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Ahhhhh...A Cristandade

Costuma-se chamar de "cristandade" o conjunto de povos, nações e países, que aderiram ao "cristianismo" eclesiastico como cultura, sendo que, em sua maioria, esses povos se encontram no Ocidente. Como cultura de massa, o "cristianismo", ou mais propriamente a Cristandade, foi e continua sendo o maior desastre ocorrido como consequência da disseminação do Evangelho, cometendo em nome dessa "Fé" as maiores incoerências e contradições que, invariavelmente, culminanaram em atrocidades cruéis e derramamento de sangue. 

É interessante, para quem se interessa, como eu, em História e sociologia, observar como o "cristianismo", , pregado originalmente por um bando de renegados galileus e surgido clandestinamente nas entranhas do Império de ferro de Roma, constituído basicamente das classes mais desfavorecidas do status quo dessa sociedade, ao arrebanhar cada vez mais "fiéis", de início entre os escravos e depois entre os cidadãos propriamente ditos, vai paulatinamente, mudando seu discurso e seu modo de agir.

Após tanto tempo de perseguição, tortura e horror, o sufrágio oferecido por Constantino marca o revés definitivo da maré. Os anteriormente párias, renegados por todos como leprosos sociais, já não são simplesmente aceitos, mas passam a ser a regra geral. Do porão à cobertura num piscar de olhos. Da fé dos excluídos, dos vencidos e derrotados pelo sistema do mundo à fé dos conquistadores de Roma, do Deus Invicto que destrona Júpiter e seu séquito. Não mais coroa de espinhos, mas a tiara de folhas de louro dada aos vencedores das guerras e dos Jogos Olimpicos. O efeito psicológico dessa "vitória" do "cristianismo" foi devastador e os "cristãos" nunca mais se recuperaram dela.

Vemos nessa ocasião o fenômeno sociológico que acontece quando uma minoria passa ao status de maioria e de pária passa a administrador das regras pelas quais os outros indivíduos pertencentes à mesma sociedade terão de viver. Há muitos exemplos históricos de que os "cristãos", quando chegaram no topo da escada social, não estavam dispostos a cumprir à risca o Sermão do Monte. Um em particular, merece atenção e virou filme recentemente, Ágora, em inglês, sendo lançado no Brasil sob o nome Alexandria, com a deslumbrante Rachel Weisz no papel principal. 

Trata-se do episódio envolvendo uma certa cidadã alexandrina chamada Hipatia, uma mulher iniciada na Filosofia neoplatonica e nos segredos ptolomaicos da Matemática muito provavelmente por seu pai, o renomado Têon de Alexandria. O nome de Hipatia e sua paixão pelas Ciências foi preservado na História graças a alguns poucos testemunhos históricos como os de Sócrates, o Escolástico, e Hisíquio, o hebreu, este também aluno de Hipatia a Academia de Alexandria, onde ela ocupou a cadeira que antes fora de Plotino.Outro de seus discípulos foi o notório Sinésio de Cirene, que assumiu o posto de bispo da igreja cristã em Ptolomaida entre 409/410 D.C. Sinésio escrevia a Hipatia constantemente pedindo-lhe conselhos. Tais cartas foram preservadas até hoje.

Hipatia era mais do que talentosa, ela possuia um dom e como toda pessoa que tem um dom real, ela sabia que o seu era uma dádiva sagrada que ela oferecia livremente àqueles que a procuravam procurando respostas, negando a si mesma obter com isso qualquer tipo de regalo ou honraria, tanto que entregou sua vida sexual aos deuses, obrigando-se ao celibato como prova de sua entrega total. Os filósofos da época acreditavam que o desejo carnal era uma fraqueza que os distraia das verdadeiras questões essenciais e tornavam-se assim verdadeiros sacerdotes do sagrado diante do povo. O conhecimento era então tido como um ofício sagrado a ser exercido por homens e mulheres com o dom para tal.

O talento, ou dom, de Hipatia alçaram seu nome para muito além da cosmopolita Alexandria, um dos centros nervosos do Império Romano, rivalizando com a capital imperial do Oriente, Constantinopla. Alexandria sempre foi um caldeirão de idéias em ebulição. Em Alexandria, nos anos anteriores à Cristo, foi cunhada a versão ocidental da Bíblia, a Septuaginta, e também lá, já na nossa era, a cidade foi palco da maior contenda interna da história eclesial, aquela que envolveu a disputa entre o Trinitarismo tradicional e os adeptos de Ário, ou arianismo, outra boa história que nos revela muita coisa sobre o cristianismo...

Na época de Hipátia, o "cristianismo" já possuia status de religião da maioria e já começava a botar as manguinhas de fora...o filme retrata bem esse período. Os "cristãos" mais fervorosos, alforriados do temor da perseguição e com liberdade plena para declarar sua fé, ridicularizam os deuses e os cultos pagãos e partem para o enfrentamento público. Porque pregar o amor quando se pode ter tudo usando da força bruta da ignorancia do povo. Trata-se apenas de manipular os fios corretos. Teófilo, o intolerante e beligerante patriarca de Alexandria, foi um desses oportunistas com dom de manipular massas. 

Sob sua inspiração, o imperador romano do Oriente Teodósio, baniu todo culto considerado pagão e permitiu a destruição do templo de Serapis, em Alexandria, o qual acomodava a famosa Biblioteca de Alexandria e a escola de filósofos na qual Hipatia lecionava pelos sequazes de Teófilo. Seu sucessor, seu sobrinho (ora vejam se naquela época já não existiam dinastias dentro das "igrejas"?) Cirilo, tido como um dos mais influentes "pais da igreja" e considerado santo pelas igrejas ortodoxas e romana, esteve no centro de muitas das maiores controvérsias cristológicas de seu tempo. Alguns o consideram um campeão da fé ortodoxa, entretanto, outros o chamaram de "monstro, nascido e criado para destruição da igreja". 

Quem poderá julgar a natureza do homem? Creio que Jesus nos dá uma boa pista para não sermos injustos ao dizer que se conhece uma árvore pelos frutos. A pregação de Cirilo, baseada no ódio àquilo que se desconhece, resultou na transformação dos parabolanos, um grupo de cristãos originalmente criado para ajudar pobres e enfermos, numa milícia armada pronta para "combater pela fé", manipulando o povo a crer que unicamente ele era o "pontíficie", a ponte entre os homens de Deus, um vigário (substituto) de Cristo na Terra, coisas a que estamos acostumados a ouvir ainda hoje. No auge dos acontecimentos, a turba inflamada por pregações que acusam Hipatia, a essa altura com cerca de 60 anos, da pratica de bruxaria, atacam-na  em plena rua, e a arrastam para dentro de uma "igreja" (vejam só!!!!) e a torturam cruelmente lacerando terrivelmente seu corpo com cacos de ostra, ou ceramica segundo outra versão. Seu corpo agnizante ainda teve que suportar uma fogueira, simbolo da morte dos hereges. O filme ameniza esse acontecimento numa licença poético-dramatica, mas nada muda a realidade cruel do acontecimento, muito mais chocante que o mostrado nas telas. Sócrates Escolastico, afirma em seus escritos que a morte de Hipatia lançou opóbrio sobre a igreja de Alexandria e nos faz pensar se a Cristandade, responsável por esse e tantos outros assassinatos, mudou de alguma forma ao longo dos séculos. 

Quando ouço um renomado "cristão" como Magno Malta, representante da politica evangélica (o que quer que isso signifique) dizer em frente ao Esplanada dos Ministérios, por ocasião do encontro que ocorreu em protesto a PL 122 dizer que o STF, num país cristão como o nosso, deveria primeiramente consultar a Lei de Deus antes de decidir votar a favor da união civil entre gays, eu fico assustado porque eu vejo que o desejo por controlar o poder do mundo não diminuiu nem um pouco na Cristandade. Sim, os "igrejeiros" nunca desejam outra coisa senão uma ditadurazinha moral, algum poder extra para fazer com que se possa esfregar a Bíblia na cara do próximo. Silas Malafaia usa do seguinte argumento para justificar seu temor contra a PL 122: Se eu tiver uma empregada doméstica que se assume como homossexual e não quiser que meus fillhos fiquem expostos a esse tipo de influencia, se eu a demitir, sou homofóbico e posso ser preso. Ora, esse argumento é um verdadeiro tiro no pé para quem não quer admitir que é homofóbico, como ele sempre diz. Vejamos o por quê da demissão. a suposta empregada alardeia seu estilo de vida e influencia de alguma forma a educação das crianças fazendo apelos de natureza ambígua dentro da casa e durante o expediente? Não? Não parece ser essa a afirmação. A afirmação do afamado pregador diz respeito ao fato do empregador descobrir ser seu empregado um homossexual, justificando a demissão pelo simples fato de sabe-lo e afim de proteger sua familia de suposta má influencia. O exemplo portanto, serviria para justificar até mesmo um empregador nazista que despede o mordomo pelo fato dele ser judeu, ou um racista que não quer admitir um funcionário qualificado para o emprego por causa da cor da pele. É de manifesta burrice tal argumento.

É justo que todos tenham direito de se expressar quando sentem que estão sendo cerceados em seus direitos garantidos na Carta Magna. Os evangélicos sentem que essa PL representa um perigo a sua liberdade de expressão e é justo que batalhem contra os pontos que julguem obscuros e danosos à sua pratica mesmo não concordando com o sistema politico e muito menos com essa insossa mistura de clericalismo e politica. Não deveriamos depender de instrumentos como esses. Creio que os homossexuais devem garantir por lei direitos como união civil estável, eles são cidadãos e pagam impostos como todos, mas não acho que, por terem se organizado mais que alguma outras minorias, mereçam mais direitos que outros. Não precisamos brandir a Bíblia para condenar as práticas desse ou daquele grupo, pois no momento em que fazemos isso, estereotipamos e segmentamos a sociedade da qual fazemos parte e cessamos a oportunidade de fazer emergir o bom censo. 

