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“O QUE FAREI ENTÃO DE JESUS, CHAMADO O CRISTO?”

MATEUS 27.22

Quando Pilatos fez essa pergunta naquele dia p/ saber o que fazer com aquele galileu, não imaginava que ela continuaria sendo relevante mais de dois mil anos depois, num mundo transformado pela tecnologia, sim, mas no qual a maioria vive uma profunda crise interior.

A pergunta de Pilatos continua pertinente aos dias de hoje, ecoando entre os séculos e assombrando-nos com sua atualidade porque o homem não construiu um mundo melhor, aliás, há muito mais injustiça social e violência hoje que em qualquer época e mais insegurança sobre o destino de todos num mundo em que apenas um terremoto ceifou 300 mil vidas na Indonésia. Sobretudo, o homem não conseguiu respostas convincentes p/ as perguntas que mais inquietam a alma humana como “qual o propósito da vida?”

Nenhum homem, em qualquer momento da História, foi mais convincente do que JESUS de Nazaré, em qualquer aspecto que se olhe p/ ELE. Ninguém pode negar, ELE dividiu a História. Ainda assim, o mundo prefere ignora-lo e duvidar que Ele é quem disse que era.

Pilatos representava o poder do mundo, o poder de Roma, o poder político e econômico, mas não pôde reconhecer o poder espiritual que estava diante dele e perguntou: “Que é a verdade?”.

O sistema satânico do mundo nunca reconhecerá JESUS como SENHOR de tudo porque isso seria sua ruína. Por isso, ele tenta cegar as pessoas, fazendo com que andem em círculos, obrigando-as a somente olharem p/ si mesmas e suas tarefas diárias, num calendário que sempre nos leva ao mesmo ponto: um ano sai e outro chega, renovam-se os votos de vida nova, tudo novo, mas nada realmente muda.O mundo não tem o poder de transformar alguém em uma nova pessoa pois “não se deita vinho novo em odres velhos”.

Analise a hipocrisia de uma festa como o Natal. As pessoas se cumprimentam e desejam um feliz natal às outras, mas quantos param a comilança e a beberrança para refletir sobre "O Por quê"  de existir essa data no calendário? Aliás, uma festa usurpada de uma tradição pagã romana, o nascimento do deus-sol, Mitra, no solsticio de inverno europeu. Uma festa mundana em sua origem e que em nossos dias retorna para as mãos de suas divindades, pois ninguem duvida que o personagem principal do natal baseado no consumo desenfreado é  Papai Noel, um persongem calcado em cima de varios mitos, entre eles o deus nordico Wotan. 

O verdadeiro Natal não é uma data no calendario mas UMA PESSOA e durante todo os dias do ano essa pessoa é ignorada solenemente e nesse dia Ele é afrontado pelo materialismo, indiferença e sarcasmo das pessoas que nunca param suas vidas para ouvir Sua vontade.

Mas e você? O que tem feito de JESUS, chamado o Cristo, em sua vida? Todos professam conhece-lo e até admitem que Ele é realmente o filho de DEUS, mas não sabem dizer exatamente que diferença isso faz em suas vidas.Se deveria fazer alguma diferença? Sim, TODA diferença.

Geralmente, quando é feita a pergunta “você conhece a Jesus ?”, as pessoas responderão que sim, o que não deixa de ser uma verdade, mas somente até certo ponto, pois a palavra conhecer no sentido como era usada pelos judeus antigamente envolve muito mais do que simplesmente saber quem é a pessoa e o que ela fez, sendo usada até mesmo para descrever a intimidade do ato conjugal. Assim, conhecer envolve relacionamento,intimidade,reciprocidade. Podemos exemplificar dizendo que se alguém te perguntar se você conhece o presidente Lula você podera´dizer que sim e até mesmo falar sobre alguns fatos que sabe sobre sua trajetória para fundamentar o seu conhecimento sobre ele. Mas, digamos que você queira muito entrar numa festa em que somente amigos do presidente possam entrar. Você chega na portaria e declara que conhece o presidente e o porteiro o leva a sua presença e pergunta a ele: “Esse cidadão diz que conhece V. Excelência . V. Excelência pode dizer a mesma coisa?” Você estaria numa situação de saia justa, não?

Muitos crêem na vida após a morte e que entrar em algum tipo de paraíso é um direito adquirido por todo ser humano médio, nem muito bom, nem muito ruim, mas veja as palavras do próprio JESUS em Mateus 10, a partir dos versos 32 e 33:

“Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus;  mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus”

Será que você está disposto a resolver essa questão crucial em sua vida? Faça como o próprio JESUS disse: “Mas você, quando orar, entre no seu quarto e, trancando a porta, ore ao Pai que está em oculto, e ELE te recompensará”- Mateus 6, 6.

Faça isso pedindo a orientação do Espírito Santo de DEUS e veja se pode continuar ignorando que durante todo esse tempo você tem gritado junto àquela multidão: “Crucifica-o, crucifica-o!”

Não dizemos isso na intenção de acusa-los, mas porque hoje sabemos que também nós o crucificamos muitas vezes c/ nossas escolhas, atos e omissões, até que ELE nos atraiu e a sombra da cruz caiu sobre nossos olhos, que se abriram p/ o seu AMOR e não pudemos mais ignora-lo.

É o seu AMOR que nos faz ter a ousadia de anunciar a todos a condenação do mundo e que nos salva de seguir nessa condenação.

 “Porque DEUS amou o mundo de tal maneira que deu seu único filho p/ que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” – João 3,16

 

Obs: o verbo “ter”, no grego, tem o sentido de segurar c/ firmeza, possuir c/ convicção. Ou seja, é preciso tomar posse daquilo que Ele fez por nós. Aquele que não toma posse da herança, não pode estar entre os herdeiros


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UM CHAMADO À ANGUSTIA - DAVID WILKERSON

"Não é fácil para eu dar uma mensagem como esta. Tenho reclamado ao Senhor, dizendo: "Será que não poderias me dar uma mensagem mais agradável?". No entanto ele me deu um chamado à angústia. Pode não ser para todos os leitores, mas Deus tem falado comigo, e preciso compartilhar com quem puder ouvir.

Não sei quanto a você, mas eu estou cansado de ouvir sobre avivamentos, despertamentos, derramamentos do Espírito para os últimos dias. Já ouvi essa retórica por 50 anos. É apenas retórica, na maioria das vezes, sem qualquer significado real. Estou cansado de ouvir pessoas dizerem na igreja que querem ver seus familiares convertidos. Estou cansado de ouvi,..Jas dizer que estão preocupadas com seu ca¬samento problemático, quando é apenas conversa, retórica vazia.

Não quero mais ouvir sobre imoralida¬de no nosso pais, sobre a depravação da sociedade, sobre corrupção e desonesti¬dade nos negócios. Estou cansado de ou¬vir sobre os muçulmanos que estão cada vez mais fortes, sobre o enfraquecimento do cristianismo, sobre a falta de vida na Igreja. Tudo isso também não passa de retórica vazia, nunca muda nada.

Estou cansado também de tantas conferências sobre "Como obter suces¬so", porque não produzem nada. aComo enfrentar dificuldades", "Como levar sua igreja a crescer", "Como alcançar os per¬didos", "Como melhorar sua habilidade para lidar com pessoas", "Como impactar o mundo nesta era de informática". Quan¬do olho para o cenário religioso de hoje, o que vejo são invenções e ministérios do homem, da carne. Na maior parte, não há poder, não há impacto sobre o mundo.

Sem a Presença de Deus - e Sem Angústia

Vejo o mundo entrando cada vez mais na igreja, impactando a igreja ao invés de ser impactado por ela. Vejo a música tomando conta da casa de Deus, o entretenimento tomando conta da casa de Deus, uma verdadeira obsessão com apresentações e entretenimento. Há uma aversão à repreensão, à disciplina; nin¬guém quer ouvir nada negativo.

Quantas vezes, nos últimos tempos, você participou de um culto em que a presença do Espírito Santo foi tão forte

e seus pecados foram expostos ao seu coração, e você pôde ter um encontro com o amor e a graça de Deus? Quando foi a última vez em que viu jovens caindo de rosto em terra, clamando por misericórdia, porque o povo de Deus esteve prostrado antes na presença dele com tamanho encargo e agonía que um espírito de convícção foi enviado do céu sobre eles? Quantas vezes, nos últimos meses, você ouviu uma palavra de pregação que ardeu tão forte em sua alma que só podia ter vin¬do direto do céu, do coração de Deus?

O que foi que aconteceu com a an¬gústia na casa de Deus? O que aconteceu com angústia no ministério? Nem sequer se pronuncia essa palavra na nossa era amimada. Angústia significa extrema dor e aflição, as emoções aguçadas de tal forma, em virtude das condições interiores ou daquelas à sua volta, que o sofrimento se torna profundo, agudo, intenso. Angús¬tia é profunda dor, tristeza, a agonia do

ração de Deus.

Conseguimos manter nossa retórica religiosa e nosso vocabulário de aviva¬mento apesar de nos termos tornado ex¬tremamente passivos. O que chamamos de despertamento ou avivamento pessoal tem tido duração muito curta. Quando somos tocados pela mão de Deus, prometemos¬lhe que não voltaremos mais à passividade; entretanto, passadas algumas semanas ou meses, já nos esfriamos e caímos numa passividade maior ainda que no início.

Falo por experíência. Dizemos: "Desta vez, ó Deus, tu me tocaste e me mudas¬te por toda a vida; nunca mais serei o mesmo". É como a explosão de fogos de artifício. Produzem um grande estrondo e depois desaparecem.

A Situação de Ruína

Toda verdadeira paixão nasce da an¬gústia. Toda verdadeira paixão por Jesus nasce de um batismo de angústia. Se examinar as Escrituras, verá que quando Deus decidia restaurar uma situação arruinada, ele procurava um homem que orava e o levava às águas de angústia. Ele dividia com esse homem sua própria angústia por causa do que estava acon¬tecendo com seu povo. Ele o levava a um verdadeiro batismo de angústia.

Foi o que aconteceu no livro de Neemias. Jerusalém estava em ruínas. O centro do interesse de Deus na Terra, a cidade santa agora estava devastada, cheia de iniqüidade e de casamentos mistos entre o povo de Deus e pessoas pa¬gãs. Estavam escravizando seus próprios compatriotas, oprimindo os pobres. A casa de Deus estava Poluída com imundícia, o sumo sacerdote em conluio com Tobias, o réprobo pagão. Como Deus iria tratar essa situação? Como restauraria as ruínas?

Estamos diante de uma situação semelhante hoje - só que muito pior. Os homens estão ficando cada vez mais per¬versos, assim como Jesus predisse que aconteceria. A Igreja está contaminada com pedofilia, molestamento de crianças, incesto e adultério. As nações "cristãs" do Ocidente estão em acelerado declínio moral, inundadas com imundícia porno¬gráfica que causa vergonha ao restante do mundo. A ruína e o caos moral estão atin¬gindo a casa de Deus também. Multidões de cristãos em toda parte se reúnem para falar do próximo capítulo da novela ou do seriado que domina sua atenção e que, muitas vezes, exibe violência, promiscui¬dade, desonestidade e mentiras. Eles vão para os cultos, levantam as mãos, cantam, aplaudem, são abençoados - e voltam para casa para continuar enchendo os olhos com toda essa sujeira!

Agora, não me entenda mal: eu creio no amor de Deus. Prego sempre sobre a misericQrdia e a graça de Deus, sobre o seu amor de aliança. Creio que é importante falar sobre a bondade e a longanimidade de Jesus. Multidões de pessoas, porém, estão sendo bombardeadas hoje com mensagens de auto-ajuda. As pessoas estão transformando a graça de Deus em sensualidade, em cobiça carnal. Tornamo¬nos como os filhos de Israel, que diziam as palavras certas, mas cujo coração não estava reto com Deus (veja Dt 5.28,29).

Por Que Neemias?

Em Neemias 1.1-4, uma delegação chegou a Neemias da cidade arruinada de Jerusalém e contou-lhe como a cidade es¬tava devastada e como os muros estavam caídos. Eram homens, sem dúvida, te¬mentes a Deus, contudo não tinham idéia alguma de como Deus poderia resolver a situação ou trazer uma restauração. Só souberam relatar a ruína, a decadência, o desespero e a de•sesperança.

Qual foi a resposta de Neemias? 'Ten¬do eu ouvido estas palavras, assentei-me e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus" (Ne 1.4). Deus achou um ho¬mem de oração e o fez descer às águas da angústia.

"Estejam, pois, atentos os teus ouvidos [. .. ] à oração do teu servo, que hoje faço à tua presença, dia e noite, pelos filhos de Israel, teus servos; e faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, que temos cometido contra ti; pois eu e a casa de meu pai temos pecado" (Ne 1.6).

Neemias não era um pregador; era um homem de carreira secular, o copeiro do rei. Ele tinha uma vida de conforto, trabalhando no palácio. Podemos dizer que estava com a vida feita. Porém era um homem de oração. Deus achou um homem que não teria um mero súbito de emoção, um grande surto de interesse e preocupação que logo se dissiparia. Neemias chorou, lamentou, pôs-se a jejuar e orar noite e dia.

Um dos homens que fazia parte da delegação chamava-se Hanani. Sabemos que era um homem temente a Deus porque posteriormente foi nomeado como um dos governantes da cidade (Ne 7.2). Por que ele ou um dos outros não tinha uma solu¬ção para a situação? Por que Deus não os usou para restaurar a cidade? Porque não houve nenhum sinal de angústia! Não havia lágrimas, nenhuma palavra de oração.

