, pastor, tenho tentado entender a predisposição política dos cristãos atuais como algo “natural”...Tão natural quanto poderia ser p/ um povo ao qual a Bíblia afirma ser “sacerdócio real” e “forasteiros e peregrinos” nesta terra.
Na verdade isso demonstra toda nossa “naturalidade” diante do mundo... “Natural” demais.
A analogia que me vem a mente é a imagem de uma pomba imaculadamente branca, achando num poço de alcatrão um bom lugar p/ pousar, por algum motivo inexplicável.
Vivemos hoje ( o povo evangélico ) um momento peculiar: está ocorrendo um verdadeiro boom gospel de ministérios televisivos gigantescos e adoradores com cds na lista dos + vendidos da Veja, já temos até mesmo nossa própria versão de políticos corruptos.
Conseguimos, somos mainstream.
E agora, p/ consolidar de vez nosso poderio, várias denominações lançam seus próprios candidatos ou apóiam abertamente medalhões da política nacional, afinal, “a Igreja tem que se posicionar e militar pelo bem social, contra a corrupção, pela moral”,etc..
O argumento que mais ouço nesses tempos p/ justificar essa posição, logicamente, é “bíblico”: Gênesis 1,28 com ênfase na palavra “dominai”. O propósito de YAHWEH p/ o homem, interrompido no Éden, finalmente se descortina p/ a Igreja.
Assim, um meio eficiente de “trazer o Reino p/ baixo” seria a participação cada vez maior dos líderes cristãos na política, afinal, onde o justo governa, há regozijo, não? O que poderia haver de errado nesse princípio? Será que ele não esconde nenhum tipo de laço, engano ou sofisma?
Ouvi de um irmão, orientado a votar no candidato de sua denominação, que o objetivo era eleger “homens de Deus” que representassem os “interesses evangélicos” contra leis imorais e medidas que visam cercear nossa liberdade de expressão. “Naturalmente” foi ouvida a voz do SENHOR p/ que tal pessoa fosse lançada como candidato... Mas o tal não se elegeu. A pergunta que fica é se não estamos confundindo nossos bons planos p/ a nossa denominação com o propósito eterno de DEUS p/ a Sua Igreja e se estamos orando p/ descobrir a Sua vontade ou pedindo p/ que Ele abençoe a nossa.
O argumento de Gen. 1,28 é tentador p/ um povo que vem alcançando um percentual numérico expressivo e nós não somos os únicos a perceber isso, tenha a certeza.
Será que a História pode nos ensinar algo sobre algum momento semelhante no passado? Sim, pode.
325 dc: após séculos de perseguição e martírio, Constantino oferece aos bispos da Igreja algo inimaginável= liberdade irrestrita, sossego... e domínio secular. A partir de então, a voz da Igreja seria lei. Quem poderia contestar que era essa a vitória final do cristianismo sobre seus inimigos, como recusar tamanho benefício a Igreja de Cristo, tão combatida e sofrida, como negar o incrível dinamismo que invadiria o evangelismo?
Como negar também que da maior “vitória” sobreveio a maior derrota do cristianismo desde sua fundação, percorrendo o caminho inverso do Mestre que da maior derrota, tirou a maior vitória?
É óbvio que os patriarcas não tiveram armas p/ resistir e sucumbiram diante da mesma tentação a qual Nosso Senhor resistiu como O BRAVO que é. A tentação do caminho mais curto e fácil, sem cruz, sem sacrifício, sem glória, baseado numa encenação de capitulação do inimigo. Nada mais natural p/ nós, seres humanos. Não é condenável, apenas natural, ou seja, parte da nossa fraqueza hereditaria.
Quero salientar que não quero polemizar e sim, arrazoar, como pessoa temente a DEUS que se preocupa com os caminhos e posições adotados pela maioria esmagadora das denominações e de líderes que dizem estar ouvindo a voz do Espírito p/ orientar seu rebanho. Será que é hora de possuirmos cada vez mais coisas no mundo quando Nosso Senhor disse que Seu Reino não é deste mundo (Jo 18,36 ), se é hora de colocarmos nossos irmãos na fornalha de ferro p/ impedir que venha tribulação e perseguição quando devíamos orar como a Igreja fazia nos momentos difíceis ( Atos 12,5; 2,42), se é hora de tentarmos melhorar as condições do cativeiro quando a ordem é p/ sairmos da Babilônia (Apoc 18,4) e voltarmos p/ Jerusalém, se é hora de buscarmos aquilo que os gentios procuram ou buscar primeiro o Reino ( Mat 6,33), se é hora de buscar domínio sobre algo falido ou cumprir a ordem mais imperativa do Cristo: “Ide, pregai o Evangelho, fazei discípulos”
Estamos indo a política p/ pregar o Evangelho, dizendo p/ que se arrependam ou p/ fazer “política evangélica”? Nesse caso, estaremos sendo da Lei ou da Graça? É lícito p/ um líder cristão posar ao lado de um ímpio declarando-lhe apoio como se eles fossem verdadeiros representantes de justiça quando sabemos a verdade e nos furtamos em declara-la em rosto como faria um João Batista, um Elias, um Jeremias, ou procuramos agradar aos homens?
Sinceramente, antes de selar as mãos, alguém lhes fez o favor de declarar que não confiaveis, que são pecadores e que não confiamos na força de seus braços e, na verdade, nem mesmo nos nossos, mas numa justiça que não está a disposição de homens soberbos?
Há comunhão entre a Luz e as trevas (supondo-se é claro que nossas lâmpadas estejam acesas)? Assim, eu devo concluir que a amada Igreja de Nosso Senhor descumpre uma exortação do SENHOR JESUS em Mat.16 : “Acautelai-vos do fermento dos fariseus”.
Os fariseus eram mais como um partido político da época...evangélico, é claro.
Estamos tão inchados desse fermento, que não podemos nem apontar apologeticamente os erros doutrinários do nossa “madrasta má”, a igreja católica romana. Nos tornamos tão babilônicos, ou confusos mesmo, quanto eles.

“TORNA-NOS A NOS TRAZER, Ó DEUS DA NOSSA SALVAÇÃO, E RETIRA DE NÓS A TUA IRA... NÃO TORNARÁS A VIVIFICARMOS P/ QUE TEU POVO SE ALEGRE EM TI?” - SALMO 85,4 & 6

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