O bom censo não tem bandeira, nem cor ou religião. Não precisa ser religioso para dizer que a prática da homossexualidade deve ser tolerada para aqueles que a desejam e a homofobia e o preconceito verdadeiro, aquele que segrega e discrimina, como todo tipo de crime de ódio, combatidos ferozmente, mas que não deve ultrapassar a linha do bom senso, ou seja, não se deve fazer apologia a ela nem apoiar politicas publicas que a incentivem, pelo simples fato que a sociedade humana só se mantém em pé em virtude da união heterossexual entre  homem e mulher. No inicio da década de 60, houve um movimento ferrenho no mundo pela liberdade sexual da mulher. Cinquenta anos depois vemos os resultados pelo numero expressivo de filhos nascidos fora do contexto de familia, sem a figura de um pai. Os reflexos disso podem ser sentidos no aumento da população carceraria, e isso a nivel mundial, onde quase 70% da população carceraria provém de "lares" desagregados, frutos gerados pela "emancipação" sexual e cultural feminina dos 60's. Hoje, os homossexuais pedem emancipação e com direito a muitas coisas, mas sem bom senso por parte daqueles que estão no Poder, moldando as opiniões do povo, amanhã lutaremos contra o fantasma da baixa taxa de natalidade, em virtude da propagação de um estilo de vida que não gera novas vidas. É preciso bom-senso para não discriminar, mas ainda mais bom senso para dizer até onde vai os direitos desse ou daquele e onde devemos preservar o bem-comum de tantos direitos concedidos a tantos grupos diferentes. Alguns chegam mesmo a desejar a volta dos tempos de ditadura, onde tudo era bem definido, preto no branco, policia e bandido, ame ou deixe, etc, etc...A liberdade é selvagem e nunca vamos nos acostumar a ela.

Ahhhh...a Cristandade!! Fico imaginando como ela seria se ela fosse verdadeiramente parecida com aquele a quem ela diz seguir. Fico imaginado se perderia tanto tempo e energia com suas guerras e maquinas de tortura, tanto tempo caçando inimigos ocultos e debatendo sobre facetas da Verdade entrevistas num espelho. Fico imaginando ainda se perderia tanto tempo tentando mudar os rumos de um mundo ao qual o apóstolo amado sentenciou que "jaz no maligno", ou seja, se compraz no mal, buscando formas de controle e dominio, barganhando favores e benesses entre seus senhores...Se fossemos um minimo parecidos com Ele, não nos preocupariamos com nada daquilo no qual a Cristandade anda preocupada. Andariamos entre os leões como quem nada teme. Fariamos amigos entre inimigos e os ganhariamos para Ele, como a Terra ganhou a Lua para si e a Terra se sente esposada pelo Sol: seriam atraídos pelo bom perfume de nardo exalado e gravitariam ao nosso redor voluntariamente e forçosamente. Hipatia não seria morta pelo medo e pelo ódio, mas atraída por aqueles parabolanos, sonsos mas verdadeiramente alegres com suas tarefas filantrópicas os quais não se sentiriam intimidados pela presença de uma mulher  sábia e honesta, embora pagã, ma que possuia dentro de si um senso de sagrado e boa-vontade. A igreja não precisaria perseguir Galileu ou quem quer que fosse por se sentir ameaçada por Verdades tão óbvias.Seríamos como Aquele que nada possuia mas tinha Tudo em Suas mãos. Hoje a Cristandade não possui nada mas crê que pode pôr suas mãos em tudo.

Eu o convido a assistir esse filme praticando um exercício. Tente ver você mesmo nele. Qual seria o seu personagem? O filme traz em si esse apelo. Qual dos personagens descreve verdadeiramente aquilo que você tem construído como sua personalidade? Talvez você não se veja entre os personagens principais, talvez você apenas mais um na multidão, não importa. Considere somente que não vale a pena viver com medo. Hipatia foi condenada pelo medo porque basicamente tememos o desconhecido e como crianças nos deixamos ser guiados por vozes que incrementam medos em nossas mentes. Se fossemos como Ele, a Cristandade não temeria a Ciência. Hipatia procurava a Verdade a seu modo e encontrava muito dela na Ciência, que explica muitas coisas a respeito do funcionamento das coisas, da ordem estabelecida. Alguns cientistas afirmam que a Ciência lhes proporciona um tipo de relação com o sagrado, com o divino. Eu também amo a Ciência. Ela é espantosa quando analisamos suas descobertas. Fico olhando uma Tv e me ponho a pensar como o homem veio a descobrir como fazer viajar a imagem e o som através do ar em tempo real por milhões de quilômetros entre tantas outras descobertas espantosas. De súbito, percebo o milagre envolvido nisso, o nível de abstração a que chegamos unicamente pondo a prova e experimentando as teorias surgidas da mente de homens geniais como Einstein. 

Nesses momentos, vejo que a Ciência se mantém íntegra dentro de sua proposta de buscar suas verdades, sem falsas indulgencias consigo mesma. O pedantismo intelectual não pode emprestar a Ciência aquilo para o qual não foi criada que é descobrir a Verdade sobre os Por quês, mas suas armas valem muito nas perguntas Como foi? Mantendo-se assim ela pode continuar livre do misticismo e do infantilismo intelectual que graça dentro das religiões organizadas, a ferramenta quebrada, enferrujada e inútil da Cristandade.
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Eu, um desviado

Frequentemente, quando encontro antigos conhecidos da época de "igreja", ouço a fatídica pergunta: "Você está  em qual igreja?" Quando digo que não estou em nenhuma já há algum tempo já espero pelo comentário "exortativo" típico, do tipo "Ah, mas você não pode ficar assim" seguido por um certo ar de reprovação e indignação indicativos de que o fiel está na reprovável presença de um DESVIADO. Depois de um exame minucioso das razões pelas quais eu deveria me esquivar desse rótulo, argumentando isso ou aquilo, conclui que não passa de um esforço inútil de autopreservação da minha imagem religiosa politicamente correta. Resolvi assumir que ESTOU DESVIADO, SIM, e GRAÇAS A DEUS!!!

Estou desviado dessa religião pseudocristã que inventaram ao longo de dois mil anos à revelia dos ensinamentos contidos nos Evangelho. Me desviei dos rótulos, das divisões, das doutrinas exdrúxulas, dos desmandos dos homens e da hipocrisia reinante num meio carente de mentes verdadeiramente livres. Me desculpe se pareço julgar e condenar as pessoas, mas tenho estômago fraco para dissimulação, ou seja, hipocrisia.  Entenda, não suporto nem mesmo a minha, quanto mais a dos outros.Estou, francamente, desviado da "igrejice", como diria um amigo meu.

Não suporto ouvir palestras onde ouço alguém verbalizar o óbvio, ensinando pela milésima vez um ponto obscuro da Bíblia como regra para um público que já devia, pelo tempo que ouve tais coisas, ser mestre e ensinar outros a VIVER O EVANGELHO, não suporto a fanfarronice e o barulho em torno de tão pouco conteúdo. . Chego até a admirar quem consegue persistir nesse papel, sério. Acho que faltou alguma substância essencial em meu organismo para suportar a tortura de fica anos a fio olhando a nuca do meu "irmãozinho" da frente ou então a eloquência carismática que anseia por segurar um microfone e ocupar o lugar mais proeminente da fé cristã atual.

Não estou aqui para malhar ninguém, escrevo como um exercício vicário, expiando minhas culpas, afinal, não é para isso que existem os blogs? Pessoas comuns, escrevendo suas experiencias comuns, desabafando sobre os mais variados assuntos, enfim, um exercicio psicológico sadio. A internet e, principalmente, a área "bloguística", está cheia de planfletagem hoje em dia, propagandistas. Já tive meus dias de propagandista da fé. Hoje, prefiro escrever sobre aquilo que se passa dentro de mim. Cheguei a cogitar mudar o nome do blog e aquele painel do guerreiro espartano do filme 300, porque ele passa a idéia de que eu, de alguma forma, sou algum campeão da fé e que estou resistindo bravamente às tentações dom mundo. Que nada!!!Se o mantenho é porque nada se assemelha mais a minha vida espiritual do que uma guerra, pois estou constantemente sendo bombardeado e, se não me entrego totalmente, é porque tenho medo de sair da trincheira com tanta bomba caindo lá fora. Ademais, a trincheira ainda é o melhor lugar porque é o lugar que eu cavei para mim mesmo. Só cabe eu mesmo e mais ninguém, na medida que eu não quero convencer ninguém de algo, apenas compartilhar as cartas que um soldado envia do front de batalha onde está ilhado por todos os lados.

A idéia de do subtítulo "Resistindo à correnteza do mundo" também quase rodou pelo tom triunfalista mas resistir não deve necessariamente passar a idéia de triunfo mas somente de que você não foi absorvido emprega algum tipo de força no sentido contrário àquele que querem leva-lo. Um caniço resiste bem a uma ventania ou a uma enchente, embora sofra severos agravos. Estou resistindo da minha maneira, penso eu, embora em muitos momentos tenha a impressão de que estou sendo levado a contragosto. Uma resistência débil, é verdade, em virtude da minha pouca força, não como foi a Resistência Francesa, por exemplo, na Segunda Guerra, mais algo como uma teimosa indignação que se ergue das minhas reflexões.