Tem alguma importância para você o fato de que a Jerusalém de Deus atual, a Igreja, está em aliança com o mundo? Que há tanta frieza por toda parte? Multidões de pessoas estão caindo em passividade total. Preferem ir a igrejas onde podem ou¬vir mensagens suaves; não querem mais ouvir falar de ira ou repreensão. A ruína em que estamos - isso lhe importa?

Ou, chegando mais perto da sua vida pessoal, você se importa com a condição da Jerusalém de dentro, do coração? Tem percebido os sinais de ruínas que lentamente drenam sua paixão e poder espiritual? Ou está cego à mornidão, cego à mistura que vai se infiltrando impercep¬tivelmente? A cegueira espiritual, quando chega, raramente é notada. Geralmente é a última coisa a ser reconhecida por um filho de Deus que está em processo de decadência.

Como você reagiria se seu pastor ou alguém que o acompanha, conhece bem e se preocupa com sua vida chegasse e lhe dissesse: "Eu o amo, mas preciso dizer lhe a verdade. Você está mudando, está

 

caindo de onde estava antes. Há algum elemento do mundo que está invadindo seu coração. Não sei o que o está influen¬ciando, mas vejo mudanças em sua vida. Não há mais aquele quebrantamento, a compaixão que antes tinha por sua família. Não vejo preocupação pelos seus fami¬liares que não conhecem a Jesus. Você está mudando; pouco a pouco, algo está lhe acontecendo".

Será que você cairia de joelhos se a ruína que nem havia percebido de repente fosse revelada diante dos seus olhos? Apesar dos louvores maravilhosos e cultos abençoados, muitos estão mudando para o pior e nem se aperceberam disso. Estamos perdendo nossa garra. É a estratégia do ini¬migo - tirar sua garra para lutar em oração e chorar diante de Deus. Você fica acomo¬dado, assistindo à televisão, enquanto sua família caminha para o inferno!

Será que você realmente se importa que os seus familiares ou amigos estejam caminhando para o inferno enquanto nos aproximamos cada vez mais do fim de tudo? Você se preocupa com a possibilida¬de de se perderem pessoas tão próximas a alguém que ama a Jesus? Onde está a angústia, onde estão as lágrimas? Onde está a lamentação, onde está o jejum? Onde estão as pessoas que se levantam no meio da noite para expressar sua an¬gústia em oração? Onde está a confissão de pecados, pecados próprios e pecados dos filhos ou do cônjuge diante do Se¬nhor? Foi exatamente isto que Neemias fez (Ne 1.6). Foi também o que Daniel fez (veja Dn 9.5-14)."

 

Originalmente publicado no jornal “Arauto da Sua Vinda” de março/abril de 2008

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DUAS CASAS

Este é um estudo biblico que preparei a algum tempo que trata daquilo que tem sido uma grande dificuldade para mim nestes anos em que me dispus a ser discipulado dentro de uma denominação cristã: comunhão verdadeira que nasce de um relacionamento verdadeiro. Confiança que só pode ser gerada no convivio.

Geralmente, relacionamento dentro da "igreja" se resume em acreditar naquilo que se diz sobre o pulpito sem muitos questionamentos, frequentar os cultos, estudos biblicos e a escola dominical e, lógico, dar o dizimo e estar sempre na frente, respondendo aos apelos do pastor, prova da aceitação da mensagem (se possivel com uns estremeliques na hora da oração). Depois do culto, nos cumprimentamos com um sorriso e desejamos uma boa semana aos irmãos, depois de conversar um pouco com aqueles que temos afinidades e em geral, o assunto gira em torno de amenidades, coisas triviais. Acabamos por experimentar um nivel pifio de verdadeira unidade e comunhão entre os membros e lideres, um certo desconhecimento das dificuldades e deficiencias mutuas, que gera uma certa frieza e distanciamento dos problemas que todos temos como seres humanos. 

A ovelha que começa a trazer muitos problemas ao conhecimento do pastor acaba criando o estigma de pessoa chata e sem fé, que não absorve a pregação, por isso tem tantos problemas. O pastor ou lider em geral, tem que ser praticamente um superherói e nunca pode se apresentar diante do publico em fraqueza ou duvida, afinal é o lider que ouve a voz de DEUS, não? Ele tem sempre que ser a imagem da vitoria. Imagine um pastor dizer que não pode pregar num domingo a noite (logo num domingo a noite!) porque está com uma crise vocacional. De modo algum, o show tem que continuar!

No entanto, somos todos humanos e fraquejamos em tudo e até mesmo na fé. Não sei se sou mais fraco que outros, na verdade, acho apenas que tento ser honesto comigo mesmo sobre o ponto em que me encontro na minha peregrinação. Essa sinceridade comigo mesmo me fez ver não só minhas proprias mazelas mas o distanciamento entre o discurso que temos nos pulpitos e o testemunho escrituristico de Poder de DEUS no meio da Ekklesia. 

Paradoxalmente, nosso discurso é cada vez mais " biblico": nunca tivemos tantas "revelações" tiradas da Biblia (oferta de primicias, teologia do dominio, cinco ministerios de Efesios 4.11, restauração da Igreja, restauração dos dons profeticos, etc...) mas, em contrapartida, nossa pratica diaria não demosntra tanto Poder divino para trasformar vidas em dinamos que levem mais pessoas a ter um relacionamento mais profundo com DEUS. Nossas comunidades estão cheias de pessoas que não conseguem sair do nivel superficial, há pouco fervor na oração, há pouco clamor por mais de DEUS. Nunca se viu tanto divorcio no meio evangelico. Há muito do homem nos pulpitos, muita manipulação da alma, neurolinguistica, praticas motivacionais que fazem sucesso entre empresarios.Muita alma, pouco Espirito. Porque srá que vejo mais "curas" psicologicas do que verdadeiras curas fisicas?

Algo está errado. Algo está muito errado. Será que as promessas de DEUS se findaram? Por que será que Ele não cuida melhor do Seu testemunho limpando sua eira do trabalho debil da mão dos homens? Ah, se Ele enviasse Seu Fogo Consumidor e nos fizesse proclamar em alto e bom som como temos sido hipocritas diante de todo o mundo!

Tenho lido sobre homens sinceros que tem clamado por um mover soberano da parte de DEUS já mais de 50 anos. Gostaria de saber como esses homens se mantem em constante angustia pelo testemunho da Ekklesia todo esse tempo, porque eu já estou exausto depois e cinco anos. Pensei que eu ia aguentar mais. 

HOmens tremendos como David Wilkerson, usado por DEUS para converter lideres de gangues em Nova Iorque, historia afamada e contada no livro "A Cruz e o Punhal" tem falado sobre isso. No jornal interdenominacional Arauto de Sua Vinda, que vc pode receber de graça, na edição de março/abril de 2008, ele escreve sobre seu "Chamado à Angustia". Vale a pena ler se voce é um inconformado com o nivel que tem vivido.

Enquanto o Espirito Santo não se pronuncia , para sorte de uns, alguem diria, porem, devemos ser sinceros o suficiente e q uestionar sobre nossos metodos e modelos eclesiasticos (ô palavrinha!!) e nossa liturgia (outra que devia ser limada da igreja para sempre!). Espero que aquele que ler o artigo possa absorver algo edificante.


DUAS CASAS

 - Mateus 7, 24 a 27 mostra duas casas: uma edificada sobre a areia, a outra sobre a rocha, uma pode subsistir p/ sempre, a outra não; há um paralelo em Provérbios 9, onde  também vemos duas casas: uma é a casa da Sabedoria, a outra de uma mulher louca;

 

- a Sabedoria é personificada numa mulher q preparou um palácio (uma casa de sete colunas, portanto suntuosa) e preparou um banquete, convidando a muitos; sabemos, portanto q a Sabedoria é uma figura representando o SENHOR JESUS e seu ministério, pois ali diz q essa mulher “edificou, lavrou, sacrificou, misturou o vinho, preparou a mesa e deu ordens aos servos p/ q convidassem a muitos = exemplo de dedicação, abnegação, perseverança e cuidado com um objetivo único: p/ q muitos viessem a participar das Bodas do Cordeiro, da aliança no sangue e no pão. Assim, podemos dizer q uma casa de Sabedoria é uma casa evangelistica q está sempre pronta a lançar a pedra de edificação, a pedra angular;

 

- já da casa da louca se diz q não quer saber de nada: um verbo exprime ação e os dois únicos verbos encontrados ali são ‘assentar’ e ‘chamar’; Em contraste à casa da Sabedoria, essa casa assenta-se comodamente e fala coisas agradáveis e fáceis aos q passam... fala,fala, fala, mas seu discurso não produz vida, só morte (v. 18). Ela pode ser comparada a igreja de Sardes, pois ali só há mortos. Paulo diz em I Cor. 4, 19 e 20 aos que andavam ‘inchados’ em seu discurso: “O Reino de DEUS não consiste em palavras mas em PODER”; a palavra ‘inchado’ (tuphloo) vem da raiz da palavra grega para fumaça, fazer fumaça, ou seja, quando a Palavra diz q o inimigo cegou o entendimento dos incrédulos  quer dizer que ele teceu sobre seus olhos uma cortina de fumaça e aquele q está inchado está cheio dessa fumaça;

 

- a casa da mulher louca é a casa construída sobre a areia e não poderá permanecer contra a tempestade e os ventos q sopram contra ela, q é uma figura dos ataques do inimigo para minar suas forças: opressão, perseguição, tribulação, divisão, duvidas, frieza, etc; Na parábola, as duas casas são açoitadas pelas mesmas intempéries, mas só a casa edificada sobre a Rocha poderá permanecer como verdadeira ‘casa de DEUS’(Betel), a outra rapidamente se tornará num ‘monte de pedras’, da qual também temos um paralelo na Bíblia – a cidade de Ai (ruínas) destruída em Josué 8,28; 

 

AI E BETEL

 - Ai, como vimos em Josué, é uma cidade q por um espaço de tempo resistiu e chegou a vencer o povo de DEUS em batalha, porquanto nele havia anátema e isto é uma figura do quão puros e santificados devemos ser para que o SENHOR venha a cumprir seus propósitos em nós; ali vemos q Ai prosperou durante certo tempo, firme e sólida, como aquela casa feita sobre a areia em Mateus, a qual estava já em pé e suportou as provas por algum tempo, mas não pode resistir até o fim, prova de q não poderia ser usada por DEUS como habitação da Sua Glória: Assim, Ai se parece com a Casa de DEUS, tem uma fachada de casa de DEUS, mas nela só habitam os mortos;

 

- Precisamos saber diferenciar, a discernir qual a real diferença entre elas, porque vivemos em tempos trabalhosos, tempo de angustia p/ Jacó, tempo d multiplicação da iniqüidade e esfriamento no amor pois o mistério da injustiça descrito em II Tess 2.7 avança, enganando, seduzindo com palavras, palavras, doutrinas e ventos de doutrina, “um pouco aqui, um pouco ali”(Isaias 28. 10 e 13 – curioso q nessa mesma passagem, o SENHOR fala sobre a pedra de esquina, a pedra da edificação: “quem tem ouvidos p/ ouvir, q ouça”)

 

- vemos no verso 17 a louca dizer que “as águas roubadas são doces” = uma expressão parecida é usada em Mal. 3.10 p/ descrever aqueles que roubam a DEUS simplesmente por não entregarem os dízimos do Templo (se o povo podia roubar do sacerdocio, o sacerdocio tembem roubava o povo, pois do total do dizimo tambem era tirado uma parte para o sustento do orfão e da viuva; em tempos de apostasia, com certeza esses eram os mais prejudicados pela avareza dos sacerdotes que só desejavam enriquecer, o que é um erro grave, ou mesmo só pretendiam usar o dinheiro para ornamentar o Templo, como se os pobres não fossem dignos de receber a parte que DEUS lhes deu, o que é outro erro - muitos lideres de hoje agem assim e cobram seu povo todos os dizimos e ofertas que têm direito mas se recusam a dar o alimento ao necessitado ); Assim, ‘aguas roubadas’ podem significar o ato de não saciar o sedento, de não levar a Água da Vida aos q estão no deserto; Assim também com a expressão “o pão comido às ocultas é suave”, querendo simbolizar a atitude daquele q tem o bastante e não quer dividir, retendo o alimento sagrado, o pão não é multiplicado p/ a multidão; Ai é incapaz de evangelizar, pois é preguiçosa, não busca se fortalecer no SENHOR, orando, jejuando e vigiando e, por isso, tem poucos filhos, não é fecunda (Josué 7.3);

 

- Em Ai há muito pouco daqueles sentimentos que Paulo recomendou aos filipenses (Filp. 2.1): consolo em Cristo, estimulo de Amor, comunhão no Espírito, alguns entranháveis afetos e compaixões e outros a seguir como um mesmo ânimo, humildade, companheirismo, etc, “de sorte que”, de forma que de maneira que, pudessem ter o mesmo sentimento que havia em Cristo. Em Ai, sobravam os credos e doutrinas, um mandamento sobre o outro, um interminável faça isso ou aquilo, um legalismo velado e uma tendência incontrolável a desconfiança entre os irmãos, onde é mais fácil julgar do q amparar e cuidar, muito mais cômodo condenar e abandonar q ter o trabalho de sarar e confirmar; Essa é Ai, onde as pessoas são amontoadas, como uma pilha de pedras, sem q sejam edificadas, talhadas, colocadas uma ao lado das outras, bem ajustadas como uma edificação sólida; Essa é a realidade de Ai, apesar de no momento ela poder exibir  um titulo de cidade-forte, uma placa ou outdoor iluminado;

