23 dezembro 2007

DEUS, UMA IDÉIA

Para alguns hoje em dia, DEUS é uma idéia.
Uma idéia surgida no desenvolvimento de uma humanidade ainda ignorante e supersticiosa.
A ciência, para esses, fornece respostas melhores e menos contraditórias à natureza humana e ao mundo hostil em que vivemos.
Uma idéia que, portanto, pode ser descartada hoje em dia, depois de tantas descobertas feitas nos mais diversos campos da ciência. O avanço do ser humano é inegável em muitos campos.
Desafortunadamente para esses, tais avanços, porém não foram suficientes para que o homem se tornasse mais humano, e justamente os regimes que prometiam elevar o homem a um novo patamar, relegando tais idéias primitivas com suas praticas ignorantes ao seu devido lugar na Historia, tornaram-se os regimes mais genocidas de que se tem noticia até hoje (vide a fase do terror da Revolução Francesa, cujo lema propunha a abolição de qualquer forma de culto ao divino e a instituição do culto à razão, do nazi-fascismo e do comunismo, responsáveis sozinhos pelo genocídio de mais de 100 milhões de pessoas).
Sem duvida, DEUS é uma idéia assombrosa, principalmente o Deus judaico-cristão. Seria mais cômodo descarta-lo de vez e, a isso, essa idéia estaria condenada se não tivesse sido tornada atraente até os dias de hoje por um único motivo: JESUS CRISTO!
Muitos disseram segui-lo, mas seus atos os desmentiram. Foram realizadas guerras em seu nome, mas dificilmente alguém poderia dizer que ele as aprovaria e que apoiaria um dos lados. Pessoas foram torturadas e queimadas por instituições que diziam representa-lo, mas quando se pode ver em suas palavras autorização a que se fizesse isso em Seu Nome?Não se pode negar a autoridade do seu ensino mesmo que a cristandade não tenha alcançado o andar nessas alturas em boa parte desses últimos dois mil anos.
Segundo os cristãos, JESUS veio para mostrar aos homens como seria a face, as palavras e os atos de DEUS, manifestado entre nós em carne e osso. Mais do que isso, JESUS veio nos dar uma mostra do AMOR DO PAI, como Ele mesmo diz:

“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” – João 3.16

JESUS dessa forma está afirmando que quem amou a humanidade primeiramente foi DEUS PAI, o qual o enviou visto ser impossível que a criação comportasse aquele do qual ela surgiu e que está alem da existência do espaço e do tempo. JESUS é a “expressa imagem” desse DEUS no tempo e no espaço, segundo Hebreus 1.3, e aquele “no qual habita corporalmente toda plenitude da divindade” segundo Colossenses 2.9, o ainda como o próprio JESUS afirma a um dos discípulos em João 14.8:

“Replicou-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta.
Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?”

Vemos o Amor de DEUS se tornar uma realidade em Cristo JESUS. Mais impressionante ainda é a pedagogia escolhida por JESUS (segundo Ele, nada do que ensinava era doutrina sua, mas do Pai, e a ensinava como havia ouvido Dele), seria algo de arrepiar os cabelos dos frequentadores dos divãs de psicanálise de hoje em dia: a autonegação, a renuncia do eu, a morte da auto-estima e do hedonismo tão propagados hoje em dia como modo de vida.

À primeira vista, esse discurso pode ser confundido com o discurso pseudo-oriental do autoconhecimento do qual já temos ouvido falar no Ocidente há algum tempo, mas a renuncia a qual JESUS se refere é mais radical do que um processo de conhecer a si mesmo e suas fraquezas, pois envolve morte de uma parte de nós, para que algo totalmente novo possa nascer de uma natureza diferente da nossa. É isso que se deduz da sua conversa com o judeu Nicodemos em João 3. JESUS faz uso do termo grego ‘anothen’ (de cima, de um lugar mais alto) para explicar a natureza desse novo nascimento. Ele poderia ter usado a palavra ‘palin’ se simplesmente quisesse denotar a repetição de algo já feito antes. JESUS está falando de algo totalmente novo porque de origem extraordinária.

Impressionante o modo como JESUS conduziu o desfecho da sua doutrina, na cruz do calvário, aplicando a si mesmo essa renuncia, essa morte do eu, e fica ainda mais impressionante quando nos deparamos com a visão que seus primeiros discípulos tinham da Paixão, como vemos em Filipenses 2. 6 e7:
“subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus;
antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz”.

Para os cristãos, a cruz foi o ápice da Paixão de DEUS por nós, mas ela começou muito antes, nos tempos da Eternidade. Na cruz, DEUS parece oferecer ao homem a oportunidade de desforra, assumindo a culpa, literalmente, pelo estado subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus;
deplorável ao qual chegamos por nossas próprias escolhas. Ele parece dizer da cruz:
“Está bem, você me culpa por muitas coisas, mas não vou fugir de você. Aqui estou. Pode me chutar, cuspir, bater, furar...Sou seu bode- expiatorio. Mas lembre-se...Estou assumindo a minha parte. E você?”

“Mas por quê eu deveria renunciar àquilo que sou?”, você pode pensar.
Principalmente porque, apesar da humanidade estar cheia de grandes nomes realizadores de grandes proezas e até mesmo um pequeno numero de benfeitores, a maior parte dos seres humanos, até mesmo os desse tipo, não conseguem suportar-se diante do espelho por muito tempo.

Na verdade, para o pensamento judaico-cristão, o homem perdeu na Queda sua real personalidade e adquiriu uma falsa: egoísta, mesquinha, depravada, qualidades que pouco tinham a ver com o modelo original. Paradoxalmente, o pai da mentira, autor do engano no Éden, disse uma meia-verdade: que nos tornaríamos deuses e, de fato, nos tornamos, mas mais como os pornófilos deuses do Olimpo, perdidos em seu egoísmo sem fim.

JESUS veio nos dar o meio pelo qual podemos rejeitar essa personalidade falsa: matando-a a fim de ganhar a verdadeira pela Fé num DEUS que É AMOR.

DEUS pode ser uma idéia para alguns e uma idéia pode ser rejeitada, mas em CRISTO descobrimos a realidade de um Amor tão grande que nos leva a descobrir uma existência que se importa conosco de modo pessoal, algo até então insondável.

CRER é aceitar essa realidade e caminhar para dentro dela, aceitando ser transformado pelo perdão que se recebe ao saber que quase descartamos tal AMOR como algo imaginário.

“Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim”- JOÃO 6.45

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