Não quero que ninguém me siga, pois não estou desejando espalhar alguma doutrina nem fundar um novo grupo de dissidentes desse ou daquele ramo. Depois de sete anos dentro do chamado "cristianismo" tentando criar vínculos reais de amizade, mantendo contatos aqui e ali, não consegui um único companheiro de jornada que não cobrasse nada além de verdadeira empatia, então, cansei e desisti. Alguns animais andam em bandos, porque são mais fortes assim, outros nasceram para andar sós. Por causa da "igrejice" que quase me assimilou nesses anos, perdi o contato com amigos antigos e não granjeei nenhum novo. 

Sigo como um peregrino tentando não perder a trilha em meio ao deserto. Ele, o peregrino, pára aqui e acolá, observa o tempo, a localidade em que se encontra, cruza com pessoas ao longo do caminho, troca algumas informações e, então. segue em frente, só, pois seu Caminho é a única coisa que realmente lhe pertence, nada mais. Não foi lhe dada autorização para se juntar a ninguém e, quer saber, ele está feliz assim, pois está acostumado à solidão desde muito cedo. Foi criado praticamente sozinho, com brincadeiras solitárias e aprendeu desde muito cedo a prescrutar o que havia dentro de si mesmo, de modo que valoriza muito o silêncio, ao contrário da tagarelice da maioria, e e encontra quietude, paz e sentido em suas reflexões, também ao contrário de uma grande parte dos homens, que não se sentem a vontade a sós consigo mesmos.

Tal peregrino considera que está velho demais para fugir de si mesmo, de certas verdades inerentes à sua natureza humana. Ele não quer fingir ser algo que não é ou ter algo que não tem, de modo que o Caminho que ele trilha não é uma fuga da realidade mas a própria essência de sua busca por significado e equilíbrio. Para isso, ele não precisa negar sua natureza, mas, ao contrário, assumir-se como aquilo que nunca deixará de ser: humano. Humano até a raiz e, portanto, fraco até a medula. Aquilo que negamos ser hoje é justamente aquilo que nos fez reconhecer um dia dependentes de uma Graça inefável e que tal sentimento fez- nos render em meio a dor e às lágrimas. Sem dúvida, fomos lavados nesse dia e preenchidos com um novo sentido, um novo espírito, mas para quê? Para nos tornarmos a partir dali fortes e autosuficientes? Para nos tornarmos "príncipes de Israel" como Nicodemos? 

Hoje, já não tenho tantas certezas quanto tinha há alguns anos sobre certas coisas. Para muitos, podem ser questões que valham a pena gastar um milhão de palavras. Para mim, tais guerras verbais são becos sem saída nos quais muitos empenham suas vidas. Eu não.Muitas certezas enrijecem nossos sentidos e invalidam dados que poderiam nos dar novas perspectivas das coisas ao nosso redor. Alguém disse certa vez que nossas mentes são como paraquedas, só funcionam quando abertas. Todo mal que vemos hoje no mundo é causado por uma atitude que se caracteriza por mentes obscurecidas por modos pré-programados de pensar. Tenho mais perguntas do que respostas, não estou contente com as respostas que ouvi e minhas questões invalidam minha presença no meio dos chamados "fiéis". 

Alguns me acusam de ter "dado pra trás" e de hoje refutar coisas em que cri anteriormente, mas a Verdade é que, lá pelas tantas, recebi um choque de realidade que me deu uma estranha sensação de lucidez que não tinha há muito tempo. Talvez eu tivesse esquecido o quanto eu queria que fosse real e do poder do meu cérebro para me fazer acreditar. Acredite, seu cérebro é tão poderoso que pode fazer você esquecer que você mesmo o programou!!

Excesso de lucidez pode ser uma morbidez, segundo os especialistas, e, não raro, leva ao desvario do suicídio. Talvez, por isso, muitos evitam os questionamentos porque eles podem leva-los a um surto de lucidez que vai apagar a programação normal e leva-los a uma onda de desespero suicida. Isso ocorre muito, infelizmente, nos países mais ricos. Já passei por essa fase por volta dos quatorze ou quinze anos quando o peso de existir quase me esmagou. A resposta para mim está em que um grande desespero só pode ser devidamente dosado e contido se equilibrado, temperado, por uma grandiosa ESPERANÇA.

Sofro com meu excesso de lucidez, mas entre as poucas certezas que tenho nessa vida estão o fato de que sei onde devo estar por amor àqueles que Deus me deu para guardar nesse mundo como seu bem precioso o qual ele me emprestou como penhor. Um homem não sabe o que é ser um homem de verdade enquanto está apenas por si mesmo no mundo e não precisa prover ninguém. A outra certeza pertence ao terreno da fé propriamente dita. 

Uma das únicas ortodoxias que mantenho no terreno da fé diz respeito a concepção, vida, morte e ressurreição de Jesus de Nazaré. Para mim, os Evangelhos, todos os quatro, estão corretissimos em sua historicidade e são decorrentes das narrações em primeira mão das testemunhas oculares da Paixão, os apóstolos que conviveram com Jesus durante seu ministério terreno. Estou convencido, de várias maneiras (sendo duro como sou, eu procurei me certificar tanto quanto pudesse dessa afirmação) de que Jesus é de fato quem disse que era. Essa é a Grande Esperança a que me referi antes. Fui criado dentro dela mas ela só me atingiu com a força de uma bomba quando me tornei adulto. Tal advento mudou muito minha forma de ver e pensar sobre as coisas, sarou muitas feridas antigas e me ajudou a completar mais o mosaico do meu verdadeiro eu. Jesus é real para mim como meu Deus pessoal. Ele é meu amigo pessoal, sinto essa afinidade. Ele me completa e eu me sinto aliviado quando olho para ele. Ele é o irmão mais velho que eu quero ser quando crescer. Mais do que tudo, é a figura de homem e herói que sempre desejei para mim. 

Paradoxalmente,  porém, tenho muitas dúvidas hoje a respeito da chamada "eclesia" que ele veio estabelecer, pois não consigo vê-lO ali. Às vezes, fico pensando que a explicação para isso é tão óbvia que nos escapa a compreensão. É lógico que a "eclesia" de Cristo tem que ser o pior lugar para ver gente do porte de Jesus, pois ela é constituída somente dos piores, ou estou errado? Que tipo de gente precisa se converter? Somente as Madalenas, os Paulos, os cobradores de imposto, etc, etc...A maioria acha que a conversão faz a pessoa ficar boazinha, boazinha como um chá de camomila faria com um leão. Dentro das igrejas, me acredite, está a maior concentração de gente problemática do mundo. Como um lugar desses seria são?

Também paradoxalmente, não creio que essa minha fé em Cristo me faça um cristão.

O que me faz de você um "cristão" (não gosto dessa palavra pois também pois não passa de um rótulo, duma descrição de um tipo de comportamento padrão e também porque tenho certeza se ela não foi empregada num sentido meio que jocoso pelos habitantes de Antioquia ( Atos 11,26) para descrever os "fiéis" dali, mas vou usa-la aqui para estabelecer um parametro )? Seria professar que crê no Credo Niceno? Frequentar um templo "cristão"? Ou existe um código de conduta para transformar uma pessoa nisso? E se eu tentar severamente seguir a Cristo, praticando o Sermão do Monte e as prescrições de Paulo, mas falhar miseravelmente (e eu sei que vou) em dado momento, continuarei ostentando um apelido que designa um representante de Cristo na Terra? O leopardo pode trocar sua vestimenta por algo, digamos, mais 'clean'? O escorpião pode escolher não matar sua vítima usando seu veneno mortal quando usar de novo seu aguilhão? Somos o que somos e não devemos nos considerar de outra forma. Invariavelmente, nossas ações, mesmo as bem intencionadas caem no terreno do reprovável cedo ou tarde. Não posso, de mim mesmo, pensar algo tão alto acerca de mim e, dessa forma, rejeito o nome recebido pelos discípulos em Antioquia. Minha consciência me reprova tão constantemente que sinto vergonha por Cristo em ter um seguidor como eu.

Portanto, não é o credo que verbalizo nem o código moral que creio ser capaz de cumprir e pelo qual julgo o resto do mundo que me farão seguir mais de perto o Nazareno. A experiência a qual me referi a qual mudou meus passos não faz de mim um homem bom, talvez melhor de alguma forma, mas muito longe da beatitude. Tal experiência deve, sim, retirar de dentro de nós o dolo, a intenção de errar propositadamente. Seremos fatalmente culpados por nossas consciências em virtude de decisões e escolhas que devemos tomar baseados em nossas percepções de certo ou errado, mas o dolo nos faz errar obstinadamente de modo premeditado. 

Eu me assumo como pecador miserável que sou por minha natureza errática e fraca e isso me envergonha porque gostaria de ser forte para honrar o exemplo Dele. Não posso negar o que sou, mas fui tocado em meu ser de forma que não posso negar A Sua Graça. Creio que o "cristianismo" se desviou desde muito cedo do padrão definido por Jesus como essencial para possuir e herdar o Reino, que é ser "pobre de espírito", aqueles que são loucos e fracos segundo o mundo, os humilhados e desprezados, aqueles que não são. Hoje, os cristãos têm títulos, muitos templos, muito dinheiro para comprar muitas coisas e, segundo afirmam, muito poder espiritual à disposição. Sinto muito não poder dizer o mesmo. Sou muito fraco para estar entre fortes. Talvez sejam meus olhos, mas eu só consegui ver muros derrubados e portas queimadas a fogo, mas não sou eu Neemias, não fui chamado para tal obra.