 

- Falar sobre Betel, porem, é mais prazeroso, porque falamos das certezas de DEUS, da sua fidelidade e soberania, porque Betel é a casa edificada sobre um único fundamento: RELACIONAMENTO COM DEUS! Credos e doutrinas ficam em 2º ou 3° planos; Quando Abraão edificou altar a DEUS em Gênesis 12.7, isso não foi fruto de um credo ou doutrina, mas de vida com DEUS; assim também foi com Jacó em Gênesis 28.19; Vida com DEUS é tudo o q um cristão pode almejar;

 

- Betel é a casa edificada sobre a Rocha, sobre Cristo, a Sabedoria personificada em Prov. 9 e devemos estudar como Ele começou a edificar a Igreja, a casa do Pai, lançando a si mesmo como fundamento principal; Primeiro temos q dizer q a palavra casa remete a idéia de família, pois numa casa não moram estranhos, mas pessoas com um certo tipo de afinidade q vai alem de uma mera concordância mental sobre o q é a verdade: A idéia de q a igreja é um lugar onde nos reunimos p/ cantar alguns hinos, ouvir um sermão, entregar nossos dízimos e ofertas e não criar nenhum vinculo afetivo mais profundo vai contra a idéia de família e de casa que o SENHOR estabeleceu desde o Éden, passando por Noé, Sem, Abraão, José, pela própria nação de Israel, das celebrações festivas de Israel e da própria igreja primitiva (como está dito em Atos 2.44); O próprio Jesus declara em Mateus 12.46 a 50, q havia deixado sua familia terrestre p/ constituir outra maior;

 

- P/ falar em Betel é preciso voltar a Prov. 9, p/ saber como o SENHOR começou a edificar sua casa: todo o contexto retrata fielmente tudo aquilo q o SENHOR JESUS realizou em seu ministério, porém, vamos ficar com a frase “lavrou as sete colunas”, no v. I;

 

- Uma coluna significa algo construído p/ ser capaz de sustentar sobre si um peso enorme e isso nos diz muito sobre os três anos em q JESUS trabalhou intensamente na vida desses homens a fim de molda-los, talha-los, transforma-los a tal ponto q pudessem ser o sustentáculo da igreja, homens q aprenderam a suportar a pressão dessa árdua tarefa? Como se deu isso?

 

- Podemos dizer q os discípulos se juntaram ao SENHOR por dois motivos basicamente: pela doutrina revolucionaria (ensinada com autoridade) e pelos sinais q ratificavam o q João Batista dizia sobre Ele... Mas o q se seguiu? Os discípulos foram submetidos a algum ritual de iniciação, uma sessão de descarrego, foram levados p/ uma escola doutrinaria ou seminário teológico? Não. Eles foram introduzidos à vida de JESUS e vice-versa (João I, 38 e 39) – o ensino, a doutrina não eram ministrados numa ocasião solene (como hoje), mas em cada situação por qual eles passavam no dia a dia do grupo; cada incidente servia como ilustração p/ q o Mestre aplicasse uma passagem escrituristica ou uma interpretação totalmente nova da lei;

 

- Eu me sinto levado a imaginar q as ministrações mais intensas dos discípulos ocorriam nos intervalos das viagens constantes pelas cidades de Israel, nas paradas, longe do clamor da multidão, quando se reuniam ao seu redor p/ ouvir suas interpretações dos eventos ocorridos. Seu ensino não era comum, os discípulos podiam ver q ele vivia o q pregava, q era diferente. Mas, não importa o quão intenso era seu ensino, JESUS não os separou apenas p/ ensinar sua doutrina. JESUS estabeleceu com seus discípulos um relacionamento q ia além da relação aluno/mestre, tão comum nas sociedades orientais, Ele estabeleceu um verdadeiro relacionamento de familia com eles. Pode-se dizer q JESUS passou mais tempo investindo em amizade verdadeira q em doutrina, pois mesmo no fim do seu ministério entre os discípulos, os mesmos pareciam não ter entendido muita coisa do seu ensino. É o q deduzimos de passagens como MAT 20.17 a 21, MAR 9.33 E 34, LUC 22.24 E JO 11.16. Na verdade, não importava muito se eles entendiam ou não, mas o q realmente importava era o fato de, apesar de não entenderem tudo, estarem dispostos a ir até Jerusalém com ele sob risco de morte, o q significa q eles nutriam por ele um sentimento de caridade (q vem de caro, custo alto, alta conta). Por fim, os discipulos acabaram descobrindo isso entre si e disso resultou um doutrina verdadeira baseada no AMOR FRATERNAL: “Não vos chamo mais servos, mas amigos”; “Um novo mandamento vos dou: q vos ameis uns aos outros”; “Nisto conhecerão q sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” – não se pode amar um credo, uma doutrina, pelo menos não verdadeiramente.O Amor de DEUS nos faz pensar essencialmente em pessoas porque os dois principais mandamentos falam imperativamente sobre amor pessoal, primeiro a DEUS, ser pessoal, e depois ao semelhante, também pessoal. Os fariseus, os saduceus, amavam suas opiniões, mas não se amavam nem mesmo entre si.

 

- O principal ensino de Jesus aos discípulos foi pratico: ter vidas q glorificassem a DEUS; De q forma? Entendendo q, da mesma forma q DEUS deu seu único filho e Ele se deu ao mundo e aos discípulos, nós também, fomos dados, primeiramente, uns aos outros, depois ao mundo; Uma vida de serviço a DEUS e ao próximo é o q está descrito em passagens memoráveis como Mat. 5.16, Jô 13. 35; I Tim. 6. 17 a 19; textos tão pouco usados hoje em dia, mas q resumem a busca pela excelência de DEUS em nossas vidas;

 

- O verdadeiro desafio da cristandade atual não é dominar o mundo secular, mas sim, contra a mediocridade ( = andar na média) que quer nos forçar a viver vidas espirituais nanicas, colocando para baixo nossas expectativas a respeito do Reino desde o momento em q chegamos à igreja ; O diabo sabe o q é um cristão verdadeiro e treme quando se lembra como é um, de modo q tem trabalhado p/ nos tornar sacristãos, algo semelhante a um leão velho e sem dentes;

 

- I Cor 12.31: o caminho mais excelente não são os dons, o poder, a prosperidade, mas o AMOR AGAPE, q  faz nosso eu sumir no meio das suas labaredas; Cantares 8.6 e 7 fala sobre a intensidade desse Amor; Numa passagem memorável Paulo diz em II Cor. 6.11 a 13: “Não estais estreitados em nós, mas estais estreitados em vossos próprios afetos... Dilatai-vos pois, vós também!”- Um grupo de comunhão avivado é um grupo transformado pelo Amor de DEUS, q buscou o Amor de DEUS primeiramente uns nos outros antes mesmo de clamar pela presença do Pai, porque como posso querer encontra-lo se primeiro não reconhece-lo nos meus irmãos, como posso ansiar por cura espiritual se não busco consolar e confirmar aquele q está abatido ao meu lado, como podemos ansiar pelo cuidado de DEUS em minha vida se eu não quero cuidar, me deixar gastar um pouco q seja com os outros? Há tão pouco interesse entre nós em saber como anda a vida espiritual um dooutro; Em q é baseada nossa comunhão?

 

- Tiago 5.16: não se confessa pecado a quem não se confia; isso requer confiança e cumplicidade; Qual a última vez q te confessaram um erro e pediram p/ q vc orasse em concordância? Há muitos entre nós sendo feridos e abandonando fileiras nas quais serviram durante anos, não porque são fracas, mas porque foram traídas em sua confiança; É hora de começarmos a refletir porque não temos experimentado um tempo constante de crescimento e refrigério espiritual verdadeiro, não descanso das lutas e tribulações, mas ânimo no meio da opressão, ao invés de sequidão, estiagem, lacuna; não podemos julgar os q recuam nessa luta, temos q entender q essa opção é feita somente no desespero d quem está se sentindo morrendo;

 

- Nossa corrida: Jeremias 12.5: Eu tenho corrido contra os cavalos, todos corremos, uma corrida q parece desigual ao homem natural, porque parece q, às vezes, eles vão vencer, mas DEUS nunca os deixa desgarrarem; Nós podemos dar nomes a eles: desanimo, frieza, mediocridade, egoísmo, mas o nome do SENHOR é sobre nós, sinal de em quem ele tem apostado. Essa corrida só é iniciada se decidimos que queremos ser definidos no máximo (pouco menor q DEUS – salmo 8.5), não no minimo.

 

- JESUS não caminhou sozinho, procurou homens com os quais pudesse caminhar e ter tudo em comum; Paulo também procurou homens com o mesmo espírito e encontrou cumplicidade em homens como Barnabé, Silas, Timóteo, Tito e Lucas, procurando estabelecer isso onde quer q passasse, deixando isso patente na minha passagem preferida do Novo Testamento em Filipenses 2.1 a 5 – através de nos submetermos uns aos outros em amor, aprenderemos a submissão a voz do Espírito e a reconhecer os dons p/ edificação do Corpo presente na vida de cada irmão; No Corpo, não há um membro q seja maior q os outros, a não ser em responsabilidade diante de DEUS, como um apenas q receba a revelação ou visão completa sozinho, mas cada parte recebe da mesma Graça como participante da mesma natureza, da mesma família, do mesmo Espírito, do mesmo Pai, contribuindo p/ o incremento do Reino.

 

 

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AFINAL, EXISTEM MESMO SERES FANTASTICOS?


“NADA É MAIS DIGNO DE INCREDULIDADE QUE A REALIDADE” - DOSTOYÉVSKI
Um "serápis" ou "ser maravilhoso"

Boa observação, não? Ainda mais porque vem de alguém que se tornou um mestre entre todos os seres humanos na arte de observar a realidade sutil do mundo e das pessoas que o cercavam. Nada de obviedades. Os olhos de Fiodor Dostoyevski iam além do que os olhos comuns podiam descrever. Porém, parece um consenso geral de que a humanidade mudou muito nos últimos dois mil anos. Especialmente, nos últimos dois séculos, surgiu um tipo de sociedade diversa de tudo aquilo que o registro antropológico acadêmico sugere até agora.



Todas as sociedades antigas continham um profundo senso de mistério com relação à vida humana, de que vivemos num “mundo insondável”, parafraseando Castaneda, habitado não somente pela criação animal, mas também por seres insuspeitos, portadores de poderes assombrosos porque não limitados às leis comuns a todos os seres humanos. Hoje, caminhamos rumo a uma sociedade que tende a matar toda noção de mistério e sagrado que permeou a historia humana, desligando o homem da fonte original para liga-lo ao recém-criado mundo-virtual e sua infinidade de entretenimentos e distrações para uma humanidade já tão alienada de si mesma(O “Grande Maya” dos hinduístas está cada vez mais forte e presente entre nós). A profética constatação contida na carta do Grande Chefe Seattle, se cumpre em nossos dias.
Eles foram chamados deuses, anjos, os titãs de outrora e povoaram o imaginário da humanidade de tal modo que é impossível desvincular o progresso da arte e da arquitetura da espiritualidade dos povos. As mais fabulosas construções de toda Historia foram dedicadas à memória desses seres fantásticos. Pode-se argumentar, a luz do racionalismo anti-fantástico de hoje, que não passam de demonstrações do grau de superstição dos homens de então, uma amostra de seu primitivismo. O que impressiona, na verdade, é o grau de lógica cientifica usada nessas demonstrações de superstição religiosa.
Das atordoantes medidas do complexo de Gizé (do qual os esoteristas e mesmo os cientistas não param de tirar relações surpreendentes com tudo que se refere à matemática e astronomia), passando pelo computador de pedra de Stonehenge, aos estapafúrdios observatórios maias mergulhados na selva (os quais, segundo alguns estudiosos, eram mais bem orientados que os observatórios europeus da Idade Media) aos ciclópicos blocos esculpidos da Ilha de Páscoa, tudo nos passa a ideia de um saber pratico que transcende o mero espírito religioso, pelo menos como nos acostumamos a ele nos dias de hoje.



Hoje, desvinculamos o saber, a ciência, do terreno do sagrado, pois não queremos carolas ditando as regras do jogo. Antigamente, era o oposto. Os homens sabiam que seu saber era sagrado e não podia desvincula-lo dos Mistérios, pois faziam parte deles e assim deviam mante-los a salvo nesse terreno. Isso está representado e evidenciado nos resíduos da nossa Historia. São muitos os rastros deixados nela para negligenciarmos suas pegadas. Elas nos levam a narrativas fantásticas da existência de seres superpoderosos que lançaram os alicerces da civilização e fundaram mesmo nações (não há, por exemplo, uma causa social ou cultural para a existência de Israel, senão uma causa teológica). Que fundo de verdade pode haver nos mitos e lendas da mais remota humanidade? Ecoa em minha mente o discurso inicial do filme O Senhor dos Anéis onde a elfa Galadriel declama: “A historia se torna lenda, a lenda, se torna mito”....