Eu me assumo como a 100ª ovelha, obstinada o bastante para se arriscar fora do aprisco, em meio a muitos perigos, a viver quieta e sossegadamente entre as demais ovelhas. Se ela preferiu tal sorte talvez seja porque a convivência no aprisco não fosse tão saudável para ela quanto esperava o afetuoso e ocupado pastor. Poderia haver entre as ovelhas certa intolerância e beligerância contra certos tipos de ovelhas que não se encaixam no molde padrão. Nesse caso, quem pode recriminar essa ovelha? As outras ovelhas, com certeza, o farão, mas não  o pastor delas.

"NÃO TENHO A VISÃO MALÉFICA NEM A BEATÍFICA, MAS OUÇO O SOM DE ASAS BATENDO NO PALCO" - Frederick Buechner, citado de "Alma Sobrevivente" de Philip Yancey
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Vitor Belfort e A Jornada de um Homem

Pouco antes da tão anunciada luta que mobilizou o mundo contra Anderson Silva, Vitor Belfort recebeu em sua casa nos EUA a equipe do  programa Sensei da Sportv e não perdeu a oportunidade de deixar uma declaração que mostra que a maior conquista de um atleta de alto nível das artes marciais não é ganhar sempre mas que o "bushido" (caminho do guerreiro) visa torna-lo um ser humano menos fragmentado e, por isso mesmo, mais íntegro e autêntico. O bushido pessoal de Vitor, todos sabem, é sua fé pessoal no Evangelho, fé da qual ele tem prazer em sempre anunciar como maior motivação para sua vida e carreira de tantos reveses e superações. 


Em meio a um esporte tão competitivo no qual se vive a pressão contínua por bons resultados, qualquer semelhança com a vida cotidiana em sociedade não é mera coincidência, podemos ser atropelados e deixados pelo caminho por nossa própria ansiedade e competitividade excessivas. O nosso estado atual, nosso momento, pode ser bom ou ruim mas ele não traduz fielmente quem somos e para onde estamos indo realmente. Tudo que um homem, um guerreiro tem, na verdade, é sua jornada. Se manter o foco e não perder de vista os motivos que o levaram até ali, sempre recobrará forças para seguir adiante, apesar de ter sofrido sérias derrotas e ter se ferido gravemente no percurso. Perder a visão completamente significa abandonar o trilho e abdicar de chegar ao fim da jornada e conhecer seu real prêmio. E qual o prêmio por chegar ate o fim dessa estrada tortuosa? Creio que o prêmio maior será descobrir que você não abriu mão de ser você mesmo, de suas convicções mais profundas, e que assim conquistou a inteireza de seu ser e uma profunda paz de espírito que advém do fato de você não culpar ninguém, nem mesmo seus inimigos, pelos percalços e eventuais derrotas sofridas pelo caminho, pois elas também foram necessárias de alguma forma, e que você realizou o seu melhor sem frustrações ou ressentimentos. As glórias os louros das vitórias, bem como a vergonha pelas derrotas, ficaram para trás, e o que resta é a essência, o significado que você quis emprestar à sua vida. Esse é o verdadeiro bushido do guerreiro, sua jornada como homem e ser humano.

Creio que todos que colocamos os pés no Caminho um dia, e todos os fazemos porque o Caminho está diante de todos, queiramos ou não, porque se funde na própria vida de cada um, temos uma imagem da perfeição que queremos chegar nessa vida. Queremos ser melhores homens, mulheres, pais e mães e profissionais de elite. Acima de tudo, queremos nos tornar verdadeiramente adultos, homens de verdade, homens que mudam situações e adversidades, menos suscetíveis a nossa natureza falha e mais inclinados ao altruismo dos atos desprendidos de um herói. Por mais que a vida tente me amassar e que eu mesmo não consiga me ajudar em nada, abdicar do direito de correr contra os cavalos poderia ser um ato razoável, mas para certos tipos de seres equivale a um ato vil de covardia. Seria abdicar de sua própria natureza. Seria como se alguém resolvesse deixar pra trás tudo que nos faz humanos, a linguagem, a capacidade de discernir a passagem do tempo, o pensar, a música e a poesia para se tornar um verdadeiro animal sem linguagem ou qualquer coisa que o vincule ao genero humano. O sentido de jornada, o sentido de um alvo, de um propósito maior, é metafísico, não pode ser provado pela Ciência, mas é o que nos faz mais humanos verdadeiramente.

Fico feliz em ver esse tipo de Sabedoria em Vitor Belfort. Isto significa que ele está se tornando um "homem sensato", o que, na Antiguidade, era considerado como um título e uma posição de destaque na sociedade. Naquele tempo, eles sabiam que a humanidade precisa de mais exemplares desse tipo. Parece que a humanidade tem perdido a corrida para uma descrição menor do sentido da vida que nos faz correr atrás de coisas bem mais sólidas porque pertencem a esse mundo material. Será triste quando descobrirmos, como civilização, que escolhemos o alvo errado e que acabamos não achando o pote de ouro no fim do arco-íris.

"O IMPORTANTE EU ACHO QUE É A JORNADA...A JORNADA DO ATLETA, A JORNADA DO HOMEM...NÃO NECESSARIAMENTE O MOMENTO. EU NÃO ACREDITO QUE O HOMEM SE REALIZA MEDIANTE AS CONQUISTAS MOMENTÂNEAS. EU ACHO QUE É UMA JORNADA QUE ELE VIVE E AO LONGO DA JORNADA ELE VAI CONQUISTANDO AS COISAS E SUPERANDO OS OBSTÁCULOS..."

"Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento.
Porque melhor é a sua mercadoria do que a mercadoria de prata, e a sua renda do que o ouro mais fino.
Mais preciosa é do que os rubins; e tudo o que podes desejar não se pode comparar a ela."  - Provérbios 3, 13 ao 15

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O "Vazio" de Dawkins: Fé na Ciência

"Primeiro: Um dos grandes desafios para o intelecto humano através dos séculos, vem sendo explicar de onde vem a aparência complexa e improvável de design no Universo; Segundo: A tentação natural é atribuir a a aparência de design a um verdadeiro projeto; Terceiro: Essa tentação é falsa, porque a hipótese de que haja um projetista suscita imediatamente o problema maior sobre quem projetou o projetista; Quarto: A mais engenhosa e poderosa explanação descoberta até agora é a evolução darwiniana pela seleção natural; Quinto: Não temos ainda uma explanação equivalente na Física; Sexto: Não devemos perder a esperança de que surja tal explanação na Física, algo tão poderoso quanto o darwinismo é para a Biologia; Conclusão: Deus, quase com certeza, não existe."  - Deus, uma ilusão / Richard Dawkins/pags. 171/172

Essa argumentação foi descrita por Dawkins como "o argumento central" de seu best-seller mundialmente aclamado como o maior ataque já feito contra a idéia de Deus. 

Dawkins mostra que o intuito de seu tópico não é discutir se realmente algum dado da Ciência refuta a existência de DEUS ou o argumento do design, mas "armar" os ateus com argumentos retóricos para rechaçar uma visão de design do universo que nem ele mesmo consegue negar. De fato,  seu objetivo principal com esse livro é combater a religião com idéias, promovendo polaridades e desafiando os seus "discípulos" a "batalhar pela fé" que lhes foi entregue por Darwin. A falácia de Dawkins e outros como ele está em tentar provar, ou antes desacreditar, que a fé em um ser como Deus é algo irracional e primitivo, que pode perfeitamente ser refutado usando de um pouco mais de astúcia e sagacidade, e não tanto pela Ciência puramente.Volta e meia, Dawkins volta a esse argumento, como neste documentário exibido no GNT e disponível o You Tube: http://www.youtube.com/watch?v=wg9Dl3kwh6M

Obviamente, o objetivo é simples: encurralar a pessoa numa armadilha com aparência de lógica racional. Ao seguir o argumento nos vemos diante de um dilema sem saída:  Se tudo deve ter um início, o projetista também deve ter um outro projetista por trás de si, então, quem projetou o segundo projetista?E para além dele quem foi o responsável por projetar o antecessor dele? O recuo infinito da cadeia de causa e efeito parece determinar um ilogismo impossível de se solucionar e a "causa Deus" parece realmente com aquilo que os materialistas céticos afirmam: algo irracional. Veremos que se há uma lógica nessa afirmação ela se volta contra a própria Ciência. 

De modo geral, quem crê em DEUS não vê motivos para explicar quem o criou pois tudo que é criado deve ter sido criado, obrigatoriamente, em algum lugar e alguma época determinada.Esse princípio pode ser aplicado a tudo que conhecemos dentro do limite de nossa experiência, o que não se aplica ao caso DEUS.

Se DEUS é Eterno, isto é, transcendendo o espaço/tempo, sua existência está além da causação que observamos em nossa dimensão. Sua natureza se encontra além das nossas leis e, portanto, sequer podemos mensurar o que seja algo eterno em si mesmo.Até mesmo o conceito de eternidade para nós é estranho, pois só podemos pensar em termos de tempo/espaço, ou  seja, os efeitos de uma causa repetindo-se, em sequência e linearmente. "Então,sendo Deus incogniscível dessa forma, dirão os agnósticos, como pretendem dizer conhecer algo assim"? 

Ora, um ser dessa natureza, extradimensional, sobrenatural, só pode ser reconhecido pelos seres que habitam no universo criado por uma revelação própria de si mesmo (que é a causa do Teísmo cristão) ou ainda, numa proposta de Teologia Natural, pelas causas que causou dentro desse plano. Podemos dizer que as leis necessarias mas contingentes que descobrimos aqui, como a gravidade e o eletromagnetismo,etc, nos conduzem a pensar em Deus como uma Causa Descendente atuante para emprestar organização e ordem desde o nível subatomico ate´niveis astronomicos, através das constantes até hoje descobertas. Um "fator unificador" de tudo, a teoria final buscada por Einstein para explicar o funcionamento de todas as coisas, afinal, é desejado até mesmo na Ciência.

Mas não seria um ilogismo pensar que aquilo que governa e mantém nosso mundo natural não poderia se originar de uma fonte Sobre o natural, ou além do que é natural. As equações da mecânica quântica tem demonstrado que nossas leis são compatíveis com um Universo de cerca de dez dimensões, de modo que isso harmoniza-se às tradições místicas, espirituais e esotéricas que informam a existencia de diferentes "dominios" espirituais de "frequências" diferentes. Aquilo que é sobrenatural para nós, seria o natural em outra dimensão da qual não supomos as leis e assim sucessivamente até o limite para além do qual só existiria a Eternidade Absoluta. Como seres de um mundo bidimensional, horizontal, plano, pra usar um exemplo, compreenderiam o que se passa num mundo de leis tridimensionais?Pode parecer absurdo às mente céticas, mas esse tipo de metafísica me parece plenamente justificada a partir do instante em que físicos e astrônomos se aventuram em declarar a possibilidade de multiversos estarem ocorrendo em paralelo ao nosso. Essa é a parte filsófica e metafisica do materialismo científico, muito usada para propor modelos cosmológicos ateístas.

A questão formulada para uma "causa" para Deus, no final, volta-se contra quem a formulou em defesa da Ciência, pois ela mesma não prevê um recuo infinito das causas, pois isso seria ilógico. Dentro de nosso campo de cognição, formado através da percepção de eventos ocorrendo em sequência, tudo requer um início. Mas e se essa condição fosse anulada como, ou onde, ficariam as leis da Ciência que aqui se aplicam? Esse estado, segundo os dados levantados pela Ciência, é relativo àquele imediatamente anterior ao momento do BigBang e ao aparecimento de toda matéria, do tempo e do espaço, e foi chamado de "singularidade", onde t=0. Nesse estado "incriado" do Universo nossas leis atuais não valem nada.Nossa concepção de tempo e espaço não cabem nele. Os estudiosos acreditam que todo o Universo estaria contido numa única partícula de energia pura, mas, em nossas mentes, se tudo que existe deve existir em algum lugar, num espaço determinado, de onde essa particula emergiu e o que existia para além dela, ou ainda, ao redor dela? Se mencionarmos isso a um físico certamente ele dará de ombros e dirá que pensar nesses termos é irracional.

Por causa dessa questão espinhosa, diante da qual Stephen Hawking declarou ter "claras implicações religiosas" (citado em John Boslough "Stephen's  Hawking Universe", New York, 1985 - citação do livro "Quando a Ciência encontra a Religião" de Ian G. Barbour), alguns astronomos renomados como Fred Hoyle acharam melhor continuar trabalhando com uma concepção de um universo eterno, sem inicio ou fim, como os gregos acreditavam, apesar da contínua confirmação dos dados acerca do início de tudo. Outros preferem a noção de um modelo de universo com ciclos sucessivos de expansão e contração, mas estudos recentes apontam para uma situação diversa da esperada para que tal evento possa ocorrer.

Enfim, o que nos interessa realmente aqui, é saber que tudo o que a Ciência pode fazer ao tratar o assunto da singularidade é filosofar e propor modelos baseados em paradigmas, a maioria deles, é claro, excluindo a hipótese divina. Assim, t=0 é uma abstração tão grande para a ciência quanto questionar sobre a existência Deus, como qualquer pessoa faz, aliás.

Se a Ciência, basicamente materialista, pois não pode afirmar a existência de algo além daquilo que estuda,  se propõe a investigar um universo finito dentro da matéria mas ainda não tem todas as respostas para as coisas finitas que se originaram dela, porque o Teísmo, que propõe o infinito como origem e objetivo de tudo deveria ter uma resposta final e cabal para as questões que estão fora do limite da compreensão humana?

De fato, vemos que a melhor explicação para um fato não necessita obrigatoriamente ela mesma de uma explicação, como no caso do BigBang e suas causas imeditamente anteriores.Podemos, pelos efeitos dele, estudar uma gama de eventos fazendo perguntas do tipo "Como?" e analisando as evidências podemos chegar a conclusões interessantes e verdadeiras, como no cenário de um crime, por exemplo. Para além dos fatos concretos, porém, provado o quanto baste as alegações, resta sempre outra classe de perguntas a serem feitas e são as perguntas "Por que?". As perguntas "Por que?" são mais subjetivas e penetram no campo da motivaçao por trás do ato. Esse tipo de perguntas das duas classes, tem levado o ser humano tanto  conclusões reais quanto falsas. Realizadas, porém, com lógica e raciocínio, mediante a observação e provas, tem levado o homem a descobrir as leis restritivas da natureza, ao mesmo tempo, que não necessariamente nos faz abandonar a noção dos antigos de que há um projeto inteligente, uma mente, por trás de tudo. Como disse Ian G. Barbour , físico e teólogo do Carleton College, na obra já citada, "O Teísmo não é intrinsecamente conflitante com a Ciência, mas sim, com a metafísica do materialismo".


Concluindo, Dawkins ainda revela outro fundamento essencial do seu naturalismo empedernido quando diz "Não devemos perder a esperança de que surja tal explanação na Física, algo tão poderoso quanto o darwinismo é para a Biologia" (Vejam, a ironia: Dawkins acha que a Física precisa de algo como a Teoria de Darwin para ser mais objetiva, pois em sua área, a biologia, está tudo resolvido: Deus já não incomoda; Logo, a Física que tem presenteado a humanidade com descobertas e ferramentas tão objetivas está capenga, segundo Dawkins por não conseguir refutar a tese de um projetista...). Em outras palavras, o seguidor do positivismo lógico, uma crença do séc. XIX, proposto por Dawkins, Dennet e Hitchens, seus maiores sacerdotes hoje, deve ter Fé na Ciência, fé na suposiçao de que, se ela ainda não tem o poder para explicar tudo, devem confiar de que logo isso mudará.

Descobrimos aqui que Dawkins deseja acabar com as religiões somente porque acha ter descoberto a substituta ideal para ela. Uma religião positiva, natural e militante que crê no poder explicatório de seus sacerdotes inerrantes e de seu principal profeta. Já tem até mesmo seu próprio livro sagrado, A Origem das Espécies, de Darwin.

Enfim, ter fé na Ciencia é melhor que fé em Deus, segundo Dawkins. Não importa que o registro fóssil não colabore e faça ruir a tal árvore da vida ensinada nas escolas, não importa se as descobertas da informação codificada no DNA desminta o acúmulo de informações necessárias para a evolução como propuseram o s neodarwinistas, não importa não importa se a extinções em massa de períodos como o Permo-Triásssico cloque em cheque os modelos de uma evolução lenta, mas gradual e constante, não importa se as chances matemáticas a favor do surgimento da vida a partir de matéria inanimada sejam praticamente nulas, não importa se as leis do universo estejam suspensas sobre um fio de navalha que permite existir ordem, beleza e organização crescente para comportar vida e consciência, etc, etc, etc.

Conclusão: Dawkins e sua turma de fundamentalistas da Ciência são apenas o outro lado da mesma moeda onde vemos os fundamentalistas religiosos que eles tanto criticam por querer impor suas verdades ao mundo de modo unilateral, visto que sua alegação final do argumento "Conclusão: Deus, quase com certeza, não existe." vem de lugar nenhum e está baseada num vazio e apoiada sobre nada de consistente em toda sua argumentação.

"As chances contrárias ao surgimento de um Universo como o nosso a partir de algo como o BigBang são enormes. Acho que existem claras implicações religiosas." - Stephen Hawking
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Série Vacas Sagradas Evangélicas: O Sermão

(Este post foi produzido de partes do capítulo 2 do livro "Cristianismo Pagão?" de Frank Viola e George Barna, editado no Brasil pela Abba Press)


"O sermão é a base da liturgia protestante. Por 500 anos, vem funcionando como um relógio.Cada domingo pela manhã (nota T.E.: os cultos dominicais são realizados pela manhã nos EUA) , o pastor sobe ao púlpito e profere uma inspiradora pregação a uma audiência passiva que esquenta os bancos. A razão pela qual a maioria dos cristãos vai à igreja é pela importância do sermão. De fato, o culto como um todo é tipicamente julgado pela importância do sermão. Pergunte a alguém como foi o culto do domingo e quase sempre receberá uma descrição do sermão. Soa algo como o seguinte: Pergunta: “Como foi o culto do domingo passado?”

Resposta: “Foi maravilhoso. O Pastor Peckman falou-nos da importância de plantarmos ‘sementes da fé’ para aumentar nossa renda; foi tremendo. Me motivou a dar todo meu salário no domingo próximo”. Em suma, o conceito do cristianismo moderno relaciona o sermão ao culto dominical matutino. Mas isso não pára por aí. 

A maioria dos cristãos é adicta do sermão. Eles vão à igreja como baldes vazios esperando que os pregadores os encham com mensagens de ânimo. Para o cristão típico, o sermão é a principal provisão de sustento espiritual. É mais importante que a oração, a leitura bíblica e a confraternização entre os irmãos. E, sejamos honestos, é ainda mais importante que a comunhão com Jesus Cristo (pelo menos na prática!). 