O controvertido Erick von Daniken, autor do fecundíssimo “Eram os Deuses Astronautas”, num livro menos delirante e, talvez por isso mesmo, mais fascinante, chamado “Os olhos da Esfinge”, busca na antiguidade egípcia, em documentos antigos dos seus sacerdotes, nas escrituras líticas de seus monumentos e na sua estranha mania de mumificar tudo que morre, encontrar provas factuais da existência de seres fantásticos usados em cerimônias ou cultuados como deuses. Representações de seres fantásticos como esfinges, o touro Ápis, seres híbridos das mais diversas formas seriam poderosas lembranças de um tempo em que seres ainda mais fantásticos ensinaram aos homens a arte de “brincar de deus”, arte essa que os cientistas de hoje parecem ter reencontrado, haja visto os gatos fluorescentes e ratos com orelhas nas costas exibidos como curiosidade nos telejornais. Com toda certeza, seriam adorados na antiguidade. Daniken prossegue em sua obstinada investigação, em meio a um enredo que mais parece o de um filme policial, nos fazendo crer, mediante seus achados, que algo valioso foi perdido, ou melhor, propositadamente encoberto ao longo dos séculos. Partindo do sacerdote egípcio da dinastia ptolomaica Mâneto, ele passa pelo historiador Eusébio de Cesareia, um dos pais da igreja cristã, autor do renomado Historia Eclesiástica, o qual cita extensamente a obra de Mâneto, e outros renomados historiadores como Plutarco, Estrabão, Tácito, Diodoro e um reticente Heródoto, considerado por alguns como o “pai da Historia”. Todos teriam corroborado e relatado em suas obras a existência de “seres maravilhosos”, os serápis, seres híbridos, os quais surgiram por sua vez, do contato e do discipulado exercido entre os humanos com seres poderosos de alhures.

Daniken cita uma passagem escrita por Heródoto no Livro 2º, capitulo 46, onde o historiador deixa transparecer sua repugnância ao que se refere às praticas sexuais adotadas nos rituais egípcios: “Ele diz que os escultores egípcios representavam o deus Pan ‘com cabeça de cabra e pernas de bode. É-me penoso dizer a razão de eles o representarem dessa maneira’. Ele deixa o assunto para observar, zangado, algumas linhas depois: ‘Diante de todos os olhos, um bode se acasalava com uma mulher’. Continua o autor: “Diodoro da Sicília sabia mais quando escreveu que a origem da veneração dos animais tinha de ser ‘mantida em segredo’. Há ainda ocaso da descoberta realizada na múmia de uma sacerdotisa, designada como “esposa de Amon”, sepultada ao que parece devido a um aborto mal-sucedido. O feto, também mumificado junto ao corpo da mãe, foi radiografado por todos os lados e constatou-se, para o assombro geral, tratar-se de um babuíno, mas com cabeça de cão! Além disso, parecia apresentar alguma anomalia cerebral por causa do tamanho do cérebro. Isto está documentado no livro X-RAY THE PHARAOS (1973) do prof. James Henry, da Universidade de Michigan. Farsa?

Dois seres híbridos em coleiras



No Louvre pode-se ver uma placa egípcia onde dois “seres maravilhosos” parecidos com felinos mas com pescoços longos e flexíveis como serpentes são seguros em coleiras por dois homens. A pergunta é: Se é uma representação mitológica, por que o detalhe de dois humanos tendo que conter as feras?



No Museu Britânico de Londres vemos um obelisco negro do rei assírio Salmaneser II, o qual, segundo os estudiosos deve representar uma cena histórica. O único problema para os acadêmicos, historicamente falando, é a presença dos tais seres fantásticos! Novamente seguros por coleiras, podemos ver aberrações humano-animalescas em meio a uma cortejo com a presença de homens e elefantes. A representação é tão realista que uma das criaturas parece mesmo levar uma das mãos à boca, numa atitude típicamente infantil. Daniken, a bem da verdade, não é o primeiro a especular sobre a realidade inserida nos mitos antigos. Antes dele, dois franceses, Louis Pauwells e Jacques Bergier, mais tarde fundadores da notória revista Planete (dedicada ao que se convencionou chamar de realismo fantástico, mas que hoje não passa de uma sucursal de divulgação do pensamento da Nova Era), desbravaram um território então virgem, indo desde o insuspeito ocultismo nazi até o topo do Nepal, expondo as deficiências dos homens em descobrir os misterios que guardam nossas origens, descobrindo evidencias antropológicas e factuais do dilúvio nas similaridades existentes nas varias versões dadas a ele em diversas culturas distintas e separadas por mares e terras, provas de uma supercivilização antidiluviana nos registros dos mais variados povos e suas construções, cuja idade se perde nas noites do tempo.

Peter Kolosimo, um pesquisador russo, lançou em 68, ano chave que para muitos marca a arremetida final da humanidade rumo ao que quer que seja (para uns, o tempo do fim, para outros, um novo começo) o livro “Antes dos Tempos Conhecidos”, em que reitera teses que causarem furor na época, pois os meios acadêmicos abominavam esses pesquisadores que expunham as deficiências da ortodoxia nos campos da Historia, Antropologia e Arqueologia, mas caindo no gosto do publico descontente com as respostas tradicionais e ávido por historias fantásticas. Quem poderia culpa-los se o próprio registro histórico enche os olhos daqueles que acreditam, como eu, que exista mais entre o céu e a terra que oxigênio e nossos próprios gases?

Em “Antes dos Tempos Conhecidos”, Kolosimo revisita o mito do dilúvio nas varias culturas como a dos astecas que afirmam que um homem piedoso chamado Tapi recebeu do Criador a missão de construir uma embarcação na qual deveria ser colocado um par de cada animal vivo!!! Apesar das zombarias recebidas de todos os lados, Tapi obedeceu e viu seu mundo ser engolido pelas águas. As semelhanças com o dilúvio bíblico não param por aí e incluem até mesmo o episodio da pomba. Kolosimo lembra ainda que entre os havaianos, Noé se chama Nu-u, entre os chineses, Nu-Wah e encontra vestígios até mesmo no Brasil entre os índios da Amazônia.

Ainda podemos citar outro pesquisador excêntrico: o Sr. Zecharia Sitchin, um judeu nascido na Rússia e que se tornou especialista no velho Testamento e nas línguas mortas dos antigos povos semíticos, vindo a tornar-se consultor da NASA na década de 70. Seu livro “O 12º Planeta” revisita o tema da intervenção de seres fantásticos na formação das civilizações mesopotamicas, cruzando os dados entre os mitos sumerio-babilonicos dos Anunaki e o relato bíblico de Gênesis 6, sobre os misteriosos Nephilim, termo, segundo ele, erradamente vertido do hebraico como ‘gigantes’. Vale a pena checar seu comentário: “Então, que quer dizer o termo Nephilim?Derivado da palavra de raiz semita NFL(‘a ser lançado’) significa exatamente isso, ou seja, aqueles que foram lançados para a terra!...Malbim, um comentador biblico de renome do séc. 19, reconheceu essas raízes e explicou que “em tempos remotos, os governadores das regiões eram os filhos das deidades que chegaram à terra vindos dos céus e que desposaram as filhas dos homens e sua prole inclui heróis e pessoas poderosas, princesas e soberanos” Estas historias, diz Malbim, eram de deuses pagãos, “filhos de deidades que em tempos imemoriais caíram das alturas sobre a Terra... é por isso que eles chamaram a si próprios Nephilim, ou seja, Aqueles que se arruinaram”. – O 12º Planeta, pág.163/10ª edição/ Editora Best-Seller


Embora todos estes pesquisadores apontem para os antigos mitos para entender as origens dos homens na estreita relação deles com seres fantásticos, e a maioria esmagadora deles faça uso da Bíblia como referencia valida para auferir a exatidão dos relatos, uma vez provada pela arqueologia que a Bíblia é confiável historicamente, todos eles pecam ao atribuir a tais seres uma origem puramente alienígena, esquecendo-se que, parafraseando o próprio Louis Pauwells, a hipótese mais fantástica é a que mais tem chance de ser a verdade num mundo improvável como o nosso e justamente aquela que estava debaixo dos seus narizes servindo-lhes de referencia.

Depois de prescrutar as varias possibilidades e impossiblidades (e creio que essas são maiores que as primeiras) que fizeram com que chegássemos a ser o que somos hoje, não há como negar que a hipótese mais absurda e fantástica, e por isso mesmo a que mais se ajusta ao mundo insondável ao nosso redor é a descrição bíblica do mundo, tanto a descrição histórica quanto espiritual. Absurdo dos absurdos? Horror dos horrores? Não. Esta é a lógica das impossibilidades num mundo de absurdos constatáveis.


O próprio apostolo Paulo diz na sua primeira carta aos corintios que DEUS escolheu as coisas loucas desse mundo para confundir as sabias, salvando os homens pela loucura da pregação, pois pregar que DEUS tomou forma humana e deixou-se crucificar para pagar o resgate pela humanidade soava absurdo para os gregos já naquela época. Segundo essa lógica, a hipótese de alienígenas pousando na Terra e fazendo-a seu jardim de experimentos cujo maior resultado foi o homo sapiens é fichinha. Eram os deuses astronautas? Baboseira!


Nada pode ser comparável ao esdrúxulo em acreditar que o mundo foi concebido e concretizado em seis dias ou etapas, por um ser eterno, sem idade cronológica, incriado e essencialmente bom, que criou os homens a sua imagem e semelhança, os quais falharam em guardar uma simples ordenança de não comer algo proibido. Ah, sim, não podemos nos esquecer do tentador, da serpente má, a essência da maldade em um único ser, o opositor da humanidade: satanás. Sem duvida, este é um coadjuvante de peso. Ser poderoso como nenhum dos outros seres criados, mas que se corrompeu em sua sede por poder.

Claro que não podemos esquecer que lá pelas tantas, esse mesmo DEUS eternamente bom mandou que seu único filho legitimo, feito de sua própria essência, descesse à Terra para morrer pelos pecados do gênero humano, readquirindo o direito do homem a vida eterna. Delírio? Absurdo dos absurdos, horror dos horrores. Mas... dentro da lógica das impossibilidades de um mundo de absurdos constatáveis, cabível, plausível, observável.

Sim, observável. Sonde o mundo ao seu redor e veja-o pelo prisma do fantástico, do surreal, porque essa é sua verdadeira identidade. As mentes analíticas e pseudocientificas nos dizem que não há nada lá fora além de moléculas e partículas que se juntaram ao acaso e que ao acaso formaram as leis que regem o cosmo e os planetas e também ao acaso inundaram de vida um único planeta num sistema solar, casualmente situado numa situação privilegiada para receber a dose certa de calor do sol e reter uma atmosfera rica em oxigênio e...ÁGUA, muita água para possibilitar o surgimento de um ciclo hidrológico ininterrupto que pudesse, ao acaso, não nos esqueçamos, gerar uma explosão de vida em todo planeta. Poderoso deus Acaso.

Fico tentado, sem duvida, em ver nele, dentro da lógica das maiores impossibilidades, o maior fantástico que corresponde ao mundo ao meu redor, pois, dizem os cientistas, até mesmo do inorgânico o deus acaso gerou o orgânico, o inanimado gerando o animal, o que não tem vida gerando aquele que tem. Sem duvida é absurdo e fantástico demais, tentador demais, mas não se esqueça que nossa observação tem que ser plenamente verificável e plausível com aquilo que vemos no mundo ao redor, nosso habitat natural, e é justamente aí que o deus Acaso rui.


Por que, se tudo deveria seguir segundo os ditames da lógica fria do acaso e seu pragmatismo, estamos tão cercados de beleza e prazer e mesmo a dor? Por que não basta que haja oxigênio na atmosfera sem que ela seja tingida por um hospitaleiro tom de azul? Por que um pôr do sol numa praia me faz sentir abrigado num lar, não num mundo inóspito e cinzento? Não bastaria que nos reproduzíssemos como um imperativo para a perpetuação da raça? Por que então sentimos tanto prazer no sexo? Por que a natureza ora se mostra afável e benigna para com o homem para logo em seguida explodir sobre ele suas erupções, tormentas e furacões? Por que há prazer e alegria em meio a dor de um nascimento? Não são esses atributos de um ser que ora se mostra benigno e afável com seu povo e em outras horas irado por causa de seus pecados? De um ser que planeja mostrar que a plena felicidade só pode ser conquistada após empenho através da luta, dor, sangue e sofrimento? Por que, apesar de conhecermos o ser humano e suas mazelas, ainda nutrimos uma boa dose de Esperança com relação a ele e ao mundo ao redor? Não deveríamos ter abandonado todo sendo de fantástico e nos concentrado nas coisas praticas? Por que o homem ainda se encanta com o desconhecido e o inexplicável?


O renomado escritor americano Norman Mailer, sempre contundente nas suas declarações, registrou bem a incapacidade humana de abandonar sua herança fantástica dizendo que “É como se estivéssemos ao final do Iluminismo, pois a humanidade não é mais considerada capaz de criar o mundo da razão”. Parabéns pela constatação, Norman. The dream is really over.


Por volta do fim da década de 60, de novo, um jovem estudante de antropologia busca informações junto às comunidades indígenas da região de Sonora, no México, sobre plantas alucinógenas (nada mais natural naquela época de “contracultura” em que muitos criam poder abrir as portas da percepção com drogas) e acaba se envolvendo com o brujo Don Juan Matus que o introduziria no mundo da feitiçaria indígena, tal como era praticada há vários séculos mesmo antes da colonização espanhola.

O jovem Carlos Castaneda torna-se famoso no mundo inteiro com o relato da suas experiências com o peiote e outras plantas no clássico “A Erva do diabo”. Embora poderoso e cativante, esse livro serve apenas como introdução a uma serie de outros que gradualmente deixaria de lado o uso de tais plantas para adentrar cada vez mais no mundo estranho, caótico e assustador de Don Juan, um mundo controlado por magos perigosos e seres fantásticos como os aliados, espíritos que se unem a um feiticeiro e que podem ser invocados em situações de necessidade extrema.