Elimine o sermão e você eliminará a fonte mais importante de nutrição espiritual para a maioria dos crentes. Todavia, a surpreendente realidade é que o sermão não tem raiz nas Escrituras! Melhor dizendo, oriundo da cultura pagã, ele foi adotado e nutrido pela fé cristã. Esta é uma declaração alarmante. É verdade? Mas há mais.

O sermão, que tem pouco a ver com o genuíno crescimento espiritual, na realidade não elimina
o propósito que Deus desenhou com relação à reunião da Igreja.

De onde vieram os Sermões Cristãos?
O mais antigo registro cristão relacionado à pregação de sermões refere-se ao final do século II.Clemente de Alexandria lamentava o fato dos sermões exercerem pouca influência nos cristãos.Todavia, apesar de seu reconhecido fracasso, o sermão chegou a ser uma prática normal entre os crentes no princípio do século IV. Isto sugere uma questão interessante. Se os cristãos do século I não se destacavam por seus sermões, de onde os cristãos pós-apostólicos adquiriram o costume de proferir sermões? A resposta é contundente: O sermão cristão foi adotado diretamente da fonte pagã da cultura grega!

Para compreender o nascedouro do sermão, temos que voltar ao século V a.C. e analisar um grupo de mestres peregrinos chamados sofistas. Atribui-se aos sofistas a invenção da retórica (a arte de falar persuasivamente). Eles recrutavam discípulos e exigiam pagamento dos interessados em ouvir seus discursos.

Os sofistas eram polemistas experientes (a arte de debater). Eles eram mestres no uso de apelos emocionais, aparência física e linguagem, para “vender” seus argumentos. Com o tempo, o estilo, a forma e a destreza da oratória dos sofistas chegou a ser mais estimada que sua exatidão. Engendrou uma classe de homens que chegaram a ser mestres na arte de falar, “cultivando o estilo pelo estilo”.24[24] As verdades que eles pregavam eram verdades abstratas e não verdades que eram postas em prática em suas próprias vidas. Eles eram peritos em imitar a forma no lugar da substância.

Os sofistas se tornaram conhecidos pelas roupas especiais que usavam. Alguns tinham uma residência fixa onde proferiam seus sermões regularmente à mesma audiência. Outros viajavam para proferir seus polidos discursos.Eles ganhavam bastante dinheiro nesta atividade). Às vezes, o orador grego entrava em seu foro de discurso “já vestido em sua batina de púlpito”. Depois subia os degraus para ir ao seu assento profissional onde sentava antes de proferir seu sermão.Para chamar a atenção sobre um ponto, o sofista citava versos de Homero. (Alguns oradores estudaram Homero tão bem que memorizaram muitos de seus textos).O sofista era tão arrebatador que incitava muitas vezes sua audiência a aplaudi-lo durante o discurso. Se sua mensagem era bem recebida, alguns diziam que seu sermão fora “inspirado”.

Os sofistas foram os homens mais distintos de seu tempo. Tanto que eles viviam por conta própria. Outros tiveram estátuas públicas erigidas em sua homenagem. (Isto não lembra muitos de nossos modernos pregadores?). Quase um século mais tarde, o filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) fez uma modificação na retórica ao agregar três pontos à mensagem. “O todo”, disse Aristóteles, “necessita um princípio, um meio e um fim”. Com o tempo, os oradores gregos implementaram o princípio dos três pontos de Aristóteles em seus discursos. Os gregos se intoxicaram da retórica.Assim, pois, os sofistas se deram muito bem. Quando Roma conquistou a Grécia, os romanos ficaram encantados com respeito à retórica. Por conseguinte, a cultura greco-romana desenvolveu uma cobiça insaciável por escutar alguém proferir um discurso eloqüente. Isso ficou tão em moda que depois de cada cena nos teatros se entretinha as pessoas com um filósofo profissional que proferia um pequeno sermão.

Os gregos e romanos antigos viram a retórica como uma das mais elevadas formas de arte. Conseqüentemente, os oradores do Império Romano foram honrados com o mesmo grau de encanto com que os estadunidenses homenageiam astros de cinema e atletas profissionais. Eles foram os astros mais brilhantes de seu tempo.

Os oradores conseguiam deixar uma multidão frenética simplesmente por sua poderosa destreza retórica. Os mestres da retórica, a fachada científica daquele tempo, eram o orgulho de cada cidade importante. Não demorou muito para que os romanos aprendessem dos gregos e se tornassem adictos do sermão pagão — como ocorre com muitos cristãos modernos adictos do sermão “cristão”.

A Chegada de uma Corrente Contaminada

Como é que o sermão grego foi parar dentro da igreja cristã? Por volta do século III, foi criado um vácuo quando o ministério mútuo do Corpo de Cristo se desvaneceu. Durante este tempo, o trabalhador itinerante que falava de uma forma espontânea deixou as páginas da história da igreja. Para substituí-lo, começou a surgir uma casta clerical. As reuniões abertas começaram a desaparecer, e as reuniões da igreja passaram a ser mais e mais litúrgicas.

Durante o século III, a distinção entre o clero e o leigo se disseminou rapidamente. Uma estrutura hierárquica começou a arraigar-se, e surgiu a idéia do “especialista em religião”.  Em virtude destas mudanças, o cristão funcional teve problemas para ajustar-se a esta estrutura eclesiástica tão diferente do que era antes. Não havia nenhum lugar para exercer seus dons. Pelo século IV, a igreja tornou-se completamente institucionalizada e o funcionamento do povo de Deus congelou.

Nesse meio tempo muitos oradores pagãos se tornaram cristãos. Como resultado, idéias filosóficas pagãs foram inadvertidamente sendo introduzidas na comunidade cristã. Isso resultou em que alguns dos novos crentes durante este tempo eram, antes da conversão, oradores e filósofos pagãos. Lamentavelmente, muitos destes homens foram os primeiros teólogos da igreja Cristã. São conhecidos como “pais da igreja”, contudo algumas de suas obras estão conosco.

Assim, a idéia pagã de um orador profissional treinado para proferir discursos ou sermões mediante pagamento passou diretamente ao sangue do cristianismo. Note que o conceito de “mestre especialista assalariado” não veio do Judaísmo. Veio da Grécia. Era costume dos rabinos judaicos dedicar-se a um trabalho ou profissão para não ter que cobrar pelos seus ensinamentos. Estes ex-oradores pagãos (agora cristãos) começaram a utilizar integralmente suas destrezas oratórias para fins cristãos. Eles se sentiam em seu cargo oficial50[50] e expondo o sagrado texto bíblico, como um sofista ao proferir uma exegese do texto quase sagrado de Homero...” 

Se você comparar um sermão pagão do século III com um proferido pelos pais da igreja, você encontrará a estrutura e a fraseologia de ambos bem similares.

Então, um novo estilo de comunicação passou a tomar forma na igreja cristã, um estilo marcado por uma polida retórica, uma gramática sofisticada, uma eloqüência descritiva, e um monólogo. Era um estilo desenhado para entreter e chamar a atenção sobre a destreza oratória do orador. Era a retórica greco-romana.Apenas aqueles que eram treinados podiam dirigir-se à assembléia! (Isso lembra algo?).

Um erudito descreve isso da seguinte maneira: A proclamação original da mensagem cristã era uma conversação de duplo sentido, mas quando as escolas oratórias do mundo ocidental aderiram à mensagem cristã, a pregação cristã transformou-se em algo bem diferente. A oratória tendia a substituir a conversação. A se sobrepor à conversação. A grandeza do orador tomou o lugar do assombroso evento de Jesus Cristo. O diálogo entre o orador e o ouvinte se desvaneceu em um monólogo.

Em suma, o sermão greco-romano substituiu a profecia, a mútua partilha e o ensino inspirado pelo Espírito. O sermão chegou a ser privilégio elitista de líderes da igreja, particularmente os Bispos.Tais cargos requeriam treinamento em escolas da retórica para aprender como falar. Sem tal educação, um cristão era impedido de falar ao povo de Deus.

Já no século III, os cristãos passaram a descrever seus sermões como homilias, o mesmo termo usado pelos oradores gregos ao fazerem seus discursos. Hoje, os seminaristas fazem um curso chamado homilética para aprender a pregar. A homilética é considerada uma “ciência que aplica as regras da retórica, tal qual na Grécia e Roma, onde teve origem”. Em outras palavras, nem a homilia (sermões) nem a homilética (a arte de pregar o sermão) tem origem cristã. Foram roubadas dos pagãos. Uma corrente contaminada se misturou com a fé cristã e envenenou suas águas. Essa corrente flui tão fortemente hoje como no século IV.


Como a Prédica do Sermão degrada a Igreja.

Embora venerado por cinco séculos, o sermão convencional tem contribuído das mais variadas formas para a degradação da igreja. Primeiramente, o sermão faz com que o pregador seja uma virtuose artística do culto eclesiástico. Como resultado, a participação da congregação fica obstaculizada (na melhor hipótese) e excluída (na pior hipótese). O sermão transforma a igreja em um auditório. A congregação degenera em um grupo de espectadores apagados presenciando um evento. Não há espaço para interromper ou questionar o pregador enquanto ele profere seu discurso. O sermão congela e trava o funcionamento do Corpo de Cristo. O sermão promove um sacerdócio dócil por permitir que os homens do púlpito com suas mãos agitadas dominem a reunião da igreja semana após semana.

Em segundo lugar, o sermão estanca o crescimento espiritual. Pelo fato de ser uma estrada de uma só mão, o sermão embota a curiosidade e produz passividade. O sermão debilita a igreja no que toca ao seu funcionamento. O sermão sufoca o mútuo ministério. Abafa a participação aberta. Estanca o crescimento espiritual do povo de Deus.