Essa parte da obra de Castaneda, embora de valor inestimável para a Antrologia por narrar passo a passo a agonia da ruína que o autor enfrentou ao ver a descrição acadêmica que ele possuía do mundo ruir perante seus olhos, foi mal aceita pela critica em geral que a classifica como puro delírio alucinógeno. O autor preferiu o isolamento a rebater na mídia sua versão (evitou até a morte ser fotografado, no que, surpreendentemente, obteve êxito) mas sempre afirmou categoricamente que tudo o que havia relatado é verídico.

Nos livros subseqüentes ao primeiro, Castaneda vai aos poucos delineando um quebra-cabeça dos mais intrincados. Como ele mesmo afirma, seu mestre o ludibriou para que aprendesse feitiçaria em troca de informações sobre o peiote. Castaneda, em seu orgulho de ocidental branco e rico, anuiu em aprender a cultura daquele velho idiota para conseguir o que queria. No final de a Erva do diabo, porem, D. Juan apresenta um desafio a ele: “Aprenda ou morra”, visto que, por um logro do brujo mestre, ele atacou com feitiços uma feiticeira poderosa na região pensando com isso estar ajudando ao velho que fingiu não ter condições de se defender. Não haveria um caminho honroso de volta. O ataque foi em vão, a bruxa sabia quem ele era e agora ele teria que aprender a se defender por si próprio.

Somente muitos anos mais tarde, Castaneda veio a descobrir que caíra num insidioso plano, que aquela bruxa era, na verdade, também uma discípula do velho índio, a qual ele usava para incentiva-lo a aprender sempre mais. A traição e o logro são ensinadas como validos quando o assunto envolve o que o brujo chamava de impecabilidade de um guerreiro. A impecabilidade seria um ato praticado pelo feiticeiro com a intenção de ganhar ou preservar aquilo que eles mais presam: a consciência, a alma, a sua própria energia, pela qual eles poderiam durar até mesmo séculos. O próprio D. Juan estaria perambulando por aí desde a independência mexicana (??!!!!). Tudo na vida de um feiticeiro, segundo D. Juan, se resume a ganhar energia, ou poder, para alcançar mundos paralelos onde residiriam seres fantásticos e nesse objetivo, vale praticamente tudo para alcançar a impecabilidade do guerreiro. Fracassar nesse intento não significa somente morrer.


No livro “A Arte do Sonhar”, Castaneda deixa claro que falhar significa ter sua energia, sua consciência, ou poderíamos dizer, sua alma, aprisionada por tempos infinitos nesses mundos paralelos por seres inumanos e inomináveis. Esse é o mundo que se descortinou sobre o nosso em pleno século vinte, idade da luz nuclear, mundo tenebroso em que a lógica e a moral segundo a qual estamos acostumados nada representam e no qual o homem se equilibra numa corda bamba onde um passo em falso decreta sua ruína. O enigmático D. Juan Matus, que pelo conhecimento e sabedoria pouco se assemelha a um índio, foi coerente com as praticas que conhecemos das sociedades iniciaticas de ocultismo, as quais dizem que o neófito não precisa saber nada daquilo que está praticando e que deve ser tratado como gado até ter condição de suportar o conhecimento. Através de Castaneda, o xamanismo experimentou um revival nas ultimas décadas e hoje há vários grupos abertos onde as pessoas podem vir livremente e experimentar um chá alucinógeno e, quem sabe, entrar em contato com seu totem ou seu aliado que o guiará por seus portais a um mundo inóspito e solitário.

O próprio Castaneda, no final da sua vida, passou a discipular um grupo para ensinar técnicas de meditação e exercícios físicos pelo mundo afora, algo como uma ioga india, chamada de tensegridade, ou passes mágicos, a fim de que possam abrir certos canais da percepção das pessoas para a comunicação com mundos elevados e seus habitantes. O que você acha dessa oferta? Confiável ou não ? Coincidentemente ou não, com a popularização do xamanismo e as praticas de magia “branca” da Wicca, noções e insights espiritualistas inundaram a mídia de entretenimento na forma de desenhos no formato dos mangas japoneses, onde é comum que ao heróis tenham “aliados” não humanos e sobrenaturais como seus “guias” e protetores.


Alguns dos desenhos de maior sucesso nos últimos tempos seguem essa linha como Pokemon, Digimon, Yu-Gi-OH, etc. Mas o principal divulgador de que o ser humano é um “trouxa” se não poder conjurar um “espírito protetor”(spectrum patronum) é a serie Harry Potter. Longe de querer demonizar tudo o que vemos na cultura de entretenimento de hoje como se fossemos uma liga de velhas carolas e beatas, a verdade é que podemos enxergar isso como uma sutil rede de pesca colocada diante dos olhos de milhões. Alguns serão, sem duvida, fisgados pela idéia inerente de poder controlar tais poderes. Sem duvida, é uma oferta tentadora: ser um em um milhão, não?



BANALIZANDO UM CONCEITO - O "MITO" DA QUEDA

Como dizia Chesterton, este mundo apenas é incapaz de explicar-se e o sobrenatural parece emprestar-lhe algum sentido. Sem duvida, parece que podemos identificar na sociedade, particularmente a ocidental, o andamento de uma marcha cultural já colocada em andamento há algum tempo para desacreditar do sobrenatural e do esotérico.

Embora não tenhamos visto se concretizar aquilo que foi preconizado por céticos como Nietzche, pois o senso religioso parece ter crescido em todo mundo ocidental, não obstante também esse fascínio pelo sobrenatural sempre crescente na forma de ícones culturais canalizados através de livros, filmes, jogos, etc, ainda assim, podemos constatar que certas idéias que remetem à fundamentos recebidos desde a formação do pensamento judaico-cristão sofreram uma deterioração considerável, talvez até mesmo por causa dessa banalização do tema pela industria do entretenimento. Por exemplo, o escritor americano Max Lucado escreve em seu livro mais recente, "3.16", que a palavra inferno não inspira mais tanto temor porque praticamente ninguem a associa ao termo original, usado por JESUS para descrever o lugar que está designado para aqueles que ficarão separados definitivamente da Gloria dos salvos.

Frequentemente ouvimos as pessoas banalizarem tal estado horroroso emprestando o termo a situações do dia a dia como um engarrafamento, um jantar com a sogra, uma reunião com a chefia e, assim, diluímos uma idéia, um conceito, na verdade, na verdade uma realidade descrita com certos pormenores pelo próprio JESUS. O autor diz não ouvir por aí as pessoas nomearem tais situações como “uma aids” de tão ruim por exemplo. Como conseqüência, dizemos “Vá para o inferno” com todas as letras como se estivéssemos mandando a pessoa para um lugar em que já estivemos em determinada situação quando na verdade, a idéia deveria soar horrível demais para qualquer pessoa, seja quem for que esteja sendo enviado para aqueles rincões.


Embora seja desagradável e até mesmo inaceitável para a mente ocidental de hoje, JESUS falou sobre o inferno e confirmou sua existência apesar dos muitos filósofos de plantão continuarem a dizer que sua existência é uma “impossibilidade moral” e da eterna questão “como um Deus amoroso permite que pessoas sofram um castigo eterno?” seria bom pensar se não está banalizando uma questão que para o nazareno era uma doutrina importante, já que, segundo Lucado, o inferno aparece em cerca de 13% dos seus ensinos e dois terços de suas parábolas estão relacionadas ao juízo final. Se alguém ainda acha que os ensinos de JESUS são relevantes hoje em dia, e pelo numero de livros que abordam seu estilo de ensino e sua sabedoria até mesmo no meio secular nós vemos que são, então não podemos descartar suas advertências.

A idéia de injustiça relacionada ao termo me parece estar mais ligada ao farisaísmo exercido pelos lideres religiosos que são rápidos demais em condenar e lançar no fogo eterno ainda em vida aqueles que podem ser rotulados como pecadores. São eles que sempre monopolizaram o termo para seus próprios interesses. Não me parece que JESUS tenha feito isso, mas ido de encontro a essas pessoas para dizer-lhes que não precisavam estar presos a um viver medíocre só porque não eram hipócritas religiosos. Na verdade, o escritor americano Eugene Peterson diz no livro “Corra com os Cavalos” que o viver humano em sociedade não está tão caracterizado pela maldade e sim, pela mediocridade, ou seja, andar na media, no comum, sem se sobressair. Pensar no inferno deixa de ser tão infame quando emprestamos de C.S. Lewis a noção de que, muito provavelmente, o inferno é um lugar trancado pelo lado de dentro (!!!??!!). Ou seja, as pessoas não são lançadas nele, "mas se tornam voluntárias por suas escolhas".

Quais escolhas nos fazem aptos a uma morte eterna, a uma existência que já não pode contar com as benignidades singelas como um amanhecer, uma brisa fresca nas montanhas? A maldade pura e simples ou uma vida medíocre, que banaliza o mistério de estarmos todos no mesmo barco suspenso num braço da via-láctea?


Dizem os mais humanistas que o inferno é um estado de espírito, o que eu concordo até certo ponto, embora JESUS tenha descrito um lugar físico, onde há choro e ranger de dentes (expressões físicas). Concordo no sentido de que o inferno, a condenação e a pena, ocorrem onde já não há possibilidade de arrependimento, de volta. Assim, aqueles que ali estão vivenciam o inferno sem ocorrer-lhes que fizeram uma escolha errada. Como disse Max Lucado, o inferno não produz remorso, mas intensifica a blasfêmia. Toda essa conversa sobre o inferno é para nos fazer lembrar do seu morador mais ilustre, já que estamos falando de seres fantásticos: ele mesmo, ao qual os Stones dedicaram uma das suas musicas mais famosas, o celebrado patrono do rockn’ roll: o diabo, o capeta,o chifrudo (coitado, até nisso não deu sorte).


Todos os atributos e controvérsias ditas a respeito do inferno e seus efeitos em seus moradores lhe caem muito bem. A idéia de um ser poderosíssimo criado por DEUS para ser o “aferidor de medida” da perfeição da obra criada, como a Bíblia relata em Ez. 28.12, um querubim (anjo portador da Gloria de DEUS) ungido (escolhido especialmente) mas que caiu em desgraça por querer ser como DEUS tornado-se mau em extremo, soa capenga e infantil em nossos dias, uma imagem ofuscada e mixada pelas lembranças da nossa infancia de contos de fada e desenhos fantásticos nos quais a mídia de entretenimento nos serviu personagens maravilhosos como os vilões da Disney, o cinema nos deu tantos filmes sobre ele e seus agentes que nos tornamos simpáticos aos personagens totalmente entregues ao lado das trevas como os Darth Vaders da vida, os vampiros,os possuídos e bruxas. Ocorre com satanás a mesma banalização ocorrida com o inferno. Estamos saturados da sua imagem por todos os lados de modo que podemos até ter nos lembrar dele com misericórdia usando uma frase como: “Pobre diabo!”.


“Ora, fale sério, quem pode, em pleno séc. XXI, a era digital, crer que exista um ser poderoso como o diabo que viva interessado em tentar o homem a pecar só para leva-lo ao inferno?” Muitos usam para se defender do diabo a mesma idéia usada contra o inferno: Como um DEUS totalmente bom e amoroso poderia criar um ser totalmente mau? Segue-se outra pergunta, essa um pouco mais capciosa: E com qual finalidade? Séculos e mais séculos de abusos de poder religioso, uma verdadeira maquina criada para controlar a mente de milhões de pessoas através da chantagem e do medo do inferno e de um ser monstruoso com cara de bode que espreita seus pensamentos, só pode levar a aversão a qualquer idéia parecida com o diabo. Quando olhamos as representações medievais dele e seus anjos temos vontade de rir do alto de uma era em que sabemos que o piores males, as piores perversões e atrocidades estão bem ali para serem vistas e analisadas nos noticiários de todo mundo e, em todos eles, não podemos culpar outra personalidade senão o espírito humano. Seja na Historia de ontem ou hoje, não há um único crime pelo qual possamos incriminar o diabo sem comprometer a nós mesmos. Sendo assim, como podemos afirmar que um ser como esse não é mera ilusão, um bode-expiatorio criado pelo inconsciente coletivo para nossas mazelas morais?


Não me parece haver mais eruditos como John Milton, que escreveu o clássico "Paraíso Perdido", disposto a celebrar o relato da Queda do Éden. Penso que seja aplicável ao adversário humano o mesmo principio de que falamos no inicio sobre os mitos dos deuses e seres fantásticos da Antiguidade. Temos que limpar as demãos de tinta e mais tinta aplicadas sobre ele através dos séculos para chegar a algo que seja sustentável usando da nossa lógica das impossibilidades nesse mundo de absurdos.

Em primeiro lugar, é razoável crer que tal ser exista e que esteja em oposição constante à evolução espiritual do homem e dos desígnios de DEUS? Não é esse um enredo de um maniqueísmo barato demais? Não é um enredo já surrado por demais nas historias, o Bem contra o Mal, seres interessados na alma humana, etc, etc... Como vimos, os homens são levados a pensar que mitos antigos não são mais que lendas e fabulas de ninar, mas como o próprio mito de Tróia nos assevera, podemos nos surpreender pela realidade trazida à tona, como se um submarino emergisse à beira da praia na qual resolvemos acampar.