Como cristãos, necessitamos funcionar, exercitar, caminhar para poder crescer.Podemos crescer sentados como uma estátua de sal ouvindo um homem pregar de lá de cima do púlpito semana após semana? De fato, uma das metas do estilo da pregação e ensino do NT é incentivar você a funcionar. Isto encoraja você a falar na reunião da igreja.O sermão convencional obstaculiza este processo.

Em terceiro lugar, o sermão conserva a mentalidade do clero antibíblico. Cria uma excessiva e patológica dependência do clero. O sermão faz do pregador um especialista em religião, o único que tem algo de valor a compartilhar. Trata todos os demais como cristãos de segunda categoria, como esquentadores de banco (Embora isso não expresse o geral, é a realidade). Como pode o pastor aprender dos demais membros do Corpo de Cristo quando eles estão mudos? Como pode a igreja aprender do pastor quando seus membros não podem fazer perguntas durante sua prédica? Como podem os irmãos e irmãs aprenderem uns dos outros se eles estão amordaçados e não podem falar nas reuniões?

O sermão torna a “igreja” distante e impessoal. O sermão priva o pastor de receber o sustento espiritual da igreja. O sermão priva a igreja de receber nutriente espiritual mútuo. Por estas razões, o sermão é uma das maiores barricadas que impedem o sacerdócio funcional!

Em quarto lugar, em vez de equipar os santos, o sermão remove suas habilidades. Não importa quão forte e extensamente o ministro fale acerca de “equipar os santos para a obra do ministério”, a verdade é que a pregação de sermões não equipa ninguém para o serviço espiritual. Na realidade, o povo de Deus acostumou-se tanto a ouvir sermões que os pastores acostumaram-se a pregá-los. (Sei que alguns cristãos não gostam de pregações a cada semana, mas parece que a maioria as desfruta).Em contraste com a pregação, o ensinamento do estilo neotestamentário equipa a igreja para que funcione sem a presença do clero.

Em quinto lugar, o moderno sermão é totalmente contraproducente. A maioria dos pregadores é especialista em coisas que nunca experimentou. Por ser abstrato e teórico, piedoso e inspirador, demandante e obrigatório, entretido e ruidoso, o sermão não coloca os ouvintes em uma experiência direta e prática daquilo que é pregado. Assim, pois, o sermão típico é uma lição de natação em terra seca! Falta todo valor prático. Prega-se muito no ar, mas ninguém aterriza. A maioria das pregações é dirigida ao lóbulo frontal. A moderna pregação do púlpito falha em ir além da mera disseminação de informações sobre equipar crentes a experimentar e utilizar aquilo que escutam.

O sermão reflete seu verdadeiro pai — a retórica greco-romana. A retórica greco-romana estava mergulhada em abstrações.Esta “envolvia formulas desenhadas para entreter e revelar o artista orador em vez de instruir ou desenvolver talentos em outras pessoas”.O moderno sermão polido pode acalentar o coração, inspirar a vontade e estimular a mente. Mas raramente, ou nunca, indica como se retirar da conferencia!

De qualquer forma, o sermão não promove crescimento espiritual. Mais que isso, ele agrava o empobrecimento da igreja.Os sermões atuam como um mero e momentâneo estimulante.
Seus efeitos são extremamente efêmeros.

Sejamos honestos. Há multidões de cristãos sendo “sermonizados” há décadas, todavia, continuam na condição de bebês em Cristo.Nós cristãos não somos transformados por escutar sermões. Somos transformados por um encontro regular com o Senhor Jesus Cristo.Os que ministram, portanto, são chamados a assegurar que seu ministério seja intensamente prático. São chamados não apenas para revelar a Cristo, mas para mostrar a seus ouvintes como experimentá-lo, conhecê-lo, segui-lo e servi-lo.
Se um pregador não consegue levar seus ouvintes àquela experiência viva e espiritual que ministra, os resultados da mensagem serão efêmeros. Portanto, a igreja necessita menos gente no púlpito e mais facilitador espiritual. Há uma necessidade urgente de pessoas proclamando Cristo e sabendo como levar o povo de Deus a experimentar esse mesmo Cristo proclamado.

Necessitamos restaurar a prática do século I da exortação mútua e do ministério mútuo. No NT, a transformação espiritual depende destas duas coisas.Naturalmente, o dom do ensino está presente na igreja. Mas o ensino deve fluir de todos os crentes107[107] tanto quanto flui dos que possuem dons especiais para ensinar. Nós deixamos a Bíblia de lado quando permitimos que o ensino tome a forma de um sermão convencional e o relegamos a uma classe de oradores profissionais.

Concluindo

O sermão do púlpito não é o equivalente à pregação encontrada nas Escrituras.A prática do sermão não é encontrada no Judaísmo do AT. Não é encontrada no ministério de Jesus, nem na vida da Igreja Primitiva. Além disso, Paulo disse aos gregos convertidos que ele próprio recusou ser influenciado pelas formas de comunicação utilizadas pelos pagãos de seu tempo.

O sermão é uma “vaca sagrada” concebida no ventre da retórica grega. Nasceu na comunidade cristã quando os ex-pagãos (agora cristãos) começaram a levar seus estilos de oratória para a igreja.

No século III era comum o líder cristão proferir sermões. No século IV virou norma. O cristianismo absorveu sua cultura circundante.Quando o pastor sobe ao púlpito exibindo sua veste clerical e proferindo seu sermão sagrado, ele exerce o papel do antigo orador grego.

Todavia, apesar do fato do sermão não possuir nenhum mérito de fragmento bíblico que justifique sua existência, este continua sendo admirado e isento de crítica nos olhos da maioria dos cristãos modernos. O sermão entrincheirou-se de tal forma na mente cristã que a maioria dos pastores e “leigos” que crêem na Bíblia falham em ver que por pura tradição afirmam e perpetuam uma prática antibíblica. O sermão chegou a ser permanentemente embutido em uma estrutura organizacional complicada, bem longe da vida eclesiástica do século I.

Diante de tudo que descobrimos sobre o sermão moderno, considere estas questões penetrantes: 

Como pode um homem pregar um sermão sobre “ser fiel à Palavra de Deus” se a prática do sermão não é bíblica? Como pode um cristão sentar-se passivamente em um banco de igreja e passivamente afirmar o sacerdócio de todos os crentes desse mesmo banco? 

Para personalizar um pouco mais:Como é que você, querido cristão, pode pretender defender a doutrina protestante de base puramente bíblica ao mesmo tempo em que apóia o sermão do púlpito?

Como disse eloqüentemente certo autor, “o sermão é inquestionável em termos práticos. Passou a ser um fim em si mesmo, sagrado, subproduto de uma reverência distorcida pela tradição dos anciãos...”. Parece estranhamente inconsistente que aqueles que estão mais dispostos a defender a Bíblia como a Palavra de Deus, “supremo guia em todos assuntos de fé e prática” se encontrem entre os primeiros a rechaçar os métodos bíblicos em favor das “cisternas quebradas” de seus pais (Jeremias 2:13). Em outras palavras, não há espaço no curral da igreja para vacas sagradas como o sermão!"

Acesse o link para baixar o livro de Frank Viola em arquivo RAR


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AS I LAY DYNG - Vídeos Comentados

Bem...que o AILD é uma banda incrível eu já escrevi por aqui, mas outra coisa notável a seu respeito são seus clips, especificamente, dois feitos para o álbum "An Ocean Between Us", incluindo o video nomeado para o Grammy de 2007, "Nothing Left", e sua sequência, algo meio que inédito em clips, "The Sound of Truth". Além deles, temos o último trabalho de divulgação da banda para o último album, "The Powerless Rise", com a música "Parallels". Vamos disponibilizar também as letras para uma melhor compreensão do contexto daquilo que a banda quer passar como mensagem. Há muitas coisas interessantes para analisar nesses vídeos.

NOTHING LEFT - NADA MAIS


Este mundo nunca foi digno
Mas como posso chamá-lo de infiel
Todas as promessas foram cumpridas
Como decadência que se arrasta de sua garganta
Como o morto saindo da sepultura aberta
Lábios de esplendor e língua de engano
Tudo morre agora assim como nosso frágil pulso só contém resíduos

Como aqueles que ofegam por um último suspiro
Não podemos esconder que não há mais nada

Se toda minha aflição me guiou até aqui
Então posso chorar todas as minhas lágrimas
Para ter essa chance outra vez
E saber que há mais do que isto
E saber que há mais do que você

Como aqueles que ofegam por um último suspiro
Não podemos esconder que não há mais nada

Num mundo futurístico como nos é apresentado na primeira cena, vemos uma realidade de tirania e opressão através da discriminação e intolerância a pessoas que desenvolvem um tipo de doença que pode ser contagiosa. A personagem principal da história se vê acuada pelos outros que a vêem como um ser inferior, menos que humano ao descobrirem que ela é portadora do "mal". A cena seguinte nos mostra uma estrutura muito parecida com o Coliseu, lugar onde os cristãos foram massacrados por muitos anos, como um câncer a ser estirpado na sociedade romana. Não há sinal algum de misericórdia ou compaixão nas faces das pessoas pela mulher exposta a vergonha pública enquanto a figura que parece ser o "César" do local incita a massa até que ele dê o sinal indicando a condenação: o polegar para baixo tão característico da ordem que os Césares davam para que alguém fosse executado. O clip termina com a mulher sendo levada para fora da cidade rumo a um tipo de prancha sobre um precipício e sua execução parece algo inevitável.