Racionalizamos sobre questões e inventamos termos para que possamos dissertar sobre eles com certa propriedade e, então, nos apropriamos deles como se realmente os dominássemos totalmente e eles se tornam tão familiares que parecemos realmente saber do que estamos falando. Assim, temos a ilusão de que podemos, de modo analítico, compreender de modo satisfatório a realidade ao redor. Ledo engano. Isto é o Maya do homem ocidental, de mente grega e cartesiana. A Bíblia chamaria isto de “enfado da carne”. O que podemos dizer sobre o espaço ou o tempo, ou mesmo a eternidade? Um cientista poderia falar sobre cada termo durante horas, seus conceitos e aplicações na física moderna, mas será que esgotaria o assunto? Pode-se dizer que esgotamos a possibilidade de alguém surgir a qualquer momento com uma descoberta que venha a mudar todo o conceito vigente? Alguém pode explicar, se tivemos mesmo um inicio, um ponto de partida antes do espaço-tempo, o que existia antes? A eternidade? Quem poderia entender tal conceito? Mas como entender esse conceito se temos mentes limitadas pelo espaço-tempo? Como ousamos sequer formula-lo?


Assim expressou-se Thomas Hobbes em Leviatã: “Seja o que for que imaginemos é finito. Portanto não existe qualquer idéia. ou concepção, de algo que
denominamos infinito. Nenhum homem pode ter em seu espírito uma imagem de magnitude infinita, nem
conceber uma velocidade infinita, um tempo infinito, ou uma força infinita, ou um poder infinito. Quando
dizemos que alguma coisa é infinita, queremos apenas dizer que não somos capazes de conceber os limites e
fronteiras da coisa designada, não tendo concepção da coisa, mas de nossa própria incapacidade”.




Assim também fazemos com o Bem e o Mal. Conceitos que pensamos conhecer bem, mesmo que a maioria nunca tenha tido contato com algo que pudesse definir como realmente do BEM ou até mesmo algo realmente do MAL. Na verdade, vivemos nossas vidas numa espécie de penumbra, um meio termo moral e medíocre ditado pelo cotidiano e pela normalidade do dia-a-dia. Nossa medida de maldade e bondade estão mescladas como no símbolo yin e yang. Não há ninguém realmente bom, mas ninguém totalmente mau. Mesmo numa pessoa como Hitler podia-se observar lampejos de cordialidade e desejo pela beleza, no seu gosto pelas artes. No cinema e na televisão torcemos por campeões morais imbatíveis, mas qual de nós podemos apontar para um que esteja entre nós, de carne e osso e que acerte sempre? Por que a humanidade, detentora de tão altos ideais e realizações tão notáveis, esbarra sempre em si mesma, no seu lado sombrio e patético, como se fossemos portadores de dupla personalidade?

Tudo aponta para mais um mito escrito na Bíblia, essa construtora de impossibilidades que se verificaram autenticas no decorrer dos séculos, através de descobertas arqueológicas que corroboraram o nome de reis, cidades e povos desaparecidos e esquecidos totalmente, senão em suas paginas (procure o link sobre arqueologia biblica em The best in the net). O mito da Queda é um arquétipo para muitos de que “a humanidade vem de mais alto e mais longe do que se poderia imaginar”, como diria Louis Pauwells. Muitas correntes judaico-cristãs tendem hoje a diluir seu relato a um emaranhado simbólico mal interpretado, o que faz com que o texto perca muito da sua força e significado. Eu creio no relato literal de Gênesis porque não olho para ele com os olhos contaminados pelas fabulas de La’Fontaine, mas o vejo com o frescor de algo ditado por alguém que esteve presente ao fato, antes do qual não havia lendas ou mitos para que se pudesse duvidar. Faz parte da minha lógica das impossibilidades de um mundo absurdo. Faz parte da minha loucura controlada, como diria Castaneda.

A Queda de Lucifer
Que diz tal relato? Que o ser criado pelo DEUS ETERNO para lavrar seu jardim, um ser essencialmente inocente, mas extremamente capacitado para tal tarefa (que tal catalogar com sua mente todas as espécies existentes por suas espécies e categorias, nomeando-as apropriadamente?) foi tentado por esse ser essencialmente mau a fazer algo expressamente proibido por seu Criador, a saber, comer do fruto de uma arvore. Apesar de a Bíblia dizer que DEUS disse que tudo que criara era bom, Ele advertiu ao casal original para que não comesse de uma única arvore. Por quê? Não era ela também parte da criação perfeita? A despeito do que muitos possam dizer, se a própria arvore não foi ali plantada por DEUS, como parece sugerir o texto, Ele deve ter permitido que seu fruto fosse contaminado por esse ser essencialmente mau, chamado desde então, satanás, o adversário, o inimigo. Novamente, voltamos a questão da sua origem e do porquê dele estar presente ali. De onde veio esse ser que representa o mal em seu estado prímevo? As tradições judaico-cristãs, apoiadas em textos bíblicos, revela que uma rebelião teve lugar entre os anjos numa era anterior à criação da atual ordem de coisas atuais, podemos, por assim dizer, um outro universo, com outras leis, do qual somente seres celestiais seriam os habitantes. Neste universo, satanás era o querubim ungido por DEUS, ocupando um alto lugar na hierarquia celeste.Qual o motivo da rebelião?

Ezequiel 28 usa a imagem de um rei ímpio e orgulhoso para revelar que o querubim se encheu de vaidades por sua própria grandeza e quando fala nos verso 16 e que “Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência”, embora use de uma metáfora para descrever como o rei de Tiro usou dessa influencia comercial junto a muitos povos para se engrandecer como um homem-deus, devemos entender que o esplendido querubim foi alem de suas atribuições, ufanando-se não apenas de ser um porta-voz da divindade mas ele mesmo reivindicando para si o direito e a autoridade de divindade. Sua sedição parece ter sido muito persuasiva visto que a Biblia registra que uma boa parte da coorte celestial aderiu a ela. Esse querubim deveria ser um lider nato, alguem a quem seus subordinados tinham prazer em seguir as ordens. Como eles puderam fazer essa opção? Creio que simplesmente pelo mesmo motivo que os homens hoje: usando seu livre arbitrio para satisfazer seus proprios desejos e não os do seu Criador. Sim , porque DEUS não cria automatos, mas seres capazes de escolher aquilo que consideram mais acertado e isso não poderia ser diferente no caso dos seres angelicais.


O livre arbitrio é uma ferramenta interessante em suas consequencias. Se o quisesse, o DEUS Eterno poderia ter criado seres que o obedecessem cegamente, o que lhe pouparia muitas dores de cabeça, mas preferiu cria-los à sua imagem e semelhança para que pudessem descobrir por si proprios o que ganhariam obedecendo-o voluntariamente. DEUS não joga dados, como disse sabiamente Einstein, mas optou por colocar um "software" avançado em suas criaturas que proporcionasse maior capacidade de interação e satisfação para ambos mesmo conhecendo o risco da ocorrencia de uma anomalia mortal em seu funcionamento. A essa anomalia no livre arbitrio é que se dá-se o nome de pecado, em hebreu e grego significa "se perder do caminho certo e reto" e "incorrer em erro".

Dirente do que se possa pensar, não creio que a rebelião dos anjos aconteceu num dia e foi punida no outro, mas que se deu no decorrer de toda uma era, quem sabe uma eternidade, já que para nós a palavra eternidade é só um conceito. Conhecendo o modo do DEUS da Biblia lidar com o pecado do povo judeu, por exemplo, avisando-os durante cerca de 400 anos através dos profetas para que abandonassem suas praticas ilicitas, não há razão para que pensemos de forma diferente no caso de satanas. Com certeza, ele foi avisado durante toda aquela eternidade, ou era, de que seus caminhos desagradavam ao seu Criador, mas mesmo assim, foi multiplicando seu comercio, seu conhecimento, suas transações e alianças, seus ensinamentos e sedições, confiante do seu direito e aspirações. Com efeito, o pecado tem uma unica causa: o orgulho em não aceitarmos que DEUS reine sobre mim.


O fim da era anterior ao homem assitiu então ao julgamento da classe dos poderosos seres angelicais que lançou os rebeldes que não se arrependeram no abismo, para outra existencia eterna, só que em condenação, fora do alcance da bondade de DEUS, uma existencia infame e vil no inferno, na qual eles podem se entregar agora de modo total à sua rebelião contra DEUS. Como dissemos, o inferno não há de apagar a transgressão mas sim, intensificar a blasfemia. É triste ver que muitos podem já estar vivendo dessa forma, pois como diz Apoc. 16.9, " e blasfemaram o nome de Deus, que tem autoridade sobre estes flagelos, e nem se arrependeram para lhe darem glória". Eu creio que o julgamento de DEUS, de acordo com I Cor. 3,13, tanto para bons ou maus reduz todos à sua essencia primordial, àquilo que somos realmente por dentro. O que restar dessa purificação, como um processo de refino de metal, é que definirá se a essencia é má devendo, portanto, ir para a lixeira, ou nobre, ou seja, contendo a natureza de DEUS e apta a ser salva da corrupção. Assim, consideramos todos os anjos caídos essencialmente maus, perdidos definitivamente e sem mais esperanças de alcançar vida através do arrependimento.

Por que então foram poupados da destruição, alguém poderá perguntar. Uma questão pertinente, diga-se. Se DEUS é o supremo juiz porque permitiu e continua permitindo que sua criação sofra a ingerência de um condenado que só deseja atrapalhar e até onde vai seu poder sobre nossas decisões? Questões que merecem respostas sinceras cabendo a cada um avaliar se elas se conformam à realidade observável a nosso redor. Creio que o ETERNO não executou satanás e seus anjos pelo fato de que Ele determinou um tempo exato para cada coisa no universo e que tudo o que Ele fez dentro do espaço-tempo duraria até o tempo determinado (uma, duas quem sabe quantas “eternidades”) para que tudo retornasse a si mesmo de modo perfeito, sem mais arestas. Os cientistas afirmam poder ver em seus cálculos que o universo continua se expandindo desde a famosa explosão criativa que deu inicio ao universo, mas também afirmam que o caminho natural será que se retraia após chegar ao ponto maximo de expansão, voltando ao estagio em que se encontrava antes do big-bang. Que interessante! Não é essa a nossa perspectiva em passagens como Efesios 1. 10 “de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra” e também em Apocalipse 7 quando se diz que o Cordeiro guiará os remidos que o “servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo; Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum; pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima”.



Sem duvida, a eternidade nos reserva muitas surpresas. Creio mesmo na proposta de que a questão entre DEUS e satanás nunca foi de poder, pois não há termos de comparação entre o poder daquele que a tudo criou com um querubim orgulhoso, pois toda gloria dele foi recebida do primeiro. A questão sempre foi, assim sendo, de AUTORIDADE. Em questões legais (e o Criador é um ser que se move dentro de leis, visto que criou todas as leis naturais e sobrenaturais) só exerce poder que detém autoridade para agir em certo âmbito ou jurisdição. Sabendo disso, o adversário, um legalista nato, atuando como um verdadeiro advogado mau-caráter que procura brechas para poder atuar, sabedor de que o ETERNO havia determinado uma nova criação até que se completasse os tempos determinados anteriormente, não deve ter feito outra coisa senão fazer aquilo que sabe fazer melhor: acusar e provocar a DEUS. Não há como fugirmos da imagem do acusador procurando uma ocasião para tentar a Jó: “Porventura, Jó debalde teme a Deus? Acaso, não o cercaste com sebe, a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e os seus bens se multiplicaram na terra. Estende, porém, a mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face”.



Satã deve ter questionado, lá do abismo onde foi encerrado, a perfeição de um novo ser criado à imagem e semelhança do Eterno, com ele mesmo o fora. “Esse ser feito de barro é a coroa da nova criação? Esse ser desprezivelmente fraco vai reinar em gloria em MEU LUGAR? Veja como é ridículo. Duvido que resista a uma simples oferta por mais poder. Então, você verá que eu não sou o único desprezível por aqui e que qualquer um faria o que fiz, Ó Eterno DEUS! Você nunca conseguirá fazer com que todos o obedeçam simplesmente por gratidão. Todos querem ser independentes e conduzir a si próprios. Deixe-os escolher se querem mesmo te servir. Não lhes deste também o livre-arbítrio? Pois então, que valor tem essa obediência se não for testada?”

Caiu o DEUS ETERNO no logro do iníquo ou sentiu-se tentado a realizar um tipo de aposta com ele? Em absoluto. A verdade é que satanás mescla acusação e engano com algumas verdades, sim, embora deturpadas. A avaliação feita por ele do ser humano era em tudo correta. Somos mais fracos que os anjos e não resistimos a uma boa oferta por poder, status, fama, etc, e não gostamos de ninguém nos dizendo o que fazer. Se o diabo foi capaz de fazer essa avaliação a nosso respeito, quanto mais aquele que nos criou sabia de todas as nossas limitações antes mesmo de Adão inalar oxigênio pela primeira vez. O fato é que DEUS sabia que o ser humano estava fadado a se rebelar contra sua vontade cedo ou tarde. Qual pai sincero, ou seja, que não mente a si mesmo, espera de verdade que seu filho vá satisfazer-lhe totalmente obedecendo-o em tempo integral? Tudo o que um pai pode fazer é ensinar de modo firme lições que possam desenvolver caráter e bom-senso antes que venha o tempo em que os filhos ouçam a voz encantada das sereias chamando-os a terem suas próprias experiências. Nós só podemos torcer para que não vão longe demais em suas aventuras, confiando que a semente irá germinar em bom solo, pois elas estão lá. Lembra do pai do filho pródigo? Pois é, Jesus ilustrou a imagem do Pai celestial usando a figura terrena de um pai que sabia não poder impedir um filho contumaz de seguir em sua rebelião embora soubesse que um dia, após ter se dado mau, voltaria todo arrebentado, humilhado, embrutecido por ter conhecido o lado mau da vida, mas, antes de tudo, disposto agora a ouvir o que seu pai tem a ensinar porque voltou-se, isto é, fez uma conversão da direção errada tomada anteriormente. Sem duvida, o Pai o sabia. Sabia que partiríamos seu coração, mas decidiu que era o melhor a fazer, pois como um pai recusaria o direito de nascimento a um filho, se pudesse, só para evitar um pouco de aborrecimento? O gozo proposto pela possibilidade de redenção é infinitamente maior do que a tristeza provocada pelas chances de perda.



Creio firmemente que o plano original do Pai celestial era que Adão e Eva, resistindo à tentação de comer ao fruto proibido, descobrissem por si mesmos a outra arvore descrita em Gênesis, a Arvore da Vida, que lhes daria algo que não possuíam nem mesmo sendo puros: A própria vida de DEUS (em grego zoe, diferente de bios, de vida biológica) dentro de si. A Arvore da Vida, diferente da outra, aponta para uma vida de dependencia exclusiva de DEUS, usufruindo de seus conselhos e em comunhão com Seu Espirito.

Já a arvore do bem e do mal, se não há base bíblica para dizermos que foi plantada por satanás, mas, se o próprio DEUS alertou que seu fruto não lhes seria agradável nem bom como todo resto da criação, podemos dizer que seu fruto foi contaminado com a própria essência da natureza satânica. Todo seu conhecimento, reduzido a seu estado puro depois do julgamento, toda sua arte negra, todo seu modo de ver a vida, baseado no egocentrismo e busca por poder foi colocado ali. Comendo dele, o casal original contaminou a matriz da qual sairiam os demais seres humanos. Um belo tento a favor de satanás, não? A partir daí, todo ser humano carregará dentro de si o dualismo que caracteriza o ser humano atual: um desejo, um anseio real pela beleza, pela paz, pela alegria, pelo prazer, mesclado com a incapacidade de sobrepujar algo dentro de si, que o deixa vazio, sombrio, destrutivo, egoísta, lascivo, invejoso, deslocado, rejeitado, alheio ao Criador...Pensando em termos de informática, afinal estamos na era digital, é como se um programa contendo um vírus tivesse sido colocado no nosso sistema. Creio ser essa a maior e talvez única vitória de satanás, mesmo assim, circunstancial. Ele não conseguiu nem mesmo alterar os planos de DEUS, como vemos em Gênesis 3,15 (“Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”), apenas adiou-os. DEUS continuou apostando suas fichas naqueles que o traíram, embora o plano de satanás previa que fossem destruídos de imediato. Embora ele tenha conseguido contaminar a descendência humana por todo o tempo em que estivermos por aqui, pois todos nascemos da mesma carne de Adão e certamente devemos morrer uma única vez como ele, segundo Hebreus 9.27, a Bíblia diz também que Ele providenciou um novo Adão (Romanos 5,14: o qual prefigurava aquele que havia de vir) em JESUS CRISTO, o qual é chamado também por Paulo de “primícia dentre os mortos”, ou seja, o primeiro a ressuscitar revestindo aquilo que era corruptível, a carne, daquilo que é incorruptível, a saber, a Gloria de DEUS . Para uma nova criação, um novo Adão, um novo começo. Não como o primeiro, mas um que “embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hebreus 5.8). Voltando a analogia com a informática: JESUS é o antivírus que restaura todo o sistema infectado!!!



É muito empolgante falar de JESUS CRISTO, mas devemos esgotar o assunto de satanás primeiramente. Qual a extensão do seu domínio sobre os seres humanos e o mundo em geral? Creio que, em linhas gerais, podemos ver muito de sua obra por aí, pois a Bíblia o define como o “deus deste século”, e JESUS mesmo contou como ele lhe quis oferecer-lhe todos os reinos deste mundo na tentação do deserto, mas não creio num diabo pessoal para cada crente, tentando-o a xingar o chefe ou bater na esposa por exemplo. A Bíblia nos mostra casos de possessões demoníacas, e eu creio nisso, mas, salvo exceções, não precisamos ver atividade demoníaca onde somente nossa vileza pode ser a explicação. Nossa natureza basta para explicar todo o mal do mundo ou quase todo. Se eu fosse fazer um desenho do inimigo, eu o faria o ser com as costas mais largas que já existiram para que pudesse carregar toda culpa que querem colocar em sua conta.



Creio que, contando com o aliado natural colocado dentro de nós, satanás e seus anjos só tem o trabalho de, vez em quando, enviar uma ou outra diretriz às centrais apropriadas, como atualizações de um programa, e pronto: mais um escândalo religioso aqui, mais uma guerra ali, mais uma arma letal acolá, mais um comportamento licencioso que vira padrão social e etc., etc... Certamente, ele gostaria de fazer muito mais entre nós, mas lembre-se de que ele ganhou certos direitos de agir em certos âmbitos de influencia sobre as decisões humanas, mas não o direito sobre a vida da humanidade, pois é certo que já teríamos nos aniquilado uns aos outros. Entretanto, quando lhe dão espaço e autoridade para tanto, ele mostra o quão destrutivo pode se tornar para uma sociedade.

O MAL PODE SER INVOCADO ENTRE NÓS – AS RAIZES ESOTERICAS DO NAZISMO

A Idade Média atesta isso, onde homens corrompidos seduzidos pelo fausto e poder do sistema religioso babilônico mergulharam o mundo em ódio e terror com sua Inquisição e Cruzadas até que a luz do Evangelho voltou a brilhar na Europa, trazendo novo alento às artes, filosofia e ciências. O Evangelho não veio para trazer uma mordaça ao livre pensamento humano, cerceando o livre arbítrio das pessoas em se corromper se assim o quiserem, mas para tirar para fora (esse é o sentido da palavra grega eklesia =igreja) deste sistema de morte, aqueles que creram e anseiam por um novo modo de viver, recebendo a VIDA (ZOE) de DEUS em si mesmos. O mundo seguirá seu próprio rumo de corrupção pois já tem se próprio deus e a igreja se corrompeu quando quis se aliar a esse sistema pois o Reino de DEUS não pertence a esse mundo, como sabemos. A Reforma Protestante serviu para que a igreja voltasse a se colocar no seu próprio lugar, não como regulador ou verdugo do mundo, mas como exemplo, não obstante tentativas frustradas de governo clerical na Suíça e uma igreja institucional na Inglaterra.
Há muitos aspectos contraditórios na Reforma, principalmente de cunho político, mas creio que as circunstancias verdadeiras que a motivaram nasceram da necessidade do próprio DEUS em limpar a mensagem dada aos homens de todo o fermento introduzido pela fraqueza humana pelo trafico de influencia do inimigo de nossas almas. Podemos ver como o diabo pode agir destrutivamente em terrenos onde suas forças são plenamente invocadas, como em paises adeptos de cultos de baixo-espiritismo como o Haiti e muitos paises africanos, onde suas populações sofrem com a extrema violência étnica e pela disputa do poder entre facções corruptas. Mas o maior exemplo reverbera através da nossa Historia com o clamor do sangue dos cerca de cinqüenta milhões de mortos da ultima grande guerra mundial.
Muitos hoje ainda se perguntam sobre o porquê real do surgimento de um homem como Hitler, procurando as chaves do seu pensamento no partido nacional socialista alemão ou em livros pueris como o Mein Kampf. Deveriam cavar um pouco mais profundo. Sempre fui fascinado por esse período da Historia, onde o dualismo maniqueísta humano se materializou de tal forma em lados opostos produzindo um drama de proporções épicas sobre a terra, levando o homem a um cenário onde sobram atos covardes de vileza nunca antes vista ou realizações heróicas que só as épocas mais negras proporcionam ao ser humano.
Há um historia exoterica, ou seja, exterior, da II Guerra e também uma historia esotérica, para os que ousam ir alem das explicações vagas da psicologia de massas. Pötel, um cronista da época, disse: “Ainda não foi possível explicar de maneira satisfatória os secretos níveis psicológicos que originaram Auschwitz...No fundo, o processo de Nuremberg não esclareceu grande coisa e a abundancia de explicações psicanalíticas ...só serviram para complicar o problema. O que se passava no cérebro de pessoas como Himmler quando dava ordens de extermínio, ninguém o sabe.”
Li “O Despertar dos Magicos” aos 16 anos e me fascinou pela abundante documentação na qual se sustenta e voltei a encontra-lo como uma das referencias usadas pelo apologista e pesquisador cristão Dave Hunt, na confecção de seu livreto q trata do nazismo e suas conexões com o surgimento do Anticristo (“Peace, Prosperity and the Coming Holocaust” – no Brasil, pela Chamada da Meia-Noite, “Hitler, o quase anticristo”). Hitler e o nazismo não surgiram simplesmente da ebulição de idéias políticas ultranacionalistas da época. Simultaneamente aos fatos que lançaram o mundo na I Guerra mundial, a Europa estava passando por um despertar de outro tipo: um desperta mento espiritual inspirado por sociedades secretas. Um filosofo francês, René Guenón, publicou em 1921 um estudo sobre o teosofismo, doutrina neopagã que fez famosa a figura de Mme Blavatski, que experimentava uma ascensão tremenda na Europa, influenciando a criação de inúmeras sociedades do tipo iniciatico como a Golden Dawn inglesa (da qual fizeram parte vultos como Bulwer Lytton, autor de Os ÚLTIMOS Dias de Pompéia, o poeta Yeats, ganhador do premio Nobel, e Aleister Crowley, o bruxo mais famoso do séc. passado, que costumava designar-se A Grande Besta, o que não duvido nem um pouco) e a Sociedade do Vril alemã, e o Grupo Thulle, do qual emergiram os personagens que figuravam na alta cúpula do partido nazi.




emblema do Grupo Thule

Dizia Guenón de modo profético: “Os falsos messias q até agora vimos fizeram prodígios de qualidade muito inferior e aqueles que os seguiram provavelmente não eram muito difíceis de seduzir. Mas quem sabe o que o futuro nos reserva?...somos levados a pensar que tudo isso foram apenas ensaios, de certa maneira experiências, que se renovarão sob diversas formas até que o êxito seja alcançado. Alias, não acreditamos que os teosofistas, ocultistas ou espíritas sejam capazes de realizar por si mesmos tal tarefa. Mas não haveria por trás desses movimentos, qualquer coisa de igualmente temível, que seus chefes nem conhecessem e de que eram, por sua vez, simples instrumentos?”
Como explicar a escolha de um símbolo hindu-budista como símbolo maior do nazismo? Qual a ligação possível se não houver uma conexão iniciatica? Segundo o livro “Despertar dos Mágicos”, por volta de 1920, dois membros do grupo Thule, Dietrich Echardt (exaltado por Hitler na ultima frase do Mein Kampf como “aquele que dedicou sua vida ao despertamento do povo alemão”) e Alfred Rosemberg, (um dos idealizadores do eugenismo ariano nazista) passaram a discipular o então inexpressivo cabo do exercito, nascido na cidade de Bruneau, conhecida por uma peculiaridade pertinente ao assunto que estudamos: era um conhecido celeiro de médiuns da Europa.
A sociedade Thule sonhava em devolver um sentido mágico a jornada do homem alemão, religando-o com um passado glorioso onde eram invocados os deuses nórdicos e sua cosmovisão, desligando-os assim da influencia judaico-cristã tão odiosa, que separou o homem ariano da sua verdadeira natureza. A lenda de Thule corresponde ao mito nórdico de um paraíso, um Éden do Norte, berço da raça ariana, estando ao mito da Hiperbórea e dos atlantes. Nietzsche, um dos precursores do pensamento de uma volta às raízes arianas alemãs, começa uma das suas principais obras, O Anticristo, com a frase: “Consideremo-nos como realmente somos. Somos hiperbóreos!” A ideia de que os nazistas poderiam produzir o chamado Super-homem esperado pelos ocultistas da Teosofia e ainda hoje pelos adeptos da cultura da Nova Era, que esperam o seu messias, o buda maytrea, através da eugenia e DEUS-sabe-lá-oque-mais, encontra eco na obra deste filosofo.
Após a morte de Echardt, outro personagem assume o lugar de mentor de Hitler, Karl Haushoffer, personagem misterioso, ex-general veterano da I Guerra, inclinado ao budismo tibetano, refugiou-se no Oriente, onde dizem ter sido iniciado por Gurdjieff (renomado ocultista da época) e se tornado membro de uma sociedade secreta japonesa, nada conclusivo porém. As historias sobre ele incluíam relatos de episódios na I Guerra em que teria predito com exatidão a hora do ataque inimigo, locais onde cairiam bombas, tempestades, etc. Tudo indica que a escolha da suástica hinduísta para símbolo do partido nazi foi escolha dele.
Rauschning, governador de Danzig, apesar de intimo de Hitler não fez parte do circulo interior de poder das SS, mais tarde deu depoimentos esclarecedores, um verdadeiro testemunho de uma pessoa q viu e ouviu coisas q não podia entender, porque não possuía as chaves da verdadeira intenção nazi. “UM tema que aparecia constantemente em suas conversas era o que ele chamava ‘curva decisiva do mundo’...Dar-se-ia uma alteração no planeta que nós, os não iniciados, não podíamos entender...Não sabia explicar seu destino senão pela ação de forças ocultas. Atribuía a essas forças sua vocação de anunciar à humanidade o novo evangelho...”
Em outra ocasião, disse Hitler a Rauschning: “Estou fundando uma ordem...O homem-deus, esse esplendido ser, será objeto de adoração!” Rauschning disse estar convencido de que Hitler era um médium e que estava possuido a maior parte do tempo. Mas que tipo de possessão era essa? Apesar de serem homens inescrupulosos, cultivavam as boas maneiras conseguindo até ser afáveis entre si, verdadeiros gentlemen. Hitler era quase um asceta. Não fumava, praticamente não bebia e amava as artes. Não eram bárbaros, eram religiosos. Eles acreditavam em coisas que o homem moderno, esse homem desligado do fantástico desse mundo, mas plugado no seu mundinho virtual desconhece totalmente.