O final melancólico e aparentemente injusto da trama ressalta a injutiça do mundo relatada na letra de Tim Lambesis. a execução, perseguição e a intolerância com pessoas "diferentes" e consideradas "aberrações pelos mais variados motivos tem sido a tônica o mundo desde há muito tempo. Nós sempre rotulamos, discriminamos e perseguimos aqueles que são "diferentes". 

A intolerância exposta no video pode ter muitas fontes e acontecer de muitas maneiras. Não somente os cristãos foram perseguidos e mortos por suas convicções na história. Os leprosos foram banidos da sociedade durante séculos por ignorancia e medo. Os nomeados "cristãos", por sua vez, perseguiram os judeus por toda Europa. "Cristãos" perseguiram e mataram "cristãos" durante a época da Reforma. Liberais ateus perseguiram e mataram "crentes", expuseram padres e freiras a execração pública pelas ruas de Paris durante a Revolução Francesa. A intolerância anda juntamente com o medo e o ódio daquilo que não podemos entender nem aceitar totalmente. 

 A idéia do clip também pode girar em torno da projeção de uma sociedade futuristica onde a fé em DEUS poderá ser encarada como uma doença e exposta a um julgamento público. 

Mas que tal pensamos se estamos nós mesmos hoje em dia encarnando esse espírito tão horrível promovendo o medo e a desconfiança a certos tipos de pessoas só porque não aceitamos o seu modo de ser e viver? De que lado queremos estar realmente? Apontando, acusando e condenando? Nas palavras de Lambesis, o mundo cumpriu todas as suas promessas e é isso aí mesmo, não devemos esperar dele outra coisa, mas e quanto a nós, não deveríamos ficar do lado daqueles que "ofegam por um último suspiro", uma última chance de encontrar na vida algo "além do que isto" aqui oferece?

The Sound of Truth - O som da Verdade

Temos ouvido tudo que queriamos ouvir
A "Verdade" que soa bem aos nossos ouvidos

Mas que sabedoria há em nós
Para vivermos baseados nos sentimentos de nossos corações?
Quantas vezes os instintos nos desapontaram
Nunca parar para pensar
Nunca ser questionado
Diga o que realmente significa
Quando sua ambição te chama
Para que serve orar
Se você só ouvirá o que quer ouvir?

Falamos de lutar para resistir a este mundo
Mas, e quanto à batalha que existe dentro de nós?
Se temos escolhido viver contra a maré
Então como estamos diante do mesmo caminho?
Não há diferença entre nós e eles
Se buscamos tão cegamente a verdade de sentimentos.

Temos ouvido tudo que queriamos ouvir Verdade que soa bem aos ouvidos

O clip começa onde "Nothing Left" termina, ou seja, na prancha de execução. Mas algo está acontecendo na tal cidade futurística, um tipo de rebelião ou revolução que leva muitas pessoas às ruas. Elas não estão satisfeitas com o governo daquele "caroinha" de preto e então saem às ruas depois de libertarem a garota da morte certa. A rebelião chega até a sede do governo onde os rebeldes capturam o ditador e o levam a julgamento público naquele "Coliseu" onde antes a garota foi julgada. Repare que o povo que antes apoiava o tirano agora quer sua cabeça e a única que não parece realmente a vontade ali é a garota que seria executada. Quando o ditador é atirado ao solo e depois levantado repare que suas luvas ficam no chão e, então, algo ocorre. O déspota olha de modo estranho para suas mãos sujas de lama, sujas de uma terra manchada com o sangue de tantos condenados por ideologias opostas. 

Só para lembrar, alguns minutos antes, a mão é mostrada por um dos "rebeldes" como uma senha para adentrar a uma reunião fechada dos revolucionários. Talvez para salientar a diferença entre os oprimidos e o opressor, que sempre aparecia gesticulando com as mãos cobertas pela luva preta.
O significado real daquilo que a banda queria passar somente eles mesmos poderiam responder, mas creio que o sentido simbólico disso é que nesse instante a "ficha" cai para muitos ali e ocorre uma identificação psicológica do povo com o ditador. Eles são iguais em essência. Ele era seu governante porque eles o permitiram e cederam todo poder a alguém que era a extensão deles mesmos. Isso é comum na História. Os nazistas só chegaram ao poder com o apoio popular, o mesmo com os comunistas na Rússia e na China. Cada revolução vitoriosa na História está alicerçada ou no apoio popular ou na omissão do povo em tomar posição frente a um levante.
Todos conhecemos o ditado que diz: "Todo povo tem o governo que merece", o que é verdade, até certo ponto. 

Vejamos o Brasil. Todos reclamamos dos nossos políticos, mas não são eles brasileiros como nós? O que nos faz pensar que seríamos diferentes deles se estivéssemos lá? Seria razoável se admitessemos que nossa classe política é o espelho do que é o brasileiro moralmente, ou não? Nossa apatia em exigir mudança nos diz mais sobre nós do que pensamos. 

Em consonância com a letra, a banda expõe a verdade de que o pensamento cristão que inspirou as bases dos ideais de direitos humanos dos estados modernos e tomou o poder despótico de governos derivados do Império Romano, não mudou em essência o ser humano.

Continuamos sendo cristãos nominais mas usando as mesmas armas de sempre para prevalecer nossos pontos de vista, ouvindo as "verdades" que escolhemos e agindo de acordo com nossas escolhas baseadas em não mais do que gosto pessoal. A Verdade cristã, que a banda quer salientar, sempre conduz a um confronto com nossos modos de enxergar as coisas e as medidas que usamos para "manter" a aparência do mundo ao nosso redor. 
Resta saber se a banda vai produzir algum tipo de sequência para a história, que a meu ver, não está finalizada.

Há espaço para mais um episódio para fechar a reflexão iniciada por esses dois excelentes vídeos que mostram que uma banda metal não precisa ser acéfala para ser boa e que o bandas cristãs podem trazer um conteúdo muito importante para a mente dos jovens que gostam do estilo.


Parallels - Paralelos



Estamos todos em coma; Somos superalimentados...mas subnutridos, ansiosos para algo mais.
Nunca famintos e ainda assim nunca satisfeitos. Lascivos, porém, sem nenhuma carne ou mente útil.

Eu sou uma contradição ambulante que encontrou estabilidade
consumindo tudo, sem produzir nada substancial.

Nos paralelos nós batalhamos...batalhamos para conservação, há um jeito melhor para sermos libertados.
De tudo o que almejamos, tem que haver algo melhor na vida do que simplesmente estar vivo...do que simplesmente estar vivo.

Não somos mais iguais como eu espero  mostrar. Há um caminho melhor se nós apenas deixarmos rolar.
Nós não somos...nós não somos iguais...nós não somos....nós não somos os mesmos...deixa isso rolar (abandone).

Na tensão entre o desejo ávido ou simples necessidade
Fica claro que os poucos limites entre os únicos nós preservamos.

Não somos mais iguais como eu espero mostrar. Há um caminho melhor se nós apenas deixarmos isso
Nós não somos...nós não somos os mesmos...nós não somos....nós não somos os mesmos.
Deixa rolar... Não somos mais os mesmos.

Nos paralelos nós lutamos para conservação,
há um jeito melhor para sermos libertados...para sermos libertados.
E nos paralelos (paralelos) nós batalhamos para conservação (batalhamos para conservação),
há um jeito melhor para sermos...para sermos libertados.


Em “Paralels” vemos uma crítica contundente ao sistema  que faz do ser humano um produto montado em linha. Inertes, como num estado de coma, simplesmente somos condescendentes num processo que tenta uniformizar cada ser para que seja útil às engrenagens da grande máquina. Vemos a tal “máquina” arrancar a cabeça de um cidadão para “plantar” ali uma cabeça de pássaro igual a de todos os outros. O vídeo mostra que somos colhidos para participar desse processo desde bebês e parece não haver um meio de nos livrar dessa escravidão, mas como a letra diz “Há um meio melhor para sermos libertados”. A expressão “let it GO” usada para definir de que modo se dará essa “libertação” é de difícil tradução pois se trata de uma expressão idiomática que depende muito de contextualização e interpretação. Literalmente, quer dizer “deixe ir” ou “deixe rolar”, mas pode significar de um modo mais profundo, uma espécie de deserção, de abandono de uma causa ou motivo.

De acordo com o contexto da letra, a banda faz referencia ao estado letárgico em que cada um está imerso nesse processo, mesmo sentindo-se vazio e ansioso por uma Vida realmente significativa. Nesse sentido, somos nós mesmos os responsáveis por mudar a direção e buscar um sentido e horizontes que ampliem nossa percepção de vida. Como disse Lambesis em entrevista recente publicada por aqui, o objetivo em geral das letras do novo cd é mostrar que é possível ter “Uma vida mais simples em comunidade que permita que todos tenham uma vida muito mais livre da corrupção e da ganância”.

Parece que já é realmente tempo dos jovens cristãos acordarem da alienação religiosa e serem os portadores de uma mensagem mais poderosa para essa geração Y. Essa mensagem, firmemente alicerçada em valores espirituais, antes de fazer qualquer apologia doutrinaria ou dogmática, ganha ares de contracultura ao questionar os sistemas de controle e massificação do pensamento, ferramentas presentes também dentro da religião institucional. Ao fazer isso, gente como o AILD, P.O.D., Brian Head entre outros estão levantando suas vozes para acordar muitos jovens não só para a realidade de que podem escolher outro caminho, mas apontando que a única real saída é a transformação interior proposta nos Evangelhos. E isso é muito diferente de propor religião.


Bom, é isso aí. Se alguém quiser adicionar algum comentário ou fazer alguma ressalva, fiquem à vontade. 









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