De um modo estranho, consigo ver neles a descrição do homem capaz de começar uma verdadeira reforma na humanidade, descrição dada por Chesterton em “Ortodoxia”, porque é isso que fizeram na Alemanha de seu tempo, negando e expulsando uma descrição de mundo judaico-cristã, com sua filosofia, ciências e religião, e introduzindo uma cosmovisão indo-germanica. Nas próprias palavras de Chesterton, eram homens que queriam “estar em paz com o Universo”, no sentido das forças que o regem segundo suas crenças, e “em guerra com o mundo atual”, na sua concepção, não totalmente errada, aliás, um mundo caído e desviado do sentido original dado pelos deuses. Cabia a eles, homens religiosos e consagrados ao espírito, atear fogo a seara e mandar um recado aos céus de que o verdadeiro homem se levantara novamente sobre a terra e procurava reencontrar as antigas veredas deixadas há muito tempo pelos iniciados.
Eram homens diferentes do homem ocidental atual porque eram religiosos e espirituais, mas a que tipo de espírito eles se aliançaram?Quando assisto ao filme “A Lista de Schindler”, principalmente a parte dos documentários, vejo com ainda mais horror o sofrimento imposto aos judeus porque vejo um método diabólico posto em pratica não somente para rouba-los e mata-los, mas com o intuito maior de infringir a maior vergonha possível a toda uma raça já derrotada e escravizada, movendo-os de lá para cá como gado e, como gado, sem saber a qual hora será abatido. Toda uma raça colocada debaixo de um jugo de terror como que para alimentar uma maquina posta em andamento e que precisava ser alimentada. “Os fornos de Auschwitz : Ritual!”- sentencia o autor do Despertar dos Mágicos.

A Tribuna de Nuremberg, inspirada no altar de Zeus, em Pergamo, descrito em Apocalipse 2.13 como o “trono de satanas”

Parafraseando Louis Pauwels, autor do Despertar dos Mágicos, o mal foi expulso, mas não vencido. Será possível que não tente emergir novamente, por alguma outra forma? Será q essas forças deixaram de ser conjuradas nos porões iniciaticos? Será isso por demais horrível aos ouvidos? Não mais horrível que nossa ignorância. Mas o mistério da iniqüidade ainda opera...A II Guerra mundial e sua historia esotérica é um lembrete doloroso do que o verdadeiro Mal pode fazer em nosso meio quando os homens dão a legalidade, o direito de atuação que satanás e seus anjos procuram para fazer o que sabem fazer bem.
“O Historiador que se ocupa da Alemanha nazista parece querer ignora O QUE ERA o inimigo que foi abatido. É auxiliado nesse desejo pela opinião geral.É que a submissão de semelhante inimigo com conhecimento de causa exigiria uma concepção de mundo e do destino humano à altura da vitória. Vale mais pensar que acabamos por impedir que velhacos e loucos nos prejudicassem e que, no fim das contas, as pessoas de bem terão sempre razão.Eram velhacos e loucos, por certo, mas não sentido, não no grau, em que o entendem as pessoas de bem”- Despertar dos Mágicos, pág.215.
A maior expressão surgida sobre a Terra do Mal em sua concepção mais pura e dantesca, foi reduzida a um mal que se julga oriundo da baixeza e mesquinharias meramente humanas. Como fizeram isso diante dos nossos olhos mesmo com farta documentação e testemunhos tão convincentes? Essa cegueira da opinião publica geral é a verdadeira conspiração dos séculos, pois é proposital e fruto da vontade da maioria em querer permanecer dentro da segurança daquilo que é normal, pacato, mediocre. Para manter a nossa descrição do mundo tal qual o conhecemos é vital expulsar o fantástico, aquilo que é incrível demais. Admitir que o nazismo era o que realmente era exigiria de nós conceber que existem forças demoníacas que podem ser invocadas e que homens podem se usados pelo diabo como já foram tantas vezes na historia como já dissemos antes e voltarão a ser suas marionetes, pois manter os homens em cegueira espiritual é o maior trunfo do inimigo, pois seu poder reside nas trevas. Há forças tremendas regendo as mentes daqueles que regem as nações, suas riquezas, seu comercio, suas instituições, seus motivos e valores. Enxergar nesses homens apenas homens maus, mesquinhos, baixos, gananciosos por poder e dinheiro é muito pouco. O inimigo sempre se valeu de bonecos, fantoches, como os nazistas. Quem são eles hoje? Como operam e o que desejam? Quem está por trás da industria bélica? E da farmacêutica? Dos donos do capital internacional? E da União Européia? Os judeus, os maçons, os iluminati, o Vaticano? Não necessitamos de uma caça às bruxas. Para mim, a única coisa certa é que se trata de filhos de satã cumprindo o que deve ser cumprido. O que DEUS está fazendo enquanto tais homens trabalham? Nada, simplesmente permitindo, porque na sua permissividade estamos sendo encaminhados à sua real vontade.


O SER MAIS FANTASTICO DE TODOS

Depois de falar sobre mitos, deuses e do demônio, gostaria de reservar a parte final para o ser mais incrivel, mais sublime e maravilhoso que se poderia contemplar nesse universo de fantásticos absurdos imponderáveis: JESUS CRISTO!!!

Você já refletiu seriamente sobre ele, sua pessoa, sua obra, seu ensino da mesma forma que fizemos, de modo comparativo com a realidade ao redor, pesando as implicações de serem reais os relatos de sua ressurreição e sua reivindicação de um lugar totalmente único para si, nunca antes reivindicado por qualquer outro? JESUS não afirmou ser um profeta a mais, nem mesmo ser um mestre que veio para dar um bom ensino. Também não disse que foi mal compreendido pelos homens que depois o endeusarem. Algumas pessoas, embora não possuam nada que possam se apegar para negar a historicidade dos evangelhos como verdadeiro testemunho escrito na época, visto que até mesmo a arqueologia e a antropologia têm confirmado os lugares descritos, os nomes de autoridades e modo de viver das etnias da época, querem rechaçar a idéia de que os relatos sobre os fatos escritos sobre JESUS e suas afirmações são tão históricos quanto tudo que ali já foi provado autentico, sem nos dar o porquê de considerarem uma descrição como aceitável e outra não.

Hoje em dia, alguns estudiosos querem revelar que JESUS não quis dizer o que realmente foi escrito sobre ele, que seus discípulos inventaram um personagem, que os milagres não ocorreram e, por conseguinte, também a ressurreição, eliminando assim todas as principais reivindicações cristãs e todo vestígio de qualquer coisa fantástica demais. Perceba a conspiração novamente. A ressurreição é o ápice do cristianismo e a Rocha na qual está ancorado ensino de que JESUS não era um mestre como outros mas, como ele mesmo se definiu, O FILHO UNIGENITO DO PAI (Mateus 11,27: Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar) O termo em grego usado em João 1.18, passagem analoga a Mateus 11,27, guarda implicações tremendas que as linguas atuais não podem captar com precisão. O termo é "MONOGENES THEOS".

Monogenes: designação usada para descrever um filho gerado em condições unicas, sendo o unico do tipo; Theos é a mesma palavra que João usava quando se referia ao DEUS de Israel como sempre foi conhecido dos judeus.

Ao pesar todas as implicações das falas e reivindicações messiânicas eu devo concluir que esse JESUS era um doido varrido...ou falava sério. A primeira perspectiva pode ser descartada logo que constatamos o fato de que as aspirações do cristianismo seriam sufocadas somente pela morte do maluco e conseqüente constatação de que malogrou seu intento funesto. A hipótese de um rapto do corpo, a qual o Evangelho de Mateus diz que se espalhou entre os judeus a mando do Sinedrio, deve ser também descartada haja visto a impossibilidade de um plano como esse ser concretizado, visto que o relato do destacamento de soldados romanos para guardar o tumulo de JESUS é crível e fundamentado pois era fundado o receio de que um farsante, como julgavam JESUS, enviasse seus discípulos para concretizar tal intento.

Assim, resta-nos a segunda alternativa com todas as suas implicações, a saber, de que JESUS realmente ressuscitou, sendo, desse modo, sua reivindicação messiânica totalmente aceitável e prova do porquê daqueles galileus amedrontados e acuados, que pouco entendiam que seu mestre não era um restaurador político, mas um restaurador espiritual, terem se tornado testemunhas tão poderosas da sua mensagem. Isto tem que ter acontecido por força de um evento tão forte quanto o relato da sua aparição entre os discípulos três dias após sua morte, episodio narrado particularmente em Lucas, quando ele próprio se põe entre os discípulos e pede para comer um pedaço de pão e peixe para que vissem que não era um fantasma. UM relato despido de qualquer alegoria ou pretensão senão apresentar um fato real que se deu entre pessoas reais.

Do memo modo deve ter acontecido algo semelhante àquele que se cahamva Saulo de Tarso, um perseguidor implacavel de cristãos.Esse ALGO DEVE SER AQUILO QUE ESTÁ RELATADO em Atos 9, um encontro com o SENHOR RESSUCITADO.

Se admitimos isso, algo deve mudar no modo como pensamos em relação a ELE e suas palavras. Foi assim que aconteceu comigo. Tantos anos procurando respostas nas coisas mais fantásticas, nas teorias mais absurdas, quando Ele sempre esteve tão perto, a própria resposta em pessoa, pronta para ser lida e entendida nos singelos relatos do Novo Testamento.

Me orgulho hoje de poder falar como Chesterton, que disse: “Sou o homem que, com a máxima ousadia, descobriu o que já foi descoberto antes”, ou como C.S. Lewis que escreveu mais tarde sua busca pela Alegria, que o fez percorrer todas as sendas possíveis somente para descobrir que não poderia agarra-la nunca enquanto não desistisse de respostas lógicas e racionalistas. ELE É O QUE É E NÃO PODE NUNCA SE TORNAR AQUILO QUE DESEJAMOS. Citando outra vez Chesterton, “tentei fundar uma heresia só minha, e quando lhe dava os últimos retoques, descobri que era ortodoxia.” Um belo recado para aqueles que tem tentado entender as coisas espirituais por suas próprias forças ou por esquemas elaborados por outros ainda mais sagazes de que devemos desistir de nós mesmos e nossas opiniões para ganhar a visão simples e perfeita dos Evangelhos

Eu o incentivo a que leia os evangelhos de uma maneira que talvez não tenha feito ainda. Leia-o sem os óculos do entendimento que certas filosofias e ideologias tentam colocar sobre a sua visão, moldando-a segundo as interpretações de homens que acham que sabem mais do que aqueles que estiveram com Ele, ouviram suas palavras e tocaram nele. Deixe esse entendimento leva-lo ao conhecimento de um JESUS até então desconhecido, daquele que disse que cumpriria algo entre nós, e o fez, provando ser capaz de cumprir o que fala, mas isso não é tudo, porque ele prometeu realizar algo também na vida de todos os que nele cressem algo eterno e maravilhoso. Quando você descobrir esse JESUS e vir que ele é confiável, que pode ter certeza de que ele fará com que suas palavras se tornem vivas em seu viver, você verá o quanto o mundo se tornará fantástico e que as possibilidades da sua vida apenas começaram. Isto não são apenas palavras, mas um testemunho de alguém que procurou honestamente respostas para questões para as quais nunca há uma resposta simples. Há muitas teorias sobre muitas coisas hoje em dia e cada um pode escolher a que mais convém ao modo como encara o mundo e a realidade e isto pode levar a uma visão cínica de tudo ou ao outro extremo, o surrealismo e fanatismo alienante das varias vertentes religiosas e esotéricas que dizem pregar a mensagem dele. Mas é possível chegar a uma visão equilibrada e madura de Cristo através dos documentos deixados por pessoas que estiveram com ele. E isto, sim, é extremamente libertador para o ser humano, pois descobriremos que alguém se importa de verdade conosco e que nos legou muito mais do que podemos oferecer de volta: o Perdão de DEUS, o sinal de que o Caminho está aberto para aqueles que quiserem voltar ao lar.

Este é o novo homem que deve surgir, não o super-homem que Hitler e seus sequazes queriam criar, mas o homem religado com DEUS e sua criação para todo sempre. Esta visão só poderá encontrada na explicação mais ortodoxa e original dos evangelhos, aquela que não deita por terra nenhuma das palavras do mestre da Galileia.

ESTE É O MAIOR FANTASTICO EM QUE SE PODE ACREDITAR : “QUE DEUS AMOU O MUNDO DE TAL MANEIRA, QUE DEU SEU FILHO ÚNICO PARA QUE TODO AQUELE QUE NELE CRÊ NÃO PEREÇA MAS POSSUA A VIDA ETERNA”- JOÃO 3.16

ELE É CONFIAVEL, ELE PODE FAZER AQUILO QUE PROMETEU!!!!!!!!